UM CURSO EM MILAGRES
18 DE MAIO DE 2005
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 30
Por reconhecerem o espírito, os milagres ajustam os níveis da percepção e os mostram em alinhamento adequado. Isso coloca o espírito no centro, onde ele pode comunicar-se diretamente.

Jorge: Quando diz ‘isso coloca o espírito no centro, onde ele pode comunicar-se diretamente’, é porque pela nossa percepção, quando está desalinhada, não temos senso das prioridades do nosso espírito. Não há como acontecer esta comunicação com o espírito, porque a mente está desalinhada com o espírito e está mais alinhada com o ego.

Esta noite eu acordei durante a madrugada com a seguinte, vamos chamar de percepção: O ego não é uma palavra, o ego é uma sigla. A letra ‘e’ significa ‘eu’, a letra ‘o’ significa o ‘outro’, entre ‘eu’ e o ‘outro’ está o ‘ganho’ ou a ‘ganância’, ela que nos separa. Então, eu estou separado dos outros pela ganância.

Quando vejo ‘eu’ de um lado e os ‘outros’ do outro lado, então estou no que nós chamamos ‘ego’.

O ‘g’ no meio significa a 'ganância' que nos separa dos outros.

Isso começa desde criança. A criança diz: ‘Eu ganhei isso! Eu ganhei aquele outro! Eu quero ganhar aquele outro!’ Isso vai nos separando dos outros. ‘Eu ganhei uma coisa que o outro não tem!’

Quando estamos muito desalinhados com o espírito, estamos mais alinhados com este estado de ‘eu aqui e os outros lá’ e ‘o que eu ganho com isso’ no meio. Isso é o ego. Por isso não conseguimos a comunicação com o espírito, não sabemos para que lado vamos.

Então os milagres alinham as percepções, colocam o espírito no centro e isto permite uma comunicação direta. Quando a gente está nesta comunicação direta é que temos essa compreensão.

Quando a gente fala em intelecto colocamos a mão na cabeça, quando falamos em dinheiro colocamos a mão no bolso, quando falamos em amor colocamos a mão no coração. O coração é o amor, o espírito, é o teu centro.

Este alinhamento correto é assim: Você tem que ter todas as coisas, você precisa desenvolver o intelecto e a matéria também, você não pode viver aqui sem dinheiro, não é? Por mais que uma pessoa resolva viver sem dinheiro. Alguém pode decidir: ‘vou viver lá no meio do mato, vou viver só do que eu plantar, das frutas que eu colher!’ Isso não resolveu nada! Porque uma hora a pessoa vai pensar ‘puxa vida, eu não tive uma bicicleta que eu tanto queria...eu nunca cheguei a ter a minha individualidade, meu lugarzinho, meu sofá, minha televisão’. Então não resolveu as questões com o dinheiro, com a matéria, apenas fugiu delas por um tempo.

Quando a pessoa volta, tem que entender que as coisas têm um alinhamento correto. Tem que se ter dinheiro? Claro que sim! Para ter o dinheiro tem que trabalhar. Se você desenvolver mais o intelecto, talvez você terá maior facilidade para ganhar dinheiro. Mas se você não estiver fazendo tudo em função do crescimento espiritual, isto também não serviu para nada. Não adianta, em nome do crescimento espiritual, abandonar o intelecto e a matéria se isto não está resolvido, porque são instrumentos de aprendizado. Você tem que trabalhar com os três níveis em alinhamento.

O espírito é o meu propósito, é para isto que eu estou aqui, para chegar ao espírito. Tudo o que eu faço é em função disto. A matéria eu tenho que desenvolver também, mas o lugar da matéria é no bolso, não é no centro. A mente está ligada ao espírito ou ao ego(matéria).

Participante: Para a medicina chinesa, também, a morada do espírito é o coração.

Jorge: Veja que o coração de Jesus é bem no centro e é o simbolismo do amor. Isso é simbólico, o centro é o espírito, primeiro o espírito. Quando nos ligamos muito à matéria, colocamos a matéria no centro.

Eu conto, às vezes, quando eu trabalhava de terno e gravata, do lado de fora do paletó tinha um bolso e do lado tinha um bolso maior para guardar cartões, talão de cheque, caneta de ouro. Então o que estava no lugar do espírito? Matéria! Bem simbolizada!

Participante: Cada coisa tem que estar em seu lugar!

Jorge: Cada coisa em seu lugar em perfeito alinhamento, aí você sabe a função da matéria, é isto que vai acontecer, você sabe que a matéria tem uma função, que o dinheiro tem uma função. A função do dinheiro é muito interessante, porque é através do dinheiro que nós medimos o serviço que nós prestamos. A prestação de serviços de um para o outro. O milagre é um serviço que você presta ao seu irmão. Por exemplo, se estou atravessando o deserto com sede e tem alguém lá vendendo água, pode ser que ali seja o ponto dele vender água, pra ele não é milagre estar ali vendendo água, vai ser pra mim. Ele apenas está prestando um serviço, está vendendo água, este é o serviço dele.

Quando no livro diz que os milagres são naturais e que deveriam acontecer naturalmente o tempo todo, se não estão acontecendo, algo está errado, é colocado desta maneira. Por quê? Porque alguém não está prestando um serviço. Você deveria ter tudo que precisasse, na hora que precisasse, alguém iria trazer isto pra você. Como isto não está acontecendo, porque nós quebramos este tipo de serviço por isso que as coisas não acontecem, não dão certo.

O dinheiro tem uma função, que é medir a prestação de serviço que você está fazendo, da qualidade do teu serviço que deve surgir o dinheiro. Isto já está invertido no mundo, porque a gente sabe que muitas pessoas estão ganhando muito dinheiro e não estão prestando

serviço, são as inversões que acontecem no mundo. Isso não importa pra você, você tem que ver a tua parte e não a dos outros.

Participante: Tem pessoas que trabalham muito e que não conseguem ganhar dinheiro.

Jorge: Também estão desalinhadas. Porque aquelas que trabalham muito e ganham muito dinheiro, o dinheiro é o centro, está desalinhada com o espírito. Vai chegar um ponto em que ela vai estar depressiva..., tem dinheiro mas não tem espírito. A pessoa que coloca o espírito no centro não tem como as coisas darem erradas. Mas às vezes a pessoa acha que está fazendo as coisas certas, mas não está, está desalinhada ainda. São coisas que a pessoa tem que aprender a alinhar o espírito com a matéria e com o intelecto. Às vezes a pessoa não desenvolveu o intelecto, porque não investiu nisto.

Então, tudo tem um alinhamento, tudo tem um desenvolvimento, devem andar juntos.

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Capítulo 4- AS ILUSÕES DO EGO

III. Amor sem conflito

6. Nenhuma força exceto a tua própria vontade é suficientemente forte ou suficientemente digna para guiar-te. Nisso, tu és tão livre quanto Deus e tens que permanecer assim para sempre. Vamos pedir ao Pai em meu nome para manter a tua mente plena do Seu Amor por ti e do teu por Ele. Ele nunca falhou em responder a esse pedido, pois só pede o que já é Sua Vontade. Aqueles que chamam verdadeiramente sempre serão respondidos. Vós não tereis outros deuses diante Dele por que não há nenhum outro.

Jorge: Achei muito interessante ‘aquele que pedir verdadeiramente, será respondido’ e ‘não há outros deuses’. Nisto nós devemos acreditar, não tem outros deuses, entre Deus e nós. Gostamos muito de criar deuses.

A coisa funciona assim: O que é Deus para nós? Estamos no mundo da percepção, somos treinados para crer só no que percebemos é o ‘ver para crer’, ou pelo tato , ou pelo olfato, ou pelo paladar, ou pela audição, ou pela visão, mas temos que perceber alguma coisa.

A percepção serve para perceber. Temos uma necessidade muito grande para perceber alguma coisa, para isto desenvolvemos a percepção. Agora, você lembra de Deus, mas Deus tem que ser percebido, ou perceptível. Como é que nós vamos perceber Deus? Vamos criar uma imagem. Como estamos muito distantes, criamos graus ou hierarquias. Assim: Pra que você chegue lá é preciso passar primeiro pelo fulano, pelo fulano..., temos que ‘carimbar o passaporte’. Nós vamos criando deuses, nesses lugares onde ‘carimbamos o passaporte’, por exemplo, esse é o deus do ‘carimbo do passaporte’ aquele é o deus do ‘visto’, aquele outro é o deus do ‘acesso do embarque’, a gente vai fazendo assim. A gente tem que ter uma referência, uma imagem de Deus. Os egípcios, por exemplo, adoravam o sol. Eles tinham o sol como referência de Deus. Quando alguém perguntava como era Deus eles apontavam para imagem, em ouro, que eles tinham do sol. As pessoas começaram a adorar aquele disco solar. Este disco solar era a representação de Deus.

O que Deus é? Deus é uma luz! É uma luz muito forte! Dizem aqueles que estiveram mais próximos de Deus. Qual é a luz mais forte que nós conhecemos? O Sol! Então, começaram a desenhar o sol. Aí fizeram um ‘posto de passaporte’, ao invés de ir até Deus eles ficaram presos na imagem, é isso que nós vamos fazendo pelos caminhos, nós vamos nos prendendo nos pontos de referência que nós criamos, que são as imagens que nós temos na nossa percepção.

Os egípcios faziam a iniciação do disco solar.

No cristianismo foi muito condenado essa coisa de adoração ao sol, porque a Igreja Católica não tem isso. A única coisa que tem é o ostensório que é todo de ouro, redondo e cheio de raios solares ao redor.

São deuses que nós não devemos colocar entre nós e Deus, porque eles são obstáculos para a comunicação, pois ficamos presos neles.

Participante: Existe esta crença de que ‘imagina eu me comunicar com deus!’ Não acreditamos que podemos, então escolhemos alguém mais próximo de nós.

Jorge: É, não acreditamos que nós podemos. As pessoas dizem que tem que ser através de uma religião, se não você não pode conseguir esta comunicação.

Uma vez eu disse que Reiki era uma energia de amor e que amor era um atributo de Deus, então, era uma energia que vinha de Deus. A pessoa me perguntou: Mas a que religião pertence o Reiki? Eu disse: Nenhuma! A pessoa disse: Então tem uma coisa muito errada, se não é religião, então está furado isso, como vai ter uma força de Deus se não está dentro de uma religião!

Eu disse: Deus não tem religião, quem tem são os homens.

Os católicos têm o Papa, a função do pontífice é fazer a ponte entre Deus e os Homens. De fazer a ponte e não de servir como ponte. Ele não tem que dizer ‘eu sou a ponte’ e sim ‘eu sou o pontífice’. Ele tem que fazer uma ponte entre a Rosangela e Deus, entre a Malu e Deus... Muitas vezes nós mesmos confundimos como ‘ele é a ponte’. Ele não é a ponte, mas o pontífice que constrói a ponte.

Aquele que consegue fazer a ponte entre você e Deus, este é o pontífice. Aquele que diz ‘eu sou a ponte, tem que ser através de mim’ esse é uma ponte. Se ele está fazendo isso nem mesmo ele está conectado na ponta da ponte.

Participante: Só Jesus, não é?

Jorge: Jesus é um pontífice. Ele te coloca em contato com Deus. Ele diz ‘vem até Mim que eu te encaminho’. Neste parágrafo Ele diz novamente: Não coloca nenhum deus entre você e Deus. O que Ele está fazendo? Ele construiu uma ponte entre você e Deus com estas palavras. Ele não disse ‘eu sou a ponte’. Ele disse: Não devereis colocar nenhum deus entre você e Deus, você pode ir direto. Quando Ele diz isso, ele fez a função dele, ele foi o pontífice, colocou você em ligação direta com Deus.

Quando pensamos ‘eu não vou porque acho que não tenho como ir, tenho que ir através de alguém!’ Ele diz: Não! Você pode ir, é só seguir esta ponte aqui que você chega lá, vá você mesmo! Eu faço a conexão para você! A conexão já está pronta, você pode ir! Ele diz também que: Nenhum pedido de ligação deixou de ser atendido.

Como Ele é o pontífice Ele sabe como construir a ponte. Em meu nome se construa a ponte que liga Raquel a Deus. Em Meu Nome porque Ele é o pontífice, a conexão, Ele sabe como fazer a ponte, Ele sabe onde está Deus, porque Raquel não sabe, então constrói a ponte que leva a Raquel pra lá. Ele não fica preso Nele! ‘Não haverá, entre você e Deus, nenhum outro deus’. Ele não se colocou como ponte, Ele se colocou como pontífice.

Muitas vezes nós ficamos presos no pontífice. Ele deixa bem claro que o pontífice e a ponte são coisas bem diferentes.

Participante: Muitas vezes as pessoas têm fé em algum santo, tanto que acham que o santo vai atravessar a ponte por elas.

Jorge: Isso também está mal compreendido. Muitas vezes colocamos estes santos como deuses entre nós e Deus. Os santos são aqueles que cumpriram a sua função. Apenas isto. Nós deveríamos olhar para os seus exemplos e não colocá-los como deuses entre nós e Deus. Eles chegaram lá. Não temos que ficar presos neles, temos que seguir o exemplo deles.

Se tal pessoa foi, então, eu também posso ir. O que nós fazemos? Começamos a carregar velas para eles. Eles não precisam de velas. Eles é que deveriam ‘carregar velas’ para nós, para que assim eles possam nos mostrar o caminho, nós é que ainda estamos na escuridão.

Então, a tua função é ser a luz do mundo, a tua função é ser um Santo. Os Santos deveriam servir como luz para nós encontrarmos o caminho. Apenas isto. O Santo poderia ser também um pontífice, mas nós o usamos, outra vez, como ponte. Porque a nossa percepção é terrível, achamos que têm que ter uma imagem para ser percebida, nós paramos aí, assim como muitos pararam no sol. Pararam na ponte, o sol é a ponte entre você e Deus.

O sol é o pontífice é a referência para atravessar a ponte, o caminho é esse, às vezes a pessoa pára e fica adorando o sol, e não vai. Fica adorando a ponte e também não vai. Isso é muito comum.

O que o pontífice faz é a ponte, mas ninguém vai caminhar por você, é você mesmo que tem que caminhar.

Fazemos de tudo para nos sentirmos seguros na matéria. Nós fazemos de tudo para termos a sensação de segurança, que é falsa.

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Capítulo 4- AS ILUSÕES DO EGO

III. Amor sem conflito

7. Na realidade nunca passou pela tua mente desistir de todas as idéias que já tiveste que se opõe ao conhecimento. Tu reténs milhares de pequenos restos de medo que impedem a entrada Daquele que é Santo. A luz não pode penetrar através das paredes que fazes para bloqueá-la e se recusa para sempre a destruir o que tu tens feito. Ninguém pode ver através de uma parede, mas eu posso contorná-la. Vigia a tua mente buscando os restos de medo, ou não serás capaz de me pedir que o faça. Eu só posso ajudar-te do modo como o nosso Pai nos criou. Eu vou amar-te e honrar-te e manter completo respeito por aquilo que tens feito, mas não vou apoiar o que fizeste a não ser que seja verdadeiro. Eu nunca te abandonarei assim como Deus também jamais o fará, mas tenho que esperar enquanto escolheres abandonar a ti mesmo. Porque eu espero com amor e não com impaciência, com toda a certeza tu me chamarás verdadeiramente. Virei em resposta a um único chamado inequívoco.

Participante: A gente constrói a parede, enquanto estamos no ego, temos que pedir ajuda, como diz no parágrafo anterior. Me entrego, mas queremos controlar tudo.

Participante: Compreendi que devemos abandonar as coisas do mundo.

Participante: Deus nos criou totalmente com respeito, então Ele não se opõe a nossa vontade. Mesmo que eu fizer coisas erradas Ele não vai me julgar nem condenar. Ele vai esperar até o dia em que eu resolva voltar pra Ele. Ele vai estar sempre por perto, mas ele não vai se opor a mim, ele não vai mudar isso, fazer eu escolher diferente. No momento em que eu escolher voltar Ele vai estar pronto para me conduzir.

Jorge: O ego surge no momento em que você vê os outros. Enquanto você não está percebendo os outros você não tem ego, no momento em que você percebe o outro você começa a ter o sentimento de ganância, quer ganhar, competição. É justamente esta sigla que falamos anteriormente. Você ganha uma coisa que é diferente do outro, quando tudo está igual, não tem esta diferenciação. Uma vez eu vi um filme que se chamava ‘Os deuses devem estar loucos’. A história era assim:

Uma história:

Tinha uma tribo de aborígines que viviam na mais perfeita e completa harmonia e felicidade. Perdidos lá no deserto do Massahari. O filme começou mostrando a tribo, as crianças brincando, todos felizes. Um dia destes aparece um aviãozinho sobrevoando aquela região e o cara do aviãozinho tomou uma coca-cola e jogou a garrafa pra baixo. A garrafa caiu na área desta tribo de aborígines e uma criança achou. Era uma coisa que ninguém tinha visto antes. Levaram aquilo para o chefe da tribo, o chefe olhou, olhou, mas não soube dizer o que era aquilo. Daí começaram a achar utilidades, depois das utilidades vieram as necessidades. Um descobriu que se assoprasse dentro da garrafa funcionava como apito, outro descobriu que poderia utilizá-la como um rolo...,cada um tinha uma utilidade para a garrafa. Começaram a brigar porque todos tinham necessidade de ter aquela garrafa, sem aquilo não poderiam mais viver. Coisa que nunca tinha acontecido antes na tribo.

Como a garrafa caiu do céu, então o chefe da tribo disse ‘os deuses devem estar loucos!’. Aquela garrafa, deu muita confusão na tribo, os egos se exaltaram, cada um queria ganhar a garrafa, começou a haver a separação. O chefe pegou a garrafa e decidiu ir arte o fim do mundo para jogá-la fora.

No final do filme ele chega num penhasco e de lá ele joga a garrafa que causou a separação da tribo.

É isso que faz a gente ficar separado, o diferente, enquanto está tudo igual não tem confusão.

Outro dia uma pessoa me falou que levou um carro cheio de coisas para as crianças dos índios. Estava me contando com muito entusiasmos. Perguntei à ela:

-como estavam as crianças quando você chegou lá com os brinquedos?

-estavam correndo na chuva, brincando.

-quando você saiu de lá?

-as crianças abriram as caixas e começaram a brigar por causa dos brinquedos!

Daí ela se deu conta que tinha levado a briga e a confusão, a separação pra lá. Não tinha uma coisa igual para todos, mesmo que tivesse, quando o brinquedo de um deles quebrasse, aquele iria querer o brinquedo do outro.

Participante: Eu acho a gente nasce e dali em diante isso é reforçado, a própria sociedade reforça essa coisa do ter, da competição, não é assim?

Jorge: A sociedade não precisa fazer, isso acontece de maneira natural e tem uma razão de ser também. Porque nós estamos neste mundo para entender a separação. Como e porque nós nos separamos de Deus. Nós nos separamos de Deus pelo ego. O que nós temos que fazer? Temos que entrar no ego, para depois decifrá-lo, desmontá-lo para entender o que aconteceu e desfazer o ego.

Por isso que lá na esfinge diz: ‘Decifra-me ou eu te devoro.’ A esfinge guarda a entrada da pirâmide que é o atar, onde eram feitas as iniciações no Egito.

Qual é o mistério da esfinge? O que tem que ser decifrado? O que tem que ser decifrado é o ego! Pois:

-corpo de leão = o leão é o rei dos animais;

-cabeça do faraó = o faraó é o rei dos homens. Então é o ego reinando, se você não decifrá-lo você não entra no altar.

Participante: Você falou que nós estamos neste mundo para entender a separação. Então nós criamos o ego...

Jorge:...para aprender como desmontá-lo.

Participante: Então, isto é uma prova de que nós nos amamos.

Jorge: Sim! Com certeza!

Se você vai ser daquele batalhão que desmonta bombas, por exemplo. O que você vai aprender na escola? Vai aprender como se monta a bomba! Para depois saber desmontar. É isto que nós estamos fazendo aqui. O ego é essa bomba. ‘Decifra-me ou eu te estouro!’, ‘Desmonta-me ou eu vou explodir você!’ É isso que estamos vivendo aqui.

Então o que acontece aqui? Estamos aprendendo como se constrói, como se monta o ego. Chega uma hora que você está com o ego montado, daí já sabe como montar. Mas já sabe como desmontar? Sei! Explodir!

Eu já tirei duas ‘pecinhas’ do meu, mas ele continua funcionando, mas uma hora dessas retiro um ‘parafuso da engrenagem’ e ele se desmonta todo.

Participante: Quando empregamos a palavra ‘eu’...

Jorge:...estamos reforçando o ego, porque têm os outros. Veja que interessante isto: ego é mesmo uma sigla, não é uma palavra.

e= eu

g=ganho ou ganância

o= outros

Se você não tem nenhuma ganância, você não tem diferenças. Isto foi uma despertada no meio da madrugada, eu fiquei lá repetindo para não me esquecer.

Participante: Jorge, como é aquela história que conta que o ego era uma mulher feia?

Jorge: Ah, aquela história do ego...

Uma História:

Diz que o ego é uma amante muito feia que a gente guarda num quarto muito escuro. Ela nos dá prazeres, mas nós não acendemos a luz para não ver a feiúra dela.

Isto é o ego.

Quando acendemos a luz, vamos ver como ele é feio, daí o abandonamos.

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III. Amor sem conflito
8.
Vigia com cuidado e vê o que é que estás realmente pedindo. Sê muito honesto contigo mesmo nisso, pois é preciso que não escondamos nada um do outro. Se tu realmente vais tentar fazer isso, terás dado o primeiro passo na direção de preparar a tua mente para a entrada Daquele que é Santo. Vamos nos preparar para isso juntos, pois uma vez que Ele tiver vindo, tu estarás pronto para me ajudar a fazer com que outras mentes estejam prontas para Ele. Por quanto tempo vais negar a Ele o Seu Reino?

Jorge: Nós trabalhamos aqui a diferença entre ponte e pontífice. Você tem que trabalhar a tua mente. Porque quem vai até Aquele que é verdadeiramente santo, ou até Deus? Você vai com a mente não com o corpo. É a tua mente que vai estar lá, que chega até lá. Então, você tem que preparar a tua mente pra isto. Quando você estiver fazendo esta preparação para ligar a tua mente a Deus, para chegar a Deus, ou da sanidade, ou da santidade da tua mente, nesta preparação, Jesus se coloca à disposição para estar junto com você, porque você já vai preparando outras mentes para estarem juntas também.

Este é um trabalho que se faz no grupo, você vai tendo essa compreensão, você vai preparando a tua mente para a travessia desta ponte que é construída e junto com isso você vai trazer outras pessoas contigo. Na medida em que a pessoa vai tendo uma compreensão, ela vai estendendo esta compreensão para outras pessoas.

Ninguém consegue ficar com uma coisa boa guardada para si mesmo, se ficar, se dissolve, perde. Tudo que nós conquistamos temos que contar para os outros, não podemos ficar com nada guardado para nós mesmos, não conseguimos.

O que adianta você ir em busca de um caminho se você não tem pra quem contar.

Quando uma pessoa está no ego, ela diz: eu vou e os outros que se virem! Uma vez eu decidi fazer isso, isso faz parte da min há jornada. Eu disse: Quer saber de uma coisa ‘eu tô indo:tchau!’ Fui até determinado ponto e quando cheguei eu vi que sozinho eu não vou a lugar nenhum. Ir sozinho é muito fácil, aparentemente, você vai até o ponto que você vê que ir sozinho não tem graça, nada acontece sozinho, tudo é uma unidade.

É isso que diz neste parágrafo, não faz sentido você ir sozinho, se você escolheu ir.

Ele diz: Eu já estou ao teu lado, você já não está mais sozinho, quando você decide ir neste caminho, você não está mais sozinho. Agora, já que estamos indo, vamos trazer mais gente conosco, vamos mostrar para mais pessoas este caminho. Realmente não tem graça você fazer isto sozinho, você está feliz e não tem com quem compartilhar, você está triste e não tem para quem contar. Por isso nós buscamos tanto, suprir as nossas carências nas outras pessoas. Porque nós somos naturalmente carentes, nos sentimos sozinhos e sozinhos a gente não faz nada. Não tem graça você ir na praia e ficar lá sozinho.

Uma vez num restaurante, eu era o único cliente no restaurante, era um restaurante enorme, tive uma sensação muito estranha de estar lá sozinho, meia dúzia de garçons me olhando, não é uma sensação de bem-estar, o restaurante parecia abandonado, que ninguém mais ia lá, eu estava sozinho lá, como se não tivessem outros cliente o dia inteiro, essa era a sensação.

Em qualquer situação que você esteja sozinho, não faz sentido. Porque assim que você começa a entrar em contato com uma coisa melhor, você vai querer compartilhar, contar para os outros. Você não consegue mais entender por que os outros não escolhem aquilo também.

Não conseguimos guardar as coisas boas, temos que compartilhar isso. Nesse parágrafo me pareceu que é isso. Uma colocação do tipo, como Ele diz no parágrafo anterior, ‘uma única invocação, eu estarei contigo’ no parágrafo seguinte diz ‘no momento que você escolher você não está mais sozinho, eu vou estar contigo, vamos agora trabalhar juntos para que mais pessoas venham com a gente também’. Então, não tem mais solidão no caminho.

Participante: Não entendi muito bem quando Ele diz que: ‘Se tu realmente vais tentar fazer isso, terás dado o primeiro passo na direção de preparar a tua mente para a entrada Daquele que é Santo’.

Jorge: ‘Daquele que é Santo’ Ele se refere ao espírito, mas é o teu espírito. A mente está dividida entre ego e mente certa. Qual a proporção que você está no ego e qual a proporção que você está no espírito? Quanto tempo por dia nós estamos no espírito e quanto tempo por dia nós estamos em função do ego e das coisas materiais?

O que é o dízimo? O dízimo pede que estejamos 10% no espírito. Quanto tempo nós estamos? Quanto nós estamos trabalhando para comprar um carro, pra ganhar dinheiro para ter uma casa e para todas essas coisas. Se você está fazendo isso com presença de espírito em função das coisas espirituais você está no espírito, mas a gente esquece do espírito. Ficamos no ego, na ganância. Quanto eu vou ganhar com isto? Quanto eu estou ganhando? Quanto o outro está ganhando para fazer a mesma coisa? O que o outro tem e o que eu tenho? A gente vai dormir pensando nisso. Aí alguém chega e convida: Vamos rezar um pouquinho? Ah, não, eu estou cansado, vou dormir que amanhã tenho que trabalhar! Assim você não está dedicando nem alguns minutos por dia ao espírito.

Você tem que começar a preparar a tua mente para estar em contato com o Espírito Santo. Ele diz, anteriormente, que não tem outros deuses entre Deus e você. Uma vez que você entrar com tua mente, a liberar a tua mente ao Espírito Santo a conexão com Deus começa a se estabelecer. Não tem outros deuses entre Deus e você. Por que nós não percebemos isso? Porque nós colocamos paredes, obstáculos, estamos com muito ego.

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III. Amor sem conflito
9.
Na tua própria mente, embora negada pelo ego, está a declaração da tua liberação. Deus te deu todas as coisas. Esse único fato significa que o ego não existe e faz com que ele fique profundamente amedrontado. Na linguagem do ego, “ter” e “ser” são diferentes, mas para o Espírito Santo são idênticos. O Espírito Santo tem o conhecimento de que tu ao mesmo tempo tens tudo e és tudo. Qualquer distinção nesse sentido só é significativa quando a idéia de “receber”, que implica uma falta, já foi aceita. É por isso que não fazemos nenhuma distinção entre ter o Reino de Deus e ser o Reino de Deus.

Jorge: Neste estado de ego que nós nos encontramos, a pessoa é pelo que ela tem no mundo, ela é considerada pelo que ela tem. Porque dificilmente nós conseguimos perceber o que a pessoa é.

Começamos este referencial a partir da carência física. Conheces o João? O João é um rapaz, com o cabelo assim, o nariz assim, ele é alto, ou baixo, você vai colocando as características físicas. Conhecemos as pessoas pelo que elas têm não pelo que elas são. Porque tem o cabelo assim, o olho de tal cor, tem um carro azul, tem um apartamento em tal rua! Então você conhece o João!

Na verdade não conheces o João, você sabe o que ele tem. Confundimos esses termos porque no nível do espírito “ter” e “ser” são a mesma coisa, só que nós misturamos esta verdade, confundimos tudo e fazemos de conta que sabemos quem é, porque “ter” e “ser” são a mesma coisa e ficamos presos só no ter. Nós ignoramos totalmente o ser João, ficamos somente no ter, o que o João tem.

Também reconhecemos a pessoa pela personalidade. O que é a personalidade? É o que personaliza, é aquilo que diferencia. Uma pessoa que tem a personalidade formada é diferente da outra pessoa, ela tem a sua própria personalidade. É como um corte de cabelo personalizado. Se é personalizado não pode ser igual ao do outro, tem que ser diferente, de acordo com teu tipo, teu estilo, com teu tipo sangüíneo, faz um cabelo assim..assim...

Começamos a personalizar as coisas. Visto assim, personalizar e separar são a mesma coisa. Nós separamos de acordo com a personalidade, de acordo com as características, de acordo com a raça, de acordo com a crença. É claro que vamos separando em diferentes aspectos, graus e intervalos. Isto o ego faz. Sãos as características do ego. Todas estas características do ego são inerentes a tudo que é material. A energia é condensada em graus, aspectos e intervalos. Por isso que o ego que percebe a energia, percebe tudo em diferentes graus, aspectos e intervalos. Separa as coisas dessa maneira.

Você vê uma almofada, por exemplo, identifica-a com tal densidade, com tal maneira, com tal aspecto, formas, características, assim você vai determinando, mas você perdeu o contato pra dizer que é uma energia. Você perde o contato como aquilo que ela é de fato. É uma energia que vai voltar ao estado de energia, volta ser o que é.

Neste plano tudo é pó e tudo volta a ser pó. ‘..lembra-te que tudo é pó e em pó hás de retornar’ . Isto é uma orientação para a gente se lembrar que aqui tudo é instrumento de aprendizado, não é para ficar preso nisto.

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III. Amor sem conflito
10.
O calmo ser do Reino de Deus que, na tua mente sã é perfeitamente consciente, é cruelmente banido da parte da mente regida pelo ego. O ego está desesperado porque se opõe literalmente a probabilidades invencíveis, estejas tu dormindo ou acordado. Considera o quanto tens estado disposto a ser vigilante para proteger o teu ego e quão pouco para proteger a tua mente certa. Quem, senão os insanos, empreenderia acreditar no que não é verdadeiro e depois proteger essa crença às custas da verdade?

Jorge: Dormindo ou acordado a mente não pára nunca. Uma vez eu estava numa lanchonete e ouvi, uma das meninas que estavam atendendo, dizer: ‘Não vejo a hora de morrer, para em fim descansar!’ Ela achava que a morte é um descanso.

Não tem descanso na mente e a morte não resolve nada. É claro que, dormindo ou acordado a gente está funcionando igual. As nossas percepções funcionam mesmo a gente estando dormindo.

Quais são os sentidos da percepção? Tato, paladar, olfato, audição e visão! Se alguém gritar, você acorda. Se alguém está dormindo e você vai lá e passa uma peninha no nariz, ele vai acordar. Então o tato está funcionando. Você acorda de repente e sente um cheiro, então o olfato está funcionando. Experimenta colocar uma pimentinha na boca, a pessoa acorda e acorda e abre os olhos. Mesmo silenciosamente, até mesmo com os olhos fechado você percebe movimentação.

Todos os teu sentidos estão funcionando, os teus sentidos é que formam a consciência a consciência é a morada do ego. A tua mente egóica está funcionando em tempo integral. Assim como o teu espírito está em tempo integral. Ficamos presos no ego porque o ego cria defesas para você não sair para o espírito mesmo enquanto você está dormindo. Quer dizer: O teu ego cria não! Você fez isso! Quando você faz uma separação, você fica vigiando aquilo.

Por exemplo: Uma pessoa pega alguma coisa que pertence a outro, ele vai ficar protegendo aquilo o tempo inteiro para não ser descoberto. O que acontece? De noite você fica pensando naquilo ‘como é que vou fazer para não ser descoberto?’

Você adormece, mas continua protegendo o teu erro, cria uma proteção para o teu erro. Mesmo que descoberto, em flagrante, você nega tudo. Veja como nós criamos proteções.

Assim como você cria defesas para tudo que você faz, você cria uma defesa para fazer a separação ser contínua. Com isso você cria uma barreira entre você e o espírito.

Participante: Seria mais fácil contatar o espírito dormindo?

Jorge: Depende quanto separada você está. Porque uma pessoa que está separada do espírito não contata nada do espírito, dormindo ou acordada é a mesma coisa. À medida que a pessoa vai aceitando caminhar, ela vai, tanto de dia, quanto sonhando. Chamamos de insight esses instantes que você está inspirada no espírito. Você está em espírito, daí você tem aquela inspiração. Inspirado é o momento em que você está em espírito. Veja quanto tempo por dia você está sendo inspirado.

Mesmo aqui acordado estamos, vamos chamar isso aqui de uma escola, neste momento, estamos na escola. Escola é onde a gente vai para obter aprendizado. Dormindo, de repente, posso acessar outras escolas, o que não significa que eu saí do ego.

Isso que falei anteriormente que eu acordei falando, não quer dizer que isso foi uma inspiração, pode ser que foi uma compreensão que eu tive numa escola que estive durante o sono, que a mente ficou processando esse aprendizado e eu aprendi. Até sonhando eu posso aprender e posso aprender acordado, então, é a mesma coisa.

Todas as coisas podem ser utilizadas para o espírito ou para o ego. À medida em que estou caminhando nesta direção, tanto faz eu estar dormindo ou acordado. Se escolho o espírito, aos poucos o meu aprendizado vai acontecendo, eu vou preparando a minha mente para estar mais tempo no espírito é isso que diz no outro parágrafo.

Ele não disse: ‘No momento em que você disser ‘quero ir’ você estará lá!’ Mas ele disse ‘No momento em que você pedir numa única invocação inequívoca, eu estarei contigo para construirmos juntos esta ponte até Deus’. É algo mais ou menos assim que compreendi, colocado de uma maneira mais fácil. Então tem um trabalho para se fazer. Mesmo assim, tem algo que você vai ter que fazer, você vai ter que andar nesta direção. Isto pode ser mais rápido, ou mais lento, depende da tua disponibilidade em caminhar nesta direção. Você pode escolher quando e quanto você quer andar de cada vez, parar ou andar mais um pouco.

Participante: Ele fala sobre isso também da frase: Tu reténs milhares de pequenos restos de medo que impedem a entrada Daquele que é Santo.

Jorge: A pessoa que não sai dos medos, ela vai ter medo de pedir.

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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