UM CURSO EM MILAGRES
14 DE SETEMBRO DE 2005
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 45
Um milagre nunca se perde. Pode tocar muitas pessoas que nem mesmo encontraste e produzir mudanças nunca sonhadas em situações das quais nem mesmo estás ciente.

Jorge: Sabemos que os milagres são naturais, que os milagres são um serviço prestado de irmão para irmão, daquele que, temporariamente, tem mais, para aquele que, temporariamente, tem menos. Também sabemos que milagre é uma expressão de amor, que tudo são idéias, que milagres são pensamentos.

Quando uma pessoa oferece um serviço para alguém, doando algo que, temporariamente, tem mais para alguém que, temporariamente tem menos, este serviço que esta pessoa prestou, vai se estender no tempo. Em todos os níveis e em todas as dimensões, chegando em lugares, níveis e dimensões onde você jamais imaginou e alcançando pessoas que você jamais conheceu. Este aprendizado eu tive quando torci o pé, já contei esta história para alguns de vocês, mas talvez alguns ainda não saibam. Para mim é a história que mais mostra como isso pode acontecer.

Uma história:

Um dia eu estava andando na cidade de Natal e pisei numa lajota falsa, ela afundou e torci o pé. Eu morava num pequeno hotel que chamava Hotel Caicó. Comecei a mancar, sentia dor, isso aconteceu às 10 horas da manhã, aproximadamente. Quando eu chequei no hotel, por volta das 6 horas da tarde eu já não estava conseguindo colocar o pé no chão.

Aí o dono do hotel que era muito simpático disse: “Jorge, vamos lá numa costureira, ela resolve isso para você!”. Eu pensei: “O quê? Costureira? Com o avanço da medicina, com a moderna medicina que temos, com RX etc.eu vou em costureira, isso é um atraso!”, eu não disse, mas pensei. Costureira é a mesma coisa que benzedeira.

Então eu fui numa clínica tirar RX, a resposta era: não tem nada quebrado! Eu pensava: Não é possível, meu pé estava muito inchado, doía muito e não conseguia colocá-lo no chão. Fui noutra clínica e a resposta foi a mesma: não tem nada quebrado. Eu não me convenci disso, achava que tinha que ter algum osso quebrado. O dono do hotel sempre dizendo: “Jorge, vamos numa costureira!”. Eu dizia: “Que costureira, que nada!”.

O atendente do hotel foi diversas vezes na farmácia comprar os remédios para colocar no pé. Nada resolvia. Não tinha mais para onde eu ir, já tinha ido a todas as clínicas. Aí, o motorista de táxi que estava ali no ponto, disse: “ tem um lugar que você ainda não foi, é um pequeno hospital, bem simples, num bairro!”. Tomei aquele táxi mesmo e fui, cheguei lá e o médico me atendeu, pediu que tirasse o RX e aguardasse o resultado.

Depois me chamou na sala e disse: Não tem nada quebrado, deve ter sido uma torção, eu vou te ensinar uma coisa, você faz em casa, mas não conta pra ninguém que foi um médico que te ensinou: Antes de dormir você pega água fervente, sal e vinagre, põe numa bacia, molha um pano nesta água e vai colocando, mais quente que você agüentar, em volta do pé. Vai fazendo isso, molha o pano na água quente com sal e vinagre e põe o pano em volta do pé, depois você enrola o pé com um pano seco e vai dormir. Eu disse: Ah, tá, pode deixar eu nunca vou contar para ninguém.

Sai daí e pensei: Era só o que me faltava! Cheguei no hotel fazendo chacota do médico. O dono do hotel perguntou: “e daí, resolveu ou resolveu ir na costureira?” Eu disse: “’Pois é, sabe o que o médico me disse? Ele disse que eu tinha que colocar sal, vinagre, só não mandou colocar tomates, cebolinhas, seria um tempero a mais para virar uma salada!”. Aí o cara não falou nada. Isso era talvez umas 5 horas da tarde. Quando eu fui dormir, mais ou menos às 9 e meia da noite, entrei no quarto, logo alguém bateu na porta, era o dono do hotel e o porteiro com uma bacia, com uma chaleira com água quente, com sal e vinagre com um monte de panos e disse: “viemos fazer a receita do médico”.

Eu não tive como recusar, porque isso seria uma desfeita muito grande para ele. Então eu disse: “Tá bom! Que bom! Obrigado!” Mas eu não queria fazer. Ele pegou meu pé, aplicou o pano molhado na água quente com sal e vinagre e quando terminou enrolou o pé num pano seco e disse: “agora pode ir dormir”.Eu fui, não tinha escolha, eles me colocaram numa situação que não tinha como dizer não, eu não queria fazer aquilo de jeito nenhum, mas fizeram aquilo com tanta presteza, tanto amor que não tinha como recusar.

No outro dia pela manhã eu levantei e fui tomar banho, quando estava em baixo do chuveiro, eu digo: Ué! O pé está bom! Aí me dei conta que eu já tinha levantado, caminhado. Logo depois do banho fui até a portaria mostrar para eles, que estavam me esperando com um sorriso desse tamanho.

Eu já ensinei isso para muitas pessoas. Tenho transmitido isto a toda pessoa que sei que torceu o pé. Nem o médico, nem o dono do hotel, nem o funcionário imaginam até aonde está indo o milagre que eles me ofereceram para o meu pé ficar bom na hora. Nunca mais tive contato com eles, isso aconteceu há vinte anos. Aqueles que acreditaram, para quantas outras pessoas já passaram isto? Para mim aquilo foi um milagre, que eu não reconheci na hora, só quando pela primeira vez nós lemos este princípio.

Os milagres são naturais, eles são um serviço, como diz aí, eles não acabam. Mesmo que eu não citasse estas pessoas cujo nome eu não sei e não lembro, mesmo que eu me colocasse como autor, sem citar os personagens, mesmo assim a origem estaria lá. Isto também não se perde. Mesmo que a origem não seja citada, sempre é uma continuação do ponto onde surgiu, nunca vai ser perder o milagre que você oferecer. Todas aquelas pessoas que você nem imagina, nos níveis e dimensões e tempos que você não imagina, pessoas que você jamais conheceu, se receberem aquele milagre, intermediado por alguém, que partiu do teu pensamento, vão estar devotando gratidão à pessoa que lhes ofereceu o milagre. Essa corrente de gratidão, assim como vem de lá para cá, ela vai daqui para lá. Essas pessoas começam a receber os milagres que vêm de onde elas jamais pensaram e de pessoas que elas jamais conheceram, da mesma maneira vai acontecer com eles. Porque tudo o que você dá, recebe de volta.

Aquilo foi a extensão do milagres que eles me ofereceram , a estas pessoas a quem eu ofereci este serviço, isso vai, vai, o mundo é muito pequeno, ele é redondo, gira, gira, vai acabar alguém aparecendo na porta desta pessoa na hora em que ela está precisando de alguma coisa, para oferecer um serviço para ela e não é o mesmo que ela ofereceu, é outra coisa que ela está precisando naquele momento e alguém que faz parte desta cadeia interligada dos milagres vai estar lá para oferecer aquilo que esta pessoa está precisando. É assim que nós compreendemos o milagre, é assim que eu compreendi este princípio.

Participante: Os milagres, não necessariamente são perceptíveis, no caso do teu pé, foi perceptível o milagre. Quando ele acontece num nível mais sutil, a pessoa faz a conexão dela, oferece uma intenção muito amorosa e a outra pessoa recebe este amor, neste caso acontece no mesmo sentido, o milagre também não se perde, não é assim?

Jorge: É assim! A pessoa vai estender esta alegria que recebe, esse amor, porque ninguém consegue ficar com nada só para si mesmo.
Na segunda feira passada, estava chovendo, frio, estávamos quase fechando a livraria, quando chegou um rapaz no balcão, mais ou menos a cada quinze dias ele chega e diz com uma voz muito chorosa: ‘desculpe incomodar, não queria perturbar, mas sei que já estou perturbando, queria ver se não me arrumam uma moedinha...’. Eu disse pra ele num tom bem alegre: Esta conversa já conheço rapaz e eu lhe conheço também, você sempre passa aqui, não passa? Ele disse: Sempre não! (ele já mudou o tom da voz dele) Ele falou ainda: Você sabe que eu só peço uma moedinha de vez em quando! Aí falei para ele: Eu vou te desejar um milagre, para você nunca mais precisar pedir nada! Que tal? Ele deu um sorriso tão resplandecente, tão contagiante e disse: Amém! Saiu e estava feliz. Eu mais ainda, quem estava perto também, contagiou todas pessoas presentes.

Agora ele começa a ficar mais alegre, mais feliz. Vai estar sorrindo para a próxima pessoa que ele vai encontrar. Esta pessoa dirá: Hoje encontrei uma pessoa que me deu um sorriso! Então o milagre nunca se perde, a gente não faz idéia aonde ele pode chegar.

Quanto mais você oferecer os milagres, mais você vai ganhar, mais toda a filiação ganha, não fica parado. Ninguém consegue guardar nada consigo mesmo. Se você ouve uma piada, você tem que contar para alguém, não é assim?

Acontece uma coisa, você tem que contar, tem que compartilhar, ninguém consegue ficar com nada para si mesmo guardado na mala.

Este milagre não está mais no meu físico, mas ele está na minha mente, toda vez que eu lembro isto, ele está lá, me traz a mesma alegria, a mesma emoção e consigo compartilhar isso, passar isso para as outras pessoas. Então, você não precisa mais torcer o pé para saber como funciona, eu já fiz isso por você. É assim que funciona!

É o que Jesus disse ‘você não precisa mais se crucificar eu já fiz isso por você, o aprendizado já aconteceu!’ Aquele aprendizado que um da filiação consegue alcançar, às vezes, no físico e compartilha com a filiação, aqueles que o compartilhar vai se estendendo eles já não precisam mais passar por aquilo, já aprenderam. Isto vai se estendendo nos outros níveis, vai se elevando, se elevando. O médico não é nada, o pé torcido não é nada, o dono do hotel não é nada, tudo aquilo não é nada, o que sobrou? O aprendizado! O resto não tem mais. Eu não posso mostrar para vocês as coisas físicas, mas posso mostrar para vocês o aprendizado.

Livro Texto
Página 72
Capítulo 4- AS ILUSÕES DO EGO
VI. As recompensas de Deus
4.
O ego e o espírito não se conhecem um ao outro. A mente separada não pode manter a separação exceto por dissociação. Tendo feito isso, ela nega todos os impulsos verdadeiramente naturais, não porque o ego seja uma coisa separada, mas porque queres acreditar que tu és. O ego é um instrumento para a manutenção dessa crença, mas é somente a tua decisão de usar o instrumento que faz com que ele seja capaz de perdurar.

Jorge: Temos que decifrar o ego, se não o deciframos, acontece como diz lá na esfinge ‘decifra-me ou te devoro’ a pessoa acaba sendo devorada pelo ego. À medida que a pessoa decifra o ego chegará num ponto de centramento que ela vai ter condições de escolher novamente.

A pessoa que está no meio do deserto morrendo de sede, não adianta você gritar: ‘Escolha outra coisa, você escolheu errado!’ Isso não adianta! Você tem que ajudar a pessoa a sair do deserto. A pessoa está lá no meio do rio, está se afogando, você fica lá na margem gritando: ‘Escolha, você escolheu errado, escolha outra vez!’ Isso não adianta! Você tem que escolher socorrer a pessoa. Quando a pessoa está morrendo de sede no decerto, ou se afogando no rio, é claro que ela escolheu errado! Mas se ela está pedindo ajuda pra você, é você que tem que escolher.

Quando uma pessoa está radicalmente numa posição, de um lado ou de outro, ela não consegue escolher nada, ela só pode escolher pedir socorro.

O que acontece quando a pessoa vai decifrando o ego? Ela começa a fazer escolhas acertadas e começa a ter um alinhamento, um centramento. Neste eixo vertical onde temos espírito, mente e matéria, vai fazer com que a pessoa esteja em condições de escolher e a escolha não é uma vez só, é constante. Em cada minuto, em cada segundo você vai ter que escolher o amor ou usar o ego como instrumento.
O que vai acontecendo é que de tanto você escolher o amor, você não vai mais conseguir escolher o ego. Eu acredito que o ego se dissolve com a Expiação. À medida que você vai decifrando os mecanismos do ego você vai fazendo a Expiação e desmontando ele todo. Você desmonta o conteúdo, mas não a ferramenta. A ferramenta ainda pode estar lá. Ainda assim você tem que estar escolhendo, escolhendo...
Não se iluda aquele que acha que já evoluiu tanto que não vai mais cair em tentação, porque o ego sempre vai ser a tenção pela qual temos que orar e vigiar.

Tem o exemplo da história do Corcunda de Notredame, esta história foi contada num filme. Era um bispo que estava muito evoluído e se deixou cair de paixões por uma dançarina da praça. Então a evolução cai, quando a pessoa cai numa tentação. Isto vai acontecendo com qualquer pessoa que, às vezes, chega num nível que as pessoas dizem ‘..essa pessoa já está acima!’ Não está não! São estágios de evolução que a pessoa tem. Para não ter mais o ego é porque a pessoa realmente conseguiu sair do mundo totalmente, porque ela alcançou a verdade total. Aí eu acho que ela não volta mais. Mas enquanto isto, nós estamos, a cada minuto, tendo que escolher.

Quanto mais nós escolhemos os amor, mais essa nossa capacidade de escolher o amor vai sendo potencializada. Quanto mais ela é potencializada, mais fortalece a escolha do amor. Então as escolhas do ego vão minguando, mas ele está lá, não como conteúdo, mas como instrumento, ainda pode ser usado. Não vai faltar quem jogue uma pedrinha para ver se a gente escolhe o ego.
Participante: Outro dia encontrei minha irmã chorando. Cheguei e disse para ela: ‘De novo chorando!!!!” Logo me dei conta da escolha errada que fiz e disse para ela que eu iria ajudá-la a rezar.

É bem forte isso. Às vezes, tenho me dado conta na hora e então, escolhido o amor.

Jorge: A gente vai tendo mais poder na mente, a mente evolui. A mente vai ficando com muito poder, vai potencializando e quando acontece uma coisa, às vezes, não sabemos o poder do pensamento, o poder da mente.

Por exemplo, vem um pensamento de ‘mandar um raio para algum lugar’. Ele vai mesmo. Quando vem um pensamento assim não pode deixar ele sair da tua cabeça. O que você faz para sair daquele pensamento? Orai! A oração dissolve. Porque ela te eleva. Quando você tiver um pensamento não amoroso tem que orar.

É assim que funciona. Por isso vigia para o pensamento não acontecer, mas se veio, orai!

Participante: Esse ‘De novo chorando!’ não poderia ter sido uma atitude amorosa, porque às vezes a pessoa precisa ser acordada, sacudida, não poderia ser assim?

Jorge: Não! Nunca uma atitude agressiva é amorosa. Dizer para a pessoa “De novo chorando!’ é agressivo. A pessoa pode parar pela agressão, por medo, pelo susto, mas não é pelo amor. É isto que temos que aprender a distinguir, o que é amoroso e o que não é. Podemos educar pelo medo e a pessoa manter uma disciplina, ou podemos educar pelo amor. Você quer fazer a criança dormir e ela não dorme aí você fica cantando uma musiquiha ‘bem amorosa’ assim: Dorme se não a cuca vai te pegar o boi da cara preta vai te engolir...aí a criança dorme.

Por exemplo, você está atravessando a rua e alguém buzina na tua frente. Qual é a escolha mais imediata que as pessoas fazem numa situação assim? Xingam! Então, escolheram o ego.

Este aprendizado a Raquel trouxe do Cairo. Estávamos indo para Dachur e o nosso motorista estava meio perdido, ele não sabia o caminho. Tinha uma pessoa varrendo a rua, estava distraída lá com a vassoura o motorista deu uma buzinada. O cara que estava com a vassoura, segundo a Raquel, olhou para nós e amorosamente abençoou o motorista que buzinou para ele. Isto é escolher o amor e não o ego.

Outro dia vi o trânsito, aqui na frente, andando devagar e um motorista mais apressado buzinou, berrei ‘barrulhento!’ Não escolhi o amor! O que poderia ter acontecido em conseqüência deste berro? O motorista já estava irritado, poderia ter saído do carro e amassado o meu nariz. O ego faz este tipo de escolha. Se eu tivesse abençoado e dado um sorriso ele não iria receber isso como ataque e nem eu iria ficar com medo. Isto é o medo que vai se cultivando a partir das nossas escolhas.

A todo momento nós vamos ter que escolher até que estejamos centrados.

Por isso que diz que a pessoa que não está centrada não consegue escolher, ela vai ficar só no ego, para um lado, ou para o outro, mas só no ego. Quem está centrado consegue escolher, porque consegue olhar o que é do ego e o que é do amor. O que é medo e agressão e o que é amoroso. Então ele vai educar pelo amor, não pelo medo. Tem que aprender, porque se não tira zero na prova. Isso é medo.

A escolha é constante e fortalece aquilo que escolhemos. Temos aqui uma coisa muito boa que é oferecer milagres. Lembra da história que contei anteriormente sobre o rapaz, eu poderia ter xingado dizendo: ‘Mas você de novo aqui?!’ Ele iria sair feliz, ou agressivo? Mais agressivo! É a mesma coisa quando você encontra uma pessoa nervosa e você diz ‘tá nervoso de novo?!’ A pessoa vai gritar e dizer ‘eu não estou nervoso!!!!’ Então, isso não é amoroso, isso é escolher entrar na energia da pessoa. Isso é se jogar no rio também, quando você vê que a pessoa está se afogando, você se joga junto, daí os dois se afogam. Ou então, se você vê que alguém está morrendo de sede no deserto, você vai lá e joga a tua água fora. É mais ou menos isso, não é amoroso. Essa é a diferença. A nossa educação sempre tem sido pelo medo, tanto a educação religiosa, como a colegial. Acho que a maior parte das pessoas aprende de medo, como o Jacozinho.

Uma história:

O menino estava numa escola muçulmana, era tão malandro que não aprendia nada. Então o pai colocou o Jacozinho numa escola cristã, lá só tirava nota 10. O pai ficou admirado, foi dar os parabéns para o professor, a escola realmente era boa. Mais tarde o Jacozinho contou para o pai que tinha um crucifixo, acima do quadro negro, atrás do professor e alguém falou para ele ‘aqui quem não tira 10 eles pregam na cruz. Por isso tem que estudar bastante, olha o que fizeram com aquele ali!’

É o medo. A educação pelo medo e não pelo amor. Você faz a criança dormir colocando medo nela, dorme tem pesadelos, sonha com o bicho papão que está em cima do telhado. Veja que a maioria das canções de ninar são de medo, de conflitos ‘a cuca vem pegar’, ‘o bicho papão está em cima do telhado’, ‘o boi da cara preta’.

Os adultos não se dão conta e a criança não sabe expressar ‘você está me assustando para eu dormir’. A criança não sabe expressar isso, porque esse medo ela não conhecia, depois esse medo vai crescendo dentro dela. Mais tarde ela ouve ‘não vá lá, o bicho papão vai te pegar’.

Não sabemos o que é o amor, aprendemos tudo com julgamento, com medo. Às vezes a gente acha que saiu do julgamento, do medo, depois se dá conta que não saiu. Ainda está no medo.

Participante: Esta frase ‘A mente separada não pode manter a separação exceto por dissociação.’ Ele quer dizer que a gente está sempre se separando, seria isso?

Participante: A mente separada não quer igualdade, ela vai vendo sempre diferente.

Jorge: No grupo da segunda feira trabalhamos este tema, de onde surgiu uma história, depois foi divulgada no grupo virtual, podemos lê-la , o título é Julgamentos:

Uma História:

“Schaibhalah recebeu Ricardo, que lhe contou esta estória:

Lá em casa somos muitos irmãos e todos temos tarefas a fazer durante o dia.

Todos fazemos as tarefas, mas ultimamente um de nossos 8 irmãos arranjou uma namorada e sai constantemente para visitar a namorada. Nós outros ficamos trabalhando. Temos agora que concluir as tarefas inacabadas, para que quando nosso pai chegar esteja tudo pronto. Ora, cada dia ele fica mais tempo fora, e isto esta gerando muita reclamação.

Afinal, dizem os irmãos, não é justo!

Quem ele pensa que é?

O que nós somos afinal?

Somos palhaços?

Ficamos aqui trabalhando e ainda agora sobrecarregados com as tarefas dele, enquanto isto, ele passeia com a namorada, vai ao cinema, ao shopping etc...

Dentro deste clima de constantes reclamações e julgamentos, dei-me conta do que estávamos fazendo conosco mesmos e decidi mudar o jogo de reclamações para alegria. Passei em uma loja, comprei muitos narizes de palhaço e agora todos trabalhamos rindo com nossos narizes de palhaço, ninguém mais fica fazendo julgamentos desgastantes que são para todos.

Schaibhalah, respondeu:

Sim, lembra a oração de São Francisco, 'onde houver tristeza que eu leve alegria'.

Ricardo parecia estar tão contente, acreditava ter conseguido por fim aos julgamentos e em lugar deles ter trazido alegria para todos.

-No entanto disse Schaibhalah, vamos fazer uma verificação de rotina, para ver se realmente os julgamentos desgastantes não estão mais presentes.

Vejamos: Quando ponho sobre meu nariz um nariz de palhaço não continuo julgando que sou palhaço de meu irmão?

Se continua o julgamento, ele parece agora reduzido, ou reforçado ainda mais?

O julgamento pode se vestir de muitas formas, em diferentes intensidades podendo causar diferentes reações, passando do descaso até a raiva. Em última instância pode se revelar em emoções de euforia ou nervosismo extremo.

Em alguns casos, vamos preferir rir de nós mesmos, o que pode parecer uma arte encantadora... Porém ainda estamos julgando. Rir de si mesmo é tão desgastante como rir de outra pessoa, porque ambos envolvem julgamentos.

Vestindo o nariz não paramos de julgar, apenas trocamos a emoção advinda do julgamento.

Jorge Luiz Brandt- 2005”

Jorge: Num caso destes como podemos escolher o amor, qual a atitude que devemos tomar?

Participante: Faço o meu trabalho, se eu estiver dentro do meu horário de trabalho, não importa o outro.

Participante: Eu acho que o primeiro passo é parar de julgar o meu irmão.

Jorge: Como é difícil não é? O aprendizado que eu tive com isso que foi trazido é ‘escolher o amor’ Porque o ego tem tantos mecanismos para serem decifrados, quando você acha que decifrou um, ele tem outro. Para a gente conseguir decifrar o ego, desmontar estes mecanismos, para conseguir escolher o amor, isto não é tão simples.

Quando criamos o ego usamos toda a nossa capacidade de criação. Colocamos defesas nele em todos os lados, como tudo que nós criamos, colocamos defesas para aquilo sobre-existir. Tiramos um, daí aparece outro... ‘Está bem, quando eu conseguir parar de julgar, estarei completamente livre’ Alguém diz: ‘Viu o que você está fazendo?’ Voltou o julgamento!

A coisa é tão interessante que o mais difícil parece ser ficar no estado amoroso, fazer as tuas tarefas amorosamente sem julgar. E agora ainda mais, eu devo gratidão a essa pessoa que não conheço pelo aprendizado que me proporcionou. Se eu for dizer isso para ela dirá ‘você está me julgando!’ Não há como dizer isso a ela sem estar julgando. Não há como dizer isso.

A pessoa que acha que está errada, normalmente a pessoa sabe que está fazendo alguma coisa errada, se você puxar alguma coisa, ela vai se sentir atacada, então, não há como abordar isso. O que se faz é criar um ambiente amoroso interno e isto não é muito fácil.

Participante: No mundo isso é realmente difícil, porque ele vive de julgamentos.

Jorge: A gente tem que estar muito centrado, ou seja temos que estar com o espírito no centro. Isso é um trabalho a ser exercitado.

O que acontece? Estamos aqui trabalhando em grupo, aos poucos vamos decifrando, um proporciona o aprendizado para o outro. Como diz no livro, aqui não tem professor e aluno, todos são aprendizes. Eu aprendi isto com esta história, vocês já aprenderam isso com essa história dos narizes de palhaço. Agora vocês aprenderam a observar melhor, a sair do julgamento. Não sai. ‘Então, quando eu sair do julgamento vou lá e falo para a pessoa!’ Não! Se você falar vai entrar novamente! Isso é tão complexo. O ego é tão complexo que se a gente não decifra-lo ele devora a gente sem a gente se dar conta.

Esse decifrar do ego passa por todos estes exercícios de se centrar e fortalecer a escolha no amor. A cada momento nós vamos ter que escolher o amor. A cada vez que alguém falar você vai ter que escolher o amor. Cada vez que alguém disser ‘ ..onde está o irmão de novo?’ Faz uma oraçãozinha, escolhe o amor e continua a tua tarefa. É difícil, aparentemente. Quando você escolhe o amor a tua vida fica mais fácil.

Participante: No meu trabalho eu julgo ‘isso está certo’ e ‘isso está errado’, não consigo não ver isso!

Jorge: Quando você chegar ao nível de ter uma compreensão, você vai continuar percebendo igual, não tenha dúvida! Você vai ver, você não ficou cega, não ficou surda, não ficou sem nariz, sem paladar e não ficou sem tato. Você vai perceber as coisas do mesmo jeito. O que vai mudar? Você não vai compactuar com o erro, mas você vai identificar o que está certo e o que está errado. Vai escolher o amor, sem julgar. O caminho está correto.

É difícil se libertar do julgamento. Temos que fortalecer a escolha do amor, continuando a fazer as tarefas com amor ‘Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil, então, não tenho que me preocupar com o que dizer o e o que fazer..’ Você considera que aquilo é o teu aprendizado.

O que eu tenho que aprender com isto? Quando você conseguir aprender aquilo vai cessar. Quando você escolhe não se envolver emocionalmente, você já pára de sofrer. Quando você aprender porque aquilo está ali, aquela manifestação cessa para você. Pode continuar para outras pessoas que têm que aprender com aquilo. Porque o mundo é uma escola, tudo é um aprendizado, a cada momento. O que não podemos é negar-nos a aprender, porque tudo é aprendizado.

Se você escolher o amor, vai aprender com tudo. Aprendeu com aquilo, passa para outra, é como a criança que entra na escola, na hora que ela aprendeu uma lição, passa para outra lição. Enquanto a criança não aprende, ela fica repetindo, repete o primeiro ano várias vezes. Na hora que aprende vai embora. Saiu da faculdade, então sabe tudo? Coitado daquele que pensa que sabe tudo, agora você vai ter outro aprendizado. Já estudou, se formou, trabalhou e se aposentou, este já sabe tudo? ..sabe, mas não sabe o que tem por vir! Muitas vezes achamos que, porque subimos um degrau, já aprendemos tudo.

Participante: Eu gostaria entender melhor a vingança.

Jorge: A vingança é o sentimento mais difícil da gente se libertar. Quando começa a sentir aquele sentimento de vingança você não consegue sair. Você quer, mas a tua mente fica girando, girando. Você fica imaginando como você vai se vingar da pessoa, a tua mente fica presa ao sentimento.

‘A vingança é minha, diz o Senhor’, a única maneira de você se livrar deste sentimento é entregar ao Espírito Santo.

Deus não vai corrigir a outra pessoa, o Espírito Santo não vai corrigir a outra pessoa. Ele só pode corrigir aquele que pede a correção. Se você tem um sentimento do qual você não consegue se livrar, a vingança por exemplo, olha para cima e diz ‘Espírito Santo, estou entregando para Ti este sentimento’.

Participante: Tenho observado que as coisas se resolvem melhor quando eu começo a mentalizar ‘Seja feita a Tua Vontade’.

Jorge: Quando a gente alcança o aprendizado com alguma coisa, não precisamos fazer aquilo de novo. Você não precisa passar por aquilo de novo, você já aprendeu! Tudo é aprendizado que temos que fazer. Enquanto a gente não aprender realmente, passamos por aquilo de novo, de novo...

Parece que o ego faz com que as situações se repitam, para ver se a gente aprende ou não. Estou aprendendo, quando a coisa se repete, eu digo ‘eu não vou escolher um sentimento que não seja amoroso, tudo está na mais perfeita ordem, se é assim que tem que ser, vai ser. Eu não vou me envolver com isso de novo, eu já aprendi’.

É assim que nós vamos evoluindo. É assim em todos os níveis. Se você trabalha numa empresa e alguém é escolhido para ocupar um cargo de direção eles vão escolher a pessoa mais serena, a pessoa que menos se envolve em conflitos, a pessoa que escolhe sempre o amor. Não se envolve nos conflitos. A pessoa faz sua tarefa, apresenta o resultado e não se envolve, esta pessoa vai para frente. Aquela pessoa que está sempre dividindo...dividindo, esta não sobe. Ela pode ascender a algum cargo, em alguma coisa, mas é uma coisa complicada, depois ela se deixa envolver pelo cargo.

Então, a escolha do amor é uma constante.

Temos que começar a olhar a nossa volta e nos perguntarmos ‘o que eu tenho que aprender com isso?’ Porque se está ali, alguma coisa temos que aprender. Aprender a aprender parece ser a coisa mais difícil, porque nós olhamos, olhamos, as coisas vão e voltam, vão e voltam e não conseguimos aprender.

Participante: Há um tempo atrás eu comentei com a Raquel sobre a minha filha que estava com 12 anos, estava na pré-adolescência, na época e eu reclamava dela porque não arrumava suas coisas no seu quarto, não cooperava. A Raquel me disse ‘eu também não arrumava, mas aprendi porque a minha mãe sempre arrumava tão direitinho e agora eu mantenho tudo arrumado como ela fazia’. Demorou ainda um tempo para eu compreender, depois comecei a fazer com vontade, com amor o trabalho de casa. Comecei a ver de outra maneira. Deixava as roupas dela sempre muito bem dobradinhas, o quarto arrumado. Assim conseguir transformar esta situação. Hoje quando quero que ela arrume, peço e ela faz exatamente do jeitinho que está acostumada a ver.

Jorge: Ela não vai mais se sentir bem com a bagunça.

Participante: Isso eu aprendi, não está voltando mais para mim.

Jorge: Outro dia uma amiga me contou que está ajudando a sua irmã nas tarefas com a sobrinha que tem 12 anos. Reclamou muito da sobrinha, que só queria ficar na frente do espelho...e que não fazia as tarefas que a mãe dela manda. Então, eu disse para ela: Quantas vezes esta menina vai ter 12 anos? Quando ela vai ter 12 anos novamente? Quando você teve 12 anos? Com 12 anos é isso que a menina tem que fazer! Ela não quer fazer tarefas de casa, ela quer ficar na frente do espelho se olhando, ver se o nariz está no lugar... Por que você não aproveita e se lembra dos teus 12 anos e se cura dos teus 12 anos. Assim como tem aprendizados, tem oportunidades.

Vai lá senta do lado dela e começa a se olhar no espelho, se você não fez isso. Cure-se dos teus traumas dos 12 anos. Tudo são oportunidades e a gente se cura e vai aprendendo. Tudo! Tudo! Não tem uma só coisa que é posta no teu caminho que não é para você aprender. O aprendizado é constante, e a escolha pelo amor é constante.

Quando você escolhe pelo amor você aprende, quando você escolhe pelo ego você não aprende nada, só se irrita, vai fazer a mesma coisa irritada. Então você tem que descobrir o que aquilo representa como aprendizado, mesmo escolhendo com amor. Por exemplo: Eu escolhi que vou contente para a escolha! Mas o que você aprendeu? Na escola nada, só aprendi que tenho que ir contente para a escola! Se você não aprender, não adianta ficar contente, você vai ter que ir para a escola de novo. Ir com amor para a escola é a lei, depois temos que aprender a olhar para as coisas e aprender, porque com este aprendizado vamos aprender o caminho para ir para o Céu. Temos que aprender este caminho.

É com todas estas coisas que são colocadas na nossa frente que a gente vai aprendendo. Não pense que, porque você subiu um degrau, você já sabe tudo. Você sabe subir aquele degrau. O aprendizado termina quando a gente chegar no pico.

Participante: Quando esta amiga chegou e falou da sobrinha você não fez um julgamento?

Jorge: Ela trouxe um julgamento, eu disse para ela parar de julgar. Você vai percebendo igual, só que você tem que escolher o amor. O que eu disse para ela? Vai lá e te reconcilia com a tua sobrinha. No dia seguinte ela voltou e disse ‘caíram as lentes escuras’. Pode-se dizer que fiz um julgamento.

Participante: Como se consegue fazer este apontamento para a pessoa. Como se consegue se centrar a ponto de saber o que vai ajudar aquela pessoa e sem julgar?

Jorge: O julgamento é do ego é a percepção. Tudo que tem aqui você pode usar como instrumento de aprendizado ou não. Tudo pode ser interpretado pelo espírito ou pelo ego. Quando você interpreta um julgamento pelo espírito você interpreta a favor da pessoa. Quando você interpreta a favor da pessoa e não contra ela, digamos que é uma coisa mais ou menos inspirada, por mais que, às vezes, não pareça.

‘Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá’. Quando você escolhe o amor, às vezes, surgem coisas inusitadas. Depois você vê que estes julgamentos não foram contra a pessoa, foram a favor dela, porque você não condenou a pessoa, você libertou a pessoa do julgamento.

Participante: No livro diz que ‘o julgamento, como qualquer outra defesa pode ser usado para atacar ou proteger, ferir ou curar’.

Participante: Quando a gente escolhe pelo amor a gente está aprendendo a se curar.

Jorge: Às vezes a própria pessoa tem que descobrir, ouvir a resposta. O julgamento como qualquer outro instrumento, pode ser usado para atacar ou para libertar. No caso desta minha amiga ela conseguiu se libertar dos sentimentos de raiva que ela estava tendo da sobrinha. O julgamento foi usado adequadamente, da única maneira que ele deve ser usado, para libertar.

Estas respostas vêem no momento em que a gente está inspirado, porque se a gente for escolher pelo ego, escolhemos julgar a pessoa e a sobrinha‘..pois é, são todas umas aborrescentes..eu também tenho uma...’. Aí você usou o julgamento para ferir mais ainda! Você não libertou a pessoa e não libertou a sobrinha.

Ela entendeu a sobrinha e a sobrinha entendeu ela, acabou o conflito, libertou as duas e isto pode se estender para outras pessoas. As pessoas começam a serem felizes, saem do conflito, desfaz o julgamento equivocado.

Não dá para condenar o adolescente, é assim mesmo, ou você não foi? Então, se você foi e não teve esta oportunidade, aproveita agora. Você não vai compactuar com o erro de não fazer as tarefas, mas você não vai atacar porque está se olhando no espelho.

Como você já passou por esta fase, você pode fazer o que a Fátima disse que fez: Vou caprichar para que ela possa se olhar bastante no espelho...não fica gerando mais conflitos, porque isto é um conflito constante entre a pessoa que tem que conduzir o adolescente e aquela outra. Ali os julgamentos, que eram inadequados, foram dissolvidos, foi usado o julgamento para dissolver o julgamento equivocado.

Neste caso ela me deu a resposta muito rápido, mas às vezes demora um tempo para vir as compreensões. Outras vezes a resposta que veio é utilizada para o ego: ‘..faz porque eu digo que está certo..porque é assim que você tem que entender, porque eu sei, porque eu faço, porque eu consigo esclarecer’. Aí já fica para o ego. A gente não consegue se livrar do julgamento, a gente consegue utilizá-lo a favor do espírito. Temos que aprender isto também.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

©  2004 - Milagres