UM CURSO EM MILAGRES
09 DE ABRIL DE 2003
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 28
Milagres são um caminho para ganhar a liberação do medo. A revelação induz a um estado no qual o medo já foi abolido. Milagres são assim um meio e a revelação é um fim.

Jorge: Revelação induz a um estado onde o medo já foi abolido. Então, mesmo no estado milagroso nós ainda temos medo. Mas o milagre é o meio para abolir o medo, ele é o caminho para abolir o medo para chegar à revelação.

Participante: O que é revelação?

Jorge: Quando você faz uma foto, daquelas com filme, você olha as fotos no filme e não consegue entender as imagens, está escuro. A revelação é quando você põe luz naquilo e você vê as imagens. Na revelação de que trata o livro o processo é o mesmo. Nós temos as imagens, mas nós percebemos de uma maneira como aquele filme que ainda não foi revelado, percebemos muito no escuro, nós não conseguimos compreender como as coisas são exatamente. É como você andar naquele horário que se chama de lusco-fusco, quando o sol já se foi e a lua ainda não saiu. É neste momento, nesta penumbra que nós vivemos, vivemos no mundo e não entendemos o sentido do mundo. Somos espírito e não entendemos que é o espírito, qual é a razão, qual é a função do espírito. Estamos no mundo, no corpo e não conseguimos entender qual é a função do corpo. Temos a mente que controla o cérebro e o corpo e não conseguimos entender qual é a função da mente, qual a função do cérebro. A gente vai meio assim ‘ao leu’, ‘se isso não deu certo, então vou fazer outra coisa’, aparece alguém que diz ‘vamos fazer tal coisa’ e a gente faz. A gente não tem uma direção do que eu tenho que fazer aqui. O estado de revelação é um estado em que a pessoa consegue perceber com clareza todas estas informações. A pessoa tem a compreensão de tudo. Por que tem uma árvore plantada no outro lado da rua; Porque uma pessoa faz isso; Porque outra pessoa faz aquilo; Porque as coisas acontecem e por que não acontecem, qual a razão de cada pessoa estar aqui. Esse é o estado de revelação. A gente chega neste estado no momento que quiser. Por que eu não chego antes? Porque eu tenho medo de chegar, só por isso. Eu tenho medo de sair do estado onde estou, transpor esta cortina, esta barreira, quase intransponível, que chamamos de ego. O caminho para transpor esta barreira é o milagre, porque o ego é o nosso medo, o ego é medo puro. Temos medo de tudo. Você anda na rua e vê pessoas mal trajadas e passa naturalmente por elas, dizendo: ‘Olá! Boa Noite! Como vão?’ Sem medo de nada. É assim que acontece? Não, não é assim! Essas coisas todas a gente transpõe com milagre, ele é o meio para chegar à revelação. Quando chegar lá você sabe que acabou o medo, não tem mais medo de nada, você entende tudo, entende o que vem antes e o que vem depois. Você entende então que você é eterno e o corpo não é, não tem mais medo de perder o corpo. Você é um ser eterno, não acaba nunca, não há como acabar é invulnerável, nada pode te atacar. Agora, o medo pode te dizer exatamente o contrário, o medo que está instalado no ego vai fazer um estado de defesa constante, porque o ego é aliado do corpo. Todos os medos que nós temos são em relação à coisas materiais e em relação ao nosso próprio corpo, à segurança dele. Se você não tem medo de perder o dinheiro que está na poupança, se não tem medo que roubem a tua bicicleta, teu carro, teu violão, tua televisão, não tem medo de perder o corpo ou de ser ferido no corpo, o que mais você pode temer, não tem mais nada para temer. Se você não tem medo de nada referente o corpo, não consigo ver medo além destas barreiras que são ligadas ao corpo, sentimento de dor é do corpo também, morte é do corpo também. Isso é muito fácil de dizer, executar isso na tua mente e dizer: ‘Bom, agora estou no Curso em Milagres, acabou o medo’! Mas isso não vai acontecer porque você leu isso, tomara que aconteça, que você tenha a compreensão lendo isso. Pode acontecer até mesmo assim, você lendo, retroagir e refazer o texto, até mesmo ouvindo. Porque a compreensão que vem daí, você pode transpor esta barreira com um acontecimento milagroso e daí você acessa então esta revelação. É meio complicado porque depende só de ti.

Uma história: Eu tenho um amigo, ele é o maior homem que conheço, ele realmente é grandão. Um dia ele estava aqui na livraria e a gente iria junto até o terminal de ônibus e ele me dizia: ‘Olha, Jorge, vamos por esta rua, eu não gosto de passar por esta outra, ali alguém pode atacar a gente’. Eu disse: ‘Atacar a gente! Mas, você! Não é possível’! Ele disse: ‘Sabe como é, pode ter um malandro aí na rua’. Vocês acreditam, fomos abordados por duas vezes, daqueles bem insistentes ‘ah, me arruma aí um dinheiro...’ Como é possível uma pessoa desse tamanho com tanto medo!

Participante: O que atraiu estas pessoas?

Jorge: O medo. Sabe por que? Estas pessoas que estão na rua, vivem na rua praticamente, têm muito medo. Porque uma pessoa que não tenha medo, ela não tem medo de trabalhar, ela não tem medo de prosperar, de arrumar um emprego. Pode ver, as pessoas mais prósperas, menos medo têm de arriscar de seguir em frente. Elas superam seus medos internos. Ouvimos dizer em reportagens na televisão que ‘o ladrão, o assaltante tem mais medo que você, então, não reaja’! São pessoas com medo e semelhante atrai semelhante. Se você não tem medo, você pode andar na rua tranqüilamente, nada vai acontecer. É como cachorro, se tem medo daí é que o cachorro ataca. Porque o cachorro só tem instinto e o medo é um instinto animal, o animal reconhece, então ataca quem tem medo.

Participante: A revelação pode ser parcial?

Jorge: Pelo que entendo até hoje, a revelação sempre é total. Mas, a assimilação pode ser parcial, posso assimilar na medida que eu assimilar, como diz na Meditação ‘...na medida que eu permitir’. Ela está aí. É como você ganhasse um apartamento numa cobertura, é teu, está lá, você já ganhou. Agora, cada andar que você sobe, você está mais próximo do apartamento.A revelação acontece assim. Você aceita aquilo na medida que você vai assimilando.

Participante: Seria um “insight”?

Jorge: Eu acho que a revelação está no nível da iluminação. Existe um nível, um estado de consciência que Jung chamou de Inconsciente Coletivo e Einstein chamou de Mundo das Idéias, ali estaria tudo o que as mentes humanas já desenvolveram, como uma “Cosmonet” uma Internet cósmica. O mundo como um todo está se aproximando cada vez mais desta evolução, tanto que a Internet não está baixando ao nosso nível, nós é que estamos chegando num nível mais próximo deste estado de consciência generalizado. A gente caminha neste sentido evolutivo, a humanidade caminha como um todo. Aí nós vamos acessando estes inventos , essas tecnologias como um todo. A Internet é uma coisa arcaica perto do que é esta “Cosmonet” vamos chamar assim. Na Internet você digita a palavra ‘Milagres’ e aparece lá: ‘foram encontradas 38547 ocorrências’, você vai ter que pesquisar em todos os “sites” e uns são contraditórios aos outros. Na “cosmonet”, como chamamos, você digitará a palavra e terá a informação, tudo no mesmo lugar, tudo perfeitamente assimilado, sem contradição. Vai ser criado um sistema que vai acumular tudo, a gente já tem, nós é que não atingimos esse estado de consciência. Quando inventaram a roda, isso revolucionou o mundo, então você vê em que estado a humanidade estava como um todo e hoje em que estado de evolução nós estamos. Então você pode imaginar o estágio de evolução em que nós vamos nos encontrar. A humanidade (uma unidade) como um todo. É para isso que estamos aqui. Há conflitos, nisto? Claro que há! Muda-se uma porta de lugar, muda-se um quadro de parede, as pessoas se sentem inseguras: ‘Ah, o que eu fiz?; Será que não era melhor antes? Isso acontece quando as mudanças pegam em algum apego teu.

O dia em que nós resolvemos mudar o nosso estado de consciência e abandonar algumas crenças, aí nós mudamos para o estado de revelação.

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1. Tu podes fazer qualquer coisa que eu pedir. Eu te pedi para apresentar milagres e esclareci que os milagres são naturais, corretivos, curativos e universais. Não há nada que não possam fazer, mas não podem ser apresentados no espírito da dúvida ou do medo. Quando tens medo de qualquer coisa, estás admitindo que ela tem o poder de ferir-te. Lembra-te de que onde está o teu coração, aí está também o teu tesouro. Tu crês no que valoriza. Se estás com medo, inevitavelmente estás valorizando de forma errada. A tua compreensão dotará então todos os pensamentos com igual poder e inevitavelmente destruirás a paz. É por isso que a Bíblia fala da “paz de Deus que excede o entendimento”. Essa paz é totalmente incapaz de ser abalada por erros de qualquer espécie. Nega que qualquer coisa que não venha de Deus tenha a capacidade de afetar-te. Esse é o uso apropriado da negação. Não é usada para esconder nada, mas para corrigir o erro. Ela traz todos os erro à luz, e como o erro e a escuridão são a mesma coisa, corrige o erro automaticamente.


Jorge:O medo é realmente o oposto do estado de amor, então qualquer situação que a pessoa não está no estado pleno de amor, vai ter medo. O medo se apresenta de várias formas: como angústia, ansiedade, raiva, agressão, falta de fé a pessoa tem medo de acreditar. O que temos que aprender é que é medo. Ele está de fato inserido nas coisas materiais. Onde está o teu coração, aí está também o teu tesouro. Nós não podemos perder o espírito, não há como, então nós podemos perder daí para baixo. Podemos perder o poder, a capacidade física, o bem estar, o estado de conforto e assim vai com o corpo, daí para baixo, as condições sociais com todos os bens materiais.

As nossas rejeições, isso pode se apresentar como medo, porque tenho medo que meu corpo não vai ser aceito, a maneira que eu falo não vá ser aceita, tenho medo que meu amor não vá ser aceito, tenho medo de aceitar o amor do outro. Temos medo de tudo que envolve o corpo, então é a parte física, emocional e mental. No nível emocional estão os nossos relacionamentos, onde temos medo de perder a atenção o carinho de alguém, da mãe, do pai, do namorado, da namorada, de um amigo que a gente gosta. No nível mental são os nossos poderes intelectuais. Uma pessoa que está numa posição intelectual, por exemplo, que é o diretor de determinado empreendimento, ele pode ter medo de perder aquele cargo, ser substituído por alguém que sabe mais que ele. Esse seria um medo no nível intelectual. Mas todos estão ligados a coisas materiais. Porque a parte do intelecto que nós falamos, está ligada ainda à matéria, envolve situações de relacionamento com a matéria ou com outras pessoas que podem gerar perdas. Se eu perder a minha namorada, por exemplo, eu não perco nada, porque ela não é minha, mas o medo desta perda emocional é que me coloca nesta situação. Por que? O que eu considero que é meu? O sentimento é em relação a quê? – A presença física. Por isso nós temos medo que uma pessoa, que a gente gosta, possa morrer. Por que? Temos o sentimento associado à presença da pessoa, da presença física, porque é até aonde nós alcançamos, componentes relacionados ao nível da matéria.

Assim, se você viu muitas pessoas, por exemplo, chorarem porque perderam o namorado, agora quando alguém vem oferecer namoro, você diz: Não sei se eu vou querer. É o medo. Estes medos, muitas vezes, são adquiridos na primeira infância. Quando a gente vê, por exemplo, o vizinho batendo na vizinha, a menina pode relacionar isso na sua maneira de entender que os relacionamentos não são bons, ela associa casamento com apanhar. Quando alguém vem propor namoro ou casamento ela diz: Eu não quero! Muitas pessoas bloqueiam o relacionamento por um medo que a pessoa adquiriu. O medo é sempre adquirido, é a síndrome do medo adquirido. O medo não nasceu com você, ele foi adquirido na tua existência neste plano. O medo é um só na verdade, como eu disse, ele pode se apresentar de diferentes maneiras, como um camalhão, se transfere de um lugar para outro. É uma qualidade que podemos aprender, como ele tem estes atributos de se transformar, nós podemos aproveitar e transformar o nosso medo também. Por exemplo: Se a pessoa tem medo de formigas. Aqui tem formigas? Em todo lugar tem formigas. Então, não é melhor transferir esse medo para elefantes? Desta forma fazemos com o medo a mesma coisa que ele faz com a gente. É o mesmo medo, não é outro. O que muda é a maneira dele se apresentar, como nós projetamos ele, é alguma coisa que nós absorvemos num determinado momento.

Participante: Sobre a analogia do apartamento da cobertura com a revelação. O objetivo final é a revelação, à medida que vou assimilando, vou subindo os andares, cada andar seria um milagre?

Jorge: O que ele coloca é que o milagre é um meio. Por que eu não vou, então? Se o apartamento está lá, e é meu, por que eu não vou lá assumir isso logo? É medo do que possa me acontecer. Porque para eu subir até a cobertura eu tenho que abandonar o andar térreo e no térreo eu estou me sentindo seguro.

Participante: Sairia do térreo se ali tivesse algo incomodando.

Jorge: É o que nós fazemos muitas vezes. A pessoa que escreveu este livro, Um Curso em Milagres, chama-se Helen, ela escreve a partir desta situação. Ela vivia num meio acadêmico onde havia muita competição e era muito ruim viver neste meio e um dia ela disse: Tem que haver um outro jeito e a partir daí começou acontecer o livro.

Quando uma pessoa diz: Eu não agüento mais esse andar térreo! Tem que haver um apartamento na cobertura! Daí ela começa a escalada, o medo inicial foi vencido, é o medo inicial de iniciar o caminho, por isso se fala muito no caminho, na iniciação. Porque a gente estava estagnado, fica estagnado no parque de diversões, a gente fica estagnado nesta nossa vidinha sem saber para que lado está andando. O que é um iniciado? Iniciado é aquele que iniciou a caminhada, aquele que iniciou a subida, resolveu deixar o apartamento térreo porque tem que ter alguma coisa a cima.

Enquanto você está andando na horizontal, você não sai do térreo, fica dando voltas em torno da mesma coisa, não há evolução horizontal. No momento que você inicia, começa a olhar para cima, porque tem que haver uma coisa em cima, porque o que tem aqui em baixo já não interessa mais, aí você iniciou o caminho. Ao levantar a cabeça e olhar para cima, você começa a ver o que tem aí em cima. A revelação está aí, é só olhar para cima e pegar. Por que você não pega? Por que você não olha para cima? Porque estou muito interessado em olhar para baixo, porque em baixo estão os meus tesouros, o meu carro, a minha casa, estão todos na linha horizontal. Para começar é só ter a intenção de subir. Eu acredito que nós que estamos aqui de alguma maneira já temos a intenção de ver o que tem em cima, então o caminho é este, entre milhares de outros caminhos, nós apenas escolhemos um caminho. Nós estamos buscando entender e subir os degraus por este caminho, caminhar para chegar em cima. Mas a revelação e o céu você já tem, disto não há dúvida nenhuma. O céu é a cura , a cura de todos os nossos medos e de todas as nossas insanidades . Tanto que quem chega no céu é chamado de Santo, de São, porque curou todas as suas insanidades, matou todos os seus dragões. O dragão representa o medo, é uma compreensão ocidental, na China representa proteção, são representações aparentemente antagônicas. Mas, São Jorge matou o dragão, seu dragão interno, daí que ele chega no céu e atinge o estado de sanidade ou santidade. O céu representa a revelação, o conhecimento, a alegria, o amor. Olhar nesta direção e começar. O que diz a nossa meditação? “...eu serei curado na medida que eu permitir”, então eu alcançarei o céu a medida em que eu quiser. Agora tem que ver porque é que eu não estou querendo. Façam uma avaliação neste momento de todos os bens que você possui, desde o sapato até a casa, tudo. Eu pergunto a vocês, querem deixar tudo isto e ir para o céu, agora? Nós respondemos ‘não’ porque associamos isto com morte, com perda é o que diz aí ‘..o teu coração está onde está o teu tesouro’

Você não tem que negar a matéria, não precisa fazer isto, a única coisa que você tem que parar de fazer é de negar o espírito. Negar a matéria é um outro equívoco, seria tentar enganar a mim mesmo dizer que não tem esta almofada, que não tem esta sala, estou vendo, estou sentindo. A questão não é negar a matéria, a questão é parar de negar o céu.

Participante: Na matéria sabemos como é e no céu como é?

Jorge: Por exemplo, eu tenho um emprego aqui na livraria onde ganho 200,00 reais, aqui eu conheço tudo, sei onde estão as coisas e o que eu faço. Alguém me oferece um emprego para administrar uma empresa onde teria uma salário de 5200,00 reais. Ah, não vou! Lá pode ser pior que aqui, eu não conheço, não sei como vai ser lá, é o medo do desconhecido.Isto é muito real. As pessoas estão tão presas aquilo que conhecem, estão presas à matéria e se prendem à matéria pouca ainda.

Participante: E o suicídio.

Jorge: O suicídio é uma tentativa de resolver uma questão, sem resolvê-la. É como uma pessoa que tem um contrato para trabalhar na livraria e ela não trabalha. Digo a ela todos os dias, você tem que fazer tais e tais tarefas e ela não faz. Como ela não está contente com o emprego, acha tudo muito ruim no emprego, ao invés de aprender o trabalho ela sai e fica desempregada.

Tudo tem valor, o que não tem valor, é colocar valor nas coisas que não têm. Estamos aqui neste planeta para aprender. O que nós temos que aprender aqui?

Primeiro vamos aprender o valor que as coisas materiais têm, é o primeiro passo, não é assim que acontece, na nossa infância, ganho um brinquedo da mamãe e deixo-o atirado na rua, ela diz: ‘Meu filho, vá lá buscar, isso custou caro’.

O passo seguinte é eu aprender que tudo é transitório, que aquele brinquedo valeu para uma época, aprendo que as coisas não tem valor real, tinha valor naquele momento. Tudo na vida é assim, tem valor naquele momento. O lugar onde moro tem valor para mim neste momento, depois que eu mudar para outra casa, que valor vai ter aquela casinha em que eu morava. É como um carro novo que eu compro, ele tem muito valor, a medida que o tempo vai passando o valor dele vai caindo. Tenho certeza que daqui algum tempo e se eu tiver paciência, aquela BMW importada eu compro por 500 reais. Tudo vai chegar no ferro velho? Vai! É essa compreensão que nós temos que ter. Então, primeiro você compreende que a matéria tem o seu valor, é inegável, depois você aprende que a matéria não tem valor nenhum, depois você aprende que a matéria tem utilidade. São estágios de compreensão. Se você disser isto para um aluno do 1º ano, ele dirá: ‘Esse cara está maluco, põe fora e no dia seguinte vai lá e busca de volta’. Para quê ? Agora você vai aprender qual é a utilidade daquilo. Não é muito melhor assim? Você não está mais confortável? Tem valor esta almofada? É isso que temos que ver. Não é negar as coisas materiais, é compreender a utilidade. Por isso no início do Curso diz assim: Nós somos espírito, a mente é aprendiz e ela tem que aprender o valor que as coisas têm, aprender que as coisas não têm valor, depois aprender que as coisas têm utilidade. O corpo e todos os corpos físicos são instrumentos de aprendizado. Então, o nosso corpo não tem valor nenhum? Tem valor enquanto estiver inspirado, “in espírito”, ou com espírito nele. Sem o espírito ele não vale mais nada, é apenas um corpo caído no chão, daqui a dois dias não dá nem para passar por perto dele. Então, que valor tem isso? A gente só vai compreender isso no estágio seguinte. Você coloca assim: Daqui a 100 anos que importância tem se você era chefe ou se você era empregado, se tinha carro ou se andava de bicicleta. Vai ser importante isto? É isto que a gente tem que aprender aqui, não é para negar a matéria.

Participante: Eu não vou jogar fora algo que preciso, não é mesmo?

Jorge: Pega a almofada e joga fora, isso é simbólico, eu não vou jogar fora porque eu tenho necessidade dela, depois que eu sair daqui, que importância tem se a almofada vai ficar ou não, então ela não é mais útil para mim. Nesse sentido coloca-se a questão, você tem que usar a negação para colocar nesse nível de compreensão. Que a ausência das coisas materiais podem afetar você, é aí que você tem que colocar a negação. É o uso correto para a negação. A gente só consegue fazer isso quando compreende que as coisas têm utilidade, não valor.

Participante: Voltando um pouco à questão da pessoa que ganha 200 reais na livraria e tem uma oferta de emprego para ganhar 5.200 reais. Bom, onde ela está, ela gosta do trabalho, tem o carinho das pessoas, tem sentimento envolvido. Quanto ao outro emprego ela não sabe se lá ela terá o carinho das pessoas. Eu acho isso muito complicado.

Jorge: Eu concordo, não é fácil fazer esta mudança, se desprender das coisas materiais, acontece voluntariamente, mais por equívoco do que por acerto.

Participante: Ás vezes a depressão leva a pessoa a pensar em morrer, não é mesmo?

Jorge: A pessoa não aprendeu a gostar, não conseguiu desenvolver o amor. A pessoa que desenvolveu o amor gosta de tudo, gosta do campo, de praia, das pessoas. A pessoa que está presa a coisas materiais está mais sujeita ao suicídio, porque a pessoa coloca todos os seus tesouros na matéria, vai chegar um momento em que ela olha para o sentimento e vai ver que não tem amor e sente então um grande vazio. A maioria das pessoas que entram neste estado de depressão relatam o vazio. Às vezes ela tem família, tem meios materiais, mas tem aquele vazio interno. Não vê sentido em estar aqui. Isso pode levar uma pessoa a este estágio. Outras vezes acontece da pessoa estar vazia no coração e no bolso também, ela não conseguiu desenvolver nada, aí é vazio demais. Fica descrente, perde a fé nas pessoas, perde a fé em tudo, não tem mais nada.

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2.A verdadeira negação é um instrumento de proteção poderoso. Podes e deves negar qualquer crença em que o erro possa ferir-te. Esse tipo de negação não é um encobrimento, mas uma correção. A certeza da tua mente depende dele. A negação do erro é uma forte defesa da verdade, mas a negação da verdade resulta em criação equivocada, que são as projeções do ego. A serviço da mente certa, a negação do erro liberta a mente e restabelece a liberdade da vontade. Quando a vontade é realmente livre, não pode criar equivocadamente porque só reconhece a verdade.

Jorge: Vamos partir da premissa que a gente já sabe o que é certo. Se alguém nos oferece uma coisa errada, nós podemos negar, isso liberta a nossa mente. Quando é uma situação material, usando a matéria como instrumento de aprendizado é mais fácil, poderíamos ter a seguinte situação: Alguém vem e me oferece um bicicleta nova por 8 reais . Eu digo: ‘ Não, obrigado, eu não quero’. Por quê? Se tem uma coisa errada, eu nego, mas se eu aceito eu fico preso no outro. A minha vontade de passear por aí de bicicleta fica contrariada pelo medo que tenho que o dono me veja passando com a bicicleta, porque eu sei que a bicicleta não é da pessoa que está me oferecendo. É isso que eu tenho que fazer, quando eu nego o erro diante mão, a minha mente fica liberta e a minha vontade também, eu estou livre para ir e vir, não tenho medo de nada. Isso quando eu ainda não cometi o erro, antes de comete-lo, eu não quero mais o erro, então você usou a negação no sentido correto. Eu posso, também, desfazer o que está errado. Para perda existe o perdão. Se eu comprei a bicicleta por 8 reais, primeiro eu aceitei o erro, não neguei. Agora eu sei que a bicicleta é do cara aí da esquina, aí eu penso “Ah, eu não vou devolver, paguei por ela”, neste caso a minha mente está presa ao erro. Mas, se chegar um momento em que eu diga: “Eu não quero mais estar com este sentimento, eu não quero mais isso”, então eu vou lá e entrego a bicicleta para o dono e digo: “Aqui está a tua bicicleta eu a comprei por 8 reais, mas me dei conta que era um erro tê-la comprado, sei que é tua”. Então, eu me nego a permanecer no erro. O erro está desfeito.

Participante: Este exemplo foi no mundo da matéria e no mundo do espírito como seria?

Jorge: Você só chega no mundo do espírito quando desfaz as imperfeições. Ir para o mundo do espírito não é morrer, isso não muda nada, você continua com os mesmos sentimentos. A morte só acontece para o corpo, mas a tua mente continua. Os erros estão registrados na tua mente. Você só chega no mundo que chamamos do espírito, que é o nível da perfeição, quando desfaz as imperfeições. Desfazer as imperfeições se começa quando se começa a negar os erros, não aceita mais aquilo, começa a fazer a reparação. Quando chega nesse nível do espírito você vai ver que não tem erro nenhum, aí nunca aconteceu erro nenhum. Não é o teu corpo que compra a bicicleta, é a tua mente que compra. Ela negocia, o corpo serve como instrumento. Imagina se você perde a bicicleta, fica mais difícil fazer a correção. Quanto mais tempo a gente permanecer no erro, mais difícil fica sair dele.

O corpo não tem culpa de nada, os erros acontecem na mente, mas a mente não é o espírito e o corpo é só o instrumento, ele obedece a instrução da mente, aquilo que a mente instrui, o corpo faz, então no nível do espírito nunca aconteceu erro nenhum.

Participante: Um caso do assassino que já matou várias pessoas inocentes. O justiceiro vai e mata o assassino, na compreensão dele ele está corrigindo um erro, não parece?

Jorge: O justiceiro faz o mesmo erro, está reproduzindo o erro do assassino. “Ah, mas ele matou um pai de família”. Mas quando matou o assassino o justiceiro perguntou se ele era pai de família? Isso não importa o que ele é, ele estará fazendo a mesma coisa que acha que está errada. O assassino sabe que ele está errado, porque ele não tem paz. Todos nós sabemos quando estamos errados. O erro não tem justificativa mas, o perdão que o assassino invoca. A pessoa precisa na sua consciência trabalhar o perdão também. Ele sabe que está errado. Essa coisa de dizer: “Não sabe o que está fazendo, é muito relativo, uma pessoa que mata o outro ele pode alegar insanidade, da mesma forma vai preso. Não tem nada que justifique o erro. A pessoa pode alegar: “Eu estava num momento de insanidade”, vai preso do mesmo jeito. Isso acontece em todos os níveis.

O espírito não tem erro. As doenças vêm dos erros da nossa mente, porque na mente estão aqueles vícios, a preguiça e todos aqueles vícios que a gente sabe que deveria trabalhar para negar os erros, negar os vícios. Se você sabe que está errado, então nega isso.

Participante: Tem um ditado que diz: quando a cabeça não ajuda, o corpo é que sofre.

Jorge: Todo trabalho tem que ser feito ao nível da mente, porque você não faz nenhum movimento sem que tenha sido instruído pela mente. Quando você caminha, anda na rua e desvia dos obstáculos, é o corpo que desviou? Ou foi a tua mente? Quem está no comando? A mente.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

 

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