UM CURSO EM MILAGRES
20 DE SETEMBRO DE 2004
2ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

PRINCÍPIO 50
O milagre compara o que tu fazes com a criação, aceitando como verdadeiro o que está de acordo com ela e rejeitando como falso o que está em desacordo.

Jorge: O milagre separa o falso do verdadeiro, separa aquilo que é criação daquilo que nós fazemos, ele deixa bem claro o que é criativo e o que simplesmente é algo que nós fazemos que não é criativo. Conhecemos isto pela palavra ‘discernimento’, a gente tem perfeita clareza daquilo que é verdadeiro e o que não é verdadeiro. Não vamos julgar criticar ou condenar o que não é, apenas nós vamos saber a diferença. O milagre quando ele acontece para uma pessoa, ela consegue discernir com perfeita clareza, porque isto fica separado na mente da pessoa , o que realmente tem valor, daquilo que realmente não tem.

Poderia ser assim: Nós trabalhamos a vida inteira em função dos bens materiais, pelo menos boa parte da nossa existência. Muito pouco nos dedicamos aos chamados ‘tesouros no céu’, os bens espirituais, muito pouco as pessoas investem nisto. Tudo o que percebemos são as coisas que as pessoas fazem, apenas fazem em função do corpo. Mas isto tudo, no dia em que a pessoa morre, se ela não se deu conta antes, vai se dar agora, que tudo isto que ela trabalhou foi para algo que não tem valor. Porque tudo que nós investimos no corpo, não é que não tenha utilidade, mas você tem que ver o que tem valor, separar o que é útil para você . Um carro tem utilidade? Tem utilidade! Mas é uma coisa que já está quebrada. Você compra um celular, ele tem utilidade, mas você já sabe que daqui a seis meses você vai ter que comprar outro. Cada vez mais o sistema do mundo está nos oferecendo esta oportunidade para que ‘quem tem olhos para ver, veja! Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!’ É só olhar a sua volta! Você não compra mais nada durável. Por exemplo, quebrou o sino. Você pergunta: -não sabe quem conserta? A resposta é: - joga na sucata e compra outro, não tem quem conserta. Ah! Mas o meu micro, faz dois meses que paguei dois mil reais! Agora alguém oferece trezentos reais por ele. Daí você não vende, guarda o micro no armário. Você olha e vê que tem que comprar mais um armário, porque ali está guardado o micro que não uso mais, está guardado o aparelho de som que não uso mais, mais um monte de coisas que eu paguei caro e não vou dar isto a troco de nada. Mas a gente já sabe que aquilo não tem mais valor. Mesmo quando você vai na loja e compra novo, um carro novo, na loja é trinta mil, meia hora depois é vinte, um ano depois é dez , cinco anos depois, só vale cinco mil, mais um ano depois vai vender por mil, depois vai para sucata. Sabemos que todas as coisas materiais não têm valor e tudo o que nós fazemos é em função das coisas materiais.

O que o milagre faz? Ele separa o que é verdadeiro daquilo que não tem valor. O que acontece quando a pessoa alcança este discernimento? Ela não vai mais querer o celular? Não, ele vai continuar a ter celular! Só que ela sabe o valor que aquilo tem, enquanto ele dura e não se altera mais quando a coisa quebra, leva para o conserto e alguém diz:-isto não vale mais nada, tem que jogar no lixo e comprar outro. Então, que é que você faz? Quando você comprar qualquer coisa, um fogão, uma geladeira, você sabe que aquilo vai durar um tempo. Não é que você vai deixar de utilizar o carro, o micro, a geladeira o fogão..., apenas você sabe que aquilo não tem valor. Investindo ali, é um investimento que você vai fazer em alguma coisa que está a caminho da sucata. Você começa a perceber o que realmente tem valor, é aquilo que você cria a nível do espírito, é aquilo que você cria utilizando o espírito para criar, não o ego, não a engenhosidade da mente egóica, mas a criatividade do espírito, porque aquilo fica para sempre.

Vejam, por exemplo, o que Jesus fez, Ele não fez nada, Ele não fez uma casa. O que Ele tinha de bens materiais? Pelo que se sabe Ele só tinha mesmo um manto, quando Ele foi crucificado os soldados repartiram o manto Dele. O que Ele criou? O que Ele criou não vai acabar nunca. É o que Ele disse: “Céus e terras passarão, mas as minhas palavras não passarão”. Céus e terras, estavam separadas: minhas palavras não passarão, porque elas foram inspiradas foram criativas.

O que tem valor é o que nós criamos e não o que nós fazemos. Esta sala aqui foi feita, isto não tem valor, faz pouco tempo que reformamos e já temos que reformá-la de novo, isto é um investimento interminável em algo que está terminando, investe numa casa que está caindo. Se percebermos o movimento da matéria veremos que isto tudo está desmoronando, vai levar um tempo, mas tudo está em fase de desmoronamento. Então, reboca, pinta, reforma, para tentar segurar aquela coisa que está desmoronando. Sabemos que um edifício não dura mais que cem anos. Um edifício com mais de trinta anos, já tem que trocar tudo, abrir paredes e trocar os canos e outras tantas coisas, faz para durar mais vinte anos, depois vai ter que fazer tudo de novo.

O milagre nos ensina a ter discernimento para separar o que é falso, do que é verdadeiro. O que é feito, do que é criativo. De fato não importa de que material foi feita esta sala e quem fez, ela está sendo útil para nós, nós não vamos dispensar, porque sabemos da sua utilidade. Mas o que realmente tem valor é isto que estamos criando aqui. Não é que vamos dispensar as coisas materiais, não é que eu tenha que me enrolar num lençol e dizer ‘bom, agora não quero mais nada material!’ Não é isso! Isto nunca foi dito para nós fazermos, nós apenas vamos aprender a discernir as coisas que são temporárias e as que são eternas, é isto que o princípio diz. Então, não quer dizer que nós vamos dispensar as coisas, pelo contrário, vai colocar os objetos, tudo que é material, o valor temporal que aquilo tem e que utilidade isto pode ter para mim. Por exemplo, para que eu vou querer um automóvel? Isto para mim não tem utilidade nenhuma, neste momento. Mesmo que eu estivesse habilitado a dirigir automóvel, que no momento não estou, iria me dar mais trabalho do que qualquer outra coisa. Imagina eu todo dia pegar o carro na garagem para vir trabalhar, eu caminharia mais do que eu caminho agora, ficaria mais longe, até eu sair achar estacionamento. É isto que a gente tem que ver. Aquilo que não tem utilidade para você, por quê você quer? Acumular coisas? Você começa a viver muito melhor e tudo aquilo que tem utilidade para você, vai chegar até você. Você vai ter esta capacidade de discernir.

Participante: Com os nossos relacionamentos, às vezes, achamos que é amor e não é, temos que ter discernimento também. Não quero desanimar ninguém.

Jorge: Pelo contrário! O que está relativo ao tempo e acaba , a gente aprende a discernir, é a paixão, o amor é eteno, a paixão é temporal. O que podemos perceber é que, quando iniciamos um relacionamento, aquela paixão, aquilo pode passar, mas o amor que as duas pessoas começam a aprender, a devoção de um pelo outro nesta união, exercitada na matéria, o fato de unir duas pessoas físicas, se você conseguir que o que está em cima é igual ao que está em baixo, temos que aprender na matéria, então aprendemos nos nossos relacionamentos físicos a união. Como temos que trabalhar a união para que ela seja eterna, porque todos os relacionamentos têm esta oportunidade para que nós tenhamos este aprendizado. Se nós não conseguirmos nos manter dentro dum relacionamento, como é que nós queremos praticar a união no nível espiritual?

Quando a gente entra num relacionamento, entramos com paixão e não vemos nada. A pessoa apaixonada não vê coisa alguma. Não vê se a pessoa é gorda, magro, baixo, alto, só vai descobrir três anos depois. Um belo dia você diz ‘mas você está gordo!’ O outro responde ‘mas eu sempre fui!

Uma História: Um amigo meu, que era padre, dava cursos para noivos, aquele curso antes do casamento. Ele costumava dizer assim: “Enquanto vocês estiverem namorando abram os dois olhos, bem abertos, depois do casamento, fechem um”.

Depois que casa fecha um olho, deixa passar, porque você vai ter que aprender a entender-se com aquela pessoa, por isso que inventaram lá na cerimônia do casamento ‘na sorte, na alegria, na tristeza, na desgraça’, para as pessoas começarem a se trabalhar nisto. Se não a qualquer coisinha que acontece ‘ah, estou fora!’. Os relacionamentos não deveriam acabar. Mas as pessoas não conseguem dar continuidade nestas uniões, não conseguem transformar esta paixão em amor. Porque você fica muito no nível da fisicalidade. Já conheci muitos casos em que as pessoas transformaram isto num grande amor. As pessoas que conseguem chegar a este nível de amor, com quem elas se relacionam, elas conseguem estender este amor em níveis que a gente não tem como compreender, elas conseguem realmente obter um grande milagre. O milagre pode nos levar a este ponto.

Vou fugir um pouco do assunto, para falar duma pesquisa que eu resolvi fazer, pessoalmente, com casais que tinham se separado, que se uniram e separaram-se depois de algum tempo, não inclui na pesquisa aqueles que casam hoje e separam amanhã, mas aqueles que estavam unidos, depois de algum tempo, por alguma crise separaram-se. Vou pegar um caso de uma pessoa com quem conversei, que não foi a única deste mesmo tipo, contou que ela casou, viveu quinze anos, separou-se e estava dez anos separada e destes estava há sete anos com um outro relacionamento. O seu ex-marido ficou doente e estava em estado terminal e sozinho. Ela pediu licença para o marido atual, foi lá para a casa do ex-marido e ficou lá durante sete meses, cuidando dele, vinha uma vez por semana na casa do marido atual. Ela me disse que o sentimento que os envolveu, os três, o marido atual, o ex-marido e ela, era um sentimento de tanto amor, porque o marido atual não tinha ciúme e naquela relação com o ex-marido tinha tanto amor. No princípio estava com dúvida se deveria ir lá ajudar, porque eles brigavam muito quando eram casados. Como ele estava precisando, então, resolveu ajudá-lo, se começassem as brigas ela, então, voltaria. Ela disse que não houve, neste tempo todo, uma só briga, uma só queixa, uma só reclamação, nada, só ficou o amor. Esse amor que eles descobriram que tinham um pelo outro, não era aquele amor do tipo ‘agora você não vai mais lá, não é!’. Era um amor pleno que se estendeu para todas as pessoas com quem eles conviviam, inclusive a mim. Quando ela me contou esta história eu senti uma onda de amor, esta história ela me contou faz uns dez anos e eu sinto este amor até hoje, de tão forte. Pesquisei muito e várias pessoas me contaram casos muito semelhantes.

Temos que aprender que o que acaba realmente é aquilo que está sujeito ao tempo, o amor não está., a paixão sim. Então não importa se você está junto ou separado, as pessoas têm que aprender a se amar acima de qualquer probleminha do dia-a-dia, porque isto é inevitável, conflitos são inevitáveis. É claro que, às vezes, precisamos de um milagre, como diz o princípio, para que a gente aprenda a discernir a utilidade. Então, os relacionamentos são um ponto de extrema utilidade, porque é com eles é que nós temos a oportunidade de aprender. Porque se eu não consigo conviver com uma pessoa que está morando comigo, não consigo compreender e entender, como é que eu julgo que eu vou viver numa comunidade? Como é que eu vou viver numa comunidade espiritual? Não vou! Vou ter problemas com as pessoas que participam ali, também. Se eu não consigo com uma pessoa, como é que eu vou conseguir com três, com quatro, com dez. É nesses relacionamentos que nós devemos aprender, a partir deles é que nós aprendemos o amor. Por isso é que se diz quando duas pessoas estão apaixonadas ‘ estão se amando’, estão aprendendo a amar, às vezes, eles ainda não se deram conta. Esta é a utilidade do relacionamento.

Diz o princípio, ‘o milagre separa o que você cria do que você faz’, por isso nos relacionamentos a gente tem que ser criativo, quando tem uma crise você vai consultar um psicólogo. ‘Ah, meu relacionamento está assim...não sei mais..., acho que acabou o amor..a gente olha um para o outro e diz Bom Dia...,Como vai...’ Daí o psicólogo diz ‘acho melhor vocês se separarem, se o amor acabou’. Não! O que acabou foram os conflitos!

Porque vocês não estão mais nem brigando. Agora, que acabaram os conflitos, vocês vejam, se quiseres ver, ouçam se quiserem ouvir, quem tem ouvidos e olhos, percebam que este é o grande momento que vocês podem exercitar o amor. Você pensa ‘Ah, mas não tem mais aquela paixão!’ Não tem a paixão, mas começa a fluir o amor. Mas as pessoas não conseguem discernir isto, por isto este princípio diz ‘precisa pedir um milagre’. Por quê? Porque o milagre separa o que é criativo, do que é feito. ‘O que nós fizemos este tempo todo juntos?’ As pessoas quando entram numa fase de estagnação no relacionamento, começam a se questionar sobre isto. ‘Ah, nós fizemos esta casa, compramos os móveis..., quanta coisa fizemos juntos e agora vamos nos separar? As pessoas só olham o que fizeram! O que nós criamos para nós? Se você está num relacionamento que está estagnado, seja criativo! É isto que nós temos que aprender, ser criativo, cria alguma para fazer este amor, que está aí, aflorar, já que acabaram os conflitos. Sempre, para tudo que está parado, digo ‘seja criativo!’ Às vezes está faltando criatividade, a criatividade é do espírito, o fazer é do ego, da mente. Às vezes temos que criar situações, criar condições para se estabelecer em tudo. Este discernimento que o milagre pode nos proporcionar é justamente ver a utilidade.

Quando nós falamos na nossa Meditação ‘Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil..

Estou contente em estar onde quer que Ele deseja’. Muitas vezes a gente não está contente de estar onde está. Por exemplo, você está indo para a praia de Jurerê . O ônibus está completamente lotado, você está em pé, não tem lugar para sentar. Você está contente de estar lá? Não! Por quê não está? Porque não aprendemos isto. Esquecemos o que diz a Meditação ‘Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil’. Ao invés de ficarmos lamentando, que lamentação não tem utilidade para ninguém, a gente deveria se perguntar ‘como eu posso ser útil aqui?’ De repente você puxa a campainha e diz, ‘vou parar neste ponto, decidi ir a pé, assim dá mais espaço, posso ser mais útil’, por exemplo.

Participante: Recentemente fiz uma viagem de ônibus, seis horas. O passageiro do meu lado estava alcoolizado e acho que aquele corpo fazia muito tempo não tomava um banho. Além de tudo, ele foi no banheiro e deixou a torneira aberta e alagou todo o ônibus. Foi muito difícil. Eu não queria estar aí.

Jorge: A gente sabe que passamos por situações difíceis. Mas a gente deveria saber reverter. Eu não sei como, mas se a gente fosse bem criativo saberia. Vocês me proporcionaram um aprendizado, da próxima vez que eu for viajar de ônibus, vou levar óleo essencial, tudo serve para aprendermos. Os perfumes já foram um ato criativo. Haviam pessoas que não queriam tomar banho, então inventaram o perfume, assim não precisava tomar banho. Os incensos, uma pessoa que vai muito para a Índia me contou, foram inventados porque os peregrinos vinham andando, no verão, chegavam lá que ninguém agüentava chegar perto . O suor, sem tomar banho, com aquelas roupas, os peregrinos chegavam querendo abraçar as pessoas. Foi inventado, então, o incenso para melhorar a energia do ambiente. Onde tem grande concentração de pessoas, queimam muito incenso para manter a energia elevada. Eles foram criativos. Criaram alguma coisa para superar o olfato, sem precisar dizer ‘quem sabe você vai tomar um banho..!’ Tudo pode ser criado com alguma utilidade, os aromas foram criados com esta finalidade. Me lembro de uma amiga que foi para a Bélgica, era dezembro, quando chegou lá mandou um fax dizendo ‘aqui está muito frio, um frio que não dá para agüentar, a gente nem toma banho, passa um perfuminho aqui e ali e pronto!’ Eu respondi ‘aqui está um calor que não dá para agüentar , o resto é igual’.

(risos)

Como tudo tem uma utilidade, entendi porque eles usam estas perfumeiras penduradas no pescoço, isto é mais prático do que pedir para a pessoa tomar banho. Mesmo porque, em muitos países a água não é tão abundante.

Participante: Eu tenho uma amiga que foi para a Índia, ela falou que em seis meses tomou um banho, no início ela estranhou muito, mas depois ela acostumou. A falta de água é muito grande. Ela falou, também, que lá eles só tomam banho na época das chuvas, é quando acontecem os casamentos.

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Capítulo 2 - A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO

VII. Causa e efeito
7.
Já falei brevemente sobre a prontidão, mas alguns pontos adicionais podem ser úteis aqui. A prontidão é apenas o pré-requisito para a realização. As duas não devem ser confundidas. Assim que ocorre um estado de prontidão, usualmente existe algum desejo de realização, mas isso não significa necessariamente que ele não seja dividido. Esse estado não implica em nada mais do que um potencial para a mudança da mente. A confiança não pode se desenvolver plenamente enquanto a maestria não tiver sido conseguida. Nós já tentamos corrigir o erro fundamental de que o medo pode ser domado e enfatizamos que a única maestria real é através do amor. A prontidão é só o começo da confiança. Podes pensar que isso implique na necessidade de uma enorme quantidade de tempo entre a prontidão e a maestria, mas permita-me lembrar-te que o tempo e o espaço estão sob o meu controle.

Jorge: Aqui, me parece, fala sobre a diferença entre prontidão, revelação e alcançar a maestria. Estamos aqui só para sermos verdadeiramente úteis. Então, se estamos dispostos a oferecer um milagre, a primeira coisa que nós devemos fazer é colocar-nos no estado de prontidão. Hoje eu estou pronto para qualquer situação que possa acontecer. Me coloco neste estado de prontidão e saio com a intenção de oferecer milagres. Prontidão e realização não é a mesma coisa. A realização só vai acontecer quando eu alcançar a maestria.

Vou colocar um pequeno exemplo: Nuca gostei de dar moedas, porque a idéia de dar moedas não é a idéia de caridade, segundo os conceitos que eu tenho compreensão atualmente. Depois eu cheguei a conclusão que eu posso usar a moeda como veículo para alcançar aquela pessoa. Então, uma pessoa me pediu uma moeda, eu coloquei a moeda na mão dela e ofereci um milagre. Ofereci o milagre, verticalmente. Quando a gente oferece, horizontalmente, a gente oferece com uma intenção e o milagre não funciona com a minha intenção. Elevo a minha mente para o alto e ofereço naquele nível para a pessoa, aquilo que ela realmente precisa, o milagre que ela precisa, eu não sei qual é, mas para ficar mais próximo da pessoa que está pedindo a moeda, então eu alcanço a moeda.

Uma história:

Um dia destes Raquel e eu saímos para ir num lugar onde têm muitos mendigos, é um assédio constante, enchi o bolso de moedas e pensei ‘hoje vou sair oferecendo milagres para tudo quanto é mendigo’. Saímos eram aproximadamente 9 horas da manhã, até o meio-dia não tinha encontrado um. Sumiram os mendigos. De repente, uma mulher sentada na calçada pedindo moedas, fomos lá, eu alcançava a moeda e ela não pegava, parecia que ela estava cega e ela não era cega. Foi interessante, parecia que ela não queria a minha moeda. A Raquel olhou para mim e disse ‘Jorge, a tua prontidão para o milagre não funcionou’. Aí eu entendi qual a diferença entre prontidão, realização e maestria. Porque quando eu me coloco de prontidão, não é a realização. Prontidão tem que ser um estado neutro em que você começa a aprender como é que as coisas funcionam, mas é por aí que começa, como diz no parágrafo. A prontidão ainda não é a realização. A realização você vai alcançar quando alcançar a tua maestria, mas tem que começar pelo exercício da prontidão. Nos colocarmos no estado de prontidão para quando acontecer a ocasião nós estarmos prontos. O que é estar pronto? É: eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil. Você não precisa vir com a coisa predeterminada. A minha prontidão já veio predeterminada, eu vou lá e vou dar moedas e vou oferecer milagres para as pessoas, isto já estava pronto .

Então não é para confundir prontidão com estar pronto, uma receita pronta, isto não é estado de prontidão. O estado de prontidão é você estar pronto, não com a técnica ou a receita no bolso, porque as situações são diferentes, as coisas são diferentes quando vão aparecer para você. Eu estava pronto para oferecer milagres se alguém viesse me pedir moeda, mas se eu entrasse no ônibus e alguém tirasse o sapato eu não saberia o que fazer, então eu não estava pronto. O estado de prontidão é chegar num ponto de estar pronto para oferecer um milagre para a pessoa em qualquer situação em que se apresente a oportunidade, de maneira neutra, segundo “Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil e não preciso me preocupar com o que

dizer ou o que fazer’. Esse não preciso me preocupar com o que dizer ou o que fazer é aquele estado em que nós vamos ficar, abertos, para que a inspiração nos dirija para aquilo que deve ser feito da maneira mais correta, não como eu acho que tem que ser. Eu achei que tinha que ser ‘vou usar a moeda!’ Primeiro a gente não achava os mendigos e eles não achavam a gente e a que nós encontramos não queria a moeda. Eu fiquei impressionado! Aí eu me dei conta.

Os cinqüenta princípios dos milagres, um deles diz assim: ‘que o milagre é impessoal e também interpessoal’. O milagre não acontece sozinho, alguém tem que oferecer, você também pode pedir para alguém oferecer para você.

Uma História:

Uma vez estávamos precisando muito de uma coisa, chegamos para uma pessoa e dissemos: ‘Olha, estamos precisando de uma coisa aqui ...’

A pessoa olhou para nós e disse: ‘Eu acho que vocês estão querendo o impossível!’ Ele era uma pessoa bem simples.

Então eu falei: ‘Então para nós conseguirmos isto só por um milagre?’

Ele falou: ‘É, por um milagre pode ser!’

Eu falei: ‘Eu posso pedir um milagre para você , então?’

Ele falou: ‘Pedir, você pode!’

Eu disse: ‘então fica registrado o pedido!’

O milagre aconteceu imediatamente. Saímos dali e toda aquela necessidade frenética que a gente tinha, acabou. Não precisávamos mais aquilo. A gente precisava tanto, tanto, depois que a gente pediu o milagre a necessidade daquilo acabou, alcançamos o objeto.

O milagre sempre vai funcionar de alguém para alguém. Quando você, eventualmente vê que a pessoa tem uma necessidade. Se você direcionar para aquela necessidade da pessoa, você pode estar direcionando o milagre de maneira errada, porque talvez não seja aquilo que ela está precisando. A pessoa que te pede uma moeda, ela não precisa da moeda. A pessoa que te pede um pão, ela necessariamente, não está precisando do pão. Quando oferecemos um milagre para você ter um pão, mas às vezes não é o pão que ele está precisando.

Uma história:
Uma vez eu estava no café da esquina, tomando um cafezinho, chegou um senhor que estava com outras pessoas e veio um senhor, jovem ainda, talvez uns 35 anos, e este disse para aquele senhor: ‘Ah, não me consegue um pedaço de pão ou uma coisa para comer, porque eu vim do interior e estou aqui meio perdido, estou sem comer.... .” Uma pessoa que estava na mesa disse: Espere aí, eu vou comprar um lanche para você! Sabemos que devemos repartir o pão. Mas como a pessoa não quis repartir o dela, foi lá comprar um. Eu cheguei e peguei na mão dele e perguntei: Como vai você? Ele começou a conversar comigo e quando chegou o lanche, olhou para mim e disse: Eu nem quero comer coisa nenhuma, estou de barriga cheia, mas agora o que eu faço com o lanche? Eu disse: Então, leva e dá para alguém que precisa.

Eu poderia ter pedido um milagre ‘ah, que aconteça um milagre e você receba um caminhão cheio de pão’. É por isto que a gente não deve colocar a intenção. Não sabemos o que a pessoa está precisando. Às vezes, o que a pessoa está precisando é compreender alguma coisa para sair daquele estado. Por exemplo: A pessoa foi para a rua ser mendigo, porque ela teve uma desilusão. Como eu não conheço, não sei o que aconteceu com a pessoa, nada do que eu colocar a minha intenção, naquilo que está parecendo, pode ser que seja verdadeiro. Se eu colocar intenção ‘tomara que a pessoa consiga um trabalho de faxineiro, pela aparência dele percebi assim. Mas não é isto que ele quer. O que ele precisasse, talvez, era alguém que dissesse para ele algo que o fizesse compreender que a vida tem valor, que ele parasse com isto e voltasse para a vida, vá ser criativo, produtivo, vá prestar um serviço para as pessoas. É isto que o milagre vai fazer. Por isto que a minha intenção não serve para nada, porque não consigo perceber lá dentro da pessoa o que a levou aquele estado e o que a fará sair daquele estado. O pão, a moeda , às vezes, pode fazer a pessoa permanecer neste estado, ao invés de retirá-la.

Mas esta maestria, de ter aquela compreensão daquele mestre que percebe o que a outra pessoa está precisando realmente é a verdadeira maestria, é perceber que eu não consigo perceber o que a pessoa precisa, oferecer um milagre para as pessoas que aparecem no meu caminho. Oferecer o milagre que a pessoa está precisando, apensas isto! Este encontro é uma grande oportunidade para receber o amor da outra pessoa e dar o amor. Desta vez, eu recebi muito mais do que eu dei daquela pessoa desconhecida que andava na rua, quando ele disse para mim ‘o que eu faço com o pão, nem com fome eu estou’. Não houve nenhuma intenção, mas a pessoa saiu dali diferente, eu também, saí diferente daquele encontro. É assim, talvez, que nós devemos aprender.

Mas daí diz assim ‘a prontidão não é a realização’. Devemos entender que a realização acontece quando você alcançar a maestria. Para alcançar a maestria, você tem que se colocar, inicialmente, naquela posição de prontidão. Experimente um dia para você aprender, eu aprendi com aquela história da moeda, você pode aprender de maneira diferente, ter esta compreensão. No parágrafo diz: ‘Você não se preocupe com o tempo e o espaço. Lembre-se que o tempo e o espaço eu controlo, deixa que isto eu faço’. O tempo e o espaço que leva para você alcançar a tua maestria. Para eu compreender isto eu levei uma manhã toda.

Exercício da semana:

Coloquem-se de prontidão

Em algum momento você pode estar andando na rua, pode estar em casa, pode estar em qualquer lugar ‘agora vou ficar aqui de prontidão para ver se aparece alguém para eu oferecer um milagre’. De repente toca o telefone, lembre-se, a prontidão não é realização, não vá com a receita pronta, e não faça nenhuma receita, deixa acontecer naturalmente. Porque, ‘Aquele que te enviou te dirigirá’. Aquele que enviou aquela pessoa até perto de você vai dirigir para você saber o que dizer e o que fazer. Se não há nada a dizer, não diga nada. Para esta pessoa lá do café, que eu peguei na mão, eu não disse nada de importante para ela, me lembro que disse ‘Como vai você? De onde você é? O que você está fazendo aqui? As palavras não tinham significado. Então, o exercício da semana vai ser experimentar esta tal de prontidão.

Vamos dizer que você vai sair na rua, suponhamos que você está no calçadão, pára um pouquinho e você se lembra do exercício, daí você faz, mentalmente a meditação “Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil” Dá uma olhada em volta, de repente você percebe alguém que está precisando de ajuda. Então, você olha para cima e ofereça um milagre para aquela pessoa. Pode ser que não aconteça nada, você vai treinar a prontidão. Você vai ficar um minuto de prontidão, por exemplo, ou você decide ficar em casa e se coloca de prontidão, pode ser que alguém bata na porta, pode ser que toque o telefone, pode ser que não aconteça nada.

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Capítulo 2 – A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO

VIII. O significado do Juízo Final
1
. Um dos caminhos pelo qual podes corrigir a confusão entre mágica e milagre é lembrar-te que não criaste a ti mesmo. Estás apto a esquecer disso quando vens a ser egocêntrico e isso te coloca em uma posição na qual a crença na mágica é virtualmente inevitável. A tua vontade de criar te foi dada pelo teu Criador, Que estava expressando a mesma Vontade na Sua criação. Como a capacidade criativa reside na mente, tudo o que crias não pode deixar de ser uma questão de vontade. Daí também decorre que qualquer coisa que faças sozinho é real no teu modo próprio de ver, embora não na Mente de Deus. Essa distinção básica conduz diretamente ao real significado do Juízo Final.

Jorge: Equivocado é quando faço sozinho, criativo é quando eu faço com Deus, é a co-criação. Quando eu quero fazer do meu jeito, pegando o aspecto que foi colocado anteriormente, eu coloco a minha vontade, a minha intenção. O poder está na tua mente. Posso desejar, para a pessoa que está me pedindo uma moeda, que ela encontre um balde cheio de moedas e ela encontra , faço aquilo acontecer, eu coloco a pessoa em sintonia com o local onde está o balde cheio de moedas, ela encontra o balde cheio de moedas. Então, ao invés de eu ser criativo eu faço a magia, esta é a diferença. Tive a oportunidade de ser criativo, de oferecer um milagre, mas eu faço separado de Deus, eu faço sozinho o que eu quero que aconteça, com certeza é pelo o ego. A isso se dá o nome de mágica. O milagre é quando você se coloca na posição de ‘Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil’. Tem alguma coisa que eu possa fazer? Aí você transfere o milagre. Acontece o milagre e não a mágica. Isso é usar o poder criativo que vem do espírito e não o poder equivocado que vem do ego.

Duas histórias:

Quando eu morava em Curitiba, um dia cheguei na rodoviária e uma pessoa se dirigiu para mim, era uma pessoa tipicamente do interior, não estava de chapéu, mas estava com a marca do chapéu. ‘Moço você poderia me ajudar, cheguei de viagem e estou procurando um parente aqui..’. Ele tinha o nome do parente, mas não tinha o endereço e eu conhecia a pessoa que ele estava procurando.

Numa outra oportunidade a minha mãe estava numa loja, passaram uma gilete na bolsa dela e tiraram a carteira, ali tinham documentos, talão de cheque e dinheiro. Fomos para casa, morávamos num bairro e preocupados, porque agora tinha que tirar novos documentos, ir no banco... Ela fez uma oração pedindo para Deus ajudá-la, rezou para os santos da sua devoção. Aproximadamente meia hora depois apareceu um carro lá na porta da nossa casa, o motorista com uma careteira na mão dizendo: ‘Jorge, isto aqui não é de algum parente teu?’ Ele trabalhava no Banco do Brasil no centro da cidade, disse que foi manobrar o carro para tirar do estacionamento e viu que tinha uma carteira no chão. Apanhou a carteira e viu que haviam documentos e talão de cheque, como ele me conhecia, pensou ‘deve ser parente do Jorge, vou levar lá’.

Quem sabe esta pessoa, naquele momento, não estava naquele estado de prontidão para ser útil . A diferença, que coloca o parágrafo, entre magia e milagre é justamente nós nos colocarmos neste estado de prontidão. Magia surge a partir da minha vontade de separar, milagre surge a partir da minha vontade unida, vontade espiritual.

A nossa meditação é uma oração para nós nos colocarmos neste estado de prontidão, ela é perfeita para isto. Não usar isto como receita, mas é só para lembrar como se faz para se colocar no estado de prontidão. Prontidão, sem a tua intenção, pois não sabemos o que a pessoa realmente precisa, então, seja feita a Vossa Vontade e eu estou aqui só para ser útil, para ser o instrumento da Tua Vontade. São Francisco dizia ‘Faça de mim o instrumento da Tua Paz’. Ele teve esta compreensão, atingiu esta maestria, segundo me parece.

Uma história:
Um pessoa me contou uma história que aconteceu com ela, foi assim: Meu pai estava no hospital, um dia o médico disse ‘podem ir para casa se preparar porque ele não vai amanhecer’.

Ela disse que foi para casa, como ela tinha bastante conhecimento em várias terapias, disse que se concentrou, acendeu uma vela, não sei mais o que e a repetir ‘ você não vai morrer .... eu não quero que você morra... você vai viver...’. Cansou e foi dormir. No dia seguinte acordou aproximadamente às 8 horas e a empregada dela disse ‘Bom dia D.Maria! Já soube do seu pai?’ Ela disse ‘ainda não, estou me preparando para ir lá...’ A empregada disse ‘Pois é, ele teve alta, ficou bom, o médico disse que ele pode ir para casa’.

Ela me contou que tem certeza que foi ela, através da mentalização, que evitou a morte do pai. O pai realmente melhorou, veio para casa, uns dois ou três dias depois ele teve uma recaída, não morreu, mas ficou paraplégico e está na cama há dois anos. Coube a ela cuidar dele porque, dentre os irmãos, ela tinha melhores condições para acomodá-lo.

Ela me perguntou ‘Será que fui eu que aprontei esta para mim mesma? Agora o que eu faço? Ele está lá está revoltado, ele não está feliz, será que ele não foi na hora que ele tinha que ir, porque eu o prendi?’

Por isto nós não podemos usar o poder da mente de maneira equivocada, devemos usar o poder da mente de maneira criativa. Então, o que a gente faz? Dentro da lógica racional, agora estaria na hora de fazer o oposto, tipo assim ‘vá para casa e mentalize: vá logo....vá logo’. Mas não é assim, outra vez estarás colocando a tua vontade! Olhe para cima e não faça por tua conta. Quando fizer as tuas orações, leve as tuas orações para o alto ‘para que aconteça o melhor para a pessoa, seja feito conforme a Tua Vontade e não a minha’. Perguntei se ela conhecia a Oração do Pai Nosso e ela disse que sim e que rezava todos os dias.

Veja se você não está rezando assim ‘Pai Nosso que estais no céu......Seja feita a Vossa Vontade (contanto que não me contrarie)....’ Às vezes rezamos o Pai Nosso durante a vida toda e não nos damos conta que ‘Faça-se a Vossa Vontade, é isto’. Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil. Faça-se a Vossa Vontade e a minha quando estiver de acordo com a Vossa.

Por isto que diz no parágrafo, quando a gente faz separado, a gente está fazendo a minha vontade, o eu separado. Quando usamos a nossa vontade há a grande tendência a utilizar o poder da mente de maneira equivocada, daí isto se transforma em magia ao invés de milagre.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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