UM CURSO EM MILAGRES
16 de junho DE 2003
2ª FEIRA

 

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

Princípio 2

Milagres em si não importam. A única coisa que importa é a Fonte, Que está muito além de qualquer avaliação.

Jorge: O milagre em si não é o que importa o que importa é a ligação que faz quando nos reconduz a esta conexão da Fonte. Isso é o que tem de mais importante nele. Não que ele seja desconsiderado, ele é o meio de condução. Não é a conexão. Não é a condução que importa o que importa é a Fonte. 

Assim como a lâmpada está conectada à Usina Hidroelétrica, que é a fonte de toda a energia. Não são os fios que importam, eles são os condutores, o que importa é a conexão com a Fonte, é esse o valor do fio, se ele estiver aí e não estiver conectado à fonte, não tem valor nenhum. Um monte de fio jogado num canto não gera nenhuma luz. Mas se estiverem conectados à fonte sim. Temos que prestar mais atenção à Fonte do que no fio e na luz que pode gerar. Ficamos preocupados na manutenção do fio. Todos os aspectos são importantes, mas o mais importante é estar conectado à Fonte.

Livro Texto

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Capítulo 1 – O SIGNIFICADO DOS MILAGRES
                 II. Revelação, tempo e milagres

2. A revelação é intensamente pessoal e não pode ser traduzida de forma significativa. É por isso que qualquer tentativa de descrevê-la com palavras é impossível. A revelação só induz à experiência. Milagres, por outro lado, induzem à ação. Nesta fase da aprendizagem é importante trabalhar com milagres porque a libertação do medo não te pode ser imposta. A revelação é literalmente indizível porque é uma experiência de amor indizível.

Jorge: Como eu percebi, a Revelação é a experiência amorosa e o milagre é a ação. A ação você compartilha com outra pessoa, porque o milagre é interpessoal, ele não acontece de Deus para mim. De Deus para mim é a Revelação. Uma pessoa para outra pessoa é o milagres. Os milagres são muito mais úteis neste momento porque eles vão encurtar o caminho pra Revelação. Não quer dizer que a Revelação não possa acontecer antes, durante ou depois.

Então, primeiramente vimos que não devemos dar uma importância ao milagre, porque eles são naturais; que a Revelação é muito mais importante que o milagre, no entanto os milagres, agora, são mais úteis porque eles vão ajudar a gente a evoluir mais rápido.

Se começarem acontecer os milagres, a Revelação vai acontecer. Nós vimos na reunião anterior um exemplo de um milagre que acontece porque a pessoa ouviu a revelação. Na história ‘das caixas de leite’ ele teve uma revelação, ouviu e agiu. Mas a pessoa poderia ter esta revelação e não agir. A pessoa pode agir mesmo sem ter esta Revelação. A gente fica naquela espera, o que deve acontecer primeiro, o ‘o ovo ou a galinha?’ Entre o milagre e a Revelação não existe uma regra se primeiro você tem que trabalhar no nível da Revelação ou dos milagres com o teu irmão.

A história das caixas de leite: Alguém estava indo para casa, de madrugada, após um dia de trabalho, foi um dia difícil, um daqueles dias em que a pessoa fica duvidando que Deus existe. Mas ele estava indo para sua casa, dirigindo seu automóvel e ele começou a questionar:
-Ah! Se existisse Deus as coisas não seriam assim, tão difíceis, não haveria injustiça... Até que chegou num ponto que pensou: ‘Mas como eu vou saber se existe Deus ou não’. Então olhou para cima e disse:
-Se existe Deus, eu quero um sinal, mostre-me de alguma maneira, porque se Deus é onipresente, onipotente, então eu quero uma comprovação, um sinal. Ele estava falando sério, ele queria isso naquele momento. Andou por mais alguns minutos e ouviu uma voz de dentro da sua cabeça:
-Na segunda esquina, dobre à direita! Ele pensou:
-O que?! Eu estou imaginando coisas. Eu não vou dobrar coisa nenhuma! Eu não vou atrás desta voz. Assim, decidiu não fazê-lo. Passou pela esquina e foi direto, mas não conseguiu ir muito longe, porque a curiosidade, de saber o que aconteceria se tivesse dobrado à direita, venceu e ele retornou ao ponto da esquina e dobrou à direita. Aí parou e pensou:
-E agora, dobrei e daí, o que vai acontecer, continuou dirigindo, andou uns 10 quarteirões e nada aconteceu. Pensou:
-Eu vou desistir! A voz disse:
-Siga em frente!  A voz era muito estranha, ela não vinha de fora, vinha de dentro dele. Pensou:
-Eu vou desistir, devo estar cansado, nervoso, estou imaginando isso. Então deu volta, já tinha andado 3 quadras quando pensou:
-Como é que eu vou dormir sem saber o que aconteceria lá na frente. E outra vez fez o retorno e se colocou à disposição da voz, que ele ouvia como se tivesse alguém falando com ele. A voz disse:
-Dobre à esquerda na 1ª esquina. Ele disse:
-Ta bom, vou dobrar! Andou uns quarteirões, por aí tinha um mercadinho de 24 horas. A voz disse:
-Pare ali no mercadinho e compre 4 caixas de leite. Ele disse: Ah! Isso eu não vou fazer, agora extrapolou, passou dos limites! Então passou direto, e decidiu ir para casa. Mas outra vez, voltou, foi até o mercadinho e comprou 4 caixas de leite. Então ficou parado, sentado dentro do carro no lado do mercadinho, e pensou:
-Estou sentado dentro do carro às 2 e meia da madrugada, com 4 caixas de leite e uma voz que veio não sei donde disse para comprar, num lugar onde nunca estive, e agora o que eu faço. A voz disse:
-Vá em frente! Ele desconfiado, foi. Então a voz foi dirigindo-o:
-Agora dobre à direita, à esquerda, siga em frente... Chegou um momento que a voz disse:
-Pare nesta casinha que está com a luz acesa, entre lá e entregue as 4 caixas de leite! Ele disse:
-Isso eu não vou fazer, como é que eu vou chegar no meio da madrugada e dizer:
-Eu trouxe o leite “sou o leiteiro!” –Não, não isso eu não vou fazer, a pessoa não vai me receber, vai chamar a polícia, pensar que eu sou maluco, até eu já estou achando isso.  Mas ele não conseguia se afastar dali. Ao mesmo tempo, não conseguia ir lá na porta, bater, para entregar o leite. Sua resistência para fazer isso que lhe parecia “muito maluco”, era muito grande. Até que chegou num ponto que ele disse:
-O único jeito é ir lá e bater na porta para ver! Bateu na porta e veio uma pessoa atender a porta e ele estava com as 4 caixas de leite na mão, quando a pessoa viu o leite, ele não precisou explicar nada. O senhor que veio abrir a porta pegou o leite e levou para dentro da casa, donde vinha o choro de uma criança. Depois voltou e disse:
-Eu estou desempregado e minha esposa também, nós estávamos totalmente sem dinheiro, até para comprar leite para o nosso filhinho e não sabíamos o que fazer, então, às 10 horas da noite a minha esposa olhou para o céu e pediu a Deus um milagre para conseguir o leite que a gente estava precisando.

  
Temos aqui uma compreensão, vou tentar repetir pra ficar mais claro: Primeiro, a Revelação é muito mais importante que os milagres. O que tem importância é o que o milagre faz acontecer, que é a conexão.

Ele coloca assim: A Revelação pode acontecer antes, então ela vem de cima pra baixo, então você horizontaliza e faz a ação. Então a ação revela que você acreditou na Revelação. A tua ação é um testemunho daquilo que você acredita. Você pode começar pelo milagre também. Pode acreditar em Deus e na Revelação e pode começar a trabalhar já fazendo o milagre. Fazendo o milagre talvez fique uma coisa um pouco complicada para a nossa compreensão. Então vou usar a palavra que o livro coloca que é ‘oferecer milagres’. Você pode oferecer milagre para outras pessoas.

Como é que aconteceu com o rapaz das caixas de leite? Ele foi e levou as caixas de leite. Na verdade é assim, todas as coisas materiais são veículos dos milagres. Nesta historinha, o verdadeiro milagre foi a pessoa aparecer com as caixas de leite; ou a pessoa aparecer lá levando as caixas de leite?  O milagre que aconteceu é muito mais importante do que o fator físico, alguém foi lá e levou as caixas de leite.  Ele ofereceu. Neste sentido a pessoa pediu pra Deus e aconteceu, esse é o verdadeiro milagre e não o fato do enredo, dos detalhes, tudo o que aconteceu no caminho, que fez o leite chegar lá.  Esta conexão com a fonte é muito mais importante do que o desenrolar dos fatos do milagre. Então esta pessoa que recebeu aquele milagre, naquela hora pediu e alguém se ofereceu pra levar lá. Esta pessoa se dispôs a receber uma Revelação, queira ou não acreditou e acabou concluindo aquilo.

Então, como a gente pode fazer? A gente pode oferecer um milagre para uma pessoa usando o objeto físico como veículo. Se você percebe que alguém está
precisando alguma coisa, você pode oferecer isto para a pessoa.

Já me aconteceu de eu pedir alguma coisa, de ir até esta janela aí e colocar a mão para fora e dizer: Estou precisando tal objeto, ou que aconteça tal situação. Se for da Tua Vontade, então que apareça, que aconteça. É o tempo de tirar a mão e voltar pra vir pra cá, alguém aparece na porta e diz: quer comprar tal objeto? Isto me parece uma coisa muito natural. Nós deveríamos, tudo que nós fazemos deveria estar voltado para este princípio, de servir as outras pessoas. Muito mais importante é o serviço que você presta do que o lucro que você tem vendendo aquilo. É mais importante do que você dá, usando as coisas materiais como veículo. Se você faz isto com amor, para a outra pessoa pode ser um milagre, se faz isto com a intenção de oferecer amor, o amor é o veículo dos milagres. O amor com que você oferece o que você faz para a outra pessoa é muito mais importante do que realmente você está fazendo. É muito mais importante do que o objeto. Não que o objeto seja descartável. O fato de eu colocar a mão na janela e dizer: preciso de uma almofada redonda e alguém aparece batendo na porta e diz: Quer comprar uma almofada redonda?
Isto é um milagre, O objeto não é a coisa mais importante, esta conexão é a coisa mais importante. Quando você começa entrar neste nível de oferecer as coisas, você começa a receber as coisas, porque dar e receber são a mesma coisa.

Se eu, por exemplo, preciso uma coisa, e penso ‘onde será que posso encontrar alguém que corte o meu cabelo?’ Você está lá na outra ponta esperando um cliente, dizendo: ‘eu precisava dum cliente para oferecer o meu trabalho’. De repente acontece a conexão, isto é oferecer milagres. Isto é fazer os milagres acontecerem. Assim você se conecta e quando você está conectado, você tem pureza, as coisas acontecem duma maneira fantástica.

Ainda neste início em que nós estamos, eu sei que é um pouco difícil compreender estes mecanismos, mas no desenrolar deste capítulo isto vai se tornando fácil, a compreensão vai se tornando mais fácil.

Participante: Eu pedi um local para poder desenvolver espiritualmente... logo em seguida conheci o grupo aqui....

Jorge: Vejam como é o milagre: A gente acha que o milagre é fazer com que aconteça uma coisa extraordinária, que caia do céu uma coisa. Quando você pediu, a Nova Era já estava aqui, a coisa física, isto não é importante. Mas o que a gente está buscando aqui é importante. No momento em que você pediu para encontrar, não se materializou o sexto andar, a livraria Nova Era e este trabalho naquele momento, ele já estava aqui.
É um aprendizado bem interessante para refletirmos.
O aprendizado é que todas as coisas que nós precisamos já estão aqui, às vezes não as alcançamos porque não pedimos, não está aberto para receber. Não estamos humildes para pedir e nem abertos para receber, nem dispostos a aceitar. É isto que temos que trabalhar em nós. Estou disposto a receber? Estou disposto a pedir? Estou disposto a aceitar? Está escrito aí: ‘Pedi e recebereis. ’ Se você pede as coisas vêm. Às vezes as coisas vêm e não estamos dispostos a receber, não está com a mente aberta para receber aquilo que pediu da forma como vem, esperava que viesse de outro jeito, e nem se dá conta que as coisas estão aí.

Muitas pessoas já vieram aqui e disseram e tinham encontrado o que estavam buscando.
Tudo que você está buscando nós temos aqui, se estás buscando paz, mais harmonia, mais amor, felicidade, nós temos isso aqui, não para entregar dentro de uma caixinha, mas os instrumentos que com o qual estamos trabalhando com o qual a pessoa pode alcançar tudo isto.  Por exemplo, Um Curso em milagres, Reiki, Florais... , a pessoa pediu, encontra e não vem, porque não está disposta a aceitar daquela maneira.

Talvez ela quisesse um milagre assim: a pessoa está cheia de problemas, cheia de contas pra pagar entra na Nova Era e depois vou ao banco e o caixa diz: você não deve mais nada, suas dívidas desapareceram e na sua conta tem 200 mil reais de crédito! Chega a casa e o príncipe encantado está lá esperando por você... O carro novo está na garagem...
Quando um oferece o milagre ao outro e o outro aceita.

Participante: Quando a pessoa não está disposta a dar ela também não vai receber.

Jorge: Quando vou tomar um cafezinho sempre me lembro desta lei.
Na semana passada eu contei que dar e receber é a mesma coisa e quanto mais eu estou disposto a dar, mais eu vou receber.

Se eu der 60 centavos eu recebo um cafezinho, quando eu dou um real e vinte eu recebo dois, quanto mais eu der mais eu vou receber. Estas leis funcionam em todos os níveis e em qualquer lugar. Recebemos por aquilo que nós damos. Se a gente não está disposto a dar, não vamos receber.

Aqui nós tivemos uma fonte, bonita, era uma pedra natural, foi encontrada lá no interior de Minas Gerais. Tinha um formato de bacia, era uma peça muito cara, todos gostavam, mas ninguém comprava. Um dia alguém teve a idéia de transformar isso na ‘fonte dos desejos’ e gostamos da idéia. Você faz o pedido e joga uma moeda. Acreditem, às vezes as pessoas vinham com 10 centavos e perguntavam se a gente tinha troco! O que mais tinha lá dentro eram moedas de um centavo. As pessoas estão dispostas a dar pouco. Quanto vale a tua fé? Quanto você aposta naquilo que você acredita. Você pede 500 reais, mas está disposto a dar um centavo. Isto foi uma coisa que mais marcou este aprendizado da ‘fonte dos desejos’. Um dia alguém comprou a fonte e as moedas estão guardadas.

 

Livro Texto - Página 7

Capítulo 1 – O SIGNIFICADO DOS MILAGRES
                 II. Revelação, tempo e milagres
3. A reverência deve ser reservada para a revelação, à qual pode ser aplicada correta e perfeitamente. Ela não é apropriada para milagres, porque o estado de reverência é pleno de adoração, e pressupõe que alguém, de ordem menor, se encontra diante do seu Criador. Tu és uma criação perfeita e deves experimentar a reverência somente na presença do Criador da perfeição. O milagre é, portanto, um sinal de amor entre iguais. Iguais não se devem reverenciar mutuamente, pois a reverência pressupõe desigualdade. É, portanto, uma reação inadequada a mim. Um irmão mais velho tem direito ao respeito devido à sua maior experiência, e à obediência por causa da sua maior sabedoria. Também tem direito ao amor, porque é um irmão, e à devoção se é devotado. É somente a minha devoção que me dá direito à tua. Não há nada em mim que tu não possas atingir. Eu nada tenho que não venha de Deus. A diferença entre nós, agora, é que eu não tenho mais nada. Isso me coloca num estado que, em ti, é apenas potencial.

 

Jorge: Somos todos iguais, podemos ter devoção a um igual. Esta devoção só é devida na medida em que ela se devota a nós, se não nem isso seria devido. No caso da reverência ela seria guardada, exclusivamente, para Deus.  
Ele diz que a reverência implica em diferença, não em respeito, vai colocar uma diferença entre um e outro. A diferença separa. A irmandade, ou os irmãos, ou nós homens que fazemos parte de uma unidade, que se chama de humanidade. Uma unidade é que nós compomos, onde temos que buscar a igualdade, a união e não a separação, porque a reverência separa. Ela implica em mais em medo, do que respeito, do que amor.

Uma história: Vou contar para vocês um aprendizado que tive quando eu trabalhei numa grande empresa multinacional. Eu trabalhava no departamento de administração e lá foram notadas algumas habilidades que eu tinha, então, de vez em quando alguém tinha alguma dificuldade alguém, eventualmente, pedia para eu ir ver se podia ajudar.
Um dia o chefe da manutenção me disse que o presidente da empresa queria trocar a mesa dele porque ele acha que a mesa está muito riscada. Como este assunto não era da autonomia dele, então pediu para eu dar uma olhada.  Eu era novo na empresa, nunca tinha estado com o presidente. Eu sabia onde era o escritório da presidência e fui lá. Cheguei lá e disse: Com licença eu vou olhar a mesa do presidente e entrei. O presidente estava lá sentado naquela cadeirona dele a mesa de mogno, maciça. Uma mesa enorme, numa sala enorme. 
Quando eu entrei, ele ficou assustado, perguntou: Quem é você? O que você está fazendo aqui? Eu sou o Jorge da administração. Eu vim olhar a mesa, você disse que queria trocar a mesa... no memorando que a secretária mandou.
Eu falei ‘você disse’ naturalmente. Ele olhou para mim assustado como se fosse uma coisa muito estranha para ele e ficou meio sem jeito. Daí falou: Sabe o que é... como é o teu nome mesmo? Respondi: Sou o Jorge. Ele disse: Eu sou o Ivo. A secretária estava apavorada, porque eu tinha passado direto e ele falou pra ela: Pode deixar, já estou aqui acertando com o Jorge...
Começamos a conversar de igual para igual. Eu sempre o tratei por Ivo e ele sempre me tratou por Jorge.

Ele era o presidente, as pessoas tinham medo dele, ele tinha muito poder, era uma empresa que tinha muitos funcionários.   Ele aparecia lá uma ou duas vezes por mês. No restaurante tinha a ala da diretoria e tinha a ala dos funcionários, estava distribuído mais ou menos em hierarquias. Depois do almoço o pessoal ficava conversando. O pessoal da diretoria gostava de jogar dominó. Um dia eu já tinha almoçado e o Ivo disse:
-Jorge, sabes jogar dominó?
-Sim, eu sei!
-Então vem jogar com a gente!  

Eu nunca pedi nada para ele, ele nunca pediu nada para mim. Eu o tratava de você e o chamava de Ivo, quando os diretores não faziam isto. Mas eu o respeitava muito. Quando ele queria uma coisa ele me chamava para conversar. Isto pra mim era natural. Mas para as outras pessoas da empresa isto era rotulado de ‘puxa saco’. Era assim que as pessoas me viam.  As pessoas começaram a ter medo de mim, por que eu era ‘assim com o homem’. O respeito, entre nós dois, era muito maior, do que havia entre as outras pessoas.
As pessoas não tinham respeito por mim, era medo. Às vezes eu entrava num departamento, se o pessoal estava conversando, paravam de conversar.

Neste parágrafo o livro fala em devoção, respeito e reverência. Por que o presidente da empresa conversava comigo de igual pra igual, a gente contava piadas, riamos junto. Mas tínhamos o maior respeito um pelo outro. As hierarquias eram plenamente respeitadas.

O que fez que esta relação fosse dessa maneira? A ausência de medo! Ausência de reverência. Eu tinha devoção por ele, porque ele era um irmão mais velho, se não fosse ele eu não teria emprego. Como ele tinha chegado lá, ele devotava o seu tempo à empresa, mesmo à distância e graças a isso eu tinha trabalho.  O presidente da empresa está se devotando à empresa, então ele está se devotando a mim, por isso eu devo devoção e respeito a ele. Tenho que respeitar a pessoa se é o gerente, se é o administrador, se é o dono da empresa, se é o presidente, por esta razão, é que ele já chegou mais longe.
Este caso, que está falando no livro, trata-se de Jesus, dizendo que ‘a única diferença entre eu e você é que eu não tenho mais nada, isto em você é apenas potencial. ’ Ele diz que você tem esta capacidade, porque não tem nada que eu tenha e que você não possa ter e vice-versa.
Então a gente tem que ter respeito e devoção pelas pessoas que já alcançaram um outro nível. Isso vale em qualquer nível, físico, emocional, mental, espiritual, em todos os níveis a lei funciona igual. A reverência é para o superior.

Uma história:
Havia um rei que queria que todos se ajoelhassem na sua presença e fizessem a reverência. Teve uma pessoa que não fez e disse que só prestava reverência a seu Deus. Era uma pessoa que tinha um determinado poder e a guarda do rei não o executou simplesmente, ele foi levado a presença do rei que queria saber por que é que ele não se ajoelhava.  Ele disse: eu presto reverência ao Senhor meu Deus, a ninguém mais. O rei viu uma potencialidade tão grande nesta pessoa que o colocou como ministro da justiça.

Às vezes esta reverência que a gente presta para alguém que está em nível superior no nível, físico, mental e espiritual pode ser uma reverência equivocada, ao invés de causar união, causa separação. Todos que estão aqui, até o nível de Buda, Jesus, Krishna estão em igualdade de condições. Encarnaram aqui, nasceram todos na mesma maneira, passaram pelas mesmas circunstâncias. Eles se devotaram e chegaram a iluminação, qualquer pessoa que se ilumine e tenha se santificado ainda é igual a mim, está no mesmo nível, no mesmo plano.   Eu posso me devotar a ele na medida em que ele se devota a mim.

Isto acontece na nossa pequena família também. O irmão mais velho recebe a devoção do irmão mais novo na medida em que ele se devota ao irmão mais novo. Se o irmão mais velho que se devota a ajudar a ensinar o irmão mais novo, ele vai receber a devoção, o respeito e o amor do irmão mais novo. 

Isto é para nós reinterpretarmos, colocando sobre um outro ponto de vista pra entendermos este livro que veio reinterpretar algumas situações pra gente compreender aquilo que pra nós às vezes é muito difícil.
Se passarmos na frente de um ministro de Estado o nosso comportamento deveria ser normal de um colega de trabalho. O mesmo comportamento que eu tenho com um porteiro do meu prédio, deve ser igual diante dum ministro de estado, ou presidente da república. Todos são iguais.  Esta igualdade que nós temos que entender entre irmãos, isto vai tornar possível acontecer os milagres.

Participante: E perante a pessoa que já se iluminou?

Jorge: O iluminado sabe que é igual. Algumas pessoas que não compreenderam isto e ainda vêem diferenças vão se curvar vão se curvar diante de Buda, por exemplo, pra prestar uma reverência. Curvam-se, colocam-se abaixo. Não é isto que nós temos que trabalhar. Temos que trabalhar para chegar a unificação, a unidade. Se acontecer de alguém se ajoelhar, talvez Buda fosse dizer: levante-se, tudo que eu tenho você pode ter também, tudo o que eu sei você pode saber também.

Mesmo antes de eu estar neste caminho e conhecer o Um Curso em Milagres eu já praticava isto, nunca tive medo de ninguém, não tive medo de nada, sempre tratei as pessoas por você. A pessoa com quem eu não quero um relacionamento eu chamo de Senhor. Se, por exemplo, eu brigo contigo eu digo: Senhora Noeli! Neste momento eu quero colocar uma distância, uma barreira entre nós. 

A mãe às vezes faz isto com o filho, chama pelo nome inteiro ‘Jorge Luiz, o que o Senhor está fazendo?!’ ‘Não vê que eu sou a sua mãe?’ Ela colocou uma barreira, um distanciamento, fez uma hierarquia. Hierarquia é coisa dos homens, no céu não tem hierarquia. Por isto temos que aprender na matéria pra poder chegar neste nível.
Esta potencialidade nós temos.

 

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

 

©  2004 - Milagres