UM CURSO EM MILAGRES
14 DE JULHO DE 2004
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.


Princípio 40
O milagre reconhece todas as pessoas como teu irmão e meu também. É um caminho para se perceber a marca universal de Deus.

Participante: Então, passaríamos a ver todos iguais, sem diferenças de raças, por exemplo.

 

Livro Texto
Página 47
Capítulo 3 – A Percepção Inocente
                     V. Além da percepção

2. Desde a separação, as palavras “criar” e “fazer” passaram a ser confusas. Quando fazes alguma coisa, fazes a partir de um senso específico de falta ou necessidade.  Qualquer coisa feita para um propósito específico não tem nenhuma generalizabilidade verdadeira: Quando fazes alguma coisa para preencher uma falta percebida, estás implicando tacitamente que acreditas na separação. O ego inventou muitos sistemas de pensamentos engenhosos com esse propósito. Nenhum deles é criativo. A inventividade é um esforço desperdiçado mesmo na sua forma mais engenhosa. A natureza altamente específica da invenção não é digna da criatividade abstrata das criações de Deus. 

 Jorge: Desde que aconteceu a separação, ninguém mais tem certeza de nada. Você não tem certeza que amanhã vai estar aí, você não  tem certeza de que o carro vai estar onde deixou, se a casa vai estar lá, de que o avião vai levantar vôo, se ele vai pousar novamente, não tem certeza de coisa nenhuma. Não tem certeza de absolutamente de  nada que seja no nível material.

Você não tem certeza que a sua namorada amanhã vai gostar  de você ainda, se você vai querer olhar pra ele, se você ainda vai querer estar com ele, se ele vai querer estar com você. Tudo que está abaixo do nível do espírito é de incerteza plena.  

Para garantir as nossas conquistas físicas materiais nós usamos a engenhosidade. A engenhosidade nos permite ‘engenhocar’. A engenhosidade são os artifícios do ego que nós usamos para tentar estarmos mais seguros do nosso dia e do nosso amanhã. 

Inventaram uma coisa engenhosa que é o seguro saúde.  A mente que engenhou isso é uma mente privilegiada, mas não passa de uma engenhoca. Não tem nada a ver com o nível de criatividade, com o nosso poder criativo. Se nós desenvolvêssemos o nosso poder criativo que temos, não precisaríamos de plano de saúde. Porque sabemos que a doença está no corpo, porque aconteceu algum erro ao nível da mente, inicialmente, na origem dos nossos pensamentos, que posteriormente se projetam em palavras, atos e omissões.

Outra vez: pensamentos, palavras, atos e omissões.    O erro acontece no nível da mente onde os pensamentos são gerados  e se manifestam em palavras, atos e omissões.  Os erros vão se estendendo neste nível  e depois precisam ser desfeitos no nível onde eles alcançaram é por aí que temos que começar a desfazê-los.

A diferença entre fazer e criar é: tudo o que fazemos tem que ser desfeito; Tudo o que criamos, co-criamos com Deus, que é eterno e é para sempre. Então, o que estamos fazendo aqui? Engenhosidades! Ficamos engenhando, ou engendrando, usando o cérebro para engendrar situações que possam nos dar segurança. Porque ninguém mais tem segurança de nada. Esta tensão, este medo  de perder a segurança é que nos leva a criar sistemas de pensamento, sistemas de crença, do tipo: ‘vem aqui, aqui você está seguro!’; ‘Associe-se aqui para ter segurança!’ ‘Integre-se a uma religião, a uma ordem mística, ou esotérica, ou um sistema de crença ou um sistema de pensamento, porque em última instância, você vai pro céu!’

O que temos que entender é que todos os sistemas de pensamento, assim como é o seguro saúde, são engenhosidades do ego   para dar-nos uma perspectiva de que estamos seguros, para nos dar uma idéia de que aqui estamos seguros.   Aqui ninguém tem segurança de nada! Nada no nível material!

Então, o que estamos tentando fazer aqui? Estamos tentado criar uma condição em que possamos sair da insegurança do ego, para termos paz, estarmos seguros da nossa eternidade da nossa espiritualidade, da nossa divindade para não temermos mais nada, nem coisa nenhuma. É por isso que eu estou aqui. Só para ser verdadeiramente útil ..

Você pode estar segura que todas as coisas materiais não nos dão segurança e que  o último sistema de pensamento que te garante uma segurança é o seguro de vida, ele te assegura que no dia em que você morrer alguém vai receber uma graninha. Então você não tem segurança de coisa nenhuma. Quando você morrer, você também não sabe se a seguradora vai pagar ou não, eles podem não cumprir o contrato.

É tanta insegurança que nós temos que tirar a nossa mente deste sistema, conviver neste sistema, mas a nossa mente não pode estar presa neste sistema. Isto é o tal do Salto Quântico.   É saltarmos fora do sistema de pensamento, dos milhares de sistemas de pensamento que o ego criou no mundo, para que, embora estejamos aqui, possamos estar em paz e em segurança com nós mesmos ao ponto de não termos medo nem tensões. Saber que você está aqui, mas você não é daqui.  Então a qualquer momento você  pode ser conduzido para um outro nível e todas as tuas coisas materiais vão ficar aqui e você vai ficar preso à elas, não importa o que vai acontecer com elas. E o teu corpo ..a mesma coisa.

Veja que nós colocamos a nossa maior certeza numa coisa que nós mais tememos. A morte é a única certeza que todos temos. A única coisa que nós dá certeza é a que mais tememos,  a morte.  É um paradoxo, se você avaliar isso é totalmente incompreensível.

Quando conseguirmos estar com a nossa mente: Eu estou aqui, não importa o que eu esteja fazendo, vou faze-lo da melhor maneira possível, porque estou aqui só para ser verdadeiramente útil. Se eu for ler o livro, eu vou fazer isto da melhor maneira possível. Se eu faço pães, vou fazer da melhor maneira possível...vou fazer o pão cada vez mais gostoso, cada vez melhor para ser extremamente útil com aquilo que estou fazendo . Se eu vendo seguros, vou fazer isto da melhor maneira possível. Se eu vendo tijolos, vou fazer isto da melhor maneira possível. Se eu faço tijolos, vou fazer da melhor maneira possível. Mas eu sei que estou prestando aquele serviço e tudo que eu juntar em função deste serviço que estou prestando, ele vai me servir enquanto eu estiver aqui, no momento seguinte eu posso não estar mais ou eu posso estar e as coisas materiais não. 

Lembra daquela historinha do turista, pra gente viver bem e em paz, a gente tem que viver como turista.  Como é que o turista vive, o turista vai para uma cidade, ele não está preocupado em saber quem é o prefeito, quem é o candidato, se tem ruas asfaltadas, se a passagem aumentou ou não. Fica no melhor hotel da cidade, vai no restaurante pede o melhor prato. Faz o melhor passeio que tem na cidade. Ele não está se incomodando com nada.

No ano passado quando viajamos e ficamos num hotel, no primeiro dia foi uma beleza, a gente não tava aí para nada. Aí liguei a televisão e começamos a ver o que estava acontecendo na cidade..já fiquei preocupado com o que o prefeito vai fazer.. No outro dia o rapaz da portaria não estava e eu perguntei o que tinha acontecido  ‘foi despedido? Está de férias? O que houve?’   Daqui um pouco já iria querer saber onde mora a camareira;  se é longe;  se é perto;  se ela vem de ônibus; etc..  Então acabou-se a alegria, deixei de ser turista!  É isto que nós vamos fazendo aonde nós vamos parando.

Por que é tão bom mudar para uma casa, ou apartamento novo? Ah que beleza! Você cumprimenta os vizinhos...daqui um pouco você passa na portaria e o porteiro diz ‘sabe o que aconteceu com o outro vizinho? ..você já se envolve..daqui a um pouco  você está tão envolvido com os problemas do vizinho, da vizinha, do condomínio, do garagista, do prédio da frente, do prédio do lado...a tua mente está tão cheia que você não consegue mais ficar em paz.

É isso que fazemos aqui o tempo inteiro. Estamos preocupados com que está acontecendo lá na conchinchina  e não só o que está acontecendo hoje. Você liga a televisão e está tudo bem, por exemplo. Todo mundo comeu, todo mundo tomou água...aí tem aquele que diz: é mas daqui há dez anos vai faltar água! Porque o ego não aceita estar em paz.  Esta incerteza é do ego, ele não tem certeza de nada,  ele não compreende a certeza.

A única coisa que o ego tem certeza é da morte do corpo.  E Ele projeta nisto o maior medo. A única certeza está fora do sistema do ego e é isso que tememos, sair fora deste sistema. Ele se manifesta sem o corpo também, porque ele não está no corpo, está na mente.  O ego se alia ao corpo.

O que é fazer e o que é criar? Toda vez que nós fazemos, inventamos, ou engenhamos é sempre para cobrir um senso de falta, então estamos afirmando a escassez, afirmando em nós mesmos. Quando alguém inventa alguma coisa, ele é glorificado no mundo, não é? A pessoa que inventou o celular, por exemplo, agora podemos telefonar sem estar preso no fio, de qualquer lugar. A pessoa que inventou isto é recompensada pelo mundo, todos nós agradecemos. Mas na verdade ele está nos mostrando falta, porque antes sentíamos faltas.

Na verdade isto sempre existiu, assim como a lei da gravidade sempre existiu, num determinado momento ela foi percebida. O telefone sem fio sempre existiu também, não foi inventado, foi percebido. O celular também, não foi inventado, foi percebido, daqui a um pouco não vamos precisar equipamento nenhum para nos comunicar a distância, estamos avançando nesta direção. Já enviamos energia à distância, o Reiki por exemplo, daqui a um pouco vamos mandar também comunicação, já estamos mandando a voz sem fio, daqui a um pouco não precisaremos mais nem do aparelho. 

Todas estas coisas que estamos engenhando são passos, que pouco a pouco vai nos levar a uma compreensão de que isso não é necessário e que tudo isto estava ao nosso alcance. Assim como a energia elétrica, ela não é criada, a única coisa que se faz na usina é separar os pólos positivo e negativo, pra transformar isto em força, luz e calor. A energia não é gerada pela turbina. A turbina não cria energia, ela apenas transforma. São coisas que nós fazemos.

No momento em que assumimos a nossa identidade virtual, vamos nos dar conta que não precisamos fazer nada, já está criado, nós podemos entrar em alinhamento com o espírito onde não falta nada, não falta luz, não falta calor.

Vejam a diferença entre criar e fazer. O que está feito aqui? Está feito uma sala, um ambiente com paredes. O que estamos criando aqui? Estamos criando um ponto de energia de união, onde nós podemos unir as nossas mentes em torno de uma compreensão, usando o livro que estamos compartilhando, Um Curso em Milagres, como instrumento, para unificar as nossas mentes em torno de uma compreensão.

Participante: Se estivermos voltados com as nossas mentes para correção do Espírito Santo, estaríamos criando?

Jorge: Sim estaríamos criando!

Participante: Então eu poderia compreender que eu usaria a mente racional para isto?

Jorge: Pra fazer esta viagem para o espírito, você não pode usar a razão como veículo. Você usa a matéria como instrumento de aprendizado, mas não a mente racional como veículo. Porque o que nós estamos compreendendo aqui não é racional, não faz sentido racional.

Se você for falar isto ali no bar da esquina, eles vão internar você. Eles dirão que isso não é racional e que você não está passando bem. Se você compreende que usar a mente racional como veículo para chegar ao nível do espírito não vai funcionar, porque o ego é a parte racional da mente, é a parte da razão. A razão é a parte concreta, científica, palpável. Como nós damos razão para alguém?  Quando ela comprova de maneira concreta, palpável, absoluta, aquilo que ela está querendo transmitir.

Como você pode comprovar, isto que estamos trabalhando, de uma maneira concreta? Não há como! Então você aceita isto e trabalha nesta direção ou não. As pessoas se agregam a esta idéia ou não. Aquelas pessoas que têm a mente muito racional e que querem as coisas comprovadas elas não conseguem ficar.

Participante: Eu uso o meu cérebro para procurar um caminho para o Espírito Santo....

Jorge:
O espírito é perfeito.
A mente é a aprendiz.
O corpo é o instrumento de aprendizado.

O cérebro faz parte do corpo, não da mente, ele é físico. O cérebro não é a mente. O cérebro é o instrumento físico que a mente usa para processar as informações. O que nós chamamos de racional está ligada a atividade mais cerebral, ou a parte da mente que está separada que usa o cérebro como instrumento de conquista e não como instrumento de aprendizado. O Espírito Santo consegue discernir o que é falso e o que é verdadeiro. Ele consegue discernir a parte falsa  da verdadeira quando nós nos colocamos na posição ‘Já que eu estou aqui...então vou estar aqui para ser verdadeiramente útil..’ Quando nós nos colocamos nesta posição o Espírito Santo alinha-se com a mente sã e usa o cérebro para entendimento e que pode nos levar ao alinhamento espiritual. Como nós usamos esta sala para este encontro, por exemplo.

Tudo o que é material, tanto o cérebro, ele é palpável, é ali que nós engenhocamos as informações, mas o cérebro não faz nada sozinho. O cérebro não faz nada, a mente é que usa o cérebro. Foi o primeiro sistema de computação que apareceu. Lembro, quando eu era criança, na revista ‘Manchete’ estava escrito: “Inventaram o Cérebro Eletrônico”.

Se você não consegue entender como é que funciona o seu cérebro, você compra um micro e fica olhando pra ele. O cérebro eletrônico que tem no micro, funciona igual ao cérebro que você tem na cabeça. Ele ativa informações, ele guarda coisas na memória, ele registra, soma, diminui, multiplica, faz tudo que você mandar.

Quando você senta na frente do micro, você é a mente, você é o mentor. Você faz o papel de mente e o micro de instrumento cerebral. Você pode se colocar assim como exercício pra compreender como é que a mente e o cérebro funcionam. O teu cérebro é binário, assim como o cérebro eletrônico, ele soma 1+1; 2+2; sim-não; sim-não, e vai processando todas as informações.
Você alimenta o teu micro com quantas informações quiser, você tem que digitar ou copiar imagens ou captar imagens que você recebe através de uma rede de informação, assim como eu alimento o meu cérebro com tudo o que eu percebo com os 5 sentidos. O meu cérebro é alimentado por informações que ele vai processando, o que escuto, o que eu vejo, o que eu tateio, o que sinto no paladar ou através do olfato . O cérebro eletrônico funciona através dos sentidos que ele tem, quando você tecla, está ligado em rede ele recebe imagens, demonstra os resultados, ele te dá planilhas.  O cérebro é instrumento, não é a mente. O cérebro é físico.

Podemos usar o cérebro para criar ou para fazer, depende da escolha que fazemos ao nível do pensamento o que nós queremos. Se escolhermos evoluir ao espírito, nos alinharmos ao espírito, isto não nos exime da nossa prestação de serviço, pelo contrário, aí que você vai trabalhar mais. Agora você vai usar o teu serviço, a tua prestação de serviço, aquilo que você faz para ser verdadeiramente útil ao outro, aí você aprende a unidade. É assim que nós funcionamos.

Usamos todo o nosso instrumento físico, toda a fisicalidade tudo o que é material, tudo o que está no nível horizontal, usamos tudo para aprendizado. Temos que aprender a aprender com tudo. Quando estamos disposto ao aprendizado aprendemos com qualquer coisa.

Outro dia eu pequei um arame lá na livraria. Peguei este arame e fiquei olhando pra ele...pra que serve este arame? Eu estava olhando pra ele com este alinhamento de disposição a aprender. Olhei pra ele e disse: Que aprendizado eu posso ter com um arame? A gente pode aprender com tudo. Tudo está aqui para nos prestar o aprendizado. Eu peguei o arame e tentei dobra-lo no meio, era um arame de aço, não consegui. Aí fui tentando, espichando, alongando até chegar na extremidade...era um arame de mais ou menos um metro. Quando eu chegava na extremidade eu conseguia a flexibilidade. Achei interessante este aprendizado...quando a gente tem que dobrar alguma coisa batendo no centro da questão, nós encontramos a inflexibilidade.
Quando vamos pela extremidade, com suavidade, tudo se torna flexível. Daí eu aprendi que, quando tenho uma asserção que confronta com a crença da outra pessoa, eu não tenho que bater no centro da questão, não tenho que bater de frente, tenho que ir pelas beiradinhas, sutilmente, procurando flexibilizar aquela questão, tanto na minha ponta quanto na ponta dele, daí consigo dobrar o arame, a flexibilidade acontece em ambas as direções.

Temos que começar a colocar a nossa percepção a serviço do espírito, ele vai direcionar a nossa percepção para   o aprendizado. Enquanto nós colocamos a percepção a serviço do ego, ele só vai direcionar a nossa percepção para conquistas materiais que buscam nos dar a sensação de segurança.

Se eu colocar este arame a serviço do ego: ...este arame pode servir para que, quando eu sair eu dar um nó aqui na fechadura para que ninguém conseguir abrir a porta e ninguém roubar as minhas coisas. Assim eu não teria aprendido nada. Ou para me defender se alguém me atacar... Serve para segurar um quadro na parede, se eu colocar um arame forte o quadro não cai na minha cabeça.

O ego interpreta as coisas sempre como ataque e defesa ou em busca de uma segurança. O ego busca sempre a segurança. Se você olhar para alguma coisa e perceber que aquilo pode te dar alguma segurança, considere falso? Não! Eu quero ver o que eu posso aprender com isto! Muitas vezes as pessoas ligam, ou no banco oferecem cartão de crédito pra vender seguro. Quando digo, não obrigado, eu não quero! Aí perguntam: Mas porquê? O senhor já tem? Mas como..o senhor não tem seguro? Digo: Não, não preciso isto! Isto pra mim não faz sentido!

Participante: Não ter esta insegurança te deixa mais seguro.

Participante: Então as emoções tem um papel importante neste processo.

Jorge: Faz sentido, sim. Assim como nós sentimos, nós agimos e todos os sentimentos emocionais nos trazem insegurança.

Participante: Percebo que quanto mais invisto na matéria quanto mais preso fico nela.

Jorge: Você pode ter o seguro, mas não pode ter insegurança. Você faz o seguro, mas mesmo assim, você não está seguro, você ainda tem medo.

Tudo o que eu faço hoje é para me sentir em paz, para não sentir esta coisa. Para não estar em dúvida, porque a dúvida, a dívida, ou a divisão na mente tira a minha paz. Então eu pago o seguro.  Vamos lembrar do turista: Ele está em paz porque não está envolvido com as questões locais, não está preocupado com as questões locais. Para ele tirar férias ele tem que estar em paz e sem nenhuma preocupação. Seria legal para o turista fazer um seguro da bagagem?  Faça! Porque o turista usa a bagagem dele, o  carro como veículo para fazer turismo. Então, você já pagou pelo veículo, considera parte integrante porque você esta pagando o ‘pedágio’. É o pedágio pra você passar deste ano para o outro.    

Participante: Está me parecendo que vou criando uma caminha para o meu ego. Me asseguro para que eu possa caminhar em paz, de repente acontece uma chacoalhada, a caminha deixa de ser confortável pro ego e daí a paz deixa de existir. Então o investimento que tenho feito é no ego.

Jorge: Então, já colocadas as nossas inseguranças e colocado que nós temos que dar a ‘César o que é de César’, o mundo é ‘César’. Nós somos turistas aqui então nós temos que pagar nossa estadia. Se nós estamos viajando, temos que pagar cada vez mais pedágio. Nós não podemos mudar isto no físico, até porque mudar no físico não vai resolver nada. Mudar no físico seria ir lá brigar com o Congresso Nacional por mais segurança para o carro, para que você não precise pagar seguro do carro, para que não precise pagar seguro saúde, para que não precise pagar pedágio na estrada, para que não precise pagar hospedagem em motel, porque se não preciso pagar a passagem e na Constituição está que eu tenho o direito de ir e vir . Se eu tiver que pagar passagem e não tiver dinheiro, então meu direito foi caçado....  Então temos o direito de ir e vir, contanto que você pague passagem; ..contanto que você pague o imposto; contanto que você pague seguro, contanto que você pague pedágio; contanto que você pague hospedagem. Você tem direito a ficar em qualquer hotel que você queira, contanto que pague a hospedagem, você tem direito a qualquer restaurante, contanto que pague a despesa.

Isso nós não podemos mudar no nível físico, porque o mundo é de ‘César’. Quando perguntaram lá para Jesus: Porque eu tenho que dar a metade do que eu ganho para César? Jesus pegou uma moeda e mostrou que de um lado estava o rosto de César, então a metade da moeda é César, a outra metade é tua.  Então a metade de tudo que fazemos é do mundo, eu comecei a considerar tudo pedágio.

Tenho um apartamento alugado, eu tenho que pagar o seguro do apartamento, porque o proprietário quer que eu pague e a imobiliária diz que é lei e que eu tenho que pagar. Então pago, é pedágio, pra mim morar ali eu tenho que pagar aluguel.
Então não adianta eu ficar brigando para não pagar mais seguro, para não pagar pedágio, para não pagar aluguel. 

Se ‘César’ instituiu que tem que ser pago, pode gritar ou não, mas você vai pagar de qualquer jeito.

O que nós temos que compreender?  Que nós somos turistas e não nos convém brigar. Tem um provérbio chinês milenar que diz: O viajante não deve entra em conflito com os habitantes do lugar. Nós somos viajantes, então não temos que arrumar conflitos. Se você viaja para uma cidade estranha, lá você é um estranho,  está sozinho, e lá começa arrumar confusão na cidade, o que eles fazem? Você leva a pior!

Participante: Isso porque a nossa mente está na escassez?

Jorge: Aqui tudo é escasso. Se eu mudar isto na mente e começar a pagar os pedágios e estar disposto a pagar, a própria mente provê a mudança de escassez para abundância, você muda de direção e tudo aquilo que você precisar, as oportunidades, as condições vão te ser dadas para você pagar os pedágios.

Veja assim, quando você está disposto a pagar imposto você entra num banco oficial e eles te ajudam com tudo o que eles podem, financiam o teu projeto porque ele vai gerar impostos. Eles até te adiantam dinheiro, te ajudam com assessoria empresarial para auxiliar você no projeto porque você vai gerar impostos . A mesma coisa, quando você está disposto a pagar o imposto o investimento vem até você para gerar os recursos necessários para que você desenvolva o teu projeto. Com a nossa mente acontece a mesma coisa. O presidente da nação fala: para quem tiver um projeto para gerar impostos, não vão faltar investimos. É assim que a nossa mente funciona. Quando você está disposto a pagar o pedágio, as condições para pagar o pedágio vêm. O Universo te proporciona as condições para ir pagando pedágio. Só não pode desviar o dinheiro do pedágio, você recebe numa determinada condição para você direcionar para aquilo, você desvia aquele dinheiro pra outra coisa.

Ah..! eu queira tanto um dinheiro para pagar aquela conta que estou devendo; ..eu queria tanto um dinheiro para emprestar para o Joaquim...  Aí ganho um dinheiro na loteria e digo, eu não vou emprestar nada! Também não vou pagar aquela conta! Quando você vê o dinheiro sumiu, desapareceu...daí você diz: puxa vida eu poderia ter ajudado o Joaquim...Ah, mas aquela conta que não paguei..  O ego faz isso, a gente pede os recursos, os recursos vêm e nós desviamos os recursos.

O ego procura fazer com que você esteja preso a uma dívida, porque na hora em que você fechar tudo, você está sem ego, então ele desvia.

Uma vez esteve aqui uma pessoa que, numa dessas, se deu conta que tinha pego um dinheiro emprestado pra fazer uma coisa e fez outra. Ele se deu conta que o dinheiro que era para aquele projeto e que ele desviou, que ele estava devendo aquilo, que ele deveria repor aquele dinheiro. Tinha pego o dinheiro num destes planos do governo. Mas aquilo não teve cobrança, já tinham passado mais de vinte anos. Ele disse:  ...mas então, eu estou devendo isto!!! Se eu conseguisse um dinheiro, eu iria acertar isso agora! Aconteceu que alguns meses depois ele conseguiu este dinheiro. Daí veio aqui me dizer que tinha conseguido o dinheiro, mas resolveu fazer uma caridade numa outra instituição.  Então falei pra ele pedir pra ganhar na loteria de novo.
-Ora, para quem você estava devendo?
-Era para um órgão do governo, mas eu não iria lá pra dizer que desviei o dinheiro, como o governo usa mesmo para fins social....
-Você acha que fechou isto na tua mente, você repôs aonde você pegou? É a mesma coisa que pegar dinheiro comigo e depois pagar para o Luiz. ...’Ah o Jorge iria dar para o Luiz mesmo!’ Não! Você tem que pagar para mim! É a mesma coisa que pegar um dinheiro emprestado do Banco do Brasil e ir pagar lá no Bradesco.. você pode fazer uma doação ali, mas lá no Banco do Brasil a conta continua negativa.  O ego faz tudo para desviar a gente do nosso objetivo. As coisas materiais são necessárias para que a gente possa desenvolver, não podemos ficar preso a elas, mas elas são necessárias.

Se não tivéssemos este ambiente aqui seria difícil nós nos encontrarmos, temos que entender que tudo o que é material tem utilidade e temos que usar os instrumentos materiais para o nosso aprendizado. 

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Página 47
Capítulo 3 – A Percepção Inocente
                     V. Além da percepção

3. Conhecer, como já observamos, não conduz ao fazer. A confusão entre a tua criação real e o que tens feito de ti mesmo é tão profunda que passou a ser literalmente impossível para ti conhecer qualquer coisa. O conhecimento é sempre estável e é bastante evidente que tu não és. No entanto, és perfeitamente estável tal como Deus te criou. Neste sentido, quando o teu comportamento é instável, estás a distorcer a Idéia de Deus com respeito à tua criação. Tu podes fazer isto, se assim escolheres, mas dificilmente quererias fazê-lo se estiveres na tua mente certa.

Jorge: Um exemplo que podemos perceber nos hindus, é o que eles fazem é de uma criatividade imensa. É da gente ficar olhando e admirando como é que eles conseguiram fazer aquele objeto.. Talvez porque a mente deles não está presa à coisa material já está mais próxima do nível espiritual, mais próximo da perfeição, não sei se todas a pessoas, mas talvez boa parte. Outro dia vi um depoimento dum indiano dizendo que ele foi para uma comunidade  e achou que lá era um lugar para ele ficar, lá na Índia. Daí voltou pára casa, vendeu tudo o que tinha casa, carro, emprego que tinha, pegou dinheiro e a família e foi com todos morar na Índia. Disse também que: ..limpo o chão, eu ajudo a fazer pão, e acho que ali vou encontrar o meu caminho espiritual, tudo que eu tinha de material, não serve para nada.

Quem de nós está disposto a fazer isto? Tudo o que tem transforma em dinheiro e pega o dinheiro vai para um mosteiro e entrega para administração do mosteiro, da comunidade, quero ficar aqui para ajudar trabalhando , pode me dar para limpar o chão, tira pó, lavar roupas, fazer pão, tudo o que tiver para fazer.
É mais fácil fazer quando quero levar vantagens...se eu for lá pelo menos está garantido o pão de cada dia..mas quando eu tiver que dar uma coisa que eu tenho, posso até ir, vendo tudo e deixo o dinheiro na poupança, se um dia não der certo tenho a minha garantiazinha. Daí pego o dinheiro da poupança, compro uma casa e arrumo emprego outra vez.

Então, que entrega é esta que eu vou fazer?

Participante: A fruta só cai do pé quando ela está madura, não é? Se a gente colher a fruta antes da hora ela não vai estar pronta. Ela não vai estar plena. Tenho a impressão que cada um de nós vai chegar num momento em que vai acontecer o desapego. Cada um vai ter um momento diferente. Por exemplo, olhando para mim hoje, em várias situações eu iria ficar muito conflitada, em outras não, em boa parte delas não mais.  A partir deste aprendizado que a gente está tendo. Mas tem situações em que eu ainda iria ficar dividida, por isso eu acho que tem um momento que a gente está pronta para decidir isto.

Participante: Na hora da morte?

Participante: Eu espero que este momento comigo aconteça antes da minha morte. Se eu não tivesse tomado uma decisão há alguns anos atrás, de exercitar este desapego aos poucos,  provavelmente eu iria ser uma idosa  doente, que no leito da morte faria esta entrega, ou não...
Sei que se fosse fazer agora eu não poderia fazer plenamente, ainda iria me sentir na falta.

Jorge: Aqui no livro aprendemos que a fruta não pode escolher o momento de ficar madura, mas nós sim.  Esta coisa que não está preparada é desculpa para não ir. O ego nunca vai estar preparado.

Participante: ..a pessoa teve uma compreensão ao longo do tempo que aquilo ali é o melhor .....

Participante: É isto que diz neste parágrafo “A confusão entre a tua criação real e o que tens feito de ti mesmo é tão profunda que passou a ser literalmente impossível para ti conhecer qualquer coisa”.
Acharmos que tem uma hora em que estaremos prontos é fruto do nosso desconhecimento.

Jorge: Enquanto está instável, ainda não escolheste.

Participante: Isto não estaria ligado ao medo? Quanto mais evoluída uma pessoa está, menos necessidades de objetos terá, quanto menos evoluída, mais ela vai se apegar. Vou precisar e daí eu não vou ter. Teríamos que ter um novo pensamento, uma nova mentalidade pensar diferente, ter uma crença diferente.
Teríamos que substituir a crença da escassez da miséria. Entretanto o universo provê tudo o que precisamos.
O que, então teríamos que fazer? Como perder o medo? Como mudar esta crença?

Jorge: Realmente temos que mudar o nosso sistema de pensamento. Nosso sistema de pensamento está todo fundamentado na escassez. Aí você vai ver como certa coisas não servem para nada.
Anteontem aconteceu uma coisa muito interessante lá em casa.
A minha mãe está com 89 anos, às vezes ela está muito amorosa, mas às vezes o ego dela se manifesta de uma maneira felina. Tem uma moça que cuida dela, já vai fazer três anos  e esta moça não sabe ler. A minha mãe firma que não pode lavar a roupa todos os dias, porque a roupa estraga. Então, toda vez que a moça vai lavar roupa, ela dia: Já vai lavar roupa de novo???!!! Não tem que lavar roupa! De onde tu tira tanta roupa pra lavar?

Anteontem eu cheguei em casa e ela disse: ‘Olha, já foi lavar roupa hoje de novo!! É que ela não sabe ler, quem lê aprende isto que a roupa não pode lavar todos os dias, ...tá na etiqueta...porque estraga.’

Ela ‘pega no pé’ da moça, ainda tem ego ali. Eu disse: Pois é mãe, ela não sabe ler porque não aprendeu, mas para que serve ela saber ler, se ela soubesse ler ela não iria estar aqui cuidando de você. Ela sabe cuidar de pessoa idosa. Tem mais uma coisa que eu quero te dizer: Eu sei ler, e para que me serve saber ler...? ...e você também sabe ler e você consegue ler no estado em que você está? Então para que serviu você aprender a ler. Ler em si.

Nós damos tanta importância a isto de aprender a ler e chega um momento destes, que para mim ler neste momento não serve pra nada, se você me der uma coisa para ler eu vou dizer: eu sei ler mas não consigo!   Não adianta eu saber ler, é neste nível que nós temos que aprender que tudo é útil para o aprendizado. Veja como a coisa se manifesta. Ler, saber ler, é saber fazer aquela leitura. Mas o que nós estamos desenvolvendo com a leitura, simplesmente fazer a criança, a pessoa ler? Não! Quando ensinamos a ler estamos ensinando interpretação. Eu ter aprendido a ler para mim, hoje, não serve para nada, porque hoje eu não consigo ler,  no entanto eu aprendi a interpretar. Porque eu aprendi a ler, eu aprendi a ouvir. Este é o aprendizado, é neste nível que nós aprendemos e é aí que nós começamos a mudar na mente esta maneira de perceber, nós conseguimos ser criativos.

Aquela questão de aprender a ler é importante, é útil, mas não serve tanto assim quanto a gente às vezes pensa. Porque ler só serve se você consegui, através da leitura, daquele instrumento de leitura, aprender alguma coisa, desenvolver um aprendizado. O aprendizado serve para você desenvolver criação. Confundimos muito criação com engenhosidade.

O ego vai dizer que a pessoa criou um motor mais potente para um automóvel. Ele não criou, ele engenhou, ele desenvolveu aquilo, achamos que estamos criando alguma coisa. Mas se aprendemos alguma coisa, o que temos que aprender é a interpretação. É o exemplo da energia elétrica. Aprendemos a transformar as coisas para serem úteis a partir dali aprender com elas para sairmos do nível para sairmos do nível da coisa física, nesta questão que coloquei, ler é uma habilidade física que em si não serve para nada. Se você ficar parado naquilo. Então você tem que saber interpretar, não adianta você saber ler. Saber ler é muito fácil para quem já aprendeu, para quem não aprendeu não é tanto, mas depois que ela aprendeu fica fácil. 

O que você aprendeu? Este aprender, às vezes, gosto de falar com dois ‘e’, apreender, no sentido de reter para você, de trazer para você.

Contanto que a nossa mente consiga aprender que as coisas materiais têm a sua função. Primeiro o que nós temos que aprender?  Primeiro, neste mundo nós aprendemos o valor das coisas materiais. Quando eu era criança eu ganhei um brinquedinho, fui lá na rua brinquei  e deixei o brinquedo lá...o pai, quando viu o brinquedo lá disse: Mas como, você não sabe o valor que aquilo tem, quanto custa? Isto custa muito dinheiro, vai lá buscar ! Então a gente começa a aprender que as coisas têm valor.

Depois eu cresci e aprendi que aquilo não tem valor nenhum . É a segunda etapa do aprendizado: as coisas materiais não têm valor nenhum .

A terceira etapa do aprendizado é: As coisas materiais não têm valor, mas são úteis para o aprendizado.  Vemos que tudo é útil para o aprendizado. Um pedaço de arame é útil para o aprendizado, pelo valor do aprendizado, não pelo valor material .

Participante: Para treinar o desapego estamos treinando aquela coisa de valo que a coisa tem .....

Jorge: Já passamos numa etapa do livro onde ele orienta pra olharmos para tudo e fazer a seguinte colocação: Para que serve?  Daí você faz esta analogia  com esta frase ‘olha para o que fizeste de ti mesmo.’ Colocando sempre, para que serve isto?  Para que serve não o valor cambiável por uma moeda, mas o valor de utilidade para o aprendizado. Foi o que eu fiz com o arame. Pequei o arame e perguntei ‘pra que serve isto?’ e aí fiquei trabalhando para descobrir com que eu poderia aprender. Se nós conseguirmos nos colocarmos neste sentido, o que estamos criando com isto que estamos fazendo, para que serve este trabalho que estou fazendo, qual é o sentido criativo, o que estou aprendendo, o que as outras pessoas podem aprender com isso? Daí você estará fazendo exatamente o que você veio fazer aqui!

Uma vez uma pessoa nos convidou para assistir uma palestra do Hermógnes, então fomos. Deveríamos pagar um valor referente ao ingresso.  Mas nós chegamos um pouquinho atrasados e não tinha ninguém para cobrar o ingresso, uma das pessoas que foi conosco ficou preocupada para pagar o ingresso. Eu disse: ‘senta, vamos assistir a palestra depois aparece alguém para poder receber o valor dos ingressos’. Eu estava lá e eu queira assistir a palestra. Eu não conhecia o Hermógenes. E daí o Hermógenes pegou o livrinho da autoria dele e começou a ler e esta pessoa começou a ficar irritada
‘o que?... eu não vim aqui pagar pro cara ler um livro, este livro eu já tenho, não precisa ele ficar lendo’. Ele ficou muito irritado, ficou reclamando.
Eu aprendi tanto, tanto, em meia hora de palestra, mais que em dois anos fazendo outra coisa e o amigo não aprendeu nada.   Quando chegou no final não tinha ninguém para cobrar o ingresso e ninguém nos cobrou nada. Eles disseram que depois que entrou um determinado número de pessoas eles  param de cobrar, estava liberado.

Eu me dei conta que esta pessoa talvez tenha chegado lá, mas ele aprendeu a aprender. Têm muitas coisas que ele falou e eu aprendi com ele. Que eu deveria dirigir todas as minhas percepções para o nível do aprendizado. Este aprendizado do arame, eu aprendi aprendendo com ele.   Como você deve olhar para tudo com o sentido da aprender para que serve isto, o que eu posso aprender com isto. Aí aprendi que todas as vezes que o Curso diz que a matéria, o corpo material e todos os corpos, são instrumentos de  aprendizado, é verdade.

Nós não conseguimos olhar para as coisas como instrumento de aprendizado, olhamos para as coisas como instrumento de valor monetário..quanto vale isto? ..quanto vale aquilo? Você vai fazer uma limpeza lá na tua casa e vê aquilo que não tem mais utilidade para você ...isso eu vou jogar fora...aquilo vou guardar, porque no brechó isso deve valer alguma coisa..
Olhamos tudo como valor monetário e não como instrumento de aprendizado.

Uma das coisas mais lindas que aprendi, entre outras: Ele disse que um dia estava andando na rua onde mora, é uma alameda e ele percebeu que tinham árvores dos dois lados da rua, sempre estiveram aí, mas naquele dia ele olhou com olhar de aprendiz. Percebeu que tinha uma árvore de um lado da calçada e outra árvore do outro lado da calçada. Duas  árvores em lados opostos no nível do chão. No entanto no nível mais elevado os seus galhos e folhas se entrelaçam a ponto de não se saber que folha é de qual árvore.

Isto quer dizer neste nível mais elevado as duas árvores estão unidas, são uma coisa só. Elas têm a sua individualidade mas não dá para saber qual folha é de qual árvore. Ele disse, neste nível mais elevado nós somos a mesma coisa, enquanto nós estamos no nível do chão, estamos em calçadas opostas, aí não tem acerto. Somos a mesma coisa em, calçadas opostas, cada um tentando defender a sua posição. Se nós elevarmos o nosso nível de pensamento, a nossa vibração um pouco mais para cima já vamos ver  que tudo aquilo que estamos defendendo é a mesma coisa dita de lados opostos da rua.

É assim que as religiões ficam no nível mais físico, como a gente brinca ‘ só quem está nesta religião vai para o céu ou só quem está nesta Ordem é que sabe das coisas.....’ , se colocarmos tudo numa compreensão mais elevada vamos ver que todos são instrumentos de aprendizado, tu cresce para cima, tem as raízes no solo, mas cresce para cima, ali neste nível somos todos um só, ali todos somos iguais.

Pensei, como é que um cara olha para duas árvores na rua, que eu já vi tantas vezes, e extrai uma coisa destas. Ele aprendeu a aprender! Se eu estivesse na Índia eu teria largado tudo para segui-lo,  vou me grudar nele, esse é ‘o cara’, eu iria ser discípulo dele, quero aprender isto também.  Quantos discípulos ele têm? Têm muitos admiradores, mas discípulos para aprenderem como é que ele faz para aprender, eu não sei se ele tem. Como ele não trabalha muito com o ego, não tem muitos seguidores, é mais fácil a gente arrumar seguidores dizendo: ‘aqui é o melhor!!’ ‘Aqui é o máximo!’ Faz uma grife e divulga, então vai arrumar seguidores, são os discípulos do ego .

Participante: Precisam de muitas pessoas para levar dinheiro para eles...

Jorge: Eu também já vi isto de dum modo bem crítico, depois eu tive uma compreensão de que lês estão certos. Eles estão ensinando uma coisa que nós temos muita restrição para aprender. Para que a gente ganhe alguma coisa nós temos que dar, temos que abrir mão de alguma coisa. Se a gente quer ganhar uma coisa nova tem que abrir mão da velha  A gente quer um brinquedo novo mas não quer dar o velho, não quer pagar o preço.

Sabe como é que eu tive este aprendizado? Uma vez nós tínhamos uma fonte de pedra, era uma fonte natural, tinha uma bacia larga, um dia resolvemos que iríamos fazer a fonte dos desejos. Colocamos uma placa lá: Fonte dos Desejos. Perguntavam: Como é que se faz?  A gente dizia: Você faz um pedido e joga uma moeda! Você acredita que as pessoas vinham com uma moeda de dez centavos e pediam para trocar por moedas de um centavo?
Elas queriam jogar um centavo dentro da fonte, é quanto elas estavam dispostas a dar em troca do pedido.

Temos que abri na mente a possibilidade que nós temos que dar uma coisa em troca, quanto mais você dá, mais você recebe.  Já comentei aqui algumas vezes: De vez em quando vou ali no bar tomar um cafezinho, quando eu dou sessenta centavos, ele dá um cafezinho, quando eu dou um e vinte eu ganho dois...quanto mais a gente dá, mais a gente recebe.

Participante: Eu aprendi que a gente tem que dar com amor, sem esperar receber em troca.

Jorge: Eu também  aprendi que o que está em cima é igual ao que está em baixo. Então se eu dou um e vinte e recebo dois cafezinhos. Se eu der mais lá em cima eu vou receber mais também . 
Temos que aprender com as coisas materiais.  Como é que você vai fazer para uma pessoa compreender, rapidamente, para ele receber aquilo que está querendo ele tem que abrir mão de alguma coisa, tem que dar alguma coisa em troca. Então, quem mais dá, mais recebe.
A gente vê depoimentos de pessoas que isso funciona mesmo. A pessoa deu duzentos reais, por exemplo, e se abriu uma possibilidade de ganhar o dobro do que ela ganhava. É que abriu na mente esta possibilidade. Nós abrimos, nós bloqueamos, na mente.

Participante: Às vezes têm discípulos que estão ali representando....

Jorge: Se tem discípulo, então tem uma pessoa, um mestre que está orientando. Se tem aluno, presume-se que existe um mestre. A função do mestre é ensinar o discípulo a sair do medo. Sair do medo, usando um professor que temos aqui que é o livro que estamos estudando, sair do medo é fazer a expiação.

Falamos aqui que nós temos que chegar a compreensão que temos que fazer a expiação, que o medo está ligado ao erro. Se estou devendo dez reais no  bar da esquina, estou com medo de passar ali, dou uma volta enorme no quarteirão, e mesmo assim ainda tenho medo, porque posso encontrar o dono do bar na outra esquina, ele olha para mim e diz ‘mundo pequeno né, Jorge?’ Você deu a volta no quarteirão mas não adiantou. Então, eu tenho medo que ele me encontre  e eu tenho medo de encontrá-lo. O que eu tenho que fazer?
Tenho que fazer a expiação. A expiação é pegar e ir lá dizer para o cara: Você me perdoe, mas eu não vim te pagar porque eu não tenho dinheiro, mas eu vou vir, vou te dar dez centavos agora , eu vou dar um jeito de pagar. Ou você me perdoa a dívida. Quando ele vê que não vai ter maneira de cobrar, ele diz: Tá bom, tá perdoado, não precisa mais pagar.

O livro diz que precisamos fazer a expiação para sair do medo, se eu for lá e acertar isso com o dono do bar, por exemplo, eu não preciso mais ter medo de passar lá na frente. Todos os nossos medos têm na sua raiz, na sua origem o erro, pecado, equivoco, tenho dito que é tudo a mesma coisa. Busquem o erro original, o que originou o medo. Se buscarmos a origem do medo  e desfazermos esta origem, aí não tem mais medo.

O renascimento que nós fazemos, o que ele faz? Ele nos remete para encontrar as origens do medo, dissolver daí o medo acaba. Acaba o bloqueio da pessoa, acaba o medo, acaba a tensão . Sem medo não tem tensão nenhuma. É isto que fazemos no renascimento. Esta é a intenção. A intenção de tirar a tensão.    

Participante: A separação deu origem ao pecado original, as separações vêm ocorrendo até hoje.

Jorge: Ficamos reproduzindo a separação. No caso do bar onde eu estava devendo, a origem do meu medo foi o erro de não pagar a conta, que provocou a separação.  O erro provoca a separação. Eu estou separado dele, não passo mais perto dele. Quando perguntam: ‘o que aconteceu você era tão amigo do cara do bar, e agora você não vai mais lá?’ Respondo: Nós nos separamos!  Por quê? Porque alguma coisa deu errado!

Tudo surge a nível do pensamento. Então o que temos que fazer? Desfazer todas as separações, a começar pelas nossas, desfazer tudo isto. Quando nós conseguirmos desfazer todos os sentimentos de separação que temos com certeza estaremos sem medo.

Participante: Pecado original eu compreendi.  A igreja fala em pecado mortal também......

Jorge: Isto não existe.  

Participante: Começamos a desfazer os erros em nós mesmos, mas como chegar ao erro original?

Jorge: Somos parte de alguma coisa que se fragmentou. Nós temos que nos reintegrar, nos reconstituir, cada parte deve voltar ao seu estado original. O nosso estado original é a integridade . Se eu pegar uma taça de cristal e bater com um martelo no prego, ela vai se partir em mil cacos. Cada caco é a taça, só que ela está tão separada da sua integridade original, tanto que se você olha para um caco, você não sabe o que ele é . Sabe que é um caco, mas não de quê? Neste sentido é que diz neste parágrafo que nós fizemos de nós mesmos  um caco. Um caco andando sozinho por aí separado da sua origem e perdeu o conhecimento do que ele é na integridade .

Então, o que o caco tem que fazer? O caco tem que voltar ao ponto original. Você volta ao ponto original e você recobra a memória de quem tu és.  Daí tu vais ver que tu és taça . Quando todos os cacos tiverem se reintegrados, a taça vai estar completa.

O que fizeram com esta nave que explodiu e ninguém sabia por quê?  Cataram todos os caquinhos, reconstituíram a nave e aí viram aonde aconteceu o pecado original ou a explosão, ou o erro que originou o acidente.  Para isto precisamos reunir todos os cacos, primeiro reúna os teus individualmente. Este é o trabalho que nós temos que fazer. Cada caco tem que se dar conta que é  parte de algo maior. Quando ele volta ao ponto de origem ele tem a memória daquilo que ele é, ele já está integro ao ponto de origem, não tem que desfazer mais nada. Agora os outros tem que desfazer. 
Pecado original não é uma coisa coletiva que todos tem que pagar , isto é uma idéia equivocada do pecado, que é um erro, apenas isso. Aonde o erro aconteceu, reconstitui a peça, aonde o prego bateu. Aí você juntou os cacos e pronto. Você reuniu a taça. 

Precisam  todos os cacos se juntarem para saber que são taça? Não! Se você voltar ao ponto de origem, você recupera a memória de que é taça, isto é o que chamamos de conhecimento. Você já está integrado à tua origem . Tua origem é Deus.  Você sabe que os outros cacos ainda não estão. Então você pode se unir ao Plano da Expiação para ajudar os outros cacos se lembrarem do que eles são. Por isso que se fala em fragmentos ( frag=caco; mento= tem na sua raiz mente). Todos nós somos um caco da mente original, a mente original é Deus. Somos, mas não lembramos. Fizemos de nós mesmos um caco e assumimos a identidade de caco. Agora sabes o que fizeste de você, fizeste de você um caco. Queremos colocar brilho no caco, enfeitar o caco....

Participante: Pecado original é um conceito.....

Jorge: Na verdade o pecado original não existe. Ele fez isto só para demonstrar que nós não conseguimos acreditar nisto. Estão todos liberados podem ir para o céu. O que o ego fez em seguida? Porque o ego inverte tudo. ‘Viu você é culpado porque Jesus morreu na cruz!’   

 

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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