UM CURSO EM MILAGRES
06 DE NOVEMBRO DE 2002
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO
Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.

Eu estou contente em estar onde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 9

Milagres são uma espécie de troca. Como todas as expressões de amor, que são sempre miraculosas no sentido verdadeiro, a troca reverte as leis físicas. Trazem mais amor tanto para o doador quanto para aquele que recebe.

Participante: Bem na primeira frase, diz que alguém doa e alguém recebe.

Jorge: Não existe você dar e não receber, isto nunca vai de um lado para o outro só, como tudo. Tudo o que nós oferecemos ao outro, nós recebemos do outro em troca. Milagre também obedece esta lei. Isto vai daquele Princípio de que dar e receber são a mesma coisa, porque eu dou uma alegria para você, eu também fico muito alegre. Quando eu ofereço um milagre para você eu também recebo um benefício, ambos recebem um benefício, ambos são contemplados, serve para qualquer coisa. Nós já falamos em outra ocasião que todas as coisas materiais estão para o nosso aprendizado, são instrumentos de aprendizado e quando você dá um objeto, este será um veículo que conduz aquele sentimento que você quer oferecer. Por exemplo: Quando você quer oferecer o teu amor você leva rosas para a pessoa, as rosas simbolizam o amor que você está oferecendo e se a outra pessoa receber este amor que você está oferecendo, você vai ficar com muito mais. Neste sentido há troca, ela não precisa te dar uma coisa física em troca, pois as coisas físicas são um veículo de uma só via, você pode só dar e a pessoa não precisa te dar nada físico em troca, para você ter o retorno, mas ele serve para conduzir, para iniciar o processo. Eu dou as rosas, a pessoa recebe o amor que estou enviando junto com as rosas e me ama mais por isto. Isto é como uma espécie de troca, eu dou e recebo mais em troca. Reverte as leis físicas no sentido de que, a primeira impressão que tenho, quando eu dou uma almofada é que vou ficar com uma a menos. Mas se nós começarmos a mudar a percepção de maneira que a almofada é apenas um instrumento para levar aquilo que eu quero oferecer para a pessoa, para conduzir aquilo que quero oferecer para a pessoa e o retorno que quero não é material, então eu vou ter cada vez mais. Quando eu aprender isto, isto vai funcionar na matéria também. Quanto mais você dá, mais você recebe.Vale para o supermercado também, quando você vai no shopping também funciona esta lei, quanto mais dinheiro você dá, mais mercadoria você recebe em troca. Assim é em todos os níveis, quanto mais amor eu dou, mais amor eu recebo, quanto mais alegria eu dou, mais alegria eu recebo. Isto é igual em todos os níveis, no nível material é mais fácil de compreendermos, por isso nós temos a matéria palpável para aprender isto, só que às vezes nós nos perdemos, porque a impressão que temos é que nas coisas materiais as leis são diferentes, mas não são, funcionam todas iguais. Mas nós chegamos aqui e montamos uma espécie de leis materiais que estão desconectadas com a verdadeira lei espiritual de como as coisas funcionam, por isso nós não aprendemos, por isso quando damos alguma coisa ficamos com sentimento de perda, “Ah, eu dei aquilo; Ah, eu agora fiquei sem!” Então é neste sentido que devemos usar a matéria como aprendizado, a gente nunca perde. Mesmo que você jogue o objeto na floresta, ou você joga uma coisa fora, você não perdeu, você ganhou. A compreensão que nós temos disto ainda é muito tênue, então temos que fortalecer esta compreensão e assim nós vamos perceber que os milagres vão acontecer naturalmente.Temos que dar mais, disse Jesus: “ Aquele que mais deu, mais lhe será acrescentado”. Ele teve essa compreensão. Talvez nós estamos tendo a oportunidade de compreender isto com mais facilidade do que tiveram aqueles que conviveram com Jesus, quando ele dizia: “Amai ao outro como a ti mesmo”. Nós negávamos dar amor ao outro, então nós recebemos menos amor e aí nós ficamos com menos amor, porque demos menos. Ele dizia: “Aquele que menos tem, até isto vai perder, até isto vai ser tirado”, é uma lei.

Uma história:
Vou contar uma história, a mais linda que já ouvi. Um rei tinha três filhos e os três tinham praticamente a mesma idade o mesmo talento e ele não sabia para quem deixar o reino, quem iria escolher para ser o herdeiro do rei, então ele fez assim: Distribuiu sementes de flores em igual quantidade para os três e viajou por um ano. Quando voltasse ele pediria que prestassem conta. O primeiro pensou: Quando ele voltar provavelmente ele vai ver quem é que conservou a semente, então ele guardou dentro de um cofre para poder devolver todas as sementes que tinha recebido. O outro foi e vendeu as sementes e guardou o dinheiro, para quando o rei voltar, recomprar as sementes.

Quando o rei voltou, perguntou para os filhos pelas sementes.

- O primeiro disse: Bem, eu guardei dentro do cofre de maneira que não está faltando nenhuma, porque ficaram muito bem guardadas bem protegidas e o rei disse: Estas não são as sementes que te entreguei, elas estão mal cheirosas, você deteriorou o tesouro que entreguei nas suas mãos.

- O segundo veio com as sementes novinhas, pois tinha recomprado e o rei disse: Bem estas não são as sementes que te dei, você foi muito esperto, pois vendeu as sementes que te dei e agora comprou novamente, foi mais esperto que o outro que guardou no cofre, mas também não são as sementes que eu dei a você.

- O terceiro estava com as mãos vazias e o rei perguntou e você, cadê as sementes que eu te dei? O filho disse: “Vem aqui fora que vou lhe mostrar. Eu as joguei no jardim, espere as sementes amadurecerem que vou devolvê-las a você”. Este fez corretamente, pois todo o reino estava florido, todo castelo estava florido. Devemos florescer as nossas virtudes, os nossos talentos, os nossos dons, da mesma maneira plantando, trabalhando, cuidando. Infelizmente nós guardamos os nossos milagres num cofre, a nossa capacidade de oferecer ao outro.

Participante: Dentro deste contexto em que vivemos as pessoas dizem: “olha você tem que ter fé” e se eu não tiver fé em nada. É possível que funcione desta forma? Tem que ter fé para as coisas acontecerem?

Jorge: Quando alguém me diz assim: Isto vai funcionar, mas você tem que ter fé, então para mim não funciona se tiver que ter fé primeiro é a mesma coisa que dizer: Olha! Eu vou te dar um remédio, mas primeiro você tem que estar curado. Você vai se curar, mas primeiro tem que ter fé, então do que me lembro de Jesus, ele nunca disse “Olha você tem que ter fé, que você vai se curar”, mas ouvi dizer dele que ele disse: “Tua fé te curou”, porque a pessoa já tinha, pois para quem não tem não adianta, ou seja, esta coisa de “preciso ter fé” é uma questão que cai no vazio, porque quem tem, tem, quem não tem, não tem, esta coisa de dizer “você tem que ter fé” não serve para nada. Amor, fé ou a mente sã trabalham tudo no mesmo nível de compreensão das coisas, então o que é preciso fazer, dar mais amor, acreditar mais nos outros, amar a você mesmo e aos outros, você vai aumentando isto e você vai fazendo uma troca, esta espécie de troca que falou este Princípio que estamos trabalhando hoje. O Princípio diz: “É uma espécie de troca”, não diz: “É uma troca”. Porque uma troca subentende que você dá uma coisa e recebe outra, ele diz que é uma espécie de troca, porque aquilo que você dá você recebe mais, então você recebe mais em troca daquilo que você dá, se você dá mais alegria, você fica mais alegre do que a pessoa que recebeu alegria. Se você começar a exercitar isto, cada vez você vai ter mais. A gente coloca muito ‘fé’ como acreditar. Fé, crença ou acreditar têm significados muito semelhantes para nós, a partir daí, nós podemos exercitar isto. Como vamos exercitar? Com as coisas materiais, comece a dar um pouco mais, quanto mais você der daquilo que você tem, mais você vai obter. Isto começa a transformar você em todos os níveis, porque começa de baixo para cima, pois as coisas materiais são mais fáceis de dar. Digo assim: “Comece a dar mais amor”, a pessoa diz: “Como vou dar mais amor, pois eu tenho tão pouco, eu não vou conseguir dar mais amor”; “Comece a dar mais demonstrações de fé aos outros”, a pessoa diz: “Mas como vou conseguir fazer isto?” Então, de repente, comece exercitando com alguma coisa, pegue alguma coisa que você tem e você gosta bastante e experimente dar aquilo para alguém, você vai ver como aquilo vai começar a funcionar e se você dá uma alegria para alguém, você fica mais alegre, então comece por aí, dando alegria. Como é que eu vou dar alegria? Nós estamos muito habituados a dar presentes materiais para as pessoas, então comece por aí. Em alguma parte está escrito: “Deus amou tanto o mundo que o deu ao seu filho querido”. Então, de repente a gente tem que experimentar dar o que a gente mais gosta, ao invés de dar uma coisa da qual não gostamos, experimente dar uma coisa que você gosta, que você gostaria de ganhar. Isto nós já trabalhamos há algumas semanas. Dê aquilo que você gostaria de ganhar.

Participante: Por exemplo, eu gostaria de ganhar uma BMW, como eu faço?

Jorge: Comece com coisas menores, você pode chegar lá. Se é uma espécie de troca e quanto mais você dá mais obtém, então você não vai dar ‘todo amor do mundo’, porque você não tem ‘todo amor do mundo’. Então, você dá o amor que você tem. Você dá, por exemplo, um carrinho de plástico, em troca pode ser que um dia você ganhe um triciclo, assim vai indo, aí você gostou bastante daquele triciclo, você dá aquele triciclo, quem sabe você ganha uma bicicleta, você vai nesta progressão até chegar à BMW, mas você tem que ir dando. Porque não tem maior ou menor, o que tem de maior é o teu coração, então quando você dá mais, com certeza você vai receber mais. As leis são precisas, eu tenho convicção de que funcionam.

Participante: “A fé remove montanhas” para ter esta fé é necessário ter a mente já curada, não é?

Jorge: Como diz no livro, se eu tivesse a fé do tamanho de um grão de mostarda, eu já conseguiria mover montanhas. Por isso Ele coloca, “ homens de pouca fé”.

As religiões, todas elas, as ordens esotéricas tem por objetivo levar a gente para reconectarmos com a fé, a maioria trabalha neste caminho , que é o caminho da iluminação de levar a gente por este caminho. Mas não tem muito o que fazer, as pessoas não querem muito isso. As pessoas querem, como ir numa terapia, ela não quer a cura, ela quer se sentir bem . A pessoa vai lá porque está com problema nos pulmões, aí o médico pergunta: Você fuma? Ela responde: Fumo; Você tem que parar de fumar! Não, eu quero me sentir bem, mas não quero parar de fumar. E assim é que nós fazemos com as religiões, com as terapias, muitas vezes o que nós estamos buscando é isso, estamos buscando alguém que nos dê uma mágica, para que eu possa me sentir bem, sem ter que parar de fazer o que estou fazendo de errado, sem ter que me esforçar para mudar, para alcançar alguma coisa, sem ter que abdicar de nada. Então muitas vezes nós ficamos pulando de religião, de lugar, sem querer mudar o ponto de vista, não queremos abdicar das nossas crenças, dos nossos padrões de comportamento, daquilo que temos, daquilo que fazemos, nós queremos alguma coisa que diga: “Você pode continuar do jeito que está que você vai para o céu”.

Participante: Mas eu acho que passaram idéias erradas para as pessoas, como por exemplo: Quando diz tenha fé que tudo se resolve, faça isso que tudo vai ficar cor de rosa.

Jorge: Uma vez perguntaram para Jesus, Ele falava muito de amor, aonde encontrar o amor e ele disse: “Nas crianças e nos loucos”. Aí você vai perceber o amor, porque aquele que dá aquilo que mais ama, tem que ser internado mesmo, é louco. Imagina que se você tiver uma BMW e ama tanto que pega e dá.
São as percepções invertidas que nós temos. Nestes dias eu vi uma reportagem feita na USP, perguntando aos estudantes, o que é que tinha mais valor e do que eles mais sentiam vergonha. A maioria respondeu que, o que mais os envergonhava era não ter carro, era chegar na Universidade de ônibus. Também foi colocado: O que você faria para conseguir superar aquilo, que era ter um carro, que era coisa mais vergonhosa? Então, as pessoas colocaram que fariam qualquer coisa como: Matar, roubar, por que nada era mais vergonhoso do que não ter carro, se a pessoa fosse presa por estar roubando, ela se sentiria mais envergonhada por não ter carro. É uma inversão de valores, são as percepções invertidas. Se a vítima não se cuidar, ao ir lá denunciar o que foi roubado, ela acaba sendo presa. Uma vez uma senhora me contou algo semelhante, ela foi convidada para um jantar, era uma jantar social, morava próximo, as 10 da noite. Colocou sua melhor roupa e jóias e foi ao jantar. Chegando perto da festa, foi assaltada e entrou em estado de choque. Foi na delegacia registrar a queixa e o delegado passou lhe um sermão, dizendo: “Como a Senhora sai com todas estas jóias, isto vai provocar o ladrão. A Senhora quer mesmo ser assaltada!” Ela se recuperou do choque e disse: “Você está aqui para me proteger, em vez de ficar falando, você deveria ir procurar e pegar o assaltante. Quais sãos os valores você quer defender, parece que está defendendo o ladrão”. Ele percebeu, pediu desculpas e foi atrás do ladrão. Esta percepção invertida é tão grande que, é mais vergonhoso ser roubado do que roubar, a coisa está neste nível. Esta percepção invertida que coloca as pessoas no sanatório. Imagina dentro do padrão em que nós estamos, temos que ter isto, ter aquilo, fazer seguro, botar cofre, colocar alarmes, sensores, câmeras para não roubarem as coisas que temos. De repente, alguém começa a dar o que tem, não quer mais aquilo, pois não tem mais sentido, então a família interna, de gente assim, o sanatório está cheio, de pessoas que começam a ter este grau de percepção, pessoas que chegam a este nível de compreensão correm sérios riscos de serem internadas. Essa etapa é transitória, por que a pessoa vive isso, até aprender e depois transita para outra etapa da existência aonde ela tem a compreensão das coisas.

Funciona mais ou menos assim:

-Primeiro você descobre que as coisas materiais não têm valor nenhum, você aprende liberando algumas coisas, sabendo que aquilo não tem significado, que aquilo não tem valor, que você não tem que ficar preso a estes valores.

-Depois que você aprendeu isto, compreende que as coisas materiais não têm valor que você não vai mais se prender a elas, mas que elas são úteis para o aprendizado, você entra em outro nível de compreensão, em que você não se prende às coisas materiais, então você recebe tudo de volta, tudo aquilo que você precisa, que é útil para o seu aprendizado e para estender isto às outras pessoas.

Primeiro você tem que passar por esta fase, só que muitas pessoas que estão passando por esta fase, não são compreendidas. Eu conheci pessoalmente, uma pessoa que era bem posicionada socialmente, tinha dois filhos e trabalhou muito, formou os dois filhos, um médico e outro psiquiatra e de repente ele entrou nesta percepção, ele começou a fazer coisas que eram totalmente absurdas, diante do ponto de vista material, ele não queria mais as coisas materiais. Ele começou a dar coisas materiais e começou trabalhar para os outros gratuitamente. Às vezes ele vinha se esconder aqui na livraria e dizia que os filhos dele queriam interná-lo. Ele pedia: “Jorge, diz para eles que eu não estou louco”. O que aconteceu: Internaram ele, encheram ele de remédios. O processo que era transitório, não foi, pois o remédio bloqueia para reverter. O que acontece? Para algumas pessoas não reverte e aí ficam parecendo um ‘disco quebrado’, porque ficam bloqueadas e repetem a mesma coisa o dia inteiro, não tem quem suporte. Ele olhava para uma pessoa, a gente notava que ele tinha aquela ansiedade, mas aí falava a mesma coisa o dia inteiro.

Um dia ouvi uma coisa assim: “Avance 100 anos, que importância vai ter se você varria rua ou se você era um executivo? Se você jogava o sapato para cima ou se andava todo alinhado”? Quem está mais preso? Quem está mais livre?

Livro texto
Página 10
8. Que o milagre possa ter efeitos sobre os teus irmãos que possas não reconhecer, não concerne a ti. O milagre sempre te abençoará. Os milagres que não te foram pedidos não perderam seu valor. Ainda são expressões do teu próprio estado de graça, mas o aspecto de ação do milagre deve ser controlado por mim, devido à minha completa consciência de todo o plano. A natureza impessoal da mente voltada para o milagre assegura a tua graça, mas só eu estou em posição de saber onde eles podem ser concedidos.

Jorge: Algumas situações diferentes podem acontecer:

Primeiro aspecto: Uma pessoa pede alguma coisa, eu ofereço milagres para ela, eu ofereço, mas não sei se vai acontecer. Por exemplo: Alguém chega e diz: “Eu queria tanto que acontecesse isso...” Então eu penso: “Eu posso oferecer milagres a você”. Mas eu não digo isso a ela, porque não sou eu que posso dar, mas eu tenho a intenção de oferecer isso através de mim. Então, o que eu faço? Penso assim: - Vou pedir, tenho a intenção e ofereço a minha disposição para que aconteça. Coloco-me à disposição para que aconteça através de mim, se for o caso. Mas eu não sei se a pessoa vai receber, porque só quem sabe aonde o milagre pode chegar não sou eu, pois eu só estou ouvindo o pedido da pessoa, não tenho consciência de todo o plano, mas eu posso oferecer.

Outro aspecto: -Eu tenho vontade de oferecer algo para uma pessoa que não me pediu, então eu posso oferecer, sim, eu posso oferecer, pode ser que a pessoa ganhe e não aceite, pois ela não pediu. Daí eu digo assim: Perdeu a graça, eu quis tanto que acontecesse isto para pessoa e aconteceu, ela não aceitou o milagre. A graça foi concedida. Mesmo que a pessoa receba e não aceite, a graça não foi perdida, quem ficou sem graça foi a pessoa que não aceitou.

Tem outro caso em que eu posso pedir um milagre para aquela pessoa e pode ser que ela não receba, então eu digo: Esta pessoa que precisava tanto não recebeu, também não invalida a minha graça, pois a minha graça é alcançada quando eu peço para o outro. Às vezes a pessoa não alcança o milagre oferecido, porque talvez naquele momento não seria interessante, por isso se diz que nós não temos a visão consciente de todo o plano.

Por que, não se deve distribuir milagres desordenadamente?

Por exemplo: Eu ofereço um milagre, peço uma BMW, para o meu amigo, ele consegue a BMW, fica feliz e sai dirigindo e de repente bate num poste e fica todo machucado. Se eu soubesse que aconteceria isto, eu não ofereceria o milagre. É isso que diz no parágrafo, como eu não tenho consciência do plano todo, então pode acontecer de eu pedir milagre e a pessoa não ganhar, isto não desqualifica a minha graça, só pelo fato de pedir eu alcancei a graça. Se você move a ação para dar alegria, você já se encheu de graça. O que vale é a intenção, desde que você não queira impor o que você quer que aconteça.

Na verdade, nós temos que doar a nossa intenção para cima e deixar à disposição em baixo, então, você doa a intenção e deixa à disposição, porque nada vai alterar a evolução no plano, tudo bem, você doou o milagre e ele vai acontecer se tiver que acontecer. “Faça-se a Tua vontade e não a minha”. A minha vontade é curar todas as pessoas, mas não daria certo. Uma vez eu ouvi uma entrevista na TV, uma pessoa que dizia: “Uma vez eu tive uma pequena doença e daí eu fiz uma cirurgia espiritual e fiquei bom. Depois eu tive outros probleminhas e fiz outra cirurgia espiritual e fiquei bom também. Eu andava bem despreocupado. Dum dia comecei a usar drogas e peguei herpes, daí a cirurgia espiritual não resolveu”. Ele estava colocando que se não tivesse acontecido cura para aquelas coisas que pareciam tão pequenas, se o milagre não tivesse sido tão de pronto, ele não teria chegado neste estado de achar que tudo ele iria resolver com a cirurgia espiritual, não importando o que acontecesse. Neste sentido, esta compreensão, então, como nós não vemos o plano todo a gente não tem que oferecer milagres indiscriminadamente. Oferece, mas não cobra, dizendo por exemplo: “Ah, por que eu pedi e não aconteceu?” “Por que eu ofereci e não funcionou?” Por isso nós temos que ser muito conscientes na nossa percepção, sem ego para oferecer e deixar a pessoa livre para aceitar e deixar também o Espírito Santo livre, para fazer acontecer aquela situação, ou não e nós temos que estar livres de ambos, somente disponíveis e ofertando.

Participante: Agora não entendi ou entendi errado. Então eu estou errando por que estou rezando com meu ego, pois não conheço todo o plano.

Jorge: Neste sentido sim, mas não é que você esteja rezando errado, você está rezando a medida que você vê. A compreensão que você deve ter é de não impor, a reza não é uma imposição, ‘vou rezar até que aquela pessoa fique boa’, não é assim. Basta você rezar, uma vez só. Tem um Princípio que diz: “A oração é o veículo dos milagres”, então você pode oferecer um milagre para alguém. Se uma pessoa chega e diz:”hoje eu não estou bem, estou...”, você pode dizer: “então, vamos fazer uma oração, vamos pedir..” Pedir não quer dizer, vai acontecer, deixa livre, ‘vamos fazer uma oração, como ela é o veículo dos milagres’, entrega para cima, ciente de que só quem sabe, onde o milagre tem que acontecer, está mais acima, num nível mais acima . Se a pessoa perguntar: “Vai acontecer?” Eu digo: “Não sei, pedido foi”. Eu pedi e ofereço a você, temos que cuidar para não colocar o “eu” no sentido do ego, como “eu fiz”, pois eu ofereço a você o pedido, o pedido pode partir de mim, o resultado não.

O plano é perfeito, porque é muito melhor para mim se eu não ficar sabendo, mas às vezes a coisa está próxima. Uma vez me contaram um história assim:

Uma história: Tinha uma pessoa que tinha uma doença que nenhum médico sabia como curar. Alguém a orientou dizendo para ela rezar bastante que iria aparecer a solução. Faça uma novena, reze nove dias seguidos e esta pessoa fez a novena. Terminada a novena, o médico ligou dizendo que tinha encontrado um remédio para o problema dela e perguntaram para pessoa: “Então, a novena resolveu?” Ela disse que não resolveu nada, quem resolveu foi o médico. Eu pergunto: Aconteceu o milagre, visto sobre esse aspecto ou não? Eu acho que aconteceu. Se no final da novena tivesse se materializado um comprimido na mão da pessoa que estava rezando, isto seria extraordinário, aí a coisa iria partir para um outro nível de compreensão. Mas milagres são naturais, não são extraordinários. Nós estamos aprendendo isto desde o começo, milagres são naturais e se manifestam de maneira natural, não de maneira extraordinária.

Participante: Eu queria entender melhor a frase: Que o milagre possa ter efeitos sobre os teus irmãos que possas não reconhecer não concerne a ti.

Jorge: Às vezes é assim: Uma pessoa está com dor de estomago, peço um milagre para a dor de estomago dele e a dor não passa. Eu reconheceria o efeito do milagre na dor de estomago. Mas a pessoa de repente muda uma maneira de ser, por exemplo, antes ele era uma pessoa cruel e se torna uma pessoa mais bondosa, mas continua com a dor de estomago, então eu não reconheço este efeito na pessoa. Eu pergunto para ele: “Curou a dor de estomago?” Ele responde: “Não”. Pensamos, então, que o milagre não aconteceu, porque teve efeitos no outro que não reconheço, mas o milagre aconteceu, neste sentido compreendo. Isso amplia ainda mais as possibilidades de compreensão sobre se acontece milagre, como acontece. A gente pode pedir e oferecer sempre, para aqueles que nos pedem; para aqueles que não nos pedem, os resultados podem acontecer de maneira que eu não reconheça, isso eu acho que é o melhor. Pode acontecer de vir de um outro lado, que eu não reconheça nem como milagre. Para que? Para me preservar de fortalecer o meu ego ao invés de fortalecer o meu amor. Fortalecendo o meu ego, no primeiro milagre eu diria: “Puxa que legal!”; No segundo: “Que bom, tá funcionando!”; No terceiro: “Puxa, como eu sou poderoso!” Depois disto o ego toma conta e nada mais acontece. Temos que estar bem despojados de ego. Quando digo: “Fui eu!” pulei do amor para o ego.

Exercício para semana: Vamos pedir milagres. O milagre é interpessoal, neste sentido pedir para você mesmo não vai funcionar, então você pede para outra pessoa.

Por que nós pedimos milagres para o Santo e não pedimos para o guarda da esquina? Porque o Santo já está com a mente sã, ele já tem mais possibilidades, teoricamente, de oferecer milagres do que o guarda da esquina. Mas na verdade o guarda da esquina tem a mesma possibilidade que o Santo, porque todos os dois têm o Espírito Santo em si. Nós não acreditamos que o guarda da esquina possa nos oferecer milagres. Se você chegar para o guarda que está parado na esquina e disser: “Ah, eu queria tanto tal coisa!” De repente pode tocar lá naquele pontinho amoroso e o guarda pode olhar para cima e dizer: “Dá pra ele, vai!” O que aconteceu: Ele pediu o milagre e ofereceu para você. O guarda nunca mais vai ver você, ele não vai saber se vais ganhar ou não, pode ser que dois quarteirões depois aconteça e você volta e o guarda não está mais ali. Então nós vamos pedir para os outros. Vamos estar muito atentos para aqueles que nos pedem e vamos pedir para eles. Vamos pedir, também, para aqueles que não nos pedem, mas sempre com uma condição muito especial: O resultado para mim não importa. Tanto faz se a pessoa vai ganhar ou não, eu já ganhei.

Você vai fazer assim: Vê uma pessoa e percebe que ela não tem algo que você pode oferecer para ela. Por exemplo: A pessoa está triste, você não sabe como tirar a pessoa daquela tristeza, então você olha para cima e diz: “Dá essa alegria que ela quer, vai!”. Isto é uma oração, uma frase, aprendi na escola. Como “a oração é o veículo dos milagres”, tem que pedir. “Pedi e recebereis”, você pediu, a graça você já recebeu no momento que você pede. Se o outro vai receber, isto não é da tua competência, não cabe a ti saber se o outro vai receber ou não.

MEDITAÇÃO
Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.

Eu estou contente em estar onde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

 

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