UM CURSO EM MILAGRES
15 DE SETEMBRO DE 2004
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 49
O milagre não faz distinções entre graus de percepção equivocada. É um instrumento para a correção da percepção que é eficiente, sem levar em consideração o grau ou a direção do erro. É isso o que faz com que ele seja verdadeiramente indiscriminado.

Jorge: O milagre não discrimina, vai para correção independente de qual seja o equívoco, o erro. Tem a ver com o exercício que fizemos esta semana de não ficar no erro, não se concentrar no erro, nem no julgamento. Percebeu o erro, corrige, vai para correção, não fica discutindo que tipo de erro aconteceu ali, fica buscando o que implica para corrigir o erro. Isto pode ser um aprendizado muito grande para as nossas atitudes e atividades diárias. Porque nós vamos economizar um desgaste muito grande de energia, de dor de cabeça. Se ficarmos concentrados nos erros e julgamentos, com esta energia a gente já estaria fazendo a correção. Esta semana eu também exercitei isto bastante e vi que realmente transforma a coisas. Em tudo que a gente faz, percebeu o erro, se você tem a condição de corrigir, então, vai lá e corrige, não julga, não fica preso no erro. O milagre não discrimina que tipo de erro aconteceu ou porque o erro aconteceu, ele faz a correção de maneira indiscriminada de causa e de por quê, corrige, apenas isto. Não é muito fácil, porque o nosso julgamento é um hábito. Algumas vezes nos damos conta e imediatamente partimos para a correção, mas depois não nos agüentamos e dizemos “agora você vai me ouvir...!”. A correção é muito mais interessante, é o que o diz neste Princípio que o milagre faz.

Você não tem que se preocupar com que dizer ou o que fazer, se você começa não importa por aonde você começa. Têm julgamentos que ainda cometo, mas têm outros que eu já parei de fazer, eu parto direto para a correção.

Este final de semana, por exemplo, eu achei que estava muito quente, ao invés de ficar julgando, eu baixei uma onda fria e pronto! Daí, achei que o frio sem chuva não combinava, juntei uma chuvinha fina, pronto! (risos)

Participante: Tenho uma reclamação a fazer, você deveria ter me consultado! (risos)

Jorge: Em vez de julgar, porque você não baixou o sol! (risos)

Você julgou Deus, julgou São Pedro, agora julgou o Jorge. Porque você não partiu para a correção?

A gente brinca, brinca, mas esse poder a gente tem. Negamos este poder. O livro diz que nós temos este poder. Veja por exemplo o fenômeno da torcida, segundo o livro tudo é uma idéia e a idéia ganha força à medida que as pessoas se unem à idéia e esta idéia vai gerar mais força. O

Que acontece se você juntar uma grande torcida a favor de um time, vai juntar uma força que vai movimentar aquela idéia para fazer as coisas acontecerem. Em outro nível, Ele diz, que os pensamentos têm que ser neutros. Por exemplo, está chovendo, você não tem que ficar querendo sol, sol, sol, estes pedidos vão acumulando, quando são atendidos, aí não chove, não é? Quando está acontecendo uma seca, todo mundo pede chuva, chuva, vem uma inundação. É que os pensamentos vão acumulando e fazem isto acontecer. Isto parece muito “viajante”, mas já pensei nisto, já comecei a observar isto. Porque se Ele diz “se você tiver o teu pensamento unido à tua vontade isso te faz remover montanhas”, isso é a fé. É acreditar, colocar o teu pensamento e tua vontade juntos, se você conseguir isto, disse Jesus “do tamanho de uma semente de mostarda”, você vai dizer para a montanha “saia daí e vá para o outro lado da rua e ela vai”, não tenha dúvidas que você tem este poder . O livro a toda hora está dizendo “você está negando o poder que você tem”. Temos medo do poder que temos, temos medo do que fazemos, temos medo do que pensamos, temos medo de Deus, temos medo de nós, temos medo dos outros.

Participante: Temos medo, porque se movermos a montanha poderá prejudicar outras pessoas.

Jorge: Pois é, eu quase me senti culpado por ter feito chover este final de semana. Se eu não tivesse recebido a inspiração do Francisco “porque você não pediu sol!”, eu estaria me sentindo culpado. (risos)

Olha a coisa neste nível e veja se não faz sentido. A gente está muito educado para ter medo de tudo, tipo “cuidado com o que fazes!”

Participante: Então, ainda estamos muito na mente do ego. É assim?

Jorge: A mente está em dois níveis, a mente está dividida. A mente gera pensamentos e ela está dividida, ou ela vai para o espírito ou ela vai para a matéria, para onde ela direcionar o pensamento, ali que a coisa vai acontecer. Ou você é criativo, trabalha com a mente gerando pensamentos no nível do espírito ou então você faz criações equivocadas, quando você faz acontecer no nível da matéria. Estamos terminando a leitura dos 50 Princípios, devemos concluir na semana que vem. Um dos Princípios diz ‘usar o poder da mente para fazer acontecer fenômenos, pode se deteriorar em mágica, usar o poder não criativo, equivocado’. É claro que se eu usar este poder para fazer chover e esfriar porque eu quero, isso é o uso equivocado do poder. Por quê? Porque isso é egoísmo. Porque o Francisco queria sol.

Participante: Mas se eu usar este poder não de forma egoística?

Jorge: E se alguém escorregar na lama e quebrar a cabeça? Então, o que temos que fazer? Temos que entregar para o Espírito Santo. Na medida em que nós entregarmos isto para o Espírito Santo ‘está muito seco!’ Se Ele achar que naquele momento aquilo tem uma função que eu não consigo perceber, salvar a cabeça da pessoa que se chovesse escorregaria e se machucaria, Ele sabe, Ele vê todo o plano. Você pode oferecer um milagre, ele vai fazer acontecer a coisa de maneira que não vai prejudicar alguém. Porque se eu tentar usar este poder da maneira como eu julgo, faço chover e esfriar, daí eu estrago a festa do Francisco.

Porque se eu faço chover, e alguém se machuca, a pessoa depois vem me dizer ‘olha, por causa daquela chuva eu bati meu carro, machuquei minha cabeça’, sei que foi eu quem fez.
Uma História
Uma vez eu vi uma entrevista na televisão de um político bem conhecido, a pessoa que estava entrevistando não entendia muito destes assuntos. Via-se uma cortina leve, de renda eu acho, por traz dele, uns 3 metros de distância. A pessoa que estava entrevistando perguntava: Como é que é isto? Como é que é aquilo? Mas não entendia nada, daí ele também ficou sem saber o que falar, de repente bateu um vento e a cortina veio até bem próximo dele.

-Ele disse: Está vendo, você viu a cortina se movimentar?

-Sim, pois é, eu vi!

-Fui eu que fiz!

-Nossa! Faz de novo! (era lógico que era o vento)

-Não! Isso não é para fazer a toda hora!

(risos)

Participante: Quando acontece a fúria da natureza, então as pessoas desejaram equivocadamente?

Jorge: Sim. De uma maneira ou de outra todo pensamento toma forma, em algum nível. Então você coloca assim: ‘Ah, como eu estou com raiva!’ Raiva é fúria, não é? Mágoa, fúria, raiva, tudo isso você vai liberando para atmosfera, daqui a um pouco aquilo vai criando uma forma, vai, vai...depois vem com tudo!

Participante: Mas na oração do Pai Nosso diz ‘seja feita a Tua Vontade’. Então não seria a vontade do Pai?

Jorge: Mas nós impomos a nossa. Rezamos para fazer a Tua Vontade, contanto que esteja de acordo com que eu quero.

Vejam assim: O externo reflete o interno. Então, quando você olha para a natureza, o plano global, daí você observa o que está acontecendo com as pessoas internamente. Quando você olha para a natureza e vê que ali a natureza está florescendo, as árvores estão sadias, estão verdes, não são atacadas, então você pode considerar que a humanidade está se refazendo, as pessoas estão se refazendo, estão bem internamente. Quando você vê que as pessoas começam a cortar as árvores a destruir a natureza, pode-se perceber que elas apenas estão externando o que elas têm dentro de si. Quando uma pessoa externa o que ela tem dentro de si, a indiferença, o pouco caso, a raiva, a mágoa, ressentimento, tudo isto que nós geramos com os nossos pensamentos equivocados, vamos criar climas equivocados adversos, vamos criar adversidades em todos os níveis. Por isso que: 1°- tenha bons pensamentos; 2°- tenha pensamentos neutros com relação à matéria. Porque tanto faz se está chovendo ou não, você apenas diz ‘está chovendo’, não diz ‘boa noite’ e sim: ‘é noite’. É mais ou menos neste sentido, para não julgar o fenômeno. Você apenas percebe que ele está ali, não julga.

Participante: Na verdade todos os dias são bons, seja com chuva ou com sol.

Jorge: Você está indo pelo caminho que a gente propõe. Está sempre bom. Assim, começa a unificar. Os exemplos que usamos são banais, mas são só para a gente ver como o nosso julgamento está sempre ativo. Se a gente tem na mente que tudo está bom, já estamos buscando unificar.

Livro Texto
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Capítulo 3 - A PERCEPÇÃO INOCENTE

VI. O julgamento e o problema da autoridade

3. Tu não tens idéia da tremenda liberação e da profunda paz que vêm de te encontrares contigo mesmo e com teus irmãos totalmente sem julgamento. Quando reconheceres o que és e o que são os teus irmãos, compreenderás que qualquer forma de julgá-los é sem significado. De fato, o seu significado está perdido para ti precisamente porque os estás julgando. Toda incerteza vem de acreditares que tu estás sob coerção do julgamento. Não precisas do julgamento para organizar a tua vida e certamente não precisas dele para organizar a ti mesmo. Na presença do conhecimento, todo julgamento é automaticamente suspenso e esse é o processo que permite que o reconhecimento substitua a percepção.

4. Tu estás muito amedrontado com todas as coisas que tens percebido, mas tens te recusado a aceitar. Acreditas que, por teres te recusado a aceitá-las, perdeste o controle sobre elas. É por essa razão que as vês em pesadelos ou em disfarces agradáveis naqueles que parecem ser os teus sonhos mais felizes. Nada do que te recusaste a aceitar pode ser trazido à consciência.Não é perigoso em si, mas tens feito com que pareça perigoso para ti.

Jorge: No Parágrafo 3 Ele diz de uma maneira bem forte, para mim, tu não tens idéia do que é estar entre seus irmãos sem julgamento. A maioria dos encontros que nós temos, são puro julgamento, o tempo inteiro, é julgamento. Uns julgando aos outros. Lembro que uma vez, acho que falei mal de uma pessoa e posteriormente eu achei que deveria ir lá e dizer isto para a pessoa e pedir perdão, e fui. Cheguei lá e disse:

-Eu queria te pedir perdão.

-Mas por quê?

-A gente estava conversando e eu falei mal de você, falei ....

-Jorge, você está mais louco do que eu pensava, isto a gente faz o tempo inteiro. Isto não tem cabimento, pedir perdão por isto, a gente fala mal de todo mundo o tempo todo.

A gente chega a um ponto em que começa a se dar conta o que é isso, talvez até a gente perca o interesse por esse tipo de reunião. Daí Ele diz tu não tens idéia reunir-te com teus irmãos sem julgamento. Se estamos numa reunião de amigos, que há muito não víamos, ou numa reunião de família, o que a gente faz?

-Como vai o Tonho?

-Você nem sabe, aquele cara está aprontando...!

Praticamente a nossa vida é julgar, a gente não aproveita o estar presente, a presença da pessoa, a gente não festeja, não vive intensamente a presença da outra pessoa.

É mais ou menos a carta do ‘Eremita’, vai ficando de fora, você vai falar o quê? Não tem assunto.

Participante: Fiquei pensando como seria um grupo de pessoas conversando que fazem julgamentos e uma pessoa que não faz julgamentos. Ela não vai falar nada.

Participante: Na realidade a gente faz uma escolha, de estar no meio de pessoa que fazem julgamento ou no meio de pessoas que não fazem julgamentos. A partir do momento que se faz a escolha pelas reuniões com pessoas que fazem julgamentos, aceitamos, e entramos no mundo deles.

Jorge: São etapas que a gente vai trabalhando. Primeiro tem a fase da, praticamente, auto-exclusão, depois tem a fase em que os outros te excluem. Primeiro você fica lá e não fala nada, quando você quer falar, daí eles te excluem, você chega perto eles começam a olhar no relógio. Depois vem a fase em que você consegue encontrar o teu equilíbrio e acontece o contrário, você não diz nada e as pessoas se aproximam de você. Você não precisa dizer nada. Você não julga mais. As pessoas sentem que ali tem uma coisa diferente. Porque assim como nós podemos chegar a um nível de percepção, você vai em determinados grupos e ali só estão julgando, estas pessoas conseguem perceber quando tem uma coisa que está fora daquilo.

Participante: É um momento talvez que a pessoa sai do julgamento?

Jorge: Não diria que, necessariamente, estariam com esta plenitude toda como você colocou, mas está encaminhando-se para isto. Porque aqui no ambiente onde nós estamos, a gente passa despercebido, às vezes, uma pessoa ou outra percebe alguma coisa. Mas, por exemplo, quando Raquel e eu saímos um pouco, as pessoas vêm, sentem, e comentam que tem alguma coisa diferente , parece uma paz, uma energia boa, coisas deste tipo. Às vezes, estou num bar tomando um cafezinho, alguém vem e pede ‘faz uma oração para mim!’. Então, não precisa falar nada. Estes encontros são muito bons porque é o momento em que a pessoa consegue ter um contato com o outro.

Uma das situações em, que a gente não julga e está em união com o outro, onde não há julgamento, em um momento em que não há julgamento, é o momento do êxtase, da união entre duas pessoas. Então, vocês podem olhar para isto e pensar, como seria um grupo de pessoas que se encontram e não estão julgando? Seria alegria! Não seria assim, por exemplo ‘puxa,como você engordou!’ ‘como você emagreceu!’ ‘como o seu cabelo está branco!’ As pessoas apenas teriam aquela alegria do encontro, como se aquele abraço do encontro, daquele momento inicial, da alegria, daquele êxtase. Quando você encontra uma pessoa querida que você não vê há tempo, você se entrega naquele abraço por um momento você consegue estar junto com a pessoa sem julgar. A medida em que você vai soltando o abraço, você começa a perceber se a pessoa engordou, se emagreceu..., começa a soltar-se. A separar-se e começa a julgar novamente. Então, como seria sem julgamento? Seria um constante abraço, as pessoas se unem e ficam naquele êxtase, naquela alegria.

Participante: Vivenciamos algo assim durante o renascimento, não é mesmo?

Jorge: É verdade. Se está chovendo é lindo, se tem sol também é lindo. Você não precisa julgar, tudo é lindo. Então, agora já temos idéia de como seria o encontro de pessoas sem julgamento.

Participante: Somos capazes, então, de não julgar apenas por pequenos momentos.

Jorge:

Uma História: Uma vez eu assisti, pela TV, uma entrevista dum astronauta, um daqueles três primeiros que pisaram na lua. Mostraram a imagem dele numa área aberta na casa dele, onde ele estava pintando uma tela. A pessoa que estava entrevistando-o, perguntou se ele era feliz. O astronauta disse: sou muito feliz, posso dizer que sou intensamente feliz, sou constantemente feliz. O entrevistador perguntou, qual era a fórmula para chegar a isto? Ele respondeu: Quando eu estive lá no espaço, por um momento olhei para baixo e vi aquela bola azul parada no espaço, olhando para aquilo, aquilo parecia tão pequeno visto lá de cima. Disse, também, que observou, se aquela bola era tão pequena com tanta gente lá dentro, então quão insignificantes eram as questões em que as pessoas estavam envolvidas. Questões pelas quais as pessoas estavam brigando, competindo, se digladiado, complicando a sua vida. Aquilo era uma coisa tão sem significado, então, por um momento sentiu aquilo, no momento em que se deu conta, por um instante ‘eu tive esta compreensão e fui intensamente feliz’. Voltou às suas tarefas, mas não esqueceu aquele momento em que sentiu intensa felicidade. Quando voltou para a terra, depois de ter passado por todos aqueles processos, ficou de quarentena, mas não esqueceu aquele instante em que foi intensamente feliz. Pensou: Se eu fui feliz uma vez, eu consigo outra vez. Dali começou a se trabalhar, porque queria alcançar este estado outra vez. Tinha que perceber que aquilo tudo não significava nada e o que tinha significado era aquele estado de bem estar de felicidade que ele sentiu, aquilo era maior do que qualquer outra coisa que ele pudesse sentir ou pensar . Ele disse que num determinado dia ele conseguiu de novo, mas outra vez foi uma fração de segundos. Ele diz: ‘Se eu consegui por uma fração de segundos, eu vou treinar para conseguir por duas frações de segundos’. Se propôs a fazer um treinamento intenso para aquilo, ele era uma pessoa acostumada a treinar a mente para exercer as tarefas físicas, o astronauta é submetido a intenso treinamento. Então começou a treinar, e chegou um momento em que ficou um minuto inteiro em intenso estado de felicidade. Ora, um minuto é uma partícula do tempo, é um sessenta avos de uma hora, se eu consigo um eu consigo dois! Três! Quatro!... Ele disse que neste momento já tinha alcançado o estado em que conseguira sessenta minutos por hora.

Como foi colocado aqui, que nós conseguimos fazer isto num final de semana, durante o Renascimento, quanto mais nós fizermos, mais nós vamos treinando a mente para estar neste estado. Treina a mente = treinamento. A mente, ou está presa às insignificâncias da matéria, ou está presa ao estado de bem estar, que é colocado neste Parágrafo que fora deste estado você não consegue se dar conta do que é este estado de bem estar onde não há nenhum julgamento. Agora, o astronauta disse que era intensamente feliz. O que você faz? Eu pinto as telas, eu faço várias coisas. Ele não ficava sem fazer nada ele tinha várias tarefas, só que se sentia bem em tudo que fazia. É provável ele estava neste estado porque não estava julgando nada. Se julgar isto é bom, aquilo é ruim, daí saiu do estado de plena felicidade. Então isto é possível!

Participante: Enquanto estou aplicando Reiki na pessoa sinto uma felicidade muito grande. A felicidade é uma energia tão gostosa que nem consigo explicar o que eu sinto. Durante este período consigo me desligar de todos os pensamentos, não faço julgamentos .

Jorge: Então, vejam que nós temos mecanismos. Agora nós temos que treinar a mente para estar assim o tempo todo. Quanto mais nós estivermos reforçando isto, mais forte esta idéia vai acontecer e fortalecer na nossa mente.

Participante: No Parágrafo diz:“É por essa razão que as vês em pesadelos ou em disfarces agradáveis naqueles que parecem ser os teus sonhos mais felizes.”

Jorge: A partir destas percepções equivocadas, destes julgamentos que achamos que não têm mais nenhum efeito sobre nós, porque estão fora do nível da consciência, então começamos a ver isto nos sonhos mais felizes ou pesadelos. Então é assim: Uma situação que se torna um pesadelo para mim, como é que eu faço para contrabalançar isto? Cria uma situação agradável, um sonho agradável para compensar aquele pesadelo. Seria algo assim como um ‘ponto de fuga’ ou uma ‘válvula de escape’. A pessoa, por exemplo, está vendendo frutas na feira e diz: ‘olhe, estou aqui vendendo frutas, mas eu já fui um gerente de banco’. Para ele estar vendendo frutas é pesadelo, então o que é que ele faz? Ele disfarça aquilo e começa a colocar os sonhos mais felizes, talvez tenha sido, talvez não. Estas fantasias que a gente cria acordado e os sonhos eles refletem tudo aquilo que você percebe.

Participante: Então quando eu tenho um pesadelo eu substituo por uma coisa agradável?

Jorge: Não! O conjunto de percepções fica flutuando numa espécie de, vamos colocar como se fosse uma cúpula fechada, ficam retidos aí, não saem dali. Então, todas as nossas percepções, todos os nossos julgamentos, nossos pensamentos, aqueles que a gente não está com eles aqui na frente agora, eles entram ali dentro, quando você vai dormir você põe isto na cabeça, fecha os olhos, você sai do racional e entra naquele nível onde você guardou todas as tuas percepções. Se estão guardadas ali, talvez estejam guardadas de maneira desordenada, mistura aquilo com fantasias, com imaginação, com teus medos, com os teus sonhos mais felizes, com o que viu na TV, com o que você gostaria de ter sido e não foi ou de ser e não é . O consciente e o subconsciente vão misturando os pensamentos, idéias e imagens e você sonha, isso seria o sonho. O sonho pode não estar ligado o com o teu dia, pode estar ligado com coisas antigas que você já nem lembra mais, mas elas ainda estão lá, por isso, às vezes você pode ter pesadelos e às vezes pode transformar aquilo para disfarçar num sonho feliz. Do tipo assim, como daquilo ali você tem muito medo, você disfarça aquilo, faz de conta que é um mocinho que você vai salvar o mundo, a gente cria isto.

Veja, a criação do super-homem, por exemplo, é uma fantasia de quem quer salvar o planeta, quem cria uma fantasia neste nível, percebe que tem que salvar alguma coisa, só que ela projeta para fora ao invés de perceber-se a si mesma, porque é ali que tem que ser salvo, ali é que estão os anti-heróis, não é lá fora. Então, ela projeta lá fora, e cria anti-heróis lá fora e se coloca como aquele que vai salvar. Como nós temos estas percepções e sabemos que são equivocadas, temos medo do que isto pode provocar externamente e internamente, depois isto vem em sonhos e pesadelos que temos acordados e não acordados.

O que é que temos que fazer?Temos que esvaziar esta caixa de males que temos guardado aí, tem que dissolver isto, trabalhar para sair, para realmente sair deste pesadelo, que é essa caixa de julgamentos e outras percepções equivocadas. Hoje recebi uma mensagem que fala sobre uma entrevista com monges do Zen Budismo, que vivem na Tailândia. Naquele monastério haviam muitos monges. Perguntaram ao chefe dos monges se todos aqueles monges conseguiam estar neste estado Zen. Ele respondeu que uma minoria consegue, porque a maioria, aqueles que tiveram problemas na infância e esses problemas redundaram em sentimento culpa ou de carência ou algo assim, que tiveram uma infância que não foi plena de amor, esses não conseguem enquanto não dissolver isto. Eles têm medo até de entrar em contato.

Porque a gente tem resistência de fazer renascimento? Outro dia esteve um rapaz aqui e disse: “Pois é, estou com medo de fazer o renascimento!” É o medo de mexer na ‘caixa preta’ e entrar em contato com seus pesadelos, seus medos. Tive muitas resistências para fazer o meu primeiro renascimento, saí de lá extasiado, para o próximo convidei muitas pessoas, chegou a hora de eu ir, eu quase que não fui. Por vários eu tive dificuldade de ir, chegava na hora e pensava “acho que não vou”, procurava uma desculpa palpável para dizer “não vou”, como era eu que insistia para as outras pessoas irem, ficava difícil eu achar uma desculpa para não ir , mas chegava na hora eu ‘medrava’. Então, disfarçava e ia. Quando eu chegava lá eu via que não havia mais resistência, o que me dava muita resistência era ir ao encontro disto. Em todos os renascimentos eu só tive bem-estar . Por quê, então, eu tinha resistência em ir até lá?
Será que eu tinha resistência em entrar neste estado, também? Ou será que eu pensava que poderia entrar em contato com algum medo escondido?

Participante: “Nada do que te recusaste a aceitar pode ser trazido à consciência. Não é perigoso em si, mas tens feito com que pareça perigoso para ti.”

Jorge:

Uma História: Uma pessoa foi no renascimento e lá ela disse que passou muito mal e quando ela teve de 17 para 18 anos tinha feito um aborto. Disse que depois disto colocou uma pedra em cima daquilo. “Coloquei uma pedra tão grande que por incrível que pareça eu nunca mais me lembrei daquele fato. Casei tive filhos, netos e durante praticamente 50 anos nunca mais lembrei. Aqui me dei conta que durante aproximadamente 50 anos eu carreguei aquilo e mais a pedra que coloquei em cima. Por isso as coisas sempre foram tão pesadas para mim”.

Isto exemplifica o que diz no Parágrafo, coloca a pedra e não abre mais, porque faz aquilo parecer perigoso. Depois do retiro ela falou que se sentiu mais leve, porque viu que aquilo não tinha significado, viu que tinha que fazer a correção, tinha que trabalhar o perdão em si mesmo ao invés de esconder dela mesmo. Colocou a pedra e passou a julgar que é perigoso.

Neste caso não tem nada a ver com externo, tem a ver de ti para contigo. Nos outros aspectos que trabalhamos o julgamento seria como você julga o externo e este aqui se voltou totalmente para o seu interior, não faz nenhuma alusão a algo externo. É o exame interno de consciência, tem que trabalhar para abrir isto e fazer a correção, porque enquanto você guarda você vai ter pesadelos ou vai disfarçar estes pesadelos em sonhos felizes. Enquanto tem uma coisa a ser resolvida vai ficar toda a tua existência tendo pesadelos, ou vai disfarçá-los em sonhos felizes, mas não resolve. Enquanto não abrirmos e não dissolvermos, vamos continuar tendo pesadelos.

Participante: No caso do relato sobre o aborto como fazer para que estas situações não sejam tão pesadas?

Jorge: Se você percebeu o erro, você não tem que ficar parado no erro, então, se eu colocar uma pedra em cima e guardar isto por 10 anos , eu guardei o erro. O exercício que estamos trabalhando aqui é que não temos que ficar no julgamento que aquilo pode ser perigoso, você parte imediatamente para a correção.

Participante: Se esta pessoa praticar novo aborto?

Jorge: Vai ter que fazer tudo novamente, só que desta vez ela já sabe que não adianta colocar uma pedra em cima, ela já sabe que tem que fazer imediatamente a correção. Agora ela aprendeu a correção. Você pode esconder o erro, ou fazer a correção. Ela escondeu. Escondeu de quem? Dela mesma, porque julgava que isto poderia comprometê-la, ou ser perigoso de alguma maneira, se não ela não teria escondido, ela julgou assim. A correção tem que ser feita no nível em que o erro aconteceu, aonde ela registrou como erro. Onde que foi? Foi na mente dela! É ali que ela tem que corrigir. O que ela julga que é necessário para corrigir aquilo? É rezar 500 Ave Maria, trabalhar o perdão, faz tudo que julgar necessário até que ela se dê conta e diz ‘acho que eu não tenho nada a esconder, eu fiz isto, estou buscando corrigir, me dei conta que fiz uma coisa errada, mas estou trabalhando na correção, não estou escondendo. Qual a correção adequada para uma coisa, a gente sabe que o erro não tem grau, não importa se foi um aborto ou foi roubar uma maçã, você tem que partir para a correção, porque o erro não é maior ou menor. Se a gente fosse julgar que existem pecados capitais e pecados veniais, neste nível não há esta graduação, há o erro. Então parte imediatamente para a correção, não importa se tem tamanho.

As nossas leis dão uma graduação. Outro dia ouvi na televisão sobre crimes hediondos, que a nossa lei julga, por exemplo, falsificação como crime hediondo, então, condenam com a mesma pena a pessoa que falsifica remédio e a pessoa que falsifica água mineral, mais ou menos assim. Por exemplo, a mesma pena para a pessoa que falsifica um shampoo, outra que vende água da torneira como água mineral e outra que vende farinha como remédio para o coração. Falsificou é falsário. Até que se chegue no nível da perfeição onde não importa qual é o erro a correção tem que ser feita na mesma intensidade. Parece que os órgãos oficiais não estão aceitando isto, justamente por causa da condenação que é injusta, a mesma condenação para quem que falsifica uma garrafa de água e aquele que falsifica um remédio, o prejuízo que isto causa depois é muito maior...como o ego gradua tudo, não é?

Uma História
Teve uma pessoa que foi receber seu salário no caixa da empresa e estavam faltando 50 reais, fez um escândalo “porque vocês estão tentando me enganar! ....”. A pessoa do caixa disse “pare com isto, deixe de fazer escândalo, no mês passado eu te dei 50 reais a mais e você não falou nada, ficou bem quietinho!”. Ele, então, falou: “Um erro eu deixo passar, mas dois eu não admito!” (risos)

Este parágrafo que trata da correção, ficou bem entendido?

Participante: Como seria o encaminhamento para a correção?

Jorge: A saída é sempre a expiação, não tenha dúvida. O tempo inteiro ele diz, é a expiação. A expiação é o princípio, o milagre é o meio e a cura é o resultado, isto nós já aprendemos. Agora estamos trabalhando as diferentes manifestações dos danos que o erro causa. Para nós nos darmos conta que temos que fazer a expiação. Aqui diz assim, se você tem pesadelos, se você percebe e tem medos das suas percepções, joga elas para o inconsciente, porque você não aceita aquelas percepções que você mesmo julgou erradas. Como você não aceitou e não trás para a consciência, então você tem pesadelos ou você disfarça eles com seus sonhos mais felizes, faz uma compensação. É como a história “...as uvas estavam verdes mesmo!” Você vai compensando, porque o ego trabalha no sistema de compensação. Sempre que alguma coisa faz cair a tua auto-estima você trabalha para compensar, mas tudo o que você compensa, você não resolve, apenas compensa. O que temos que fazer é compreender isto, não tem outra coisa a fazer, abrir isto e limpar.

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Capítulo 3 – A PERCEPÇÃO INOCENTE

VI- O julgamento e o problema da autoridade

5. Quando te sentes cansado, é porque julgaste a ti mesmo como se fosse capaz de estar cansado. Quando ris de alguém, é porque julgaste esse alguém indigno. Quando ris de ti mesmo, necessariamente ris dos outros, nem que seja apenas porque não podes tolerar a idéias de ser mais indigno do que eles. Tudo isso te faz sentir cansado, porque é essencialmente desanimador. Tu não és realmente capaz de estar cansado, mas és muito capaz de exaurir a ti mesmo. A tensão do julgamento constante é praticamente intolerável. É curioso que uma capacidade tão debilitante tenha vindo a ser tão profundamente apreciada. No entanto, se desejas ser o autor da realidade, vais insistir em te apegar ao julgamento. Tu também vais considerar o julgamento com medo, acreditando que um dia será usado contra ti. Essa crença só pode existir na medida em que acreditas na eficácia do julgamento como uma arma de defesa da tua própria autoridade.

Jorge: Uma vez ouvi falar sobre a comunidade dos Essênios, que lá eles utilizavam o método UVA, quer era falar somente se fosse verdadeiro, útil e amável. Dizia-se que rir, também, entrava no mesmo esquema. Não riam dos outros nem de sim mesmos. Acho que eles já tinham esta conexão aí.

Uma história: Há anos atrás, quando eu trabalhava numa empresa, uma vez estava um sol tão bonito de manhã e eu não tinha uma desculpa para dar a mim mesmo para não ir trabalhar ‘ah, hoje o dia está bonito, dá para ir trabalhar’. Então peguei um casaco de lã, era verão, quando cheguei no serviço vesti o casaco.

O chefe olhou e perguntou ‘Jorge, você está com frio?’

Eu disse “Estou!”

O chefe falou ‘vai lá no departamento médico, cara!’

Cheguei no departamento médico, o médio perguntou ‘você esta sentindo frio?’

Eu disse ‘Estou!’

Chegou o enfermeiro com o termômetro e disse ‘aparentemente você não está com febre.

Eu falei ‘pois é, eu também acho!’

O médico falou ‘vou te dar três dias então, se você não melhorar, volta aqui!”

Eu saí de lá jogando o casaco para o alto, fazendo festa. (risos)

É muito interessante este Parágrafo, ele põe às claras para a gente que, cansado a gente não está, a gente está exaurido. Chegamos a exaustão através dos nossos pensamentos, palavras, atos e omissões. Se você se omitiu de alguma coisa, você fica pensando ‘mas neste assunto eu me omiti’, às vezes, não consegue dormir de tão cansado. Tudo, onde houve algum erro, algum julgamento ou a gente fica se julgando, por exemplo, eu não fiz isto direito, eu deveria ter feito melhor, porque eu não disse, eu não deveria ter falado, porque eu fui dizer, resultado disto tudo é que chegamos ao estado de exaustão. Se a gente começar a ocupara o tempo fazendo uma coisa, uma atividade física, aí parece que conseguimos fazer, não estamos cansados, desvia o foco. Por isso é que se diz ‘orai e vigiai’. Quando vêm os pensamentos que te deixam exaurido, muda, tem que fazer a correção.

Participante: Tenho observado que quando relaxo, vêm uma porção de pensamentos indesejáveis.

Jorge: É, relaxa o consciente, então abre ‘aquela frestinha da caixa preta’. A gente quer sair correndo mas se sente sem força. São pensamentos de coisas que ficaram em aberto. Uma vez tinha um personagem de um programa de humor, na hora ele dizia ‘Ahhh’, um dia depois ele dizia ‘mas eu deveria ter dito isso, isso e aquilo...’, aí ele ficava ruminando aquilo durante uns três dias.

Não temos que nos concentrar no erro, tempos que partir para a correção.

Participante: Uma vez ouvi falar de uma pessoa que, por mais que fosse ao confessionário se confessar e fizesse as penitências que recebia, ele não se sentia limpo, não se sentia perdoado.

Jorge: Pelas minhas experiências, confessei muitas vezes, hoje sinto que a confissão e as penitências que eu fazia não resolveram nada, o que resolve mesmo é a correção. Não sei se meus pecados eram muito insignificantes, me mandavam rezar Ave Marias, não mandavam eu me reconciliar com o irmão, então a coisa persistia, porque não foi feita a correção. Acho que o confessionário é muito interessante, orar é muito interessante, se tem um pensamento errado, vigia os pensamentos e orai, para sair fora, mas a correção é básica, da maneira como estou vendo hoje, não era da maneira como eu compreendia na minha infância, só mandavam ‘vá e reza tantas Ave Marias’. Saía do confessionário, sentava lá rezava, mas aquilo não ficava resolvido, acho que aquela absolvição não funcionava para mim, mas eu criava a idéia de que aquilo estava resolvido e pronto. Talvez esta pessoa que você mencionou na história, não tenha entendido assim, ela talvez tenha concluído ‘não adianta eu venho aqui confesso e continuo sentindo esta culpa, vou confessar de novo’. De repente todas as penitências que possam ser sugeridas não substituem a expiação, da maneira como eu vejo hoje. Se é uma coisa da pessoa com outras pessoas, então tem que fazer a expiação, se é com ela mesma e ela não consegue trabalhar isto, o renascimento é uma boa sugestão, sem dúvida.

Participante: Eu, também, confessei muito, por exemplo, de ter brigado com irmãos com amigos, mas não me lembro que alguma vez o padre tenha me orientado para que eu fosse me reconciliar com o meu irmão ou com meu amigo.

Jorge: Vamos buscar a compreensão disto. Porque uma finalidade o confessionário deve ter. Às vezes a pessoa não quer fazer a correção, mas ela não consegue carregar aquilo sozinha, então ela vai compartilhar com uma pessoa que está preparada para ouvi-la sem julgar e sem condenar. Pode ser o psicólogo, pode ser o padre, o terapeuta, o analista, alguém em que a pessoa vai confiar. Eu sei que a pessoa não vai me condenar por aq1uilo, senão eu não vou, eu não vou confessar o crime para o delegado, vou confessar para o padre. Porque o padre tem o segredo de confessionário, então posso compartilhar. Eu poderia, ao invés disto, fazer a correção. É claro se eu for confessar, da maneira como eu estou percebendo em mim isto, é uma percepção pessoal que eu trago da minha infância e adolescência de quando eu ia confessar e como eu ainda percebo hoje, não sei se mudou alguma coisa ou se eu não compreendi adequadamente como isto funcionava. Eu ia lá compartilhava, porque era uma coisa que foi ensinada, que era errado, que eu não conseguia carregar aquele erro comigo, ao invés de corrigir eu vou compartilhar com alguém e daí parecia que ficava mais leve. Isto fica no subconsciente, fica lá, porque eu não aceito aquilo como uma coisa correta. Sou perfeito, não posso aceitar a imperfeição. Então, se eu não aceito eu não trago aquilo para a consciência, não deixo aquilo vir à consciência, tenho que ter uma solução para aquilo, a confissão era uma solução, porque me ajuda a continuar vivendo, mas o fato, como coloco hoje, ele ajuda a continuar morrendo, porque aquilo está me exaurindo de alguma forma.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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