UM CURSO EM MILAGRES
20 DE NOVEMBRO DE 2002
4ª FEIRA

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

PRINCÍPIO 11

A oração é o veículo dos milagres. É um meio de comunicação do que foi criado com o Criador. Através da oração o amor é recebido e através dos milagres o amor é expressado.

Participante: Compreendi que eu não posso impor uma oração à pessoa, a não ser que pessoa queira. Isto foi muito novo para mim, eu nunca tinha prestado atenção e não tinha me dado conta de que isto é verdade. Eu não tenho direito de impor uma oração, desejar que aquela pessoa mude, acaba sendo como o Jorge disse, uma oração para mim, não para essa pessoa. Eu passei a semana pensando nesta descoberta e as coisas clarearam para mim, pois quarta-feira passada não estava claro. Durante a semana eu fui melhorando, cheguei a plena convicção que é isto mesmo, eu só posso rezar para mim, ou para alguém que esteja precisando e que me peça. Eu não posso impor, mesmo que eu tenha a melhor das intenções.

Jorge: É isso mesmo.

Participante: Eu compreendi que a oração é a sintonia e o veículo dos milagres, então olha para cima e pede, se você está em sintonia com amor, está amoroso naquele momento eu acho que está ocorrendo uma oração.

Jorge: Eu compreendi assim, que um objeto material pode transportar uma emoção até a outra pessoa, ele pode ser utilizado como veículo para isto. Assim, se eu quero dar uma emoção a alguém eu posso mandar uma flor e usar a flor como veículo, para transportar aquela emoção até aquela pessoa, isto eu acho que nós já trabalhamos anteriormente. O Princípio diz assim, a oração é o veículo que conduz o milagre, mas quando nós usamos a oração como o veículo para transportar horizontalmente alguma coisa, não funciona, porque a oração não funciona no sentido horizontal, ela funciona no sentido vertical.

Como pode a oração ser veículo para transportar o milagre? Orar é colocar a oração no sentido vertical e não horizontal, assim eu acho que a Márcia está precisando de alguma coisa, ou ela está triste, então vou fazer uma oração. Isto é vertical ou horizontal? Horizontal. Eu estou me dirigindo horizontalmente à Márcia, isto não funciona, é perda de tempo, é um gasto de energia, se ela não pediu, pode ser que eu esteja fazendo uma invasão do direito dela de querer ou não. Eu estou sendo invasivo, o amor não é invasivo, porque o amor não invade o direito do outro escolher o que quer, se quer uma oração ou não. No entanto, a oração é o veículo dos milagres, que funciona no sentido vertical. Quando eu percebo que a Márcia está triste, mesmo que ela não tenha me pedido, eu posso dirigir uma oração, mas não no sentido horizontal e sim no sentido vertical, aí a oração vai funcionar. A minha oração poderia ser: “A Márcia, segundo a minha maneira de ver, o que eu penso, segundo o meu julgamento, segundo o que eu acho, está triste, DÁ uma olhadinha para ela, olha por ela”. Porque na segunda parte da nossa meditação inicial diz: “eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá”. Quando você tiver a intenção reta no coração, até as palavras necessárias para oração virão, necessárias e adequadas para cada momento, de repente você olha, o céu está em cima e a terra está em baixo, é um conceito. Não é que se tenha que olhar para cima, mas eu vou olhar para cima porque, segundo o meu conceito, o céu está em cima. Mas a terra gira, pode ser que eu esteja embaixo, mas são conceitos nossos, é claro que eu sempre vou colocar o céu em cima, porque é um conceito meu. Não é que seja uma regra, “se não olhar para cima não funciona”, é sempre no sentido vertical, pois nós estamos vendo o céu em cima. Mas, o que está em cima e o que está embaixo? Nós não sabemos. Você olha em torno do nosso globo, tudo é céu. Do ponto em que você estiver, você olhar verticalmente, vai ver o céu. O que está em cima é igual ao que está embaixo.

Então, a oração é o veículo dos milagres, não é que não possa fazer uma oração, apenas o que nós temos que aprender, é que eu não tenho que forçar o outro, usar uma oração como veículo de uma imposição ao outro daquilo que eu acho que é melhor para ele, ou que acho que é melhor para mim. Eu não estou pensando no outro, eu estou pensando em mim, no meu bem estar. Por exemplo, se tivesse um louco ali, querendo jogar uma bomba em cima de uma cidade, eu fico rezando para ele, porque eu acho que é melhor para ele não jogar a bomba. Será que não é o meu ego, que está tentando impor a ele, que ele mude de idéia, porque é melhor para mim que ele não solte a bomba, é o medo. Por isso que nós devemos andar sem medo, se vier um maluco querendo soltar uma bomba, “olha, veja o que é melhor” e sai andando normalmente. “Estou passando para Ti este assunto!” e pronto. Você não fica com isso na horizontal, joga tudo na vertical. O sentido de pai que nós temos é esse, sempre que a criança precisa de alguma coisa que não sabe o que fazer, ela se remete ao pai, procura o pai, chama o pai. Nós podemos fazer a mesma coisa, porque isto é igual, nisto está correto aquele que diz: “o que está em cima é igual ao que está embaixo”. Como nós temos a nossa pequena família embaixo, pai, mãe e filho, lá em cima também é assim: Pai, Filho e Espírito Santo. É a mesma coisa. Nós devemos agir tanto embaixo como em cima. “Quem sabe Você, Pai, dá uma olhada, se pode resolver isto!” e pronto. Com certeza o Pai vai atender. Agora, se eu ficar fazendo uma oração horizontal para Márcia ficar bem, eu rezo “Ave Maria... que a Márcia fique bem; Ave Maria... que a Márcia fique bem” essa oração não se elevou pro céu, ela ficou no nível da terra não passou para o céu, está embaixo, aí a Márcia fica recebendo a minha mensagem mental: “tem um cara querendo impor alguma coisa para mim”. Ela não consegue entender o que é, ela não sabe se é boa ou ruim para ela, muitas vezes a pessoa não quer mudar o padrão de comportamento. Não adianta tentarmos impor, porque às vezes a pessoa fica mais revoltada do que já está. Então, olhe para cima e faça uma oração e põe a intenção. Olha para cima com a mente, mas se você quiser fazer fisicamente faça. Mas joguem verticalmente. Nós podemos fazer com as mãos um cone e berrar “Pai”, jogue para cima com a intenção, direcionando para cima como se fosse a nossa torre de transmissão “ALÔ, ALÔ, aí em cima!” DEUS é alegria, então vocês podem brincar bastante, o Pai gosta de brincar com o filho, e gosta que os filhos brinquem, não é pecado, pecado é ficar triste. Alguém quer comentar alguma coisa?

Participante: Faço uma oração direta para o Pai ou para o Espírito Santo?

Jorge: É tudo a mesma coisa, pode pedir para o Espírito Santo. Funciona assim, vai jogando para cima, nós conseguimos jogar até uma altura, aí Ele pega e dá um impulso para ir mais alto. Se você pedir para o Espírito Santo, para Jesus ou para o Pai, considerando Deus, é a mesma coisa. Ou na tua concepção de Deus. O nome que você dá a Deus, dentro da tua concepção, independente da tua religião, da tua crença, todas as crenças consideram que o céu está em cima, então a busca é sempre no alto, independente da crença que a pessoa tem, mesmo que a pessoa não acredite em nada, ela, ainda assim, admite que o céu está em cima, temos que fortalecer o amor no nosso coração.

Participante: Então as orações das religiões estão equivocadas, pois se faz orações para as pessoas, para os governos.

Jorge: É por isso que se reza para o presidente fazer uma coisa direito para ajudar o povo, como eu sou do povo... Rezo para ele criar empregos bons para mim, isto é do ego, eu estou usando a oração como veículo, por isso que os milagres não acontecem, tem alguma coisa errada, eu estou mandando a oração com o endereço errado, não vai chegar, não vai ter resposta.

Participante: Aprendemos, quando crianças, que precisamos dos anjos para levar as nossas orações para Deus, como se fossem uma espécie e hierarquia.

Jorge: A hierarquia que é incontestável dentre todas que conheço, é assim: Pai, Filho, Espírito Santo. Ao mesmo tempo que existe a hierarquia, ao mesmo tempo é colocado que esta hierarquia não existe, porque é tudo UM. O livro que estamos estudando coloca desta maneira: O filho, no caso o Jorge, o Espírito Santo, mais acima, dentro desta hierarquia, talvez Jesus, e mais acima estaria o Pai, que é o Deus. Mesmo estando eu no nível abaixo desta hierarquia eu sou um com Espírito Santo, Jesus e com Deus. Em algum ponto do livro Jesus coloca assim: Que a única diferença que tem entre Ele e a gente é que, Ele não está mais preso a nada deste mundo, como nós estamos, isto nos torna diferente. Tirante estas diferenças, estamos no mesmo nível e o Espírito Santo trabalha a nosso favor para reinterpretar as situações em que vivemos para que estas diferenças sejam desfeitas.

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Capítulo 1 – O SIGNIFICADO DOS MILAGRES.
IV. Como escapar da escuridão

1. Escapar da escuridão envolve dois estádios: primeiro, o reconhecimento de que a escuridão não pode ocultar. Esse passo usualmente acarreta medo. Segundo, o reconhecimento de que não há nada que queiras ocultar ainda que pudesses. Esse passo traz o escapar do medo. Quando tiveres passado a estar disposto a não esconder nada, não só estarás disposto a entrar em comunhão, como também compreenderás a paz e a alegria.

Jorge: Trabalhei, por um tempo, próximo duma pessoa que era muito conhecida. Esta pessoa se auto chamava Inri Cristo, ele dizia que era a reencarnação de Jesus, andava carregando uma cruz, todo vestido de branco, até ficava meio parecido, deixou crescer a barba, aquela coisa toda. Ele apareceu algumas vezes na televisão, foi entrevistado, ele era muito polemico e andava nas ruas com umas sandálias e começou a juntar discípulos, ele chegou a construir uma igreja. Andava com aquelas discípulas todas atrás dele, nós achávamos muito engraçado e várias passagens que nós vimos dele, naquele tempo, eu não conseguia entender algumas situações sobre as quais ele falava, achava muito polemico. Reencarnação de Jesus eu não sei, mas talvez ele tenha conhecido Jesus internamente e tenha resolvido assumir externamente este tipo de procedimento. Neste sentido, de repente ele assumiu aquele procedimento e resolveu trabalhar isto fisicamente nele mesmo. Uma das coisas que ele sempre dizia quando era entrevistado era: “olha, eu agora estou pregando a palavra de Jesus, a palavra do Pai, a palavra de Deus, mas eu já fiquei muito com prostitutas nas ruas e várias outras coisas”, ele dizia isso abertamente e fazia questão e acabava gerando polemica nas pessoas. Este parágrafo esclarece isto, na medida em que não tem lugar aonde esconder, mesmo que você queira. Porque se a pessoa esconder é por medo, aí um dia vai aparecer alguém que vai encostar o dedo no nariz dele e vai dizer: “você não é aquele cara que andava com prostitutas?” Aí desmonta toda a estrutura dele por medo. Por isso envolve dois estádios: Primeiro você reconhece que a escuridão não pode esconder e segundo, mesmo se você tentar esconder não tem como, uma hora tudo vem à tona, todos os nossos pecados uma hora vêm à tona e, às vezes, podem vir numa hora bem inconveniente, e assim, se você já abre tudo, abriu o subconsciente deixa entrar luz, “olha, é assim, eu fiz isso, eu fiz aquilo, quem quiser achar ruim que ache, eu agora me transformei estou diferente e pronto e daí ?

Do que as pessoas vão te acusar, de ter escondido alguma coisa?

Não podem, porque você não tem nada escondido.

Participante: Ele conta tudo o que fez para não ter mais medo, não tem mais o que esconder.

Jorge: Isto ele deixou transparecer, é o modo que escolheu para trabalhar, expos tudo o que tinha feito de errado, para não ficar preso aquilo por medo.

Participante: é uma forma de purificação.

Participante: Ele não estava agindo errado, só estava sendo coerente, ele estava agindo certo, nós é que estávamos julgando ele.

Jorge: Exatamente nós, os espectadores é que jogávamos pedra. “Este cara é louco só fica falando de prostitutas, imagina se eu tiver que contar isto também”.

Participante: Quem fazia este julgamento certamente tem mais coisa escondida.

Jorge: Exatamente. Isto assusta a possibilidade de que um dia eu ter que expor, o meu interior é o que pode me assustar, é bem esta idéia. Ele já não tinha mais medo de nada, ele pode circular livremente, pois não tem mais medo de nada. Nós temos medo de nos encontrar com ele porque ele pode dizer: “isto eu já fiz” “tu nunca fez?” e aí eu vou ficar vermelho, e vou dizer “não!” e vou tentar esconder isso, é assim que funciona o nosso ego.

O que o parágrafo está dizendo é: A primeira coisa que você tem que compreender, é que não tem nada que você possa esconder e a segunda é: ainda que tivesse você não quer esconder nada. Então, você gasta uma energia enorme para tentar esconder as coisas e não adianta, você não quer esconder, você quer que as coisas apareçam.

Participante: Talvez eu não acredite numa transformação da minha mente.

Jorge: É medo mesmo.

Participante: Nós fomos educados para não dizer a verdade.

Participante: Você pode se transformar, mas a sociedade vai te ver sempre como você foi. Se você foi um ladrão as pessoas vão te ver sempre como ladrão.

Jorge: Aí a pessoa está colocando a palavra transformação, sem significar transformação, e sim de máscara. Quando a pessoa transforma a imagem, esta fica para trás, mas quando é máscara, aí não tem jeito.

Participante: Eu prefiro me sinto melhor quando falo a verdade, mas nem sempre dá para falar a verdade.

Jorge: Vamos pensar na palavra “mentira”, para mim isto pode significar a junção de duas palavras, mente e tirar. Então, tirar da sua própria mente alguma coisa. Quando você tira, você tem que repor, de tanto tirar você vai sentir falta. Numa construção, você vai até a parede e tira um tijolo, depois tira outro e outro, chega uma hora que a parede cai, desintegra. Por isso que você não tirando, você fica integro. Você acaba desintegrando na mente toda a sua estrutura física. A questão de auto-aceitação, tem a ver com o corpo também. Porque a teoria do paraíso, de que no paraíso andavam nus, diziam também que andavam cobertos com folhas de parreira. Antes de acontecer o pecado ou o erro que trazia a culpa e o medo do castigo, nós não escondíamos o corpo. As próprias roupas que usamos, que a sociedade nos coloca que temos que usar é justamente assim, por medo de não sermos aceitos.

O que o corpo é? O corpo expressa o que nós temos na mente e assim nós nos habituamos a usar uma camiseta, uma roupa simples, mas de repente você vai num jantar, mesmo assim você já precisa colocar uma roupa melhor, pelo medo de não ser aceito, você vê que tudo é medo. Então eu uso roupa porque tenho medo? É!

Participante: Da mesma forma, por exemplo, quando as pessoas querem falar, elas têm medo de falar um monte de coisas, o tempo inteiro acho que as pessoas não são verdadeiras consigo mesmas, nem com as outras, nem com o que falam. Talvez porque pensam que ninguém nota. Às vezes parece mesmo proibido para elas falar o que sentem.

Participante: E também nesta vida que a gente tem, muitas vezes nós nem sabemos o que pensamos na realidade. Você deu um exemplo e nós vamos misturando a mentira com a realidade, pela estrutura criada.

Participante: Às vezes nós somos obrigados a mentir, como vamos dizer para o patrão: “Olha cheguei atrasado porque dormi um pouco a mais”. Ele vai dizer: “Então não serve, você está demitido”.

Participante: Mas se você age de uma forma correta, isto não vai acontecer. Se você estiver conectado com o Espírito Santo, quando entramos num caminho em busca daquela transformação, provavelmente esta situação não vai acontecer.

Jorge: Mas a matéria serve como aprendizado. As pequenas mentiras começam assim: “Ah, meu lábio não é vermelho, vou passar um batonzinho!” Colocamos desodorante, perfume para alterar o nosso cheiro, a gente procura alterar tudo. Vai na frente do espelho e vê uma ruguinha, então passa cremes. Muda a cor do olho, muda a cor do cabelo, na verdade são artifícios que nós usamos e não nos damos conta, mas são mentiras. Tudo que não queremos resolver, alteramos.

Muitas vezes para atrair um relacionamento, na fase da adolescência quando estamos namorando, a gente muda tudo. Por exemplo, a menina detesta pizza, mas se ela quer namorar um rapaz que gosta de pizza, então a garota diz: Gosto muito de pizza! Muda a visão, não consegue ver no outro aquilo que está errado, muda a audição, todo mundo diz, aquela mulher não é para ti, aquele rapaz não é para ti e a gente não ouve quando está apaixonado. Então muda o paladar, o tato, o olfato muda tudo e mudamos em nós também todas as nossas características e depois de um, dois ou três anos de casado, começa a recuperar a visão, a audição.

Participante: Aí vem a frase famosa: “Você mudou”.

Jorge: Vocês vêem que estas questões depois nos levam a ter grandes complicações na nossa vida, grandes traumas com relacionamento, porque a gente não está se mostrando como somos verdadeiramente durante o namoro. A parte do namoro que deveria ser para nos mostrarmos , nós usamos para nos esconder, nós usamos para mostrar tudo aquilo que nós não somos. Por isso a questão da mentira, como ela nos afeta sem que a gente se de conta. Na hora em que nós devíamos mostrar a verdade, não deveria esconder, para obter um retorno real daquilo. Nós escondemos e depois as coisas não fecham, aí nós ficamos muito descontentes com Deus, com a vida, acha que a culpa é da mãe, do pai, dos amigos e sei lá de quem. Começamos a jogar para tudo quanto é lado, mas às vezes porque não temos a compreensão que nós mesmos é que causamos aquilo. Mas quem tem a compreensão hoje para chegar e dizer “puxa vida acho que meu relacionamento não deu certo porque usei baton mudei a cor do meu lábio”, isto é difícil, as pessoas vão dizer: “esta pessoa está maluca”. São as pequenas mentiras.

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Capítulo 1 – O SIGNIFICADO DOS MILAGRES.
IV. Como escapar da escuridão

2. A santidade nunca pode ser oculta na escuridão, mas pode enganar a ti mesmo a esse respeito. Esse engano faz com que fique amedrontado porque reconheces, no teu coração, que é um engano e fazes enormes esforços para estabelecer a sua realidade. O milagre põe a realidade onde ela deve estar. A realidade só pode estar no espírito, e o milagre só reconhece a verdade. Assim, dissipa as ilusões sobre ti mesmo e te coloca em comunhão contigo e com Deus. O milagre participa da Expiação colocando a mente a serviço do Espírito Santo. Isso estabelece a função própria da mente e corrige os seus erros, que são apenas faltas de amor. A tua mente pode estar possuída por ilusões, mas o espírito é eternamente livre. Se a mente percebe sem amor, percebe uma concha vazia e não está ciente do espírito interior. Mas a Expiação restitui o espírito ao lugar que lhe é próprio. A mente que serve ao espírito é invulnerável.

Participante: Compreendi que assumimos muitos papéis. Quantas máscaras nós colocamos, mesmo na nossa aparência física? Acordamos e passamos creme no corpo, perfume, etc... Isto no dia-a-dia, quantos comportamentos nós temos que não são verdadeiros, tudo isto para sermos aceitos. Às vezes nós nos omitimos, queremos ser verdadeiros, muitas vezes você vê as coisas acontecerem e se arrepende por não ter feito as coisas que queria fazer ou dizer. O medo é o contrário do amor, muitas vezes por medo você não consegue ser verdadeira, por medo de não ser aceita. Se nós conseguirmos ser amorosos com as pessoas, falar amorosamente, colocando a mente a serviço do Espírito, mesmo que a reação da pessoa seja negativa inicialmente, você vai estar bem, porque conseguiu ser verdadeira e com o passar do tempo as pessoas vão aceitar você e os milagres vão acontecendo.

Participante: Eu compreendi que, partir do momento em que começo ter o conhecimento, eu estou apta a fazer uma Expiação e discernir, isto é bom isto não é. Eu já tenho o conhecimento dentro de mim, desta forma eu posso, muito tranqüila e conhecedora daquele momento, dizer:” Eu vou fazer esta faxina na minha mente, pois isto não faz parte do meu ser e vou abrir a minha mente”. Nós podemos fazer qualquer coisa independente do que os outros vão pensar. É claro, que não vou sair nua ou com cobertor nas costas, tem que ter discernimento.

Participante: A realidade só pode estar no espírito, ele conhece a realidade. Acho que neste processo de transformação, nós temos que mudar a nossa crença. A crença que nós temos é que a realidade é no físico, o físico é que é real. Nós esquecemos que a realidade ainda é invisível para os nossos olhos, nós não vemos a realidade. Nós colocamos na nossa frente e acreditamos naquilo que os nossos olhos físicos vêem e nós não nos damos conta que a realidade está além daquilo que os nossos olhos físicos vêem, então nós perdemos a noção do que é realidade. Quando o amor está acontecendo, aquele momento é a única realidade que existe e ele está presente o tempo inteiro, mas nós que não o vemos, porque acreditamos apenas no corpo físico. Nós nos encontramos numa encruzilhada e nós enxergamos o outro apenas num corpo, a concha vazia. Esquecemos que existe algo mais e isto afasta o amor. Mas nada disto é real, é como um sorvete, ele vai derretendo e vai se desmanchar, um dia este mundo também vai se desmanchar.

Participante: Eu gostaria compreender melhor esta frase: A santidade nunca pode ser oculta na escuridão, mas pode enganar a ti mesmo a esse respeito.

Jorge: A santidade é o que está por trás das nossas máscaras. Assim como nós não podemos esconder os nossos erros, nós também não conseguimos esconder aquilo que nós somos. Mas, para o mundo em que nós vivemos, tentamos enganar a nós mesmos e colocamos máscaras adequadas para o mundo, para esconder tudo, aí nós achamos que escondemos os erros e achamos que escondemos a nossa santidade, também. Se nós não conseguimos esconder os nossos erros, a nossa santidade menos ainda, só que nós nos negamos ver e tentamos enganar a nós mesmos. Nós fomos educados para perceber a concha vazia, isto é, corpo sem espírito, como foi colocado. Então, nós percebemos os valores de maneira equivocada, uma pessoa que é boa, logo é confundida como boba. A pessoa começa a ser muito boa, como ela não é agressiva, então ela é boba e daí ela passa a botar uma máscara, a máscara da agressão, tem que mostrar que não é boba. Se você se propõe a ver isto nas pessoas, vai ver que aquilo que as pessoas têm de erros é muito pouco, é o mínimo. As pessoas são todas boas. O que têm de errado nas pessoas é tão pequenininho, é tão insignificante, mas elas se colocam por atrás daquelas coisinhas para esconder toda sua santidade, para não ser feliz. É questão de se perguntar: “por que é que eu não sou feliz?” É, também, questão de perguntar para as outras pessoas: “por que você não é feliz?” Quando você pergunta ao outro, também pergunta a si mesmo. Um vai responder: “não tenho uma bicicleta”, o outro “porque não tem namorada”, outro “porque tenho uma namorada”, mas isto é tão pequeno. De fato, nós achamos que conseguimos esconder a nossa santidade, a nossa felicidade, a nossa alegria.

Nós aprendemos que não devemos ser felizes, devemos esconder a nossa felicidade, devemos esconder a nossa alegria. Por quê? Porque foram ensinadas, equivocadamente, idéias, como por exemplo: “Se você está muito alegre no sábado, vai ficar triste no domingo”. Se você está alegre em algum lugar você começa a expandir a sua alegria e o pessoal começa a achar isto muito estranho.

Uma vez uma pessoa fez o seguinte: Ao entrar num elevador de um prédio grande, muito movimentado, falou alto e feliz, “Bom dia, como vão vocês!? Você está bem!?” E continuou falando feliz. O prédio tinha 20 andares, no segundo andar todas as pessoas já tinham saído. A alegria era um insulto, assusta. Aí as pessoas têm que mostrar o motivo pelo qual não são felizes. Daí sente que a razão da infelicidade é tão insignificante que se fosse mostrar seria ridícula. Então pensa: “é melhor mascarar a minha felicidade, eu sou uma pessoa séria, eu não posso sorrir, eu não posso me alegrar, então eu vou cair fora deste elevador maluco”.

Uma história: No tempo em que não se fazia fila única nos caixas do Banco, cada caixa tinha uma fila de pessoas para atender, no Banco que, de vez em quando eu ia, tinha um caixa cuja fila sempre era maior, e ninguém saía dali para ser atendido por outro caixa. O moço que atendia era impressionante, ele atendia com muita simpatia e ficava conversando, dizia: “Oi, como você está?” Ele sempre atendia com amor e muito carinho. Ele era mais alegre, ele não dava “Bom Dia” por obrigação, era com alegria. Às vezes tinham poucas pessoas nos outros caixas, mas sempre tinham muitas pessoas aguardando serem atendidas por aquele moço que atendia com alegria.

Sabemos que tem aquele “Bom Dia” técnico, que é norma da empresa, o funcionário é obrigado cumprimentar o cliente.

Participante: Quando a empresa obriga a dizer “Bom Dia”, “Boa Tarde”, o funcionário diz e daí é pior, pois ele não está sendo verdadeiro.

Jorge: É. Mas as empresas usam isto para manter um padrão disciplinar, talvez.

Participante: Dar um “Bom Dia” forçado não é ser verdadeiro.

Jorge: É. Mas também não era proibido você dar um “Bom Dia” amoroso. Às vezes pode começar assim, você tem que dizer “Bom Dia”, o jeito que você escolhe dizer vai de você.

Este parágrafo é muito interessante, porque ele coloca que todos os erros, os conflitos que temos, são falta de amor.

O exercício da semana: É um bom exercício. Para aqueles que a gente não dá “Bom Dia” começamos a dizer, para mostrar como a somos bonzinhos e para aqueles que a gente já dá “Bom Dia”, vamos dar um “Bom Dia” amoroso. Para as pessoas com as quais temos mais carinho, como a mãe, o pai, filho, irmã, fica mais fácil.

Vamos mostrar a nossa santidade. Mostre o que você tem de bom. Você carrega o teu cumprimento com a tua santidade, a santidade é amor puro.

Às vezes uma pessoa está fechada, porque ela esta fechada por falta de amor, quando você bate na porta com um pouco de amor, você vê que o amor vem em dobro para você. É isto que diz a nossa meditação inicial, na medida em que eu permitir que as coisas vão acontecendo.

Quando eu mostro uma preocupação para alguém, normalmente a pessoa mostra outra preocupação. Por exemplo, eu digo: “Ah, estou preocupado, porque pode chover!” Aí o outro vai dizer: “Eu também, deixei a janela da minha casa aberta!” Eu digo : “Puxa vida, agora me lembrei que deixei a roupa lá fora!” Na medida que você permite e na medida que você abre uma coisa de você, a pessoa abre uma coisa dela lá, este é o jogo.

Quando você vai mostrar uma coisa boa e a pessoa diz, por exemplo: “não, mas eu estou muito preocupado porque vai chover”, ela está tentando virar o jogo. Então você não aceita, você ‘bate na portinha do amor’ dizendo: “A chuva vai fazer tão bem para as plantinhas”. Daqui a pouco ela concorda com você. As pessoas têm uma tendência mórbida a virar o jogo de quem mostra amor, de quem não está com medo, porque a preocupação é medo. Agora nós vamos trabalhar para mostrar só a parte boa e não vamos entrar na parte do medo. Porque, às vezes, a pessoa tenta nos puxar para o medo e nos pergunta: Mas você não tem medo de sorrir assim para quem você não conhece no elevador? Não! E você não gostaria de estar sorrindo, também, para quem não conhece? Aí a pessoa volta a pensar nisto e sorri. Isto reverte e reinterpreta a seu favor, é um jogo psicológico. Você vai inverter psicologicamente a situação.

Participante: Quando eu entro no elevador, também fico séria, na verdade é medo de me expor. De repente uma pequena abertura, como um sorriso, a outra pessoa pode interpretar mal.

Jorge: Você não gostaria de ser bem recepcionado, bem amado, bem querido pelas pessoas?

Participante: A abertura que pode criar pode ser muito maior do que eu estou disposto a fazer, é este que é o problema.

Jorge: Não vai, aí você já está com medo. É por isto que nós nos fechamos. Você não precisa expor os teus pecados, você vai expor a tua santidade, não os teus pecados, o exercício é este. Você não vai chegar no elevador, olhar para todos e dizer: “Ah, eu roubei uma bala no supermercado”, você não vai expor os teus pecados, você vai expor o teu lado bom. Então, não há o que temer, as pessoas não vão invadir a tua privacidade, não vão te atacar por isto.

Participante: Se alguém te abordar no elevador, querendo se aproveitar da situação, é porque de alguma forma você atraiu uma situação destas. A solução não é você resolver através do ego,

Você precisa trabalhar com a felicidade.

Jorge: Lembrem assim: É um jogo. Eu mostro uma preocupação, eu abri uma preocupação, o outro vai ver em mim aquilo e vai mostrar outra preocupação.

Quando a gente vai desenvolvendo interiormente esta força do que é certo, você não precisa mais mostrar nada além disto, porque as pessoas deixam de te assediar. Por exemplo, você cria um hábito em você e este hábito vai externar-se de uma maneira que a outra pessoa vai sentir que ali não tem abertura, ali não tem que tocar. É como a vestimenta de uma freira, chamada de hábito. Aquele hábito externo é para externar o hábito interno. O hábito está externado. Então, de repente, a pessoa que é assediada é porque o hábito interno não está externado. Os hábitos internos que estão aparentes são aqueles que fazem a pessoa ter abertura para, talvez, um comportamento mais invasivo.

A pessoa passa mostrando o corpo, ela está dando abertura para o assédio. Por isso existem aqueles hábitos fechados, para não dar abertura, externar o hábito interno. Então, o modo de se vestir, ou de não vestir vai externar uma parte da tua personalidade, isto vai ditar o comportamento das outras pessoas em relação a você.

Participante: A santidade é inatacável, se você estiver no estado amoroso, não vai perceber nada como ataque.

Jorge: É o que diz aí, “na santidade a mente é invulnerável” você não sente nada como ataque. Se a pessoa encostar a mão em você, você pega e dá uma benção. “Vou aproveitar para te abençoar meu filho”.

Participante: O hábito é muito importante para mostrar a sua santidade, neste contexto em que a gente vive, se a pessoa se vestir de uma maneira agressiva e querer mostrar a santidade vai ser difícil, ela não vai ser aceita.

Jorge: Se você, internamente é uma moça pura, mas você se veste, por exemplo, com uma minissaia, com a barriga de fora, com o decote muito acentuado, aí vai ser complicado.

Bem, o exercício da semana é mostrar o nosso lado bom, o nosso lado santo, a nossa felicidade. As pessoas, às vezes, podem confundir bondade com bobeira. Mas a pessoa que mostrar a santidade com o coração, é invulnerável e logo a pessoa que vem com esta percepção, vai perceber que estava com a percepção equivocada, porque uma pessoa que tem amor, tem muito mais disciplina, ela é menos boba do que uma que não tem.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

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