UM CURSO EM MILAGRES
16 DE ABRIL DE 2003
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

PRINCÍPIO 29
Milagres louvam a Deus através de ti. Eles O louvam, honrando Suas criações, afirmando que são perfeitas. Curam porque negam a identificação com o corpo e afirmam a identificação com o espírito.

Participante: Deus sendo amor e eu estendendo para o outro o amor que recebo Dele, passando adiante este amor, desta forma estarei louvando a Sua criação.

Jorge: Eu escrevo um livro e você divulgar este livro que eu escrevi, você está me prestando uma homenagem, está honrando aquilo que eu escrevi, então isto é um ato de louvor, pode se dizer assim. Você está estendendo aquilo que eu criei.

Quando eu ofereço um milagre para alguém, estou oferecendo para esta pessoa a purificação do amor, que é o que Deus criou. Neste sentido nós estamos louvando a Deus. Estamos fazendo aquilo que ele gostaria que a gente fizesse. O Princípio diz, também, que milagres curam porque negam a identificação com o corpo e afirmam a identificação com o espírito. Isto quer dizer, se nós necessitamos de cura é porque nós estamos passando por momentos de insanidade ou insalubridade, não estamos saudáveis, não estamos sãos ou sãs, por isso necessitamos de cura. Subentende-se que, se a cura acontece, é porque há uma negação da nossa identificação com o corpo e uma afirmação na identificação com o espírito, então boa parte das nossas insanidades acontecem porque nós nos identificamos com o corpo e não com o espírito, porque nós achamos que somos corpo. Temos que começar a nos identificar mais como espírito e menos como corpo. O milagre faz isto acontecer. Uma pessoa que tem necessidade de uma moeda, pede esta moeda na rua, ela está muito identificada com o corpo, com a coisa material , com a necessidade material. Ao invés de oferecer uma moeda, você oferecer a ela um milagre, e ela aceitar este milagre, então neste momento ela passa a se identificar com o espírito. O espírito dissolve a necessidade material e ela vai receber estas necessidades que ela tem, sem que ela precise pedir moedas na rua. Se você quiser dar a moeda junto com o milagre, se você se sentir compelido a dar uma moeda, dê a moeda, mas nunca dê só moeda, isto não vale nada, só reforçará a identificação da pessoa com a escassez . Se você quer dar a moeda, porque acha que naquele momento a pessoa precisa dela, dê a moeda e ofereça um milagre, para que ela consiga sair daquela situação onde ela está. Só dar a moeda reforçará na pessoa a idéia da necessidade e não a idéia de que ela é um espírito e não precisa passar por esta indignidade e de achar que não é merecedor, que não é digno e que é menos do que eu porque tem que pedir para mim uma moeda. A gente dá a moeda e tira a dignidade da pessoa. Ajuda a pessoa a reafirmar a identificação dela com o corpo e com a escassez, então ao invés da cura eu estarei reforçando a insanidade. Então eu tenho que reforçar na pessoa a identificação com o espírito e que ela é capaz e que todas as suas necessidades podem ser providas, não tem com que se preocupar. Isso aborda a idéia da parábola do Sermão da Montanha, “Olhai as aves no céu e os lírios do campo, nós não somos mais que isso”? Isto reforça mais uma vez a idéia de oferecer os milagres.

Participante: Mas a pessoa não tem que pedir os milagres para eu oferecê-los?

Jorge: Os milagres têm que ser aceitos pela pessoa, mas ela aceita se ela quiser, eu faço um oferecimento. O oferecimento que faço não é no sentido horizontal, não ofereço diretamente para a pessoa. O que eu faço? O milagre é oferecido ao Espírito Santo para aquela pessoa. Então trabalho neste sentido, ofereço para cima e o Espírito Santo dá para a pessoa aquilo que ela necessita, eu não sei o que ela necessita, eu não tenho como verificar. O milagre é sempre vertical. É uma oferta que parte de mim para cima, e vem de cima para baixo para aquela pessoa para qual eu ofertei . Eu não posso oferecer diretamente nesta linha horizontal, porque eu não consigo, na minha consciência, perceber qual é o mecanismo para a pessoa aceitar aquele milagre ou o que ela está precisando realmente naquele momento. Isto entra num outro Princípio que fala sobre o milagre dirigido, como uma expiação, ele pode, às vezes, ser dirigido equivocadamente. Vamos supor uma pessoa que está com dor de cabeça, aí digo para ela: ‘Vou te oferecer um milagre para sumir a dor de cabeça’. Mas a dor de cabeça, naquele momento, é o que eu estou vendo, o que eu estou percebendo na pessoa. Às vezes a cabeça está doendo porque o aparelho digestivo não está funcionando bem, o problema da pessoa não é na cabeça. O que eu posso fazer? Deste jeito eu posso eliminar o “sistema de alarme”, porque eu estou direcionando para passar a dor de cabeça, eu não estou vendo que o que ela precisa resolver, isto está na outra ponta. Neste sentido, quando eu ofereço para a pessoa, mas dirigido para cima. Como se eu levasse a pessoa que está doente até uma clínica e recomendasse para o médico responsável: “Atenda ele, veja todas as necessidades que ele tem” e aí eu me retiro. Eu não poderia atender esta pessoa, porque não tenho capacidade de reconhecer qual é sua real necessidade.

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3. Tu podes defender a verdade assim como o erro. Os meios são mais fáceis de serem compreendidos depois que o valor da meta está firmemente estabelecido. A questão é saber para que isso serve. Todo mundo defende seu tesouro e fará isso automaticamente. As questões reais são: qual é o teu tesouro e quanto tu o valorizas? Uma vez que tiveres aprendido a considerar essas questões e trazê-las a todas as tuas ações, terás pouca dificuldade em esclarecer os meios. Os meios estão disponíveis a qualquer momento em que os pedires. Contudo, podes economizar tempo se não protelares esse passo de forma indevida. O enfoque correto vai encurtá-lo incomensuravelmente.

Jorge: Na verdade andamos em círculos, porque olhamos na horizontal. Como o mundo é redondo, o que acontece com quem está andando na horizontal? Por isso que se coloca, você tem que ver onde está o teu tesouro. Teu tesouro está na horizontal ou na vertical. Você olha na horizontal e vê que nada que tem ali é para sempre. Você colocaria o seu investimento num negócio que ante mão você já sabe que está falido? É neste sentido que nós temos que rever as questões. A partir do Princípio 29 que diz ‘você está colocando tua atenção no corpo ou no espírito’, ele nos remete a pensar nisto. O espírito é para sempre o corpo não. Este Parágrafo nos chama, outra vez, a atenção para revermos estas mesmas questões, o que é prioridade para mim. Qual é o meu objetivo? Se eu partir do Princípio 29, que me diz que eu tenho que reafirmar o espírito, se eu coloco isto como prioridade, então os meios vão aparecer na medida que eu os pedir. Bom, o Curso em Milagres diz, ‘este é um dos caminhos entre milhares de outros’. Se você fixou o seu objetivo, você quer ir nesta direção de evoluir no espírito, então você já sinalizou o teu objetivo. Se você acha que o trabalho que nós estamos fazendo aqui, da maneira como nós estamos fazendo pode ser para você um meio, então confie nisto. Se não for este, você acha outro dentre os milhares de caminhos, mas pare num e confie naquele em que você está. Por quê? ‘Pedra que muito rola não cria limo’. No momento que você estiver dentro de um grupo, dentro de uma orientação, dentro de um religião, uma Ordem ou seja lá como se chama o grupo de pessoas que está trabalhando nesta direção, porque todos que estão reunidos com esta intenção, estão buscando achar os meios para a caminhada, assim como nós aqui. Se você está disposto a caminhar e acha que este meio é bom para você, então comece a caminhar mesmo. Enquanto você está ‘pipocando’ por aí, você já definiu o que você quer, mas ainda não fixou os seu objetivo, ‘que caminho eu vou escolher?’ ‘será que este está bom para mim, será que é isto que eu quero’? Se for este que você quer, se entregue, participe mais ativamente daquilo que você acha que é o meio que serve para você. Porque isto tem que ser mais prático. Eu gosto especialmente do Curso em Milagres porque para mim ele pode ser ativado de uma maneira prática, isso serve para mim no dia-a-dia, isso funciona. Saio daqui, quando ‘pesco’ os conhecimentos, as compreensões que tenho aqui, vejo que isso funciona de fato, ele traz para mim muitas praticidade. Nestes momentos que eu vejo que ele é prático, que aquilo que eu exercito funciona, acontece, que é assim mesmo, isso vai me dando uma segurança para empreender a caminhada com mais vigor. Neste sentido eu entendi este Parágrafo, que a gente tem que se estabelecer com alguma coisa e caminhar aí, como se diz ‘vestir a camisa da empresa ou do empreendimento’ e colocar-se à disposição deste trabalho.

Hoje eu ouvi alguém comentar sobre ‘quanto tempo nós dedicamos para nós mesmos’, para este tipo de atividades. Falamos outro dia que deveríamos dedicar 10% do nosso tempo para a atividade espiritual. Aí as pessoas estavam comentando, diziam assim ‘pois é, até dormindo ainda sonhamos com as coisas do dia-a-dia, com o carro, com a bicicleta, com o que fez, com o que não fez’. Então quanto tempo real eu me dedico ao espírito. Talvez seja isto que esteja nos faltando, um pouquinho mais de dedicação às atividades espirituais. Outro dia fiz os cálculos, aproximados, que eram assim: 10 % de 30 dias, seriam 3 dias completos de 24 horas. Inventaram o domingo para a gente se dedicar a Deus, mas neste dia a gente se dedica ainda mais ao ‘parque de diversões’. Comecei a pensar nisto e me dei conta que realmente 1 dia por semana não supria os 10%, mas 1 dia e meio, sim, por isso paramos de trabalhar ao sábado ao meio dia, dá aproximadamente, 10% da semana. Outra maneira de fazer seria, não fazer tudo num dia só, hoje por exemplo, por 2 horas estamos aqui no Curso em Milagres, então soma 2 horas aos períodos que você dedica à outras atividades voltadas para o espírito, distribuídas pelos demais dias da semana. Como trabalhamos tanto pela matéria, precisamos descansar, então este período do final de semana também tem este objetivo.

Uma história:

Tinha o mestre e o discípulo estavam andando na rua junto com outras pessoas. O discípulo disse, ‘ah estou ouvindo o grilo cantar’. Outra pessoa disse, ‘eu não estou ouvindo grilo nenhum’. Uns ouviam o grilo outros não. Aí começaram a procurar o grilo e acharam o grilo. O discípulo perguntou ao mestre porque nem todas as pessoas ouviram o canto do grilo? O mestre respondeu: ‘depende com o que você está conectado’ e pegou uma moeda e a jogou para cima, quando a moeda caiu no chão, todas as pessoas que estavam passando ouviram. O barulho duma moeda todos conheciam, todos ouvem, mas o barulho do grilo cantar muito pouca gente ouve.

Esta história foi trazida hoje para mim e até aquele momento não sabia o que iríamos estudar, fico sabendo aqui, esta história já era a preparação.

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4. A expiação é a única defesa que não pode ser usada destrutivamente porque não é um instrumento feito por ti. O princípio da Expiação estava em efeito muito antes de começar a Expiação. O princípio era amor e a Expiação um ato de amor. Atos não eram necessários antes da separação porque a crença em espaço e tempo não existia. Foi só depois da separação que a Expiação e as condições necessárias para que ela fosse cumprida foram planejadas. Então se fez necessária uma defesa tão esplêndida que não pudesse ser usada equivocadamente, embora pudesse ser recusada. A recusa, contudo, não podia transformá-la em uma arma de ataque, que é a característica inerente às outras defesas. A Expiação torna-se, assim, a única defesa que não é uma espada de dois gumes. Só pode curar.

Jorge: O difícil da expiação realmente é a cura. Vou contar mais uma história.

Uma história: Um dia fui comer um pastel numa pastelaria, fica num lugar onde passo todos os dias pela frente. Eu estava atrasado para um compromisso, mas estava com fome. Com a minha preocupação como o horário, parecia que devorava ainda mais o pastel a ser servido, fiquei impaciente. Eu estava com vontade de tomar um café, mas não gosto do café forte, pedi para o moço e ele disse: ‘pode deixar, eu vou fazer um café aqui que o senhor vai gostar’. Eu disse, ‘faz então o café’! Como eu estava impaciente, quando chegou o pastel, o café demorou. Quando chegou o café eu mal provei e eu resolvi comer o pastel pelo caminho, saí de lá de cara feia.

Depois eu comecei a me dar conta: Eu estava atrasado, a pessoa fez um esforço para me atender bem.Comentei com algumas pessoas, vou ter que passar lá para pedir desculpas, pela maneira como eu agi com a pessoa que estava me atendendo. Mas não tinha nada a ver com ele, era comigo, eu é que estava atrasado, tive que ir correndo para o compromisso onde não podia me atrasar. Quando eu comentei isto, alguém falou: ‘ Não precisa fazer isto, isto é obrigação deles’! Como é que eu vou passar amanhã, lá na frente, pode ser até que eu não esteja vendo a pessoa, mas ele está me vendo passar. Com que cara que eu vou entrar lá novamente para pedir um pastel? Eu não estou me sentindo bem com aquilo. Vou fazer de conta que não aconteceu nada, vou esconder isto? Chego lá num outro dia, faço de conta que não aconteceu nada, que eu não fui mal- educado? Não, eu deveria ter explicado naquela hora ‘olhe, estou com pressa, outro dia experimento o teu café, te agradeço a gentileza’.

No outro dia pensei, eu não vou perder esta oportunidade de fazer a expiação. Fui lá e cheguei perto do balcão e disse para a pessoa que tinha me atendido ‘Eu queria te pedir perdão, ontem eu saí daqui apressado eu tinha um compromisso e estava muito atrasado. Estava muito ansioso, nem te agradeci e nem me despedi de você’. A pessoa falou: ‘Não, eu não estava ligando para isso’! Mas ele ficou tão feliz, tão alegre que eu fiquei também.

Aquele mal estar que eu senti quando eu saí da pastelaria com o pastel, no dia anterior, ele não iria se desfazer , ficaria guardado dentro de mim. Eu iria colocando mais coisas em cima até chegar num ponto de dizer, ‘ah, não, aquilo não está mais me incomodando’. Não está incomodando até que um dia vira câncer. Aí vem aquele mal estar, ‘estou me sentindo tão mal, por quê será’? É isto que nós temos que entender. A expiação é extremamente curativa. Não tem como a pessoa me maltratar porque eu fui lá pedir perdão e explicar para ela porque eu agi daquela maneira. Nós já vimos aqui que, nós não temos a capacidade de negar o perdão.

A pessoa pode dizer: ‘eu recuso-me a perdoá-lo’. Isso a pessoa pode fazer? Pode! Mas ela não tem a capacidade de fazer disto uma arma de ataque contra mim. Pode acontecer da pessoa não aceitar o perdão naquele momento, mesmo que ele se recuse a aceitar a expiação, ele não vai conseguir usar isto como arma de ataque. Ele não vai poder dizer, por exemplo, ‘eu vim aqui, quero processar o Jorge, porque ele veio pedir perdão’. Ele pode me processar por eu não ter pedido, mas não por eu ter pedido. Então, a expiação não tem como ser usada como uma arma de ataque.

Participante: Há mais ou menos 15 anos, meu marido e eu estávamos a caminho da praia. Resolvemos passar no supermercado para comprar duas cadeiras de praia. Compramos outras mercadorias além das cadeiras. Passamos tudo pelo caixa e pagamos. Na saída do supermercado eu fui olhar o registro da caixa registradora e vi que tinha sido cobrada apenas uma cadeira. Meu marido estava levando as mercadorias para o carro, fui até ele e falei que estávamos com duas cadeiras e a caixa tinha registrado apenas uma e que eu achava melhor voltar lá para pagar a outra cadeira. Ele me disse: “Deixe pra lá, isto deve ser brinde do supermercado”. Eu, naquele momento, aceitei a situação que era vantajosa e cômoda, naquele momento. Obviamente, eu sabia que não era brinde e, assim mesmo, não voltei para pagar a outra cadeira. O tempo foi passando eu não resolvi isto. Hoje o supermercado nem existe mais, acho que tem um estacionamento no lugar. Como eu faço para fazer esta expiação?

Jorge: Você está disposta a fazer a expiação?

Participante: Sim estou disposta a fazer a expiação.

Jorge: Não adianta você pagar uma cadeira e entregar para alguém, você poder dirigir com uma intenção que, às vezes, pode ser equivocada. Você pode entregar a cadeira para alguém que não tem nada a ver, aí você deu a cadeira para alguém e não resolveu a tua questão, porque não atingiu o ponto onde aquilo deve ser trabalhado. É como, por exemplo, se estou devendo 5 reais para o João, então dou 5 reais para um pobre aí na rua . No dia seguinte eu encontro o João e ele vai dizer: ‘Cadê meus 5 reais? Para mim você não pagou’! Por isso nós elevamos estas questões ao nível do espírito, isto é levar ao Espírito Santo, que é a parte sã do espírito, a parte santa do nosso espírito, por isto é Espírito Santo, aonde existe somente a perfeição. Você leva a vontade de expiar e Ele vai prover a oportunidade para você fazer a expiação e vai acontecer com certeza de um,a maneira correta, aonde aquilo deve ser colocado. Porque nós todos estamos aqui prestando serviços uns aos outros. Se eu fabrico almofadas e coloco-as a venda no supermercado, eu não sei aonde vai parar esta almofada que estou vendendo. Pode ser que a almofada que estou vendendo vá parar lá na China. A pessoa que fabricou a cadeira e colocou a venda no supermercado, eu não sei quem foi, neste momento é que saiu prejudicado com aquilo. Pode ser que descontaram da pessoa que cuidava do estoque, pode ser que tenham debitado para o caixa, pode ser que o dono do supermercado absolveu, pode ser que repassou para a indústria. Como nós não sabemos quem absolveu o dano e se você quer expiar, então neste momento, como já passou a oportunidade de fazer expiação imediata, você entrega isto para o Espírito Santo. Ele não vai resolver para você, ele vai apresentar a oportunidade para você fazer a expiação. Eu vou contar uma historinha para vocês terem uma idéia de como estes mecanismos da expiação são perfeitos, são de uma perfeição impressionante.

Uma história: Uma vez eu estava vendo um filme que era sobre uma pessoa que tinha câncer. Os médicos o desenganaram, disseram que ele tinha 3 ou 4 meses de vida, era casado e eles estavam esperando um filho. Pela expectativa médica ele não estaria vivo quando o filho nascesse. Aí ele foi num terapeuta chinês ou japonês, não me lembro, ele fazia acupuntura. O Terapeuta falou que ele tinha que perdoar, ele disse que isso ele não faria. Mas foi de novo, e o terapeuta falou outra vez, ‘você tem que perdoar’, em outras palavras, fazer a expiação. Perdão e expiação são a mesma coisa. Ele não perdoava o pai dele, não sei por que razão. Ele resolveu perdoar. Bom, eu me emocionei com o filme, achei o filme muito interessante, ele teve uma sobrevida chegando ao ponto de ver o filho nascer, achei o filme muito bonito. Ele perdoou o pai. Achei muito interessante e me veio uma idéia de, como esta pessoa teve uma oportunidade de se dar conta que poderia fazer a expiação, e ter a oportunidade para fazer. Como, às vezes, podem ter pessoas que não tem esta oportunidade. Me lembrei dum irmão que eu amava muito e ainda amo, ele morreu vítima dum assaltante. Pensei, ele morreu de modo inesperado, será que ele teve tempo para fazer as expiações? Naquele momento eu olhei para cima, assim com a mente, e pensei: ‘se tivesse alguma coisa que eu pudesse expiar, que estivesse ao meu alcance, que eu pudesse auxilia-lo na expiação eu gostaria de fazer, me coloco à disposição para isto’. Fiz outras coisas, esqueci do filme e fui dormir. A noite eu sonhei com ele , com o meu irmão. Neste sonho nós dois estávamos numa lanchonete , tomando um cafezinho, conversando, daqui um pouco chega uma terceira pessoa e o meu irmão tira um cheque do bolso e olha para esta pessoa que chegou e diz: ‘Fulano, você não troca um cheque para mim, por dinheiro’. A pessoa disse: ‘Sim, eu troco’. Então, ele deu o cheque e a pessoa deu o dinheiro para o meu irmão. Nós saímos, os dois juntos. Neste mesmo sonho, na continuação, apareceu uma outra sena, que era assim: Eu estava novamente com ele na lanchonete e apareceu esta terceira pessoa e disse: ‘Olha, o cheque que eu troquei para vocês, estava sem fundos eu gostaria que vocês me repusessem o dinheiro’. Ele disse para vocês porque ele sabia que nós éramos irmãos e eu estava junto com ele. Meu irmão disse, ‘mas agora eu não tenho o dinheiro para tocar o cheque’. Eu disse: ‘Qual é o valor do cheque’?. A pessoa disse: ‘é 2 mil’. Eu disse: ‘Mas esse dinheiro eu tenho, eu pago o cheque’. Meu irmão falou: ‘Não, Não esse dinheiro é para...’ Eu disse: ‘Não, Não, ele tem razão, esse dinheiro não é nosso, é dele, ele fez uma gentileza, está aqui o dinheiro e você me dá o cheque’ . Daí eu dei os 2 mil e a pessoa me deu o cheque. E a pessoa disse, ‘bom, agora só fica me devendo 2137 reais e 85 centavos’. Eu disse ‘como assim’? Ele disse: ‘São os juros’! Eu falei: ‘Minha Nossa, mas quanto juro’! Ele disse: ‘É, passou muito tempo’. Eu não reclamei. Ainda no sonho, meu irmão me disse: ‘você não deveria ter pago, agora ficamos sem dinheiro e ainda ficamos devendo’. Eu falei para o meu irmão, ‘esse dinheiro não era nosso, era uma coisa que era dele e nós temos que pagar’. Na manhã seguinte, acordei e lembrava plenamente do sonho com uma lucidez perfeita de tudo que tinha acontecido no sonho. Aí eu comentei com Raquel, disse a ela que se aparecer alguém, em algum momento apresentando este valor 2.l37,85 você me avisa, me chama não importa onde eu esteja, porque eu preciso falar com esta pessoa. De vez em quando eu perguntava para Raquel, se não tinha aparecido nada ainda com este valor. Um dia eu tive que comprar um aparelho e tinham 3 fornecedores, mas tinha um do qual eu não iria comprar de jeito nenhum, porque uma vez eu já tinha feito um negócio com ele, quando nós nos desentendemos e foi um complicação e eu disse: ‘eu não compro mais nada deste cara’! Daí eu pedi a cotação do preço para o aparelho para os outros 2 fornecedores. Um deles cotou mais ou menos 1.890,00 e o outro l.600,00 reais, eu achei muito caro, tanto um quanto o outro. Aí eu disse, eu tenho que tirar esta dúvida, eu vou telefonar para aquele terceiro fornecedor, ele não deve estar lembrado de mim, vou telefonar só para pedir o preço. Telefonei e, embora ele tenha secretárias, ele mesmo atendeu o telefone. Eu disse: ‘Estou ligando para saber o preço dum aparelho, assim, assim’. Ele falou: ‘Ah, Jorge, é você? Eu tenho este aparelho, o preço é 2.137,85’. Eu disse: ‘Pode mandar um que eu compro’. Comprei na mesma hora, não questionei nada. Fiz uma compra muito boa, o aparelho é da melhor qualidade, há quase 5 anos, nunca deu problemas , funciona perfeitamente. Enquanto os outros duravam 1 ou 2 anos. A pessoa me atendeu muito bem e depois disto eu me senti muito bem também com relação a ele. Nunca mais falei com ele, porque o aparelho nunca estragou, mas é como uma sensação da coisa resolvida.

O que eu quero transmitir para vocês, neste meu experimento é: Entregue na tua intenção a intenção de fazer a expiação, que a oportunidade vai aparecer e você vai saber que é “aquela cadeira”. Eu jamais imaginei que meu irmão, que nunca morou aqui, tivesse tido um contato com esta pessoa e eu também, jamais perguntei para esta pessoa se tinha conhecido o meu irmão, eu não tenho coragem de perguntar.

Como que acontece a cadeia de expiação? Nós já aprendemos que o mundo é redondo, e que a mão que dá não é a mesma que recebe. Então quando eu entrego uma coisa aqui, eu não tenho que prender a mão aqui. Por quê? Porque se eu prender a mão aqui onde estou dando, esperando que venha daqui o retorno, eu travo todo o movimento do universo que está sempre em movimento e é redondo. No momento que eu precisar de retorno, em algum ponto do universo tem alguém com a mão estendida para me entregar aquilo que eu estou precisando. Por quê isso não acontece, às vezes? Porque quando eu dei, eu segurei. Aí não fluem as coisas para mim, porque eu estou travando, como o movimento é circular, nesta outra ponta está a pessoa esperando para trazer para mim aquilo que estou necessitando agora. O sentido da expiação é a mesma coisa. Como é que eu vou saber agora para quem eu tenho que pagar a cadeira, não há como eu saber. Então o que eu faço?

Eu libero. Vamos supor que o supermercado não exista mais e que a pessoa que absolveu o prejuízo da cadeira já tenha morrido. Quem pode aparecer para receber aquilo? O herdeiro. Este jamais ouviu falar em cadeira, em supermercado, pode ser um primo distante. Pode ser alguém para quem o supermercado ficou devendo o valor equivalente a uma cadeira e você, como está disposta, então a pessoa vai lá e pede : “será que você não tem uma cadeira para me dar”. Eu não sei se é assim que vai acontecer, mas pode ser que seja. Pode ser o valor da cadeira, assim como foi esse valor do cheque, dito com os centavos. Esta não é a única experiência que sei nestas questões, tem várias, todas fecham exatamente, então não há como eu questionar isto.

Participante: Isto não poderia ser expiação do dono do supermercado ou outra pessoa credora do supermercado?

Jorge: Não. Quando você ganha na loteria, por exemplo, isto é legal, você apostou e ganhou. A cadeira você não ganhou, você levou.

Participante: Um pessoa perde um valor ou faz um mau negócio ou é roubada, pode-se fazer a expiação desta forma?

Jorge: Se partirmos da premissa de que o perdão acontece com a reparação das perdas, pode ser. Vamos supor, por exemplo: Uma pessoa morreu, mas é o corpo que morre, porque a mente permanece e eu estava devendo 10 reais para esta pessoa e ela quer que eu pague. Como não há como eu pagar para a pessoa que morreu, então ela transfere para eu pagar para outra pessoa, porque esta outra pessoa fez um favor para ela um dia. Todas as situações são interpessoais, tudo que acontece é interpessoal, a expiação também é interpessoal, ela tem que acontecer entre pessoas, entre nós. Nós transferimos créditos, débitos, do tipo assim, eu estou te devendo 10 reais, mas tem o João que tem 10 reais a receber, porque devo isso a ele, então ao invés de pagar para mim, você paga direto ele, assim quita tudo entre nós três. Quando a gente faz isto de uma maneira palpável, isto parece lógico, mas foge a nossa compreensão, quando isso acontece de uma maneira diferente. Que lógica tem eu comprar um aparelho, que era bem mais caro que os outros, não tinha lógica, por que eu iria comprar dele? Porque é que eu tinha esta birra com esta pessoa, existia esta animosidade entre nós dois? Porque acabou tudo no dia em que eu comprei o aparelho por 2.137,85 reais? Porque uma coisa tinha para ser resolvida entre a gente.

Exercício da semana: Fazer uma expiação. Uma em especial. Acha uma que você possa ir lá e fazer. Como a da cadeira, mas que o supermercado ainda está lá. Uma coisa que você lembre e a pessoa envolvida esteja ao teu alcance. Vou dizer uma coisa para vocês, não foi fácil para mim ir lá e fazer a ‘expiação do pastel’ porque a tentação, a força que veio de dentro de mim para não ir, foi bem intensa e foi uma coisa tão simples e tão prazerosa depois.

Se, na hora, acontecer a tentação de não fazer, pensem no grupo a força está aqui no grupo. Vocês podem ter certeza de uma coisa, é só alegria depois.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

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