UM CURSO EM MILAGRES
22 DE SETEMBRO DE 2004
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Exercício da semana passada: Reforçar a correção ao invés de ficar julgando ou reforçando o erro.

Jorge: Para mim foi muito interessante, observei que, ao invés de sentir dor deveria partir logo para correção, só que, às vezes, cometia o mesmo erro depois. No primeiro momento me volto para fazer a correção, depois que fiz a correção, vou dar a minha ‘julgadinha’, aí volto para o erro, faço a coisa errada para não ficar tudo perfeito. Corrijo, mas depois não me agüento e digo: ‘Você viu, estava tudo errado!’ Agindo assim dou um retrocesso, às vezes, mas depois de fazer a correção, o ideal é que não tenhamos esse julgamento em nenhum momento.

Princípio 50
O milagre compara o que tu fazes com a criação, aceitando como verdadeiro o que está de acordo com ela e rejeitando como falso o que está e em desacordo.

Participante: Por exemplo, quando abençôo alguém, estou de acordo com a criação e quando estou julgando, criticando, estou em desacordo com a criação.

Participante: As coisas que faço não são eternas e as que crio ficam para sempre, são eternas. O milagre compara as coisas que faço com aquelas que eu crio. Se vou preparar um lanche para alguém simplesmente por obrigação e o criar seria preparar este lanche com amor com plena consciência que estou fazendo aquilo porque tem que ser realizado por mim, assim usando isto para estender o amor. O milagre rejeita aquilo que faço e reforça aquilo que crio.

Jorge: Como eu compreendi, o milagre vai nos trazer o que nós conhecemos como discernimento. Discernimento é saber o que é verdadeiro e separar daquilo que é falso.

Podemos colocar assim: Esta sala foi feita, a utilização que vamos dar a este espaço pode ser uma criação. Foi feito porque não é eterno, daqui a um pouco isso aqui vai ser derrubado e provavelmente terá outro prédio neste lugar. Então, isso aqui não é eterno, não vale a pena investir nisto. O que nós criamos aqui, isto vai ser para sempre . Se criarmos aqui um veículo para alcançarmos a paz, para compreendermos os amor, para retirarmos as nossas preocupações, as nossas ansiedades , para desfazermos tudo isto e, de fato entrarmos em contato com toda esta paz , essa energia de amor, isto vai ser para sempre, isto é eterno, isto nunca se perderá. Tudo o que nós criarmos que possa ser útil como veículo, não importa a quem seja, não importa em que época, isto se eterniza.

O que o milagre vai fazer? Ele vai separar aquilo que é eterno daquilo que não é. Vai qualificar isto como falso e verdadeiro.

A sala construída com tijolos não é uma coisa verdadeira, porque não é eterno, mas o que nós estamos fazendo aqui é . Isto quer dizer então: Como identifico esta sala como uma coisa falsa, aquela construção é falsa e um dia vai cair, então não venho mais aqui? Não! Significa que nós vamos conseguir perceber, pela capacidade de discernir o que é que realmente tem valor para nós, daquilo que é útil para nós.

Por exemplo: Eu vou usar um veículo para viajar daqui até São Paulo, vou pagar 300 reais pela passagem. Bom cheguei lá, aquele veículo foi útil, sei valorizar isto como utilidade, mas sei que aquilo não é eterno, depois que usei aquele veículo, não vou ficar pagando 300 reais todo mês.

Tudo o que nós fazemos aqui o milagre nos traz a compreensão que tem utilidade, mas não é real porque não é eterno . O Curso não descarta nada sem utilidade, tudo tem uma utilidade.

Compreendemos assim: O espírito é eterno e é perfeito, a mente é a aprendiz e o corpo é o instrumento do aprendizado. Ora, tudo que podemos perceber com os cinco sentidos em sua diversidade de formas, tudo é um instrumento de aprendizado, não se descarta nada como instrumento de aprendizado. Se tudo que podemos perceber pode ser utilizado como instrumento de aprendizado, nós não vamos descartar nada, apenas não vamos investir tudo nisto.

Um outro exemplo: Meu corpo é um corpo físico, cuido muito bem dele , porque sei a utilidade que ele tem como instrumento de aprendizado. Cuido muito bem desta almofada, porque sei da utilidade que ela tem como instrumento de aprendizado, cuido de todas as coisas que estão a minha disposição porque são úteis como instrumento de aprendizado. Mas não vou viver em função dos investimentos no corpo, exclusivamente. Por quê ? Porque sei que o corpo está falido! Ele é uma instituição falida, é um banco que quebrou., está com aquele cartaz na porta ‘Vai fechar’, ‘Está fechando’ .

Sabemos que tudo que é físico vai à falência. Embora já saibamos que o caminho do corpo é a falência e que isto vai inviabilizar o corpo, já está falido! É a mesma coisa quando um banco está quebrando, você dizer: Eu tenho que trabalhar bastante para depositar mais dinheiro lá neste banco. Isto seria um absurdo. Se as pessoas ouvem um pequeno boato que uma instituição financeira, pode ser, talvez vá quebrar, todo mundo corre para tirar o seu investimento de lá. Todas as coisas materiais estão quebrando. Esta sala, por exemplo, está quebrando, é só uma questão de tempo , a gente fica colocando massinha aqui, pintando ali para manter a coisa de pé a qualquer custo. Se você parar de dar manutenção, desmorona e mesmo que você continue dando manutenção, vai desmoronar também. Espichamos um pouco a durabilidade destas coisas no tempo, mas nada do que é feito no tempo é eterno .

A parte interessante deste Princípio é nos fazer perceber a utilidade de tudo que é feito, porque nós não criamos nada na matéria .

Isto aqui não foi criado, foi feito, foi feito a partir de quê? Foi feito a partir de alguma coisa que já existia. Por exemplo, a prateleira foi feita a partir de algo que já existia, você não cria nada no nível da matéria esta é a diferença que estava faltando.

Se colocarmos todo o nosso tempo para fazer coisas, não estamos criando nada. Se nós, através daquilo que fazemos, estamos atentos que temos que criar alguma coisa, aí você deu o chamado

‘caiu a ficha’, o milagre quando acontece traz esta capacidade para você , de ver com clareza a utilidade de todos os objetos, de todas as coisas materiais como úteis. Não quer dizer que você vai viver sem, quer dizer que você vai valorizar como utilidade, sabendo que aquilo tem um tempo de duração. Atualmente as coisas já saem da loja com o tempo de validade. Compra uma fruta, você sabe, por exemplo, que a validade de é dois dias, outros produtos é vinte. Os eletrodomésticos, a geladeira, por exemplo, você sabe que vai durar um ano, você vai comprar um micro na loja, você sabe que vai comprar aquilo para durar um ano ou dois , depois não serve para mais nada, você não vai conseguir vender por praticamente nada, vira sucata, uma coisa que ninguém mais quer. Praticamente as coisas estão assim. É ótimo que seja assim. Porque nós percebendo e avaliando isto do nível material, ficamos injuriados com isto, praticamente estamos pagando um aluguel. Se você compra um carro, dura aproximadamente cinco anos, se você vai contabilizar, você pagou aluguel para utilizar aquilo. Você compra um aparelho eletrônico ele vai durar por um tempo, se pifar não tem mais peças de reposição, não fabricam mais, o destino é a sucata.

Com isso estamos apressando, se nós quisermos assim, a nossa capacidade de aprender que todo investimento que fazemos nisso é devido a sua utilidade temporária, para não ficarmos presos às coisas, a nada, nem ao micro, nem à casa, nem ao carro, nem mesmo ao corpo, isso não significa que não vamos cuidar bem daquilo que está a nossa disposição. Mas temos que ter com clareza que tudo isso é temporário.

Participante: Fazemos as coisas na matéria, porém temos que aprender a criar?

Jorge: O livro coloca: O que temos que aprender? Temos que aprender a criar! Não tem outra coisa para aprender. Como ele diz que os corpos físicos, como tudo, são instrumentos de aprendizado e este aprendizado a gente vai ter fazendo.

Vou fazer esta almofada e vou dá-la para você, a almofada um dia vai terminar, mas nunca mais vai conseguir desfazer aquele gesto de amor, a almofada serviu como veículo para levar o amor até você. O presente é o veículo para levar o nosso amor . O que queremos dar quando damos um presente para alguém? Queremos dar nosso amor, nossa alegria! Então usamos o objeto como veículo. Escolhemos algo que achamos que a pessoa vai ficar feliz. Felicidade e amor, alegria dentro desta compreensão são a mesma coisa.

Se você trouxer um presente para mim e eu aceito aquele presente e fico muito feliz, então, posso jogar o presente no lixo na tua frente, não é? Pode!

Participante: A criança faz isto quando não gosta.

Jorge: Não é porque gosta ou não gosta. Vou jogar no lixo porque eu gostei. Vou começar a identificar, vou receber a alegria que você está me trazendo, o teu amor. O objeto cumpriu a sua função.

Participante: Quanto ao presente ser o veículo, me lembrei duma história que o Jorge contou um dia desses: Um convidado vai a festa de aniversário, usando um táxi como veículo e está levando um presente para o aniversariante para ser o veículo para levar a alegria, o seu amor.

A importância que damos ao presente seria a mesma coisa que, ao chegar na casa do aniversariante, este abraçasse o táxi ao invés do convidado.

Damos mais importância para o veículo do que para o passageiro.

Jorge: Aprendemos a ter o discernimento para valorizar o que realmente tem valor. Aquilo que a gente leva para outra pessoa, aquilo é o que realmente criamos, isso não termina mais. O que nós fazemos para transportar isto, isto acaba. Esta sala também, o que nós criamos aqui para nós, isto vai ser eterno, mas a construção que estamos utilizando, isso acaba, não quer dizer que não vamos cuidar bem dela. Esta é a compreensão que realmente o milagre pode nos trazer, aprender a discernir desta maneira.

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Capítulo 3 - A PERCEPÇÃO INOCENTE
VI. O julgamento e o problema da autoridade
6.
Deus oferece só misericórdia. As tuas palavras só deveriam refletir misericórdia, porque isso é o que tens recebido e isso é o que deverias dar. A justiça é um recurso temporário, ou uma tentativa de ensinar-te o significado da misericórdia. Só é julgadora porque tu és capaz de injustiça.

Participante: Preciso compreender qual é o significado de ‘misericórdia’.

Participante: A igreja usa a palavra ‘misericórdia’ no sentido de perdão.

Participante: Compreendo ‘misericórdia’ como sendo pureza de coração, sem julgamento, o perdão incondicional. ‘Miséria’ significa sem nada e ‘córida’ significa coração.

Jorge: Coração vazio de qualquer julgamento. Miséria no sentido de que não tem nada implícito. Se for assim, seria o coração sem nada. O que seria esse sem nada? Não tem nada de julgamento. Isto pode fazer sentido. Não tem nenhum conteúdo, assim não tem nada para julgar. Então misericórdia seria coração que não julga. A gente só julga conteúdos . Então, colocando desta maneira, ele diz que a justiça pode ser útil para a gente aprender o que é isto.

Não é a instituição do Poder Judiciário, não é isso que estamos trabalhando. Mas a nossa capacidade interna de aprender o que é justo e deveríamos aprender com a justiça, a misericórdia e não o julgamento.

Participante: A justiça que fazemos não está associada ao ego?

Jorge: Na justiça exterior, a engenhosidade vem mais dos advogados. As nossa próprias defesas, neste sentido, começamos a nos colocar de advogados de nós mesmos. Neste sentido é que começa a engenhosidade a funcionar e a engenhosidade é do ego.

Por exemplo, eu fiz uma coisa errada, não é justo eu fazer isto. Eu deveria aprender, com a justiça, a misericórdia. Se a misericórdia tem um significado que nós alcançamos aqui, que seria um coração isento de qualquer conteúdo, de qualquer julgamento, nós iríamos, imediatamente, resolver isto e voltar a colocar a coisa num nível justo.

Então o que é que eu faço? Começo a julgar, chamo o meu advogado e digo: Eu fiz isso, mas o outro também fez aquilo; mas todo mundo faz, porque eu não faria....!Começo a ser engenhoso para construir uma defesa para aquele ato que fiz. Dissemos : Ah, seria injusto o outro fazer e eu não! Isto começa dentro da minha mente todo este processo que depois exteriorizamos quando a gente tem uma causa com outra pessoa. Daí entra a justiça exterior, mas isto tudo acontece internamente, é aí que teríamos que resolver com nós mesmos tudo disto, é claro que vamos usar muita engenhosidade.

A justiça é instrumento para aprendermos a misericórdia. No nível da misericórdia não tem mais este conceito de justiça, porque não tem mais conteúdo nenhum para ser julgado.

Devemos aprender, quando acontecer uma coisa que caberia uma invocação da justiça, deveríamos aprender a tratar aquilo internamente com misericórdia. Então, misericórdia seria o coração puro, sem nenhuma espécie de julgamento da outra pessoa. Isso seria o justo.

Aí teríamos conseguido chegar no nível da misericórdia. Se nós usarmos a misericórdia para fins de julgamento, estaremos usando um instrumento de justiça de uma maneira que vamos usar para julgar ao invés de aprender a misericórdia. Somos capazes para usar a justiça para julgar, porque nós somos capazes da injustiça, senão não usaríamos ela para julgar. Enquanto ainda tivermos esta capacidade de cometer injustiça, vamos usar a justiça com engenhosidade para julgar.

Participante: Naquela história de Maria Madalena, quando Jesus disse: ‘Atire a primeira pedra .. .’ Jesus uso de misericórdia.

Jorge: Sim. A justiça foi usada porque eles estavam fazendo injustiça e ela foi usada para aprender a misericórdia. É isto que deveríamos fazer, utilizar a justiça desta maneira, para zerar tudo, todas as pedras, todos os conteúdos que nós temos a respeito de qualquer coisa que possamos usar como julgamento.

Participante: Quando eu perceber uma situação, compreender e entregar para o Espírito Santo, também seria misericordioso, não?

Jorge: Enquanto a gente não aprende, talvez o ideal seja entregar para o Espírito Santo ao invés de julgar. Eu pessoalmente, cada vez que faço um julgamento, erro. Tenho dito constantemente que preciso para de julgar, não acerto mais nada. Digo assim: Ah, acho que hoje o Fábio não virá porque o tempo está ruim. Daí o Fábio chega. Outro dia digo: Acho que o Fábio virá porque o tempo está bom. Daí o Fabio não vem. Todos os julgamentos que estou fazendo a respeito de situações estão dando errados. Não estou mais acertando uma, tenho que parar de julgar. É neste sentido que se trabalha o julgamento, no momento que eu conseguir ter esta abertura no coração para não julgar, para deixar a coisa sem nenhum conteúdo, talvez seja o aprendizado da misericórdia.

Participante: Em que situações devemos usar a misericórdia?

Jorge: Para tudo que nós fazemos. Tudo o que nós buscamos em Deus, nos dá sempre com julgamento zero, sem nenhum julgamento. Ele não olha para os nossos conteúdos que segundo a nossa percepção caberiam serem julgados, Ele não julga nada.

Participante: Então , não há nada a ser perdoado por Deus.

Jorge: Neste sentido, sim! Deus não perdoa porque Ele não tem nada para perdoar. Se Ele fosse ter que perdoar ...perdoar o quê? O perdão é baseado num conteúdo que Deus não vê . Deus, de fato, não nos dá o perdão, Ele dá a misericórdia, que é a ausência absoluta de qualquer conteúdo. Esses são os miseráveis, este é o coração miserável.

Quando nós nos voltarmos para Deus é isso que nós vamos encontrar, ausência absoluta de julgamento, punição, castigo, apenação, ou qualquer coisa. Vamos encontrar tudo zerado, o coração limpinho, que não guarda nada, nenhum conteúdo que possa ser usado contra nós. É isto que deveríamos fazer com as nossas palavras, não utilizá-las para julgar o conteúdo das outras pessoas. Deveríamos receber as outras pessoas com aquele coração limpo. Se alguém chegasse e me dissesse: Ah, Jorge eu julguei mal você! Eu então diria: E daí? Outra pessoa dissesse: Ah, Jorge acho que uma vez eu te magoei! Diria, então: Não magoou, não consegue me magoar! Não ter nada guardado no coração, coração miserável. Não precisa dar nenhum conteúdo, assim você não precisa dar nenhum julgamento para os outros, só dá amor, alegria, só receptividade, só a boa recepção.

Participante: Isto é possível fazer?

Jorge: Claro! Isto tudo está na minha mente, o pecado, o erro, o equívoco, eu que tenho que buscar zerar tudo isto. Esses conflitos, essas tensões, os medos, não tem nada a ver com Deus. Quando eu zerar isto, eu estarei com Deus. Quanto mais eu zero estes conflitos, mas criativo eu fico. A partir deste momento temos que usar palavras para criar e não para fazer os nossos julgamentos.

Participante: Usamos nossos pensamentos, palavras, atos e omissões para julgar.

Jorge: Vamos ficando mais criativos na proporção que nós desfazemos. Como desfazer? Ora, se eu tenho dentro de mim uma mágoa, um ressentimento, isso eu fiz para mim mesmo. Quando eu desfizer isto, através do perdão e da Expiação, nesta mesma proporção volto a ser criativo.

Eu gosto muito de renascimento, é um dos instrumentos que mais eu aprecio. O Princípio 13 diz: Milagres são afirmações de renascimento, desfazem o passado no presente e assim liberam o futuro. Também é a carta 13 do discernimento, onde a gente aprende a ver o que é útil e separar o supérfluo.

Participante: O Julgamento, que se refere este parágrafo, qual carta do Tarô seria?

Jorge: Tudo é os nossos julgamentos, aqui tanto pode ser a carta da Justiça como pode ser o Julgamento em si. Quando se trabalha a carta da Justiça temos que compreender, que é a justiça interior, nada a ver com a Justiça externa, é disto que estamos tratando aqui também .

Quando a pessoa vem com esta situação que chamamos de carma, pecado, erro equívoco, é isto que tem que trabalhar. Ou então, como eu aprendi, na minha formação Católica, o exame de consciência, para zerar tudo aquilo que está em aberto. Me lembro que no catecismo era ensinado: Não vá dormir com nada pesando na consciência, todas as noites, antes de dormir faça um exame de consciência para ver o que tens que trabalhar para reconciliar. Se tivesse feito durante toda a minha vida, hoje estaria tudo zerado. Mas, quantas vezes fui dormir com conflitos e no outro dia ‘Ah, isto foi ontem!’ e guardei. Fica lá guardado porque não foi resolvido.

Ao mesmo tempo, como diz no parágrafo, não tem nenhum julgamento externo vindo de Deus. Então não espere o Juízo Final vindo de lugar nenhum. O Juízo Final é apenas o momento em que você faz o seu último julgamento. De agora em diante eu não vou julgar mais!

Como seria não julgar mais? Se vem arroz, eu como o arroz! Se tem sal ou não, vou comer igual! Feliz, não vou dizer que está bom nem que está ruim!

Hoje me ocorreu uma coisa, nós trabalhamos muito com a questão do julgamento. Assim: Se disséssemos: ‘Bom Dia!’ estaríamos julgando, porque bom é uma qualidade, assim é um adjetivo que estou usando para julgar, então, o dia poderia ser ruim, está qualificando. Por que você está dizendo que é bom? Por que ele poderia estar ruim? São julgamentos que nós fazemos, de maneira que não percebemos isto como julgamento. Tudo tem opostos, ou nós julgamos a favor do bom ou do ruim .

Daí hoje me ocorreu assim, digo para a pessoa: Ah, uma benção! A benção não tem opostos! Amor não tem opostos! A benção é amor, não tem opostos!

O oposto do amor não é o ódio, é o medo, não porque o amor tenha oposto, mas porque o medo se opõe ao amor. Quando você está com medo, você se opõe ao amor. O ódio é um subproduto do medo.

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Capítulo 3 - A PERCEPÇÃO INOCENTE
VI. O julgamento e o problema da autoridade
7.
Eu tenho falado de diferentes sintomas e nesse nível há variação quase sem fim. Contudo, só há uma única causa para todos: o problema da autoridade. Esse é “a raiz de todo o mal”. Cada sintoma que o ego faz envolve uma contradição em termos, porque a mente está dividida entre ego e o Espírito Santo, de forma que qualquer coisa que o ego faça é incompleta e contraditória. Essa posição insustentável é o resultado do problema da autoridade que, por aceitar o único pensamento inconcebível como sua premissa, só pode produzir idéias que são inconcebíveis.

Participante: Não reconhecemos a autoridade do Espírito Santo em relação ao Ego.

Participante: Deus é a causa, e o filho é o efeito. Tudo que o filho faz, não estendendo isto, dá defeito. Tudo o que o filho faz, pensando que ele é a causa, dá defeito.

Participante: Autoridade neste parágrafo é sinônimo de autoria.

Participante: A autoridade é a expressão máxima do ego. Cada escolha que faço são completamente contraditórias na sua essência.

Participante: Foi falado que a autoridade é a expressão máxima do ego, sendo autoridade autoria, quando eu estou criando eu também não estou sendo autora?

Jorge: Não! Quando eu estou puxando para mim a autoridade, estou puxando para mim como se eu fosse a causa, estou dando causa. Sempre que eu der causa a alguma coisa, estarei fazendo. Então, puxei para mim a autoria de tudo e eu não sou autor de nada. É como se eu dissesse que eu sou autor de mim mesmo. Quem me criou? Esse foi o autor! Esse é o verdadeiro autor, eu sou um efeito da criação e não a causa. Mas eu posso puxar para mim a causa, então, começo a entender que eu sou autor de mim mesmo, isso é a personalidade do ego. O ego tenta usurpar a autoria para si mesmo. Nesta afirmação, nesta usurpação da autoria ele se torna autoritário. Neste sentido a autoridade, o autoritarismo é a expressão máxima do ego. Porque o ego quer controlar e o controle só se faz com autoritarismo. Autoritarismo é uma derivação da palavra autoria. Todos os sintomas que podemos perceber, só tem uma causa: A autoridade.

Quando você se coloca como diz a nossa meditação: Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil, estou aqui para representar aquele que me enviou..., você não estará dando causa a si mesmo, você não está aí por causa de você . Você está aí por causa daquele que te enviou.

Por que você veio até aqui? Eu vim aqui por causa do meu Pai, pela causa do meu Pai. Neste sentido o Pai é a causa eu sou o efeito. Quando eu tento negar isto e dizer que vim por minha causa, não consigo fazer nada perfeito.

A perfeição se estende, eu não crio a perfeição, porque a perfeição já foi criada, não há como eu criar a perfeição, só posso estendê-la. Para estendê-la eu tenho que ir em causa de que criou a perfeição. Eu me estendo na Sua Criação. Este ato de se estender na Criação é o que podemos chamar de co-Criação. Então, estarei estendendo a Criação.

A pessoa que tem muita autoridade ela acha que ela tem que controlar, no sentido de autoridade, não de autoria. Por exemplo, um juiz é uma pessoa que tem autoridade, mas ele não criou a lei. Ele sabe que ele não é o autor da lei, mas ele exerce as leis com autoridade. Às vezes, ele pode usar esta autoridade como se ele fosse o criador, ele puxa para si a autoria e exerce aquilo com autoridade e não como sendo uma extensão das leis à disposição da Justiça.

Outro exemplo, um pai de família tem uma extensão da criação, mas ele é extensão, assim como os filhos vão ser a extensão do pai. Sou a extensão do meu pai, do meu avô, do meu bisavô. Quem me criou não foi o meu pai, não foi meu avô, nem o meu bisavô. Quem é o autor de mim mesmo? Não sou eu . É neste sentido que vamos buscar, chega um momento, como já citei, quando eu comecei a formar a minha personalidade, eu não aceitava mais nada que viesse dos meus pais, me rebelava contra eles. Quando o meu pari ou a minha mãe queriam me dizer alguma coisa eu dizia: Eu não preciso de conselhos, eu sei errar sozinho!

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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