UM CURSO EM MILAGRES
20 DE ABRIL DE 2005
4ª FEIRA              

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Princípio 26
Milagres representam a libertação do medo. “Expiar” significa “desfazer”. Desfazer o medo é uma parte essencial do valor dos milagres na Expiação.  

Participante: Gostaria de compreender melhor sobre o medo.

Jorge: O medo é resultante de um erro.  Quando fazemos alguma coisa que nós mesmos julgamos que possa estar errada, imediatamente ficamos com medo e sentimos culpa. Ficamos com medo de nós mesmos, da reação das outras pessoas. Expiar é desfazer o medo, desfazer o erro é desfazer a culpa, é fazer a correção.  Quando tem alguma coisa que está nos deixando com medo, não importa o que seja, temos que buscar a origem deste medo e desfazer, fazendo a correção. Se é um mal entendido com uma pessoa, vai lá  e  corrige.

Quando a gente está na dúvida a gente não está na certeza, a gente não tem certeza nem de uma possibilidade nem da outra, não importa qual você escolha, você vai ficar com medo igual .

Participante: O medo tem a mesma origem?

Jorge: Sim, o medo tem a mesma origem!   O que nós fazemos com o medo é deslocá-lo  de um ponto para outro, mas é o mesmo medo. Nós criamos imagens diferentes para os nossos medos. Por exemplo: Quando você era criança tinha medo de quê? Tinha medo da cuca, do bicho papão!  E agora? Tenho medo da morte, medo de perder o emprego!  Esse medo de perder o emprego você não tinha quando era criança.

Participante: Quando não estamos no amor estamos no medo, não é assim?

Jorge: Sim! O amor é certeza. Quando você tem certeza absoluta do que está fazendo, você não tem medo de fazer. Quando você não tem certeza, você tem medo, então a dúvida é o medo também. A dúvida é medo também, é medo de fazer alguma coisa que não está correta, você já está no medo. Temos que trabalhar a origem dos nossos medos.

O medo tem uma única origem com diferentes projeções, o deslocamos de uma coisa para outra.  Quando criança eu tinha medo da cuca, agora tenho medo de perder o emprego. Os dois medos são justificados, quando eu me aposentar não terei mais medo de perder o emprego, vou ter medo que o sistema previdenciário quebre, se isto ficar claro que não vai acontecer, vou projetar o medo em outra coisa. Vamos deslocando o medo de um ponto para outro. Coloquei um aspecto do deslocamento do medo, mas temos centenas de aspecto para onde deslocamos nossos medos, não colocamos ele só num ponto, colocamos ele em dezenas de pontos na nossa existência, vamos ficando com medo disso, com medo daquilo.

A origem do medo são as nossas falhas, são os nossos erros, nossas mágoas, os ressentimentos. O sentimento de culpa, normalmente, aponta o que está errado. Eu acho muito bom este sentimento, não de sentir, mas no sentido de, quando o medo aparece  a gente sabe a causa. O medo que nós sentimos é efeito. A causa é o erro. Entre um erro e o medo está o sentimento de culpa. Quando você começa a ter medo, você entra em contato com o sentimento de culpa que vai direcionar você para a causa.  Estamos acostumados a desconectar causas e efeitos. Desconectamos tanto causa e efeito, que hoje uma pessoa está com dor num músculo das costas, então quem vai tratá-la pensa que tem que tratar daquele ponto ali.

-Não! Você tem que tratar da pessoa por inteiro, o ser está doente, apenas está se manifestando a dor no músculo das costas.

-Ah.., mas eu sei qual é a causa! A causa é que o músculo fica roçando na costela!

-Isso não é a causa, isso é o efeito, outra vez! A causa está na mente, algum erro que a pessoa fez. Tudo que se manifesta no físico não é causa, é efeito. Se você começa a tratar o efeito, não vai ter resultado, não adianta ficar tratando o efeito. É claro se o efeito está no físico, você tem que trabalhar no físico e no mental também. Se não tivesse chagado no físico, você trabalharia só no mental, assim tem que remediar o físico, mas não fica preso aí. Porque a causa está no mental. 

A maior parte das pessoas que trabalha com curas, não se dá conta disto porque não aprenderam isso. O que fazem? Tratam o efeito e quando a pessoa está entrando em contato com a culpa, mandam que a pessoa afogue a culpa.  

Você trata o físico, o físico é o efeito no seu ponto entre extremos, a somatização física. Você começa a tratar o físico começa a aparece a conexão com o sentimento de culpa, que vai mostrar a causa, que está em algum erro, ali é que está o medo. Quando aparece o sentimento de culpa, mandam a pessoa afogar o sentimento de culpa, dizem que culpa não se deve sentir, ‘ ..que é um sentimento horrível,...porque é ruim’. Culpa é o melhor sentimento que tem na terapia, porque mostra que a terapia está dando certo, está mostrando onde está o erro.  É assim que nós vamos  aprender a desfazer o medo,

A pessoa vem e diz:

-Eu estou sofrendo tal conseqüência, física ou emocional, ou mental, mas eu não sei de onde que vem o medo!

-Claro que não! Porque nós escondemos o medo, por isso ele foge da nossa causa. Se faço uma coisa errada, vou ali no supermercado e pego um bombom, como ele e não pago. Vou sair de lá com medo. Durante o tempo que peguei o bombom vou ficar com medo, durante o tempo em que saí de lá sem pagar vou ficar com medo e vou ficar com medo de voltar naquele supermercado, se alguém viu, e se eu voltando lá pode me cobrar.

Chego em casa e conto para alguém ‘puxa vida, agora estou com medo da conseqüência disto, peguei um bombo no supermercado e não paguei!’ O que as pessoas induzem a fazer? Dizem: Bobagem, esquece isso, ninguém viu, senão eles tinha te pego!  O que eu faço com este medo? Esse medo que tenho de ir ao supermercado, vou projetar em outra coisa. Aí vou ficar com medo de elefantes... Ele muda de cara e aparece num outro lugar bem diferente e você não consegue mais ligar o medo com a causa.

Participante: Um medo maior supera um medo menor?

Jorge: O medo não tem maior ou menor, você sente ele com mais ou menos intensidade, mas o medo não é maior. Você entra em contato com ele de forma mais intensa ou não.

Vamos dizer que o único erro da existência de uma pessoa, foi pegar um bombom no supermercado e agora ela tem medo de elefantes. Se ela for lá no supermercado e fizer a correção, falar com o gerente: Olha peguei um bombom, comi e não paguei, vim pagar agora e quero pedir perdão pelo que fiz, desaparece o medo de elefantes. O medo é sempre o mesmo, ele vai mudando de cara.

Participante: O medo surgiu após a separação. Como a gente poderia reverter ...

Jorge: Aqui neste planeta estamos restituindo a separação, temos que compreendê-la, para poder desmontá-la. É como uma pessoa que monta uma bomba, para você aprender a desmontá-la, você tem que aprender a montar. Uma pessoa que não aprendeu a montar  a bomba corre risco, se ela tentar desmontá-la, vai ficar com tanto medo que não vai desmontar. Estamos reconstruindo esta bomba, que é o ego que nós construímos, para reconstruir como aconteceu a separação, para depois aprender a desfazer o medo da separação e voltar para Deus.

Como é que reconstruímos? Toda a nossa existência neste plano é separação:

-acontece a separação do óvulo e do espermatozóide, aí acontece a união, formou o Jorge;

-Jorge vai viver com a mãe;

-No nascimento separa-se da mãe;

-Fica vivendo com a mãe;

-A mãe precisa trabalhar, coloca o Jorge na chreche, separa; O que acontece quando a mãe separa-se  do Jorge, deixa ele sozinho um pouquinho? Medo!  Medo!

Não é que vai criando medo, vai reconstituindo, a separação dá medo. Veja como uma criança é confiante quando ela está na mão do pai ou da mãe. Solta repentinamente a criança no meio da multidão...acontece o medo, a separação gera medo. Depois de tudo isto, começamos a trabalhar o medo de diferentes maneiras, mas sempre é o medo da separação, porque brigando com alguém estou me separando desta pessoa, isto gera medo. Enquanto não fizer a reconciliação um fica com medo do outro. Porque eu briguei..não sei se ele vai jogar pedra em mim quando eu passar, isso gera medo.

-depois arrumamos amiguinhos na escola, nos separamos, ficamos com medo de não passar de ano, porque vamos nos separar dos amigos.

-depois começamos a nos relacionar, namorado, namorada. Pode estar uma droga o namoro, mas a gente tem medo de se separar.

-casamos, tem pessoas casam, o casamento a vida inteira é uma tragédia e elas têm medo de se separar. Isto é o medo da separação!

O que temos que aprender é que toda a nossa existência é separação

Participante: A separação inicial gerou grande dor, isso vai acompanhando a gente, é assim? De uma forma prática como desfazer a separação?

Jorge: Você sabe que  todo erro separa, todo egoísmo separa. Se você separa: isso aqui é meu, aquilo aí é teu, você está gerando medo. O medo vai fazer o ego crescer, o ego é a soma de todos os meus medos.

Então, como é que eu faço? Começo a me reconciliar com todas as pessoas com quem tenho pendências. Então vou lá e como dizia Jesus: ‘confessai-vos!’ Por quê ‘confessai-vos’?   Se você fez uma coisa errada, vai lá e confessa para a pessoa, mesmo que a pessoa não saiba, você fala: Olha, eu preciso te confessar uma coisa, eu peguei um bombom outro dia e não paguei, eu queria pagar agora.

Participante: E por onde a gente começa?

Jorge: Quando você descasa uma cebola, vai tirando camada por camada, quando chega  no último não tem nada. O medo é assim também, ele vai formando camadas. Descascar cebolas faz a gente chorar, desfazer o medo também.

Participante: E daí os meus medos vão diminuindo?  

Jorge: Você vai sentindo eles com menos intensidade ou você tem menos Expiações a fazer. Quando nós temos muitas Expiações a fazer, temos o medo com mais intensidade, sentimos ele com mais intensidade, porque ele vai formando mais camadas, temos a impressão que ele está maior . Na verdade ele é insignificante, quando você faz a tua primeira Expiação você vê que aquilo não significa nada. Ele não é tão espantoso quanto parecia antes da Expiação. Todas as pessoas que se propõe a pedir perdão e a fazer a Expiação vão se dando conta  que ‘não é tão difícil fazer a Expiação, fazer esta correção, como pensei que fosse’. Temos que conversar mais com as pessoas ‘te confesso que fiz uma coisa errada’, isto é fazer o exame do que está na consciência, do que você lembra. Tenho plena convicção de que se você desfizer todos os erros desta existência, neste plano, está bem.

Participante: O medo é uma coisa muito difícil, a nossa vida toda é cheia de medos e eu acredito que ainda temos medos herdados dos nossos antepassados.

Jorge: Mas se você se propor a isto, a coisa anda. Não adianta dizer ‘o passado é o passado, esquece, começa a fazer certo agora!’ Ninguém consegue fazer certo a partir de agora . Por quê? Porque esta coisa acontece assim, você vai começar a fazer certo na medida em que você começar a corrigir o que está pendente. A Expiação é imprescindível que se faça. Quanto mais você fizer a Expiação, mais você vai começar a acertar, porque você começa a perceber que toda a vez que você comete um erro, você tem que voltar para fazer a Expiação. Isto cada vez fica mais difícil. Temos medo de todos os nossos erros. 

Uma História:

Uma vez Raquel e eu estávamos lá no interior de Minas Gerais, passamos num lugar e olhamos uma pedrinha e a Raquel gostou da pedra. A moça que nos atendeu disse: Você tem que falar com o Joãozinho ele está lá na loja do trevo, você tem que ir lá e falar com ele. A Raquel disse:

-Eu posso levar a pedra?

–Pode levar!

–Eu queria pagar a pedra aqui!

–Não, não, você passa lá, fala com ele e já paga para ele.

Eu não gosto desta coisa de pagar depois. Pedimos para o motorista ficar atento para parar lá no trevo. Quando se deram conta tinham passado oitenta quilômetros do trevo. E agora, vamos voltar? Estávamos muito cansados, se voltássemos seriam mais cento e sessenta quilômetros. Então, decidi, vamos seguir, depois eu telefono para o Joãozinho.  O tempo passou.... e a pedra ali..., eu olhava para a pedra e dizia para Raquel ‘viu só, agora estou preso nesta coisa’.

Resolvi não telefonar para o Joãozinho, porque seria difícil explicar. Quase um ano depois voltamos a Minas Gerais, levamos a pedra para passar lá no Joãozinho e pagar a pedra.  Esquecemos de passar no Joãozinho e trouxemos ela de volta. Chegamos aqui, de novo esta pedra! Aí algumas coisas começaram a dar erradas, eu disse: É a pedra do Joãozinho, vou ligar pra ele, ele não deve estar nem ligando para esta pedra, ele tem lá um milhão de pedras. Eu já tinha até dado um nome para ele: Joãozinho da Expiação! Ficou dois anos esta Expiação pendente com o Joãozinho. Era um espinho no pé, espinhação. Aí liguei pra ele e expliquei o que tinha acontecido. 

O Joãozinho disse:

- Pois é, mas dez reais...? ...mas e agora? ...mas quem será a moça que vendeu? 

- Eu não sei o nome da moça que nos atendeu, acho que ela era morena. Eu estou aqui e estou querendo pagar a pedra.

- Então deposita os dez reais pra mim!

- Vou depositar vinte reais!

- Não, deposita os dez só!

- Me dá o numero da conta!

 Depositei vinte reais e liguei pra ele e disse: - Depositei vinte reais!

Vocês precisavam ver a alegria do Joãozinho! Ele disse: Quando vierem aqui não deixem de passar aqui, eu tenho isso.., tenho aquilo....! Quando eu disse que depositei os vinte reais, ele me atendeu numa alegria, numa felicidade, ..arrumei um novo amigo!

A gente desfazendo uma por uma as pendências que temos, vamos perdendo o medo.

Engraçada esta coisa de pagar, um dia Raquel e eu fomos tomar um cafezinho e faltaram dez centavos, o cara disse: depois você paga! Uma semana depois voltamos lá com dez centavos e eu disse:

- vim trazer os dez centavos que fiquei devendo na semana passada!

O cara ria, não acreditava. 

Eu falei:

-Você não disse: Fica de presente! Você disse: depois você paga!  Agora eu vim pagar! 

Eu não tenho medo de passar lá, muito pelo contrário se a pessoa me reconhecer ele vai dizer: Eis ali uma pessoa que paga! Ele vai valorizar aquele gesto. Como ele vai valorizar o meu gesto, ele vai sentir o valor que o gesto tem, então esta pessoa vai passar a agir corretamente, isto é o mais importante. Porque o meu gesto vai ter extensão para as outras pessoas,  a pessoa vai sentir o valor que tem um gesto e vai pagar dez centavos, então ele vai sentir a mesma liberação que eu sinto e quando ele ficar devendo dez centavos  ele vai corrigir também.

Eu estou falando aqui de valor físico, mas isso vale na mesma medida para todas as coisas. Uma mágoa, um ressentimento, uma coisa que ficou mal entendida, mal compreendida, mal explicada, tem que se esclarecer as coisas. Não pode deixar mágoa, ressentimento.    

Participante: No caso dos dez centavos, você não tem culpa que o cara não tinha troco para descontar os dez centavos. Se ele se enganasse no troco e tivesse descontado a mais, ele não viria  procurar você para devolver o que sobrou no fechamento do caixa.

Jorge: Não tenho culpa, mas eu sinto que alguma coisa está errada.

Se você não tem certeza que o troco que recebeu não está certo, você tem que buscar esta certeza. Vai lá no caixa de pergunta: No fechamento do caixa não sobraram três reais?  Se a resposta for:-Não, não sobraram! -Então, você me perdoe, e eu perdôo isto também, dou esta perda! Você tem que deixar de se sentir com perda.

Participante: Outro dia eu paguei um queijo e esqueci de levar.

Jorge: Quando fica a mercadoria lá, as pessoas se dão conta e dizem ‘alguém esqueceu’, às vezes guardam. Você volta lá e  pergunta. Se disserem que lá não ficou, daí você diz: ‘Então não me resta outra coisa senão dizer que eu perdi, se eu perdi , então quem achou  e está feliz em ter achado’. Uma coisa que está perdida e você não tem mais como recuperar, você tem que mudar o sentimento na tua mente, de perda para doação. Então você tem que dar o queijo para quem achou. Dar a perda é dar o perdão. É perdoar. Temos que fazer as correções e fazer com alegria, se não fazemos na alegria a gente fica com raiva. Quem fica doente é quem está com raiva.  

Participante: Mas eu tenho que dizer isto para a pessoa?

Jorge:  Eu diria! O correto, quando a gente vê uma coisa errada, é fazer a correção.

Participante: Às vezes acontece que falta um pouco de dinheiro para comprar uma determinada coisa, outras vezes quem está vendendo não tem troco para dar, daí fica aquilo: ...paga depois! O certo seria termos já uma formula para dizer na hora?

Jorge: Isso mesmo! Eu faço assim, falo o seguinte para a pessoa: Eu não sei se ainda vou voltar aqui e não gosto de ficar devendo nada, ou você me dá o desconto , ou então eu não levo a mercadoria. Quando é o caso que a pessoa não tem o troco para me dar, então eu não fico em haver, já dou aquele valor para a pessoa.

A pessoa pode até dizer: Ah! Outro dia que você vier aqui eu pago!    Eu não gosto de dívidas na minha vida, então eu dou isto de presente pra você, estou indo embora tranqüilo, não te preocupa, está dado, você não está  me devendo nada.

Algumas coisas que são de mais valor eu digo: -depois você vem aqui e paga! Mas eu mentalmente já dou pra pessoa, se ela não vier mais eu não vou ficar preso.

Participante: Tem muitas situações que a pessoa que está atendendo não tem autonomia de dar desconto, mesmo que sejam dez centavos.  

Participante: Daí você diz: Eu não fico devendo nada pra ninguém, ou você me dá ou eu não vou comprar. Eu quero que a pessoa me diga. Se ela disser que não pode dar, então chama o gerente! 

-Mas por causa de dez centavos?

-É, ... mais isto vai ficar pendente e depois como vou fazer para lhe pagar?

Porque isso fica, tanto fica que vocês estão lembrando das coisinhas de nada que ficaram pendentes, se vocês começarem a descasar a cebola, vão ver quantas bobagerinhas  ficaram pendentes, que é dez centavos, um centavo, cinco centavos, é uma coisa que eu fiz errada para o outro, uma coisa que o outro fez errada pra mim e não reconcilhei, é um pensamento equivocado que tive a respeito de uma pessoa, tem que dizer! Aprende a não pensar errado!

Tudo são coisas que temos que acertar para perder o medo, chegamos a conclusão  que o medo só tem uma origem, assim a separação é considerada o erro original  ou pecado original. Sai da origem e ele apenas se manifesta de diferentes maneiras. A pessoa que não tem medo, não tem medo de coisa nenhuma. Se eu não tenho medo de batatas fritas, mas tenho medo de elefantes, então tenho medo. É isso que temos que trabalhar, o medo tem uma razão, uma origem, nesta origem a gente tem que trabalhar...vai descascando a cebola! Começa a fazer as correções.

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Capítulo 4 – AS ILUSÕES DO EGO
                       III. Amor sem conflito
1. É difícil  compreender o que significa realmente: “O Reino do Céu está dentro de ti.” Isso não é compreensível para o ego, que interpreta essa afirmação como se alguma coisa de fora estivesse dentro e isso não significa coisa alguma. A palavra “dentro” é desnecessária. O Reino do Céu és tu. O quê, além de ti, foi criado pelo Criador e o quê, além de ti, é o Seu Reino? Essa é toda a mensagem da Expiação, uma mensagem que na sua totalidade transcende a soma de suas partes. Tu também tens um Reino que o teu espírito criou. Ele não cessou de criar por causa das ilusões do ego. As tuas criações não são mais órfãs de pai do que tu és. Teu ego e teu espírito nunca serão co-criadores, mas o teu espírito e o teu Criador sempre o serão. Tem confiança em que as tuas criações estão em segurança tanto quanto tu estás.

Jorge:  Os gregos já tinham chegado a estas compreensões . A Grécia me pareceu muito rica nestas compreensões. Sócrates: “Conheça a ti mesmo, porque o Reino és tu, todos os mistérios do universo te serão devendados.” Todas estas compreensões, estes mistérios que a gente está desvendando.

Outro dia eu desvendei um grande mistério da fé, vou compartilhar com vocês:

Uma história:

A Caixa dos mistérios

Aquelas caixinhas que vêm da Índia que têm um segredo para abrir, você desloca um enfeite, que ela tem dento, para o lado e ela abre a tampinha em cima. Na livraria tinha uma caixinha que ninguém conseguia abrir há mais ou menos dois anos, eu mesmo já tinha tentado abrir aquela caixinha muitas vezes. Toda vez que alguém queria comprar a caixinha, tentava-se abrir, mas não se conseguia. Um dia, na minha ausência, uma mulher veio aqui e queria comprar aquela caixa, tentaram abrir e não conseguiram e a mulher disse: Dá para o Jorge que ele abre! A Raquel disse para ela: Ele já tentou e não conseguiu! Ela repetiu: Dá para o Jorge que ele abre! Quando eu cheguei aqui, a Raquel me disse: De novo esta caixinha, tal pessoa esteve aqui e disse para dar a caixinha para você, que você abriria a caixinha! Ela já tinha ido embora.  Peguei a caixinha e abri. 

Depois de uns dias veio outra pessoa e comprou a caixinha.  Um dia esta mulher veio aqui e me fez um pedido e eu pensei: isto eu não consigo fazer! Mas não disse nada para ela. Diante do pedido que ela veio fazer eu fiquei sem palavras, eu não sabia como dizer pra ela que ‘isto eu não faço’;  ‘isto não é possível’;  ‘isto eu não sei fazer’. Ela me disse: Eu trouxe esta situação pra você porque você é capaz de fazer. Eu fiquei naquela, como eu vou dizer pra ela que isto eu não sei fazer?  De repente peguei aquilo e disse: Pode deixar comigo! Pensei ‘se ela disse que eu posso fazer, então eu vou fazer!’  Era a mesma pessoa da  caixa. Daí tive uma compreensão: O que fez eu abrir a ‘Caixa dos Mistérios’?  A fé que a pessoa depositou, não fui eu que abri, foi a fé que a pessoa tinha e apenas depositou em alguém! Poderia ser em qualquer pessoa. Entendi como é que Jesus fazia as curas. Compreendi os mistérios da fé. O que Jesus dizia quando curava alguém? Tua fé te curou! Esses são os mistérios da fé, não tem mistério nenhum! Quando você tem fé, mas você não acredita que você pode utilizar a fé, você pode depositar a fé em alguém e esta pessoa que compreender isto  lhe devolve a cura, aquilo que você está precisando.

Por que algumas pessoas se tornam, às vezes, vamos chamar de depositárias da fé? Porque de repente tem a compreensão de que se a pessoa tem fé você pode curar, ou proporcionar a ela aquilo que ela quer. Se você aceitar isto e disser: Pode deixar! Mas você tem que compreender que não é você, é a fé da pessoa que está fazendo isto acontecer. A resposta é: A tua fé vai fazer com que isto aconteça.

Fé e amor são a mesma coisa, para a pessoa depositar tanta confiança, ou tanta fé em alguém ela já deve ter trabalhado o amor, a confiança, a espiritualidade. Só que ela trabalhou e não se deu conta que já alcançou. As pessoas conseguem, mas não se dão conta que têm, não se dão conta que podem. É como uma pessoa que coloca dinheiro na poupança e quer viajar e não se dá conta que ela pode viajar, ela acha que o dinheiro tem que ficar na poupança.

A pessoa vai se trabalhando e se dá conta que pode depositar aquilo em alguém, ela confia em alguém e deposita fé. Algumas vezes não acontece nada, porque esta pessoa não teve esta compreensão.  É interessante como as pessoas acham quem tem esta compreensão...alguma coisa tem. Isto que é trabalhar a tua luz. À medida em você vai fazendo a tua Expiação, você vai integrando, vai unificando a tua mente à Mente Unida do Reino. As pessoas que estão indo nesta direção vão tendo a mente unida com a tua mente e com a mente de todos aqueles que já alcançaram esta compreensão. É só um compartilhar. Compartilhar e unir é a mesma coisa. À medida em que nós vamos compartilhando o estudo  do Curso em Milagres, vamos unindo as nossas mentes em torno disto. Quando alguém tem uma compreensão, essa compreensão é compartilhada por todos  que estão na mesma freqüência, na mesma vibração. 

O que é freqüência? A freqüência é formada por aqueles que freqüentam! Todas as pessoas que estão freqüentando este mesmo trabalho, não importa onde estejam, estão compartilhando esta mesma compreensão, estão sintonizados.

Por exemplo, a pessoa que freqüenta a faculdade de medicina em Florianópolis e outra que freqüenta a faculdade de medicina na Noruega estão aprendendo a mesma coisa. As faculdades compartilham o que vão aprendendo, no mundo inteiro, não tem como esconder isso.

Se uma pessoa procura outra para pedir ajuda, mas ela não acredita que a ajuda seja possível, mesmo que a outra pessoa tente ajudá-la ela não vai aceitar, não vai acreditar no que a pessoa está orientando. À medida que a pessoa vai tendo fé ela procura ajuda,a outra pessoa direciona esta fé para a solução daquilo. Para mim, agora, este mistério da fé tornou-se uma verdade, para mim é verdade que foi a fé da pessoa.  Porque antes eu tentei de todas as maneiras e não consegui abrir a caixinha, o que fez a caixa abrir foi a fé. Então, agora eu tenho fé que a fé pode abrir a caixa. São estas compreensões que a gente vai tendo, é este nível que a gente vai alcançando de compreensão.

Temos que aprender a cultivar mais a fé. Fé e amor são a mesma coisa, à medida que vamos ficando mais amorosos vamos acreditando mais. Porque à medida que vamos ficando menos amorosos vamos duvidando mais. Não importa o que a pessoa diga, a gente duvida. Da maneira que a gente vai evoluindo nesta direção da compreensão, aquilo  que a gente vai dizendo torna-se incontestável, não tem como contestar.

Recentemente aconteceu que algumas pessoas estavam expressando julgamentos atacando o Papa, coisas assim: -que o papa é isso..., -que é aquilo..., -esse é pior... .  Não me envolvi na discussão, apenas coloquei uma historinha dizendo sobre o espelho, que não tinha nada a ver com o Papa.

O espelho, as pessoas que se projetam no mundo se prestam para a projeção. Gostamos de projetar nestas pessoas tudo aquilo que temos nos nossos conteúdos internos . Estas pessoas servem como espelhos onde refletimos tudo aquilo que nós sentimos que é  a expressão dos nossos conteúdos. Na verdade as pessoas não são isto ou aquilo, nós é que  somos, nós expressamos aquilo que pensamos. Depois disto os ataques acabaram, porque isto é uma coisa incontestável. Não ataquei, não fiz ligação de uma coisa com a outra, as pessoas não tinham como dizer que eu estava contra-atacando e ao mesmo tempo se dão conta de que o que elas estão fazendo é um ataque contra si mesmo, quando projetam isto em outra pessoa.   É neste nível que a gente vai trabalhando as coisas. Ainda recebo muitas coisas como ataque, ainda fico chateado com muitas coisas, mas sei que um dia não vou ficar mais.

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Capítulo 3 – A Percepção Inocente
                       V.Além da percepção
O Reino é perfeitamente unido e perfeitamente protegido e o ego não prevalecerá contra ele. Amém.2. Isso está escrito em forma de uma oração porque é útil em momentos de tentação. É uma declaração de independência*. Tu acharás isso muito útil se o compreenderes inteiramente. A razão pela qual necessitas da minha ajuda está em teres negado o teu próprio Guia e, portanto, precisas de orientação. Meu papel é separar o verdadeiro do falso, de modo que a verdade possa ultrapassar as barreiras que o ego estabeleceu e brilhar na tua mente. Contra a nossa força unida o ego não pode prevalecer.

* “It is a declaration of independence.” Referencia a um importante documento na História Americana.

Jorge: Ficamos presos às ilusões.  Por que são ilusões? Tudo aquilo que conhecemos  como forma, são deformações da energia, já sabemos disso, reconhecemos a energia pela sua condensação. Todas as formas, toda matéria é energia condensada em diferentes graus, aspectos e intervalos. Quando entendemos isto, vamos entender que tudo isso é ilusão. Porque tudo é energia e toda forma se deforma. Não importa quantas vezes você  reforma a forma, no final ela se deforma . Estamos trabalhando para manter uma ilusão em pé.

Assim nós fazemos com as nossas idéias também. Tudo que está neste plano, é ilusão. Tudo são instrumentos para o nosso aprendizado, apenas isso. Temos que aprender a discernir entre o valor que tem como instrumento de aprendizado e o valor que isto tem como instrumento de poupança, porque pegamos as coisas materiais para construir uma poupança para garantir que a gente vá ter as coisas.  Enquanto estamos trabalhando neste nível, juntando coisas materiais, acumulando, ou poupando em detrimento de usá-las como instrumento de aprendizado, então, estamos vivendo dentro da ilusão e não dentro daquilo que é útil. Como instrumento de aprendizado, tudo que tem aqui é útil.

Veja, por exemplo, a caixinha dos mistérios, que instrumento de aprendizado! Para mim, o valor que aquela caixinha teve como instrumento de aprendizado, se fosse colocá-la  na minha coleção de instrumentos de aprendizado, não a venderia por menos de dez mil. Pelo aprendizado que ela me deu ela vale mais, não tem como dizer o valor, no entanto  a gente vendeu ela por trinta e poucos reais. 

Que valor que tem trinta e poucos reais por uma caixinha, que me permitiu tanto aprendizado? O valor não está na caixinha, então eu não tenho que ficar preso à caixinha. Ficaria preso se comprasse a caixinha e a colocasse na minha estante e cada vez que olhasse para ela eu diria: ‘Com esta caixinha, no ano de 2005 eu decifrei o mistério da fé’. A caixinha já foi!  Ficou o aprendizado!  

Tudo neste planeta serve como instrumento de aprendizado, uma caixinha emperrada, por exemplo. Só que a gente não aprendeu a aprender com as coisas. É por isso que a gente viaja na ilusão. Ficamos presos na ilusão do valor material das coisas, isso não vale nada.

Defendemos as nossas idéias, mas tudo isto envolve poder sobre a matéria, mesmo as idéias que não são palpáveis, quando defendemos um conceito, ou uma idéia não palpável, não inspirada, fundamentada na orientação do espírito e a gente defende aquilo, atacando e contra-atacando em defesa daquelas idéias ...por que a gente faz isso? Para garantir poder no mundo. Não necessariamente é um poder que você deposita no banco, não é um poder aquisitivo, mas é um poder que pode te abrir determinadas oportunidades neste mundo.  Igualmente está voltado para o nível do mundo, ou da matéria.

Quando você começa a trabalhar com uma coisa mais espiritual, de repente você para de atacar.  Você não ataca mais os outros, você apenas mostra a tua verdade, pronto!

Quando acontece uma situação de ataque, você não responde ao agressor com ataque, paralelamente você mostra a tua verdade.  É assim que a gente vai aprendendo a trabalhar.  Mostra a tua verdade, apenas isto, não a usa  como instrumento de ataque. Ressalta a tua verdade, mas não a usa como instrumento de ataque, não tem que jogar Curso em Milagres na cabeça de ninguém, nem as palavras que aí contém. Não podemos usar, para atacar, nem o conteúdo físico do livro para bater na cabeça de alguém, nem o conteúdo escrito do livro. 

Muitas vezes, as pessoas que usam isso, decoraram um texto, mas não tiveram a compreensão, não alcançaram a interpretação, então usam o texto  como ferramenta   de ataque.

Participante: Não pode estar no ego, é isso?

Jorge: É! No momento que você não tem ego, você alcança a compreensão. No momento que você atinge a compreensão, na mesma proporção, ou seja ‘na medida em que você permitir’, como diz na meditação, na medida em que eu serei curado do ego, ‘na medida que eu permitir que Ele me ensine a curar’. Como é esta proporção de medir? Na medida em que eu vou permitindo ter estas compreensões eu vou me curando do ego e à medida em que vou me curando do ego, estas compreensões vão vindo mais e mais. Porque daí a gente deixa de se iludir com as coisas materiais, a gente reconhece o valor das coisas como instrumento de aprendizado e não como valor material das coisas.

Veja o caso da caixinha dos mistérios, o valor que teve para mim como aprendizado não tem como mensurar. Trinta e cinco reais, não são nada! Às vezes damos tanto valor à caixinha que ficamos presos à coisa material e deixamos de ver o valor que realmente tem, que é incalculável como instrumento de aprendizado. Isto fazemos com idéias, com ideais, com conceitos, a gente faz a mesma coisa, em todos os níveis fazemos a mesma coisa.

Participante: A pessoa quando está cem por cento no ego não se dá conta do aprendizado.

Jorge: Não aprende nada! Se eu tivesse dito: Eu abri a caixa, como inicialmente eu disse, eu não teria aprendido nada. Mas o meu Mestre voltou pra dizer: Você não aprendeu, cara, que foi a fé que abriu? Mesmo que não tenha aprendido na primeira lição, o Mestre volta pra dizer: Você ainda não aprendeu, vou te ensinar de outra maneira pra você se dar conta! ...e aí caiu a ficha! Caiu por quê? Porque eu estou com uma predisposição para aprender com as coisas. Quem não está com predisposição para aprender, o professor não corre atrás. O professor diz ‘esse aí não quer nada com nada!’ O mestre aparece quando a gente está disposto ao aprendizado. Quando alguém está interessado em aprender, ele corre atrás para ensinar. Agora, esse mestre não aprendeu essa lição ainda, eu vou ter que correr atrás dele para ensiná-lo o que ele me ensinou e aí ele vai dar o salto. Se ele não estivesse disposto, não tivesse acreditado e depositado sua fé em mim, eu não teria aprendido e ele também não. Pra mim já caiu a ficha. Depois disto eu não falei mais com esta pessoa.

Quero lembrá-los do Papai Noel que já está funcionando lá na página da Nova Era, aprendam a pedir, a receber e a dar!

Participante: Coisas materiais?

Jorge: Essencialmente! Se você precisa de uma almofada, peça uma almofada!  Uma almofada alguém pode dar, se você pedir. Uma pessoa pediu para acertar na loteria, isso  não posso dar pra pessoa. Mas se ela tivesse pedido uma almofada, isso eu poderia dar. A idéia é que as pessoas se presenteiem. Presentear pessoas que você nem conhece. Entra lá, tem uma lista de pedidos, de repente você vê uma coisa que você pode dar para a pessoa. Você vai ficar muito feliz se você puder dar aquilo, que alegria você está tendo só naquele gesto. De repente tem uma coisa que você gostaria de ganhar, você coloca lá, e alguém vê e diz: Isso eu posso dar!  Então, é essa a idéia do Papai Noel, que funciona o ano inteiro.

Uma pessoa mandou uma mensagem pedindo um objeto, duas horas depois mandou outra mensagem dizendo: Não precisa mais publicar, porque eu já ganhei!

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,
sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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