UM CURSO EM MILAGRES
02 DE ABRIL DE 2003
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.


PRINCÍPIO 27
Um milagre é uma bênção universal de Deus através de mim para todos os meus irmãos. O privilégio dos perdoados é perdoar.

Livro texto
Página 19
5.
Quaisquer que sejam as mentiras em que possas acreditar, não concernem ao milagre, que pode curar qualquer uma com a mesma facilidade. Ele não faz distinções entre percepções equivocadas. A única coisa que concerne a ele é distinguir a verdade de um lado e do outro o erro. Alguns milagres podem aparentar maior magnitude que outros. Mas lembra-te do primeiro princípio deste curso: não há nenhuma ordem de dificuldades em milagres. Na realidade, tu és perfeitamente intocável por todas as expressões de falta de amor. Essas podem vir de ti e de outros, de ti para os outros e dos outros para ti. A paz é um atributo em ti. Não podes achá-la do lado de fora. A enfermidade é alguma forma de busca externa. A saúde é paz interior. Ela te permite permanecer imperturbado pela falta de amor externo e ser capaz, através da tua aceitação dos milagres, de corrigir as condições resultantes da falta de amor nos outros.

Jorge: Cada doutrina, livro ou curso que a gente participa pode adotar um sistema, onde as palavras têm significado diferente. O Curso em Milagres explica em alguma parte que, as palavras, às vezes, podem ter um significado diferente do que nós estamos habituados a trabalhar comumente. Assim ele coloca que nós somos espírito, mente e físico.
O espírito é perfeito, a mente é o aprendiz e o físico é o instrumento de aprendizado.
Os erros e as doenças acontecem primeiro na mente, porque o espírito é inatacável, inabalável, é perfeito, está em paz para sempre, neste sentido. Sei que em algumas situações é comum as pessoas colocarem, não é que esteja errado, apenas uma questão de interpretação do significado das palavras, que as doenças acontecem primeiro no espírito. O Curso em Milagres diz que acontecem primeiro na mente, não no espírito. Ele reforça neste parágrafo que, tu és espírito e que, tu tens a paz para sempre, és invulnerável, inatacável, sob qualquer circunstância, nada pode te abalar, nada pode te atacar no nível do espírito, essa foi a compreensão que tive.
Nós já somos paz, nós já somos amor, inatacáveis, invulneráveis, inabaláveis, até mesmo pela falta de amor das pessoas que nos cercam, então por que isso nos abala quando uma pessoa externa vem e me ataca com a sua falta de amor? Por que eu me sinto abalado por isso? É porque eu não estou conectado com o meu espírito, eu estou conectado com o meu físico. Então quando as pessoas atacam o meu físico ou o meu intelecto eu me sinto atacado. Mas o intelecto, nós vimos que ele é o aprendiz, a mente é o aprendiz, e o corpo físico é o instrumento de aprendizado. Então não temos que nos abalar, se alguém por falta de amor, vai atacar a nossa crença ou o nosso corpo físico. Porque nós temos que nos sentir perfeitos e enquanto neste estado alterado em que nós não estamos perfeitos e as imperfeições, geradas pela falta de amor nos atacam, enquanto estamos neste sentido, aí é que precisamos dos milagres. Para quê? Para sair e voltar para a nossa conexão. A questão que nós devemos trabalhar não é o que diz: “Puxa! Então eu tenho que entrar nesse estado espiritual de paz interior profunda para receber os milagres”. Quando você está neste estado, você não precisa mais de milagre nenhum, aí você pode entrar neste estado para oferecer milagres, para o Jorge, por exemplo, ele está precisando muito. Isto é o estado de santidade, por isso que a gente pede milagres para o Santo e não pro Jorge. Por que? Porque o Santo já está purificado ele está conectado com a fonte dos milagres. Os milagres são para aqueles que não estão santificados. Oferecer um milagre ao invés de pedir milagres para o Santo? Vocês já ouviram alguém oferecer um milagre para o Santo? Ele não precisa. Você não precisa se preocupar para entrar num estado de santidade para receber milagres. Quando você estiver nesse estado você tem que se preocupar em fazer os milagres que a turma vier te pedir. É muito interessante isto, sempre fui muito rebelde, meio irreverente e, durante algum tempo eu questionava: “Por que pedir milagres para santo, passar por mediador? Eu vou pedir diretamente para Deus!” Com essa interpretação do Curso em Milagres eu passei a compreender que, o Santo está com tudo na mão! Passou a fazer sentido para mim, pedir para o Santo, porque ele já chegou neste estado de estar sem máculas, porque ele já alcançou o perdão total e ele pode nos dar perdão porque ele tem. O milagre é o perdão. Por que a gente pede milagres? A gente pede milagres porque tem uma conta que não consegue pagar. Então, conseguir o perdão da conta seria um milagre. É por causa das nossas dívidas é que precisamos de milagres, porque as dívidas são as nossas divisões, então podem pedir milagres à vontade.
Eu aprendi uma lição muito interessante neste parágrafo, acho que era o milagre que eu estava precisando neste momento, onde ele ensina como nós devemos fazer para não deixar que nada nos abale, porque nós somos inabaláveis, nós temos que aprender a estar invulneráveis, até mesmo com a falta de amor das pessoas. Porque a falta de amor, Ele diz:
“Pode partir de mim para você, de você para mim”. Pode surgir de todas as direções, mas você não pode se abalar, eu não posso me abalar, eu vou fazer disso a minha meditação da semana, vou meditarem cima disso. Meditar é dizer a mim mesmo de como deve acontecer.
Participante: Neste parágrafo fala em “Aceitação dos milagres”, o que significa?

Jorge: Quando nós pedimos um milagre ele acontece no mesmo instante. Quando nós oferecemos um milagre ele acontece no mesmo instante. Porque não há nenhum pedido de milagre negado. Não há nenhum pedido de milagre que fica engavetado. Não há nenhum oferecimento de milagre que fica na gaveta ou para acontecer depois. Então, o que é “aceitação dos milagres?” É o tempo que nós precisamos para assimilar aquela oferta nova que nos é dada de uma nova condição. Por que? Porque nós tememos muito as mudanças, tememos muito as alterações de condições, não importam quais sejam.

Uma História: Um rapaz tinha um trabalho onde ganhava 200 reais por mês. Ele recebeu uma oferta de uma outra empresa onde ele iria ganhar 1.000 reais. Ele estava muito assustado e veio conversar comigo. Então eu perguntei para ele:

Jorge – Por que você está assustado?

Rapaz – Ah, porque lá pode não ser bom!

Jorge – Lá pode não ser bom e você vai ganhar 1.000 reais, onde você está trabalhando você ganha 200 reais, e é bom?

Rapaz – Não.

Jorge – O que te assusta neste novo emprego onde você vai ganhar mil?

Rapaz – Ah, eu não sei se o chefe vai gostar de mim?

Jorge – E onde você trabalha, o chefe gosta de você?

Rapaz – Não, mas eu não sei se vou encontrar bons colegas, se vão ser legais.

Jorge – Onde você está os colegas são legais?

Rapaz – Poucos.

Jorge – Por que você ainda não trocou para o emprego de mil?

Nós sempre pensamos que a mudança pode ser para pior, tememos que qualquer mudança pode nos levar a piorar, então nós tememos as mudanças, qualquer que sejam elas. Quando nós estamos na situação de grandes dificuldades alguém nos oferece um milagre ou nós pedimos um milagre para o Santo, às vezes, está aqui, logo acima da cabeça, ao alcance da minha mão, erguer as mãos para o céu e pegar o milagre, trazer isso para o nível onde estou na terra, mas eu fico pensando: “será que pego, será que não pego?”. Por isso na nossa meditação diz: “a cura vai acontecer à medida que você permitir”. Por que nós dizemos isso duas vezes todos os dias que viemos aqui? Para que a gente comece a aceitar a cura. O milagre também acontece na medida em que nós permitirmos, o perdão acontece na medida que eu permitir. Tem uma coisa que é incontestável: Pediu levou. Então, por que eu só vou ganhar isso daqui a 50 anos?
É porque você levou 50 anos para aceitar aquilo. Então quando nós demoramos pára aceitar uma nova situação, quando demoramos para aceitar uma transformação em nós, quando demoramos para aceitar que pode haver um outro jeito, que pode acontecer de outra maneira, pode de repente ser assim, então é o tempo que demora, é o tempo da aceitação do milagre. Porque se a paz já é nossa, se o amor já é nosso e nós mudamos para uma situação pior, agora nós temos medo de qualquer mudança possa piorar mais. A 1ª mudança fio do paraíso para este plano que nós estamos. É bom aqui? Estão todos cheios de amor, andam na rua tranqüilos, só se ouve falar de amor, todos estão alegres e vocês têm tudo que querem? É médio, para não ser pessimista, não é? Se colocar isso em comparação com o paraíso, conforme sua concepção de paraíso, o que é melhor, aqui ou no paraíso? Então aqui não é tão bom quanto eu gostaria que fosse. Aqui ainda estou com carências, com faltas com irritações, com conflitos, com coisas que eu não gostaria de ter. Paraíso para mim é ausência disto. Então se não é bom aqui, por que eu tenho medo de mudar para o estado de paraíso? Porque pode ser pior, eu conheço aqui, o paraíso eu não sei se vai ser melhor ou pior. O que eu estou dizendo: “Este emprego de 200 reais eu conheço, o de 1.000 eu não conheço”. É por isso que muitas vezes nós não somos prósperos, não temos tudo aquilo que nós queremos aqui, em todos os níveis. É por isso que eu não tenho todo o amor que eu quero, porque o tanto de amor que eu tenho está bom, eu não sei se botar mais amor não vai estragar. “Se ficar melhor estraga”, a gente tem estes ditados, estes ditames para nós mesmos. É o ego ditando para nós que assim está bom, “não mexe, não mexe em nada!”.
Vocês não sabem o que uma pequena mudança pode causar de pânico nas pessoas. Já trabalhei em administração de empresas, onde de vez em quando a gente fazia um teste, só para ver como as pessoas se comportavam com pequenas mudanças, porque nós tínhamos dificuldades na empresas de colocar pequenas mudanças para as pessoas, elas entravam em pânico, paravam de ser produtivas. Uma das situações que nós tivemos foi assim: Pegamos a mesa do André e colocamos lá perto da janela, sem ele saber, quando ele, pela manhã, chega no trabalho e vê que a mesa dele foi mudada, entrou em pânico, a mesa dos outros não foi mudada, só a dele. Ele ficou perguntando: Por que agora eu tenho que sentar lá? Quem mudou minha mesa? O que eu fiz? Numa outra situação, retiramos uma mesa do escritório, onde trabalhavam cinco pessoas numa sala, retiramos a mesa, a cadeira, a lixeira, o arquivo, o telefone, tudo que era de uso daquela pessoa e ficamos esperando para o outro dia de manhã. O tumulto foi muito grande. A pessoa entrou em desespero, chorou. A gente fazia isso para ver por que uma mudança na empresa era boicotada. O que aconteceu nesta sala aqui, onde nós estamos agora? Nós tiramos uma parede que tinha aqui, aumentamos a sala, ficou melhor. Tiveram pessoas que não gostaram, ficaram com medo. Isso é muito natural, isso é o medo da mudança. Porque a pessoas se sentia tão estável aqui e quando ela entrou aqui e não estava igual, ela se desestabilizou. Porque a nossa estabilidade é muito presa na matéria, na estabilidade que as coisas têm, quer ficar daquele jeito a vida toda. Tem uma outra situação que é muito interessante, que é assim: -Tem pessoas que às vezes ficam 3, 4 até 5 anos sem aparecer na livraria, você precisa ver o ar de felicidade quando elas entram na porta e dizem: Ah, que bom, ainda está aqui! Elas se sentem seguras. Por que? Porque é uma referência de estabilidade. Por que? Porque a pessoa viajou e ficou morando 5 anos noutro Estado, quando ela voltou para cá ela foi comprar trigo integral na loja da esquina e não tinha mais a loja. Isso nos remete a um referencial interno de que as coisas não são estáveis, de que não tenho segurança. “Jurava que tinha ali e não tem mais”. Quando você chega num lugar e encontra uma pessoa conhecida “ainda é o Jorge e a Raquel que estão aqui” as pessoas se sentem muito seguras. É a referência de estabilidade.
Isso que diz neste Parágrafo. Onde encontramos paz, por que é que ficamos doentes? Porque estamos muito referenciados no externo. Porque uma pessoa vem com tanta segurança comprar um quilo de arroz integral naquela lojinha e a lojinha não está aí, a pessoa pode ficar doente. Por que? Porque ela perde a referência de estabilidade. Isso é um sentimento que está no nível das nossas carências às vezes. Eu tenho que ser feliz o tempo inteiro, a felicidade para mim tinha que ser uma linha contínua, independente se eu chego num lugar e ali alguém me reconhece ou não.Outro dia fui num lugar e eu havia estado lá no final do ano passado. Eu cheguei e uma pessoa veio até mim e disse:- Ah, o senhor se lembra de mim, quando o senhor esteve aqui no ano passado? Eu perguntei: -Como é o teu nome? Ele disse: -Meu nome é Salécio! Eu disse:- Puxa, Salécio, que bom encontrar você! Isso mostra o que? Eu deveria estar feliz sempre assim, independente de ter encontrado com o cara no passado ou não. Por que eu não sou feliz sempre assim? Isso que eu tenho que questionar. Não tenho que questionar o momento de felicidade, eu tenho que questionar os outros momentos em que eu não sou feliz.
Às vezes eu vou viajar e fico um ano sem chegar num lugar e chego lá e a pessoa me reconhece. “Puxa, como é bom!”. A pessoa me reconheceu ela se lembra de mim, me dá aquela sensação de felicidade, de segurança de estabilidade. Por que eu não sou assim o tempo inteiro, feliz, seguro, estável, é por aí isso que o livro nos diz. Nós temos e já somos assim, nós apenas não somos integralmente, porque não estamos íntegros. Por isso, não estamos assim no tempo integral. Estamos divididos porque nós não estamos íntegros. No momento em que nós vamos desfazendo as divisões, essa integridade se estabelece. Você vai ficando mais feliz, por mais tempo. Você pode conseguir em 5 minutos, ou em 5.000 anos, você que decide, porque você já tem isso e isso vai acontecer na medida que você em permitir que aconteça. A gente tem que tirar proveito de tudo porque tudo isso está no nível da matéria e nossa mente é o aprendiz, ela tem que aprender com tudo que acontece, ela tem que aprender com a estabilidade, com a instabilidade. Se ele vê, ainda instabilidade, é porque ela ainda não aprendeu. É na instabilidade que nós temos oportunidade de aprender também, porque o Espírito Santo pode reinterpretar tudo a nosso favor, eu sou espírito e meu espírito é Santo. Nesse sentido, é só colocarmos tudo que nos acontece, elevarmos ao nível do espírito, aí que está realmente a sabedoria. Tudo que acontece para o benefício, para a sabedoria. Se nós começarmos a aprender com todas as mudanças que nos aparecem, ver que podemos aprender com isso, aí a gente chegou, se não está lá, está bem perto, ta no caminho.
Temos que estar dispostos a aprender com tudo. Com tudo que é estável a gente aprende que têm coisas que são estáveis. Temos que aprender a aprender a discernir. Que a nuvem não é estável, mas que o céu é. Então você leva isso a uma proporção de que a existência no mundo não é estável, o mundo não é estável, mas a eternidade é. Quando eu não entendo a eternidade, eu começo a trabalhar dentro das proporções possíveis ao meu entendimento. Então essas mudanças, quando eu mudo de casa eu tenho que aprender a mudar, eu tenho que aprender essas transformações e sempre que a gente muda deixa coisas para trás e outras novas vêm, isso que nós temos que aprender. Então, a mudança pode servir como instrumento de aprendizado? Não só pode, como é. Tudo é instrumento de aprendizado, tem que olhar para uma coisa e aprender, aprender com aquilo, não importa o que seja.
Um dos grandes mestres que eu tive, eu conheci bem recentemente e eu o vi por muito pouco tempo. Ele estava dando uma palestra e então falou a respeito dum aprendizado que ele teve, como ele aprendeu, ele colocou assim:- Ele estava olhando para um charco sujo. Charco é aquele buraco com água enlamaçada, estagnada, lá no meio do campo. Ele ficou olhando e questionou: qual é a finalidade daquele charco? Observou que o Charco, em um determinado momento, olhou para cima e decidiu que queria se elevar e se purificar. Então, aos poucos, muito lentamente, a água suja do charco foi se tornando vapor e subiu. Lá em baixo, ficou só o chão. A água toda se purificou, sutilizou-se, tornou-se leve e subiu. Então, subiu ao nível do céu e transformou-se numa nuvem. Então, lá de cima, olhou para baixo e viu o quanto, os que lá em baixo estavam, precisavam dessa purificação, então se fez chuva e desceu novamente. Isso, eu aprendi com Hermógenes, que é um Yogui, foi um aprendizado fantástico. Aprendi tanto com este pequeno conto, que eu disse: Puxa vida! Por que eu não estou olhando para o charco e aprendendo isso. Por que a gente não aprende? Esse é um nível de compreensão que minha mente consegue compreender, como é que alguém se eleva, chega ao céu. A água mais suja, que está lá no buraco no chão faz isso, porque eu não faço. No momento em que eu permitir isso vai acontecer, eu vou me purificar, vou me tornar leve e quando me tornar leve à elevação acontece. Isso é um trabalho que vai acontecer no momento que nós nos permitimos. Vai acontecer à medida que eu me permitir, a purificação vai acontecer, na mesma proporção vai acontecer de eu me tornar mais feliz, na mesma proporção eu vou me propor a me purificar mais, então isso é uma coisa que está toda ligada, não tem como separar isto. É aprendendo que a gente se eleva. É aprendendo que a gente acerta. E é acertando que a gente aprende. Então, aprender a aprender, essa é uma das coisas mais interessantes que acho que posso fazer dentro da minha percepção, apreender com tudo.
Eu entendo assim, eu tenho uma capacidade de armazenamento, essa capacidade está implícito, tem um limite de armazenamento de informações que eu comporto, quando esse limite chega ao extremo é o que nós conhecemos como stress, então essa capacidade de armazenamento vai ser liberada à medida que eu liberar informações para passar para os outros, por isso tudo o que eu compartilhar eu não perco e abro espaço para ganhar mais. Nós dizemos assim: “Para ser professor eu tenho que fazer um curso, por exemplo, me proponho a ser professor do Um Curso em Milagres” O que eu preciso para ser professor do Um Curso em Milagres? Primeiro precisas fazer o curso. Depois que você fez o curso, você faz o discurso, que é descarregar aquelas informações, compartilhar com as outras pessoas. Por isso que o professor discursa e o aluno cursa. Quando o aluno estiver com o curso pronto, ele vai ter que começar a discursar aquilo também. Ele vai ter que começar a descarregar aquelas informações, ou ele vai fazer palestras a respeito ou ele vai construir. Como é que o engenheiro discursa? Ele não precisa ficar na frente de 500 pessoas, de 50 ou de 10 ou de 5 para explicar o que aprendeu, então ele discursa construindo, vai colocando para fora aquilo que aprendeu. Se a pessoa não discursa, ela stressa. A pessoa que faz muitos cursos seguidos, daqui a pouco estoura a capacidade, estará stressada, teria que fazer as coisas dentro de uma medida em que ela é capaz de assimilar e de discursar, isso é o compartilhar, é o discurso. Por isso é que nós precisamos compartilhar e é assim que funciona o aprendizado, assim que nós crescemos. Uma coisa que eu aprendo aqui no Curso em Milagres, eu não me agüento, amanhã o primeiro que chegar na livraria eu já conto, eu não consigo guardar isso por muito tempo. Eu não consigo ficar guardando o segredo desse meu aprendizado. Muitas pessoas, às vezes, achavam, porque nós tivemos durante um determinado período no final do século anos 80 e 90, uma grande expansão da mídia, da comunicação, se dizia assim: “quem tem conhecimento tem poder”. Então o que acontecia durante um tempo: Eu assinava várias revistas, jornal, assistia todos os noticiários da TV, lia 2 ou 3 jornais por dia. Para que? Para acumular conhecimento e ter mais poder e esse poder se manifestava quando eu ia tomar um refrigerante com os amigos, dizia: “vocês não sabem o que eu sei”. Comentava uma notícia que eu tinha lido numa revista, o outro dizia: eu também vi isto. Então, não serviu para nada.
Então, são etapas que a gente vai vivendo, só para colocar de novo, o livro diz: o que é do espírito está no nível do conhecimento e a nossa mente dividida, a parte que é do ego, então ele coloca isso como informação ou sabedoria. O conhecimento que está no nível do espírito e o que está ao nível da mente reacional é a percepção, é o que se sabe. Uma pessoa sabe mais, outra sabe menos, o que a gente sabe é o resultado das percepções. A conclusão que cheguei é que todas essas informações não serviram para nada. Todas essas informações chegavam num ponto que isso não traduzia em acumular poder, em prosperidade, se traduzia em perda da capacidade de prosperar.

Uma história: Quando eu trabalhava em administração de empresas, tinha um vendedor na minha equipe que não vendia há 2 meses. Numa reunião da equipe perguntei porque ele não estava vendendo. E ele disse: Mas você não lê o jornal, não está vendo a crise! Era naquele tempo que a inflação estava ao redor de 80% am. Você não vê a crise? Você não vê a inflação? Você não vê televisão? Então eu disse: É por isso que você não está vendendo? Então pare de ler jornal, pare de ler revista, pare de ver televisão, porque os teus colegas ao invés disso estão visitando os clientes e estão vendendo. E você fica vendo televisão, é crise, é inflação, é guerra, é fome e é não sei o que mais e não estás vendendo nada. Você está improdutivo não está conseguindo prosperidade. Ele disse: - Não Jorge, você está exagerando, como é que você quer que eu pare de ver o noticiário? Eu falei: Mas isso está te ajudando em alguma coisa ou está te colocando uma posição adversa àquela pela qual você está aqui. Realmente a gente chega a conclusão que não é bem isso que vai nos levar a algum lugar. Então, tem que haver um outro nível aonde, aí sim, aquele acesso que eu tenho, que chamamos do conhecimento, isto está num nível do que realmente tem utilidade para mim, isso é mais útil.
O que acontece, nesse nível, então se o espírito está acima e o espírito começa a fazer download, como se diz na informática, começa a baixar arquivos com informações e aí de repente eu guardo e digo: “Nossa! Isso eu não vou contar para ninguém, isso é uma coisa maravilhosa, muito poderosa; só eu sei”. Aí entupiu o canal, não desce mais nada, vou ficar com aquilo ali, com o tempo aquela coisa fica se enfraquecendo na minha memória, vou esquecendo, vou esquecendo também que aquilo está entupindo a conexão. Então aquilo não vai me servir para nada, não compartilhei, está lá, a conexão entupida. Se nós não compartilhamos as coisas não têm valor. Quando escuto uma piada nova eu fico, às vezes, procurando alguém para contar. É muito legal, eu não posso ficar guardando isso para mim. Isso é natural nas pessoas. Quando alguém vê uma coisa na TV ou jornal, diz para outra pessoa: ”você viu...?”. Por que? Porque é muito natural para nós compartilhar as coisas, vamos compartilhando tudo. Quem conseguiu ver alguma coisa muito grande e não ligar para os outros para contar. Quem recebe uma mensagem bonita pelo Correio Eletrônico e não compartilha com outras pessoas amigas, com sua lista de pessoas amigas na Internet. O compartilhar é natural em nós. Então quanto mais nós compartilhamos o conhecimento mais nós acessamos novos conhecimentos. Então, não temos que guardar mais nada, temos que passar tudo para frente. Aquilo que você aprende tem que ser compartilhado e não adianta querer esconder, porque lá do outro lado alguém já captou a mesma coisa, está muito rápido.
Graham Bell inventou o telefone e ele foi registrar a invenção, meia hora depois chegou alguém querendo registrar o mesmo invento num lugar totalmente diferente e eles nem se conheciam, isso está registrado na história. Ás vezes me ocorre uma idéia aqui e fico guardando a idéia para mim, um mês depois vejo alguém fazendo aquilo. Perdi por egoísmo, eu poderia ter passado isso, porque eu fiquei guardando isso? É o nosso sentimento de “Ah! Isso eu vou guardar para usar num momento apropriado! Nosso ego muito com isso. Quando temos um aprendizado não temos que guardar nada, passa para frente! Quanto mais você dá, mais você tem”.
O milagre e a informação chegam a lugares que vocês jamais podem imaginar. Eu tenho um exemplo muito interessante comigo, vou compartilhar essa história, já é bem velha.

Uma história: Uma vez eu morava em Natal, num hotelzinho.Eu estava caminhando na rua e pisei numa lajota e a lajota afundou e eu torci o pé. Comecei a mancar, sentia dor, aproximadamente 10 horas da manhã. Quando eu chequei no hotel, por volta das 6 horas da tarde eu já não estava conseguindo colocar o pé no chão. Aí o dono do hotel que era muito simpático disse: “Jorge, vamos lá numa costureira, ela resolve isso para você”. Eu disse: O que? Costureira? Com o avanço da medicina, com a moderna medicina que temos, com RX etc.eu vou em costureira, isso é um atraso. Eu não disse, mas pensei. Costureira é a mesma coisa que benzedeira. Então eu fui numa clínica tirar RX, a resposta era: não tem nada quebrado! Eu pensava: Não é possível, meu pé estava muito inchado, doía muito e não conseguia coloca-lo no chão. Fui noutra clínica e a resposta foi a mesma: não tem nada quebrado. Eu não me convenci disso, achava que tinha que ter algum osso quebrado. O dono do hotel sempre dizendo: “Jorge, vamos numa costureira”. Eu dizia: “Que costureira, que nada”. O atendente do hotel foi diversas vezes na farmácia comprar os remédios para colocar no pé. Nada resolvia. Não tinha mais para onde eu ir, já tinha ido a todas as clínicas. Aí, o motorista de táxi que estava ali no ponto, disse, tem um lugar que você ainda não foi, é um pequeno hospital, bem simples, num bairro. Tomei aquele táxi mesmo e foi, cheguei lá e o médico me atendeu, pediu que tirasse o RX e aguardasse o resultado. Depois me chamou na sala e disse: Não tem nada quebrado, deve ter sido uma torção, eu vou te ensinar uma coisa, você faz em casa, mas não conta pra ninguém que foi um médico que te ensinou: Antes de dormir você pega água fervente, sal e vinagre, põe numa bacia, molha um pano nesta água e vai colocando, mais quente que você agüentar, em volta do pé. Vai fazendo isso, molha o pano na água quente com sal e vinagre e põe o pano em volta do pé, depois você enrola o pé com um pano seco e vai dormir. Eu disse: Ah, ta, pode deixar eu nunca vou contar para ninguém. Sai daí e pensei: Era só o que me faltava! Cheguei no hotel fazendo chacota do médico. O dono do hotel perguntou,: e daí, resolveu ou resolveu ir na costureira? Eu disse: Pois é, sabe o que o médico me disse? Ele disse que eu tinha que colocar sal, vinagre, só não mandou colocar tomates, cebolinhas, seria um tempero a mais para virar uma salada. Aí o cara não falou nada. Isso era talvez umas 5 horas da tarde. Quando eu ia dormir, mais ou menos as 9 e meia da noite, quando eu entrei no quarto, logo alguém bateu na porta. Era o dono do hotel e o porteiro com uma bacia, com uma chaleirona com água quente, com sal e vinagre com um monte de panos e disse: “viemos fazer a receita do médico”. Eu não tive como recusar, porque isso seria uma desfeita muito grande para ele. Então eu disse: Ta bom! Que bom! Obrigado! Mas eu não queria fazer. Ele pegou meu pé, aplicou o pano molhado na água quente com sal e vinagre e quando terminou enrolou o pé num pano seco e disse: “agora pode ir dormir”.Eu fui, não tinha escolha, eles me colocaram numa situação que não tinha como dizer não, eu não queria fazer aquilo de jeito nenhum. No outro dia pela manhã eu levantei e fui tomar banho, quando estava em baixo do chuveiro, eu digo: Ué! O pé estava bom! Logo depois do banho fui na portaria mostrar para eles, que estavam me esperando com um sorriso desse tamanho. Eu já ensinei isso para muitas pessoas. Eu não sei o nome do médico, faz muito tempo, uns 20 anos. Lembrei dessa história para vocês verem a extensão do milagre que aquele médico que me fez isso e o cara do hotel que foi lá me servir, eles não devem ter idéia de quantas pessoas que se curaram de “pé torcido” pelo gesto que eles fizeram. Isso é a extensão do milagre, isso é a extensão do compartilhar. A gente não tem idéia de como uma coisa boa que a gente compartilha, vai longe. Então, quanto mais nós podemos compartilhar as coisas boas que nós aprendemos, mais longe vai. O autor da idéia perdeu? Eu roubei a idéia do médico? Não. Cada vez fortalece mais. Embora no nível da matéria eu possa até dizer que isso foi eu que inventei, no nível do espírito todos os créditos vão para pessoa. Então pode ser que alguém diga: “Foi o Jorge que ensinou”, mas ele aprendeu com o Doutor “não sei quem”, que talvez tenha aprendido com uma costureira, que aprendeu com “não sei quem”. Então, tudo que a gente faz de bom, todos os créditos chegam ao ponto inicial, não tem nada que possa se perder daquilo que você compartilha. A parte referente a você vai ser creditada a você, naquilo que você compartilhou, vai formando uma rede de compartilhamento e você vai tendo créditos, nesse nível, que servem para a tua evolução, com certeza são tesouros que juntamos no céu.

MEDITAÇÃO

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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