UM CURSO EM MILAGRES
26 DE OUTRUBRO DE 2004
4ª FEIRA

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

Exercício da semana passada: Confiar no outro e confiar no seu próprio espírito.

Conectar e estender. Abandono minha vontade e faço a Tua.

Participante: Esta semana tive um problemas de saúde, fui parar no hospital. Então, para sair do medo eu olhava para cima e entregava, nas mãos do Espírito Santo, a minha mente conturbada. Mas logo em seguida aqueles pensamentos voltavam e eu tornava a entregar ao Espírito Santo.

Participante: Eu me dei conta duma situação assim: Se eu entrego uma tarefa para alguém em que eu confio, então, confio que esta pessoa vai fazer como eu quero e se não fizer eu vou lá e vou cobrar dela. Agindo assim não estou entregando totalmente, entregar soltando é diferente.

Há algum tempo estou fazendo este exercício de entrega, nem sempre consigo. Mentalizo a seguinte frase: Espírito Santo, estou a Tua disposição para realizar a Vontade do meu Pai.

Jorge: Você disse que fez uma frase, na língua portuguesa frase e oração são a mesma coisa. Tem um Princípio que diz que ‘a oração é o veículo dos milagres’, tem outro que diz ‘pedi e recebereis’ e outro que diz ‘que você não precisa se preocupar, que tudo que você precisar saber ou fazer lhe será dito’. Realmente o que temos que aprender é entregar e não se preocupar mais.

Foi chamado atenção para um aspecto bem interessante que é assim: eu entrego a tarefa mas não o controle .

Você diz para a pessoa: -Resolva isto para mim!

Daqui a pouco você vai lá e diz: -Deixe-me ver se você está resolvendo do jeito que eu quero! Fomos treinados para fazer isso, ‘entrego mas fiscalizo’, passa a tarefa mas vai lá ver se está sendo feito direito. Se você tem empregados, por exemplo, é muito difícil uma pessoa que tenha esta disciplina que a gente possa confiar. Aí é que entra o nosso exercício. Confiamos em quem detectamos que tem esta disciplina, para quem entregamos, além da tarefa, o controle da tarefa e para outras pessoas, nas quais não confiamos, não entregamos o controle da tarefa.

Quando você confia você entrega a tarefa, o controle e o resultado da tarefa. Para as situações que você não consegue resolver, entrega para o Espírito Santo e confia! Libera o resultado também!

Também é assim, qualquer ação que fossemos iniciar, deveríamos colocar neste nível: ‘Se a Tua Vontade estiver de acordo com a minha’. O que, às vezes, temos que aprender é abdicar da nossa vontade, para deixar o fluxo natural das coisas acontecerem .

Uma História:

Na segunda-feira vim aqui para o Grupo, havia, aproximadamente, dez pessoas e ninguém estava com o livro. Cada qual queria fazer de um jeito, um queria telefonar para Raquel trazer um livro, outro queria ir para casa buscar... Daí paramos e decidimos, se não tem o livro, vai ser sem o livro! Temos que aprender que, quando uma circunstância está montada de uma maneira, temos que fazer nestas condições. Não é que não tenhamos de fazer nada, isso talvez seja um exercício de entrega. Vamos entregar para ver o que é que flui.

Têm coisas que nós não conseguimos fazer, estas entregamos, o resto vamos fazendo, isto é uma preparação para entregar as outras também. O que o diretor de uma empresa faz? Ele entrega tudo para os outros fazerem. Isto é um treinamento para ser um diretor de empresa. Entregar tudo para o Espírito Santo!

Não se preocupar com o que fazer e deixar que o Espírito nos dirija, abandonar, no sentido de abandonar a nossa vontade, para nos colocar no nível ‘se a minha vontade estiver de acordo com a Tua’, isso não vai sinalizar que agora eu não vou fazer mais nada e sim eu vou fazer melhor as coisas. Porque através do exercício da minha profissão, do serviço que presto é que vou estender até a outra pessoa aquilo que estou levando, necessariamente, não é um objeto material.

O presente é o veículo daquilo que você quer levar até a outra pessoa. Se você quer levar amor, então você leva um presente com o qual você acha que a pessoa vai se sentir bem amorosa, rosas por exemplo. Se você quer dar uma alegria para outra pessoa , compre algo que vá deixa-la bem alegre. Se você mandou rosas para uma pessoa, você quer fazer aflorar o amor, quer levar isto até a outra pessoa. Você mandou as rosas às 3 horas da tarde , você chega lá às 7 horas, você chega e a pessoa está extremamente amorosa. Importa o que ela fez com as flores? Se ela jogou as flores fora ou colocou no vaso, importa isto para você? As flores foram o veículo para levar, até a outra pessoa, aquilo que você queria entregar a ela.

Dar e receber são a mesma coisa. Você dá alegria, você vai lá e recebe alegria em troca. Quando você envia amor para a outra pessoa, quando você encontrá-la, vais receber como resposta o amor que você enviou. Por isto dar e receber são a mesma coisa.

Tenho um sobrinho que trabalha com comércio, tem épocas que ele está vendendo um produto e outra época está vendendo outro. Um dia perguntei para ele como era isso de trocar de mercadoria e ele me disse: É comércio, é tudo igual!

Através do exercício das nossas atividades, não importa quais sejam, se a minha atividade é, por exemplo, falar ou levar um produto até a outra pessoa, não importa se existe comércio, aquilo é um veículo para a minha realização pessoal. Então tenho que fazer aquilo de maneira amorosa, se quero receber amor das outras pessoas .

Se eu trabalho num Banco, minha função é vender seguros, vou fazer aquilo da melhor maneira que eu puder, da maneira mais amorosa. Quando a pessoa me ver vai olhar para mim com olhar amoroso. Tudo que você faz, recebe da mesma maneira.

Então, este confiar seria: Confio que Você vai me dirigir para que eu seja sempre amoroso e todo serviço que eu presto estenda-se de maneira amorosa ou alegre ou e feliz e leve amor, alegria, paz, confiança às outras pessoas. Não importa o que eu estou fazendo, como diz o sobrinho, é tudo comércio, não importa qual a mercadoria, é tudo igual, só muda a forma, a cor, o aspecto, é o veículo para trazer dinheiro. Se quero usar desta maneira, funciona, se a pessoa entende assim. Mas, se além do dinheiro, que é conseqüência do trabalho, você quer entregar isso para trazer paz, alegria, amor, então você coloca isso no objeto que você está levando até a pessoa, naquilo que você faz. Coloca amor! Volta amor, se você olhar com olhar amoroso, se colocar amor naquilo que você está prestando como serviço. Por exemplo, se vou fazer uma faxina, uma limpeza, se eu fizer aquilo amorosamente a pessoa para quem eu prestei o serviço vai perceber, porque foi muito bem feito. Quando se faz com amor, não vai ficar mal feito, só fica mal feito quando eu saio desta conexão amorosa.

Vamos aprimorar este exercício durante esta semana, focalizando o conectar e estender . Em tudo que nós fizermos agora, vamos conectar com esta energia alegre, pacífica, amorosa e vamos estender isto à outra pessoa, usando como veículo a minha atividade. Se, por exemplo, eu for preparar o almoço, é ali que vou fazer. Se for vender frutas na feira, é ali que eu vou colocar o amor .

Participante: Eu trabalho num banco e procuro fazer tudo da melhor forma possível, mas têm clientes que já chegam irritados. Eu faço meu trabalho com amor, mas a outra pessoa, às vezes, me devolve o contrário. Eu vou receber o amor que estou dando para a pessoa?

Jorge: O cliente chegou assim, mas não saiu assim, depois que falou contigo. Existem pessoas que têm resistência a receber amor, só que aquilo que você dá, a pessoa leva com ela, às vezes, ela só vai abrir o pacote em casa. Vai dizer ‘puxa vida, aquele moço lá me trata tão bem’ e vai aceitar.

Participante: Geralmente recebemos de alguém de quem nem imaginamos.

Jorge: Esteve uma moça aqui e ela estava bem desesperada, me contou a seguinte história.

Uma história: Durante 35 anos da sua vida ela deu tudo para todas as pessoas da sua família e seus amigos. Quando uma irmã precisava que alguém cuidasse das crianças para que ela pudesse ir ao cinema, quem ela chamava? A Mariazinha! Outra precisava cem reais emprestado e ela emprestava. Assim era durante toda sua existência, estava sempre dando para os outros tudo o que ela tinha. Ela nunca precisou de ninguém.

Aconteceu que ela precisou de ajuda numa situação. Foi procurar as pessoas que ela havia ajudado e cada um veio com uma desculpa, um porque estaria viajando, outro porque era aniversário de não sei quem, assim por diante...ninguém podia ajudá-la.

Ela queria saber onde estava o erro. Eu coloquei justamente este aspecto.

O erro está que você espera receber onde você entregou. Isto acontece quando você faz comércio. Com o comércio tem que ser assim, você pagou o dinheiro em troca de alguma coisa. Mas quando você dá alguma coisa para uma pessoa e fica esperando que aquela pessoa, um dia possa te ajudar quando você precisar, provavelmente não vai acontecer assim.

Quando você dá alguma coisa para uma pessoa e fica preso aquilo é o que diz esta frase: A mão direita não pode saber o que a esquerda faz, nem a esquerda o que a direita faz.

Tudo no universo é redondo e tudo gira, faz movimento de rotação, translação e tem mais um movimento, são três movimentos.

Todo universo faz isso, gira em tono de si mesmo e gira em torno dos outros, gira em torno da galáxia e a galáxia gira...., assim o universo todo está em movimento.

Então é assim: Você imagina o redondo, porque tudo é redondo, tudo está girando e tudo que começa a girar, começa a ficar redondo, o próprio movimento do giro vai desgastar até formar o redondo. Por isso todos os planetas, as estrelas, os astros são redondos. Então, eu vou dar com a mão direita e vou prendê-la aqui e vou esperar que a resposta venha daqui. O que estou fazendo quando fico preso aqui, onde eu dei? Eu travo todo o movimento do universo!

Nós já conversamos aqui sobre prestar serviço. O chinês está lá do outro lado plantando arroz que eu vou ter que comer amanhã ou no mês que vem. Esse arroz vai ser colhido, colocado dentro de um container, daí num navio e vai ter que vir até aqui onde eu estou. Isto vai acontecer num movimento em torno do redondo, porque o planeta é redondo. Se eu prendi este movimento, na hora em que eu vou precisar de arroz o arroz vai estar lá na China, não vai estar aqui na minha mão. Aquele chinês que iria estar aqui para me prestar o serviço não vai estar, vai estar lá. Mas se eu solto o movimento e solto a mão, na hora em que eu precisar aquela outra pessoa que presta o outro serviço vai estar aqui. Porque eu presto determinado serviço, você presta outro . Quando eu presto o serviço de consertar sapatos para você eu não vou ficar esperando que um dia, que eu precisar um conserto de sapatos, você vá fazer para mim, porque você faz pão.

Esta moça da história, ficou presa naquilo. ‘Durante 35 anos eu não precisei, o dia em que precisei todo mundo caiu fora’. Claro, ela prendeu energia naquilo. Esperando que aquelas pessoas fossem dar aquilo que ela precisava agora. Se tivesse liberado, alguém bateria à sua porta para entregar o que precisasse.

Tudo gira, tudo é cíclico. Temos que nos preparar para o melhor, quando ficamos investindo no pior, vamos receber o pior . É isso que compreendemos com essa coisa que tudo é redondo, dar e receber é a mesma coisa. No comércio também funciona esta lei, agora com esta compreensão, podemos entender assim, eu dou mais e recebo mais, mas daí é comercio, estou esperando que me preste aquele serviço, aquela pessoa que estou pagando. É a primeira iniciação para ter a compreensão de que dar e receber são a mesma coisa. A segunda compreensão é quando nós damos sem esperar receber, dou e libero aquilo que estou dando. Aí o universo vai se encarregar de mandar alguém trazer para mim o que preciso. É nisso que nós não confiamos, por isso ficamos presos.

Muitas pessoas fazem caridade pensando que, se um dia precisarem, terá alguém para dar uma coisa para elas.

Participante: Têm pessoas que fazem caridade achando que Deus vai dar uma recompensa para elas.

Jorge: O que elas estão fazendo? Estão vendendo uma coisa, estão fazendo um comércio, mas não aprenderam a fazer comércio. Quando você faz comércio, entrega o dinheiro quando receber a mercadoria. Temos que aprender a fazer comércio e temos que aprender a fazer doação. Quando você faz a doação, você tem que dar.

Algumas pessoas fazem caridade porque têm sentimento de culpa. Sabemos que todos têm direito a ter tudo igual, quando você tem mais, porque existe aquela coisa ‘quem tem mais não vai pro céu’, então, se eu der uma moeda daquilo que tenho, alivio a minha culpa. Isto não faz sentido, não tem razão, não tem que ver como culpa aquilo que você tem a mais. Isso pode ter vindo de compreensões equivocadas, talvez daquela história que Jesus contou que era mais fácil um camelo passar pelo buraco duma agulha do que um rico ir para o céu. Dali as pessoas começaram a compreender que não era para ficar rico. Se você for olhar no Velho Testamento, está lá, ‘..não sei quem foi abençoado por não sei quantos criados, por grande fortuna, porque seguia a Deus’, no Novo Testamento isto inverteu. Nosso ego inverte tudo, joga, ele faz a gente não resolver, mas contornar a situação para fazer uma compensação. A compensação não faz com que aquele sentimento se resolva, ele fica guardado na nossa ‘caixa preta’ . Quem já participou de Renascimentos sabe como temos coisas guardadas que não estão resolvidas. Mas a gente vai fazendo compensações.

PRINCÍPIO 5
Milagres são hábitos e devem ser involuntários. Não devem estar sob controle consciente. Milagres conscientemente selecionados podem ser guiados de forma equivocada.

Jorge: Temos o poder para direcionar, como diz o livro, daí não é um milagre, ele se transforma em magia.

É uma garantia, quando oferecemos sem direcionar, não ter reverso, porque o amor não tem a outra face . Qualquer outro sentimento que você colocar tem duas faces. No início do livro diz ‘que o oposto do amor é o medo, não que o amor tenha opostos, mas porque o medo se opõe ao amor’. Então, o amor é o único sentimento que não tem opostos. Se ele não tem opostos, os outros têm, qualquer coisa pode reverter contra você , se você oferecer amor nunca isso vai reverter contra você . Vai reverter contra você o sentimento de culpa se uma coisa deu errada. Quando a gente faz as coisas por nós mesmos, acaba dando errado.

Este é o aprendizado que temos que ter. Quando entregamos totalmente para o Espírito Santo, já que Ele faz a mediação dos milagres, porque Ele está em cima, Ele pode ver com a lente convexa tudo que está abaixo, nós só olhamos com a lente côncava, fechada, temos a tendência a direcionar, porque achamos que aquilo ali que vai resolver a questão da pessoa. Com a lente convexa Ele vê o que pode acontecer depois, o que pode ser bom, o que pode alterar a harmonia universal

Uma história:

Havia um rei que tinha um sábio como assessor direto. Qualquer coisa que acontecia no reino e que ele não sabia, chamava o sábio. Por exemplo, se caiu uma ponte, chamava o sábio e perguntava:

-Por que caiu a ponte?

O sábio pedia 24 horas para pensar, no dia seguinte ele chegava na presença do rei e respondia:

-Posso te dizer, Majestade, que foi para o benefício do reino!

-Ah, que bom então!

Tudo o que acontecia no reino, o rei chamava o sábio e o sábio, após 24 horas, vinha com esta resposta: Foi para o benefício!

Com o passar do tempo o rei já estava se tornando sábio também, porque a resposta do sábio era sempre a mesma: Foi para o benefício!

O rei e o sábio fizeram grande amizade, talvez por isso o sábio se mantinha no reino.

Um dia foram caçar na floresta e aconteceu um acidente e o dedo do rei foi decepado neste acidente. O rei não conseguia admitir que isto tivesse acontecido com ele, então, perguntou ao sábio:

-Por que isto aconteceu comigo, sou um homem tão bom, tão justo?

O sábio pediu as 24 horas habituais e voltou com a resposta:

-Foi para o benefício!

Enquanto a história não foi com ele, o rei foi aceitando as respostas do sábio, mas agora era com ele e não aceitou mais, ordenou que o sábio fosse jogado no calabouço e que fosse mantido lá a pão e água.

O rei ficou curado do ferimento da mão e foi caçar novamente. Nesta caçada passou um bando de canibais e prenderam o rei. Quando os canibais viram que se tratava duma realeza e eles ofereciam sacrifícios para os deuses, prepararam o caldeirão e lá colocaram o rei como oferenda. A água já estava começando a esquentar, os canibais contentes, dançavam em volta da fogueira, pois era a melhor oferenda que já tinham conseguido para o seu deus. Imagina oferecer um rei! De repente um dos canibais disse:

-Parem com tudo!

Os outros perguntaram:

-Mas o que aconteceu?

-Não podemos oferecer este homem para nosso deus!

-Mas por quê?

-Ele é imperfeito, lhe falta um dedo. Deus é perfeição, se oferecermos um homem, mesmo que seja um rei, imperfeito, nosso deus vai ficar muito irado e vai nos castigar!

Então, os canibais liberaram o rei.

O rei chegando em casa viu que o sábio estava certo e mandou soltá-lo, ordenou que fosse preparado um jantar para oferecer ao sábio. Durante o jantar pediu perdão ao sábio e admitiu que realmente foi para o benefício.

De repente, durante o jantar, o rei se deu conta de algo e perguntou:

-Eu perdi o meu dedo e já compreendi que foi para o benefício e esses quase dois meses que você ficou lá no calabouço, para que serviram?

Novamente o sábio pediu as 24 horas e no dia seguinte voltou e abriu as suas mãos na frente do rei, mostrando que ele tinha os dez dedos. Se ele não estivesse preso, certamente estaria junto na caçada naquele dia, assim ele teria sido a oferenda dos canibais.

Quando tentamos julgar os acontecimentos com a nossa lente côncava, nós tendemos a errar. É por isso que aquilo que não podemos compreender, joga para cima, a lente de cima é convexa , ali nós nos isentamos do julgamento e dali pode vir a compreensão do sábio que vai nos dizer porque aquilo aconteceu. Nós não temos condições de avaliar se aquilo foi um bem para a pessoa ou não. Nosso ego quer julgar, julgar, julgar e quer ter o controle da situação. Para que nós não tenhamos o julgamento equivocado, tem que ser entregue para cima e não horizontalmente. Este julgamento que fazemos, vai ficando em aberto na mente e cada coisa que fica em aberto na mente, mais tarde não vamos saber como fechar isto.

Hoje um casal foi na livraria comprar uma coisa, aí a Raquel disse:

-Ah, eu não tenho sacola maior!

O marido falou:

-Puxa vida! Esqueci a minha sacola lá no restaurante! E saiu correndo para o restaurante.

A esposa fez a compra e foi atrás do marido, eu não sei se achou a sacola ou não! Vejam como vamos deixando coisas em aberto. Que julgamento é esse que eu tenho que dar uma conclusão se a pessoa achou a sacola ou não? É muito louco isto! Mas fica em aberto!

Participante: O oposto do amor é o medo. O amor não tem oposto?

Jorge: O amor não tem oposto, mas o medo tem. O medo se opõe ao amor. Uma pessoa que está com medo não consegue aceitar o amor. Por isso quando a pessoa vai lá ‘com o pé esquerdo’ já está com medo, já está estressada, então ela não aceita o amor, não consegue compreendê-lo, o medo se opõe ao amor. Sai de lá, ainda com o ‘pé esquerdo’, mas o amor que você deposita é cumulativo.

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Capítulo 3 – A PERCEPÇÃO INOCENTE
VII. Criar versus auto-imagem
3. Já discutimos que a queda ou a separação anteriormente, mas o significado disso tem que ser compreendido de forma clara. A separação é um sistema de pensamento bastante real no tempo, embora não na eternidade. Todas as crenças são reais para aquele que acredita. O fruto de apenas uma árvore foi “proibido” no jardim simbólico. Mas Deus não poderia tê-lo proibido, ou não teria sido comido. Se Deus conhece Suas crianças, e eu te asseguro que Ele as conhece, tê-las-ia posto em uma posição na qual a sua própria destruição seria possível? A “árvore proibida” foi chamada de “árvore do conhecimento.” No entanto, Deus criou o conhecimento e deu-o livremente às Suas criações. O simbolismo aqui tem recebido muitas interpretações, mas podes ter certeza de que qualquer interpretação que veja Deus ou Suas criações como se fossem capazes de destruir Seu próprio propósito é um erro.

Participante: A frase que mais me chamou a atenção, neste parágrafo, é ‘Mas Deus não poderia tê-lo proibido, ou não teria sido comido.’ Às vezes falamos ou ouvimos dizer: ‘Ah! Porque Deus não quis! O que Deus não quer simplesmente não existe.

Participante: A separação e “árvore do conhecimento”, isto não está bem compreendido por mim.

Jorge: Quando se fala em fruto proibido e este fruto seria o conhecimento, no parágrafo diz que Deus deu o conhecimento, então, Ele não iria proibir o conhecimento e diz também, que isto ocorreu com a separação. Compreenderia, a partir daí, que o conhecimento tornou-se um fruto proibido após a separação, proibido porque se perdeu o acesso para aquilo, não que Deus tenha proibido, mas porque tornou-se proibido em virtude de eu perder o acesso ao conhecimento.

O que nós trabalhamos desde o início? Nós separamos, para identificar o que é o quê, sabedoria de conhecimento. Sabedoria é aquilo que nós sabemos ‘eu sei que o céu é azul’. Um cego disse: Eu sei que o céu é azul, mas eu não conheço o céu, eu não conheço o azul! Eu não faço nem idéia o que seja azul, tão pouco o que seja o céu! Mas sei que o céu é azul! Ele coloca esta distinção, saber e conhecer, para que nós possamos alcançar o que Ele citou.

Muito bem, então nós sabemos e buscamos alcançar o conhecimento, é para isto que estamos aqui, porque nós queremos conhecer, atingir este nível do conhecimento. Sócrates disse: Conheça-te a ti mesmo! Sabendo que és Filho de Deus, quando você conhecer esta Verdade, você conhecerá tudo, todo o conhecimento estará a tua disposição. Começa por você, começa por conhecer-te, o que você é.

Isto que nós estamos buscando é voltar ao conhecimento e se voltarmos ao conhecimento isso vai deixar de ser proibido. Por que é que está proibido para nós? Porque nós acreditamos que nos separamos! Esta crença de que estamos separados de Deus é que torna o conhecimento proibido para nós. Então, isto está invertido da maneira como percebíamos antes, porque o ego inverteu.

Por que acreditamos que estamos separados de Deus? Porque quando você pensa em Deus, você olha para cima e fica esperando alguma coisa, você não olha para dentro, você não conhece a ti mesmo, você não sabe o que você é. Se somos uma Unidade com Deus, como eu vou ver esta Unidade? Nós vamos ver esta Unidade quando pararmos de achar que estamos separados!

Como que Deus permite que os seus filhos se separem? Ora, os filhos é que querem se separar quando criam o ego, a personalidade! Assim que eu comecei a crescer eu já não aceitava mais aquilo que o meu pai queria que eu fizesse. Eu queria fazer as coisas com a minha autoria, já queria ir morar sozinho, já queria sair de casa, conquistar o mundo. Era esse o meu objetivo, conquistar o mundo e não vencer o mundo, não é transpor o mundo, queria conquistá-lo, para isso eu não poderia estar sob a asa do meu pai e da minha mãe, porque daí, talvez a conquista seria atribuída a eles, eu seria o filho do Emílio, não seria o Jorge. Eu queria ser o Jorge! Isto me fez separar dos meus pais.

A gente começa o processo de separação na concepção, depois no nascimento, depois quando começamos a sair de casa para a creche, para escola, para as festas, para namorar . À medida em que nós vamos nos separando mais, que o corpo vai crescendo mais nós vamos dizendo que nós somos autores de tudo o que fazemos e queremos nos separar dos pais, porque enquanto estamos unidos com pai e a mãe a autoria é deles. Por exemplo, a mãe diz:

-Vai nesta festa aqui que é boa para você!

Se eu for, pode ser a melhor festa do mundo, e alguém perguntar porque eu vim nesta festa eu vou ter que dizer:

-É que a minha mãe disse que é boa!

O colega que perguntou vai dizer:

-O quê ? Que careta! Foi porque a tua mãe disse que era boa e não porque você achou que era?

Numa próxima oportunidade a mãe diz:

-Vá nesta festa que é boa para você!

-Não! Eu detesto esta festa eu vou na outra!

Eu começo a negar a autoria do meu pai e da minha mãe, eu quero ter a minha própria autoria.

-Eu fui nesta festa porque eu quis!

-Olhem, ele está virando gente!

Vamos nos separando, depois a vontade de ir embora, vai se repetindo, separa, separa, separa..., não tem mais união, só tem separação.

Participante: Fazíamos parte da Unidade com Deus, decidimos separar-nos. A separação ocorreu porque eu quis?

Jorge: Para a minha mãe eu ainda sou criança, a maioria das mães e dos pais ainda conservam o filho como filho, para eles não existe separação. O filho se separa dos pais os pais não se separam dos filhos, mesmo que os pais vão embora. Porque você não consegue anular esta união, você pode acreditar que estão separados, mas não está , mas você acredita que está . Hoje conseguimos mostrar isto de maneira científica, você não está separado, pai e filho são a mesma coisa, têm a mesma informação genética.

Outro dia eu estava numa loja e lá estava uma mãe tentando ajudar a filha adolescente resolver uma situação. A filha virou-se para mãe e disse: -Não se meta nas minhas coisas, isso é meu, eu é que tenho que resolver! A mãe vai ficar durante toda a existência unida à filha.

Participante: Como é este momento de eu escolher me separar de Deus?

Jorge:

Uma história:

Se olharmos por esta janela do sexto andar e vermos uma folha bem verde na ponta dum galho, o que sabemos que tem lá fora? Uma árvore! Você viu a árvore ou só viu a folha? Só vi a folha! Como é que você sabe que tem uma árvore?

Em algum lugar está escrito ‘todo aquele que se alimenta do meu corpo e do meu sangue, vive em mim e eu nele’. Então, se tem uma folha e ela está ligada, ela é uma árvore! Você sabe que a seiva do tronco da árvore são o corpo e o sangue que alimentam a folha. Deste modo a folha tem todo o conhecimento da árvore e a árvore todo o conhecimento da folha, não são separados.

Quando olhamos para uma árvore a gente não diz: Ali estão 500 folhas, 30 galhos e 35 raizes!

Aí acontece o seguinte, todo mundo que chega aqui diz: Olha que árvore bonita! Não há como dizer que a folha não é a árvore. Num belo dia dá um ventinho por este lado e a folha olha e não vê mais nada. Outro dia dá um ventinho pelo outro lado e a folha olha e não vê ninguém. ‘Espera aí, se eles só estão vendo a mim, eu sou a árvore!’, esse foi o momento da separação.

‘Por que então eu estou pendurada aqui neste tronco?! Então, a folha separou-se’.

Quando você passa ali na calçada e vê uma folha, a mesma folha que cinco minutos antes você olhou pela janela do sexto andar e viu uma árvore, como você a denomina agora? Folha caída!

Você já ouviu falar dos anjos caídos! Em algum lugar está escrito: Todo aquele que não se alimenta do meu corpo e nem do meu sangue, mesmo que ainda não saiba, está morto.

Neste jardim simbólico em que vivemos, cheio de simbolismos, simbolizou que a hóstia e o vinho eram o corpo e o sangue de Cristo, deveria-se beber vinho bento e comer hóstias, aí estaria tudo certo. Isto que aprendemos a fazer

Os jovens, quando começam a ter consciência de si mesmo, o que eles fazem? Eles negam a autoria. Eu também fiz isso. Quando eu era criança era tudo perfeito, eu não tinha que me preocupar com nada, tinha tudo. Mas chegou um momento em que eu disse ‘espera aí, se eu sou o Jorge , o que eu estou fazendo grudado nesses coroas aqui, eu quero dar o fora daqui!’ É a reconstituição da separação.

Me separei, fui morar em outra cidade, tinha momentos, por exemplo, em que eu me lembrava do ‘bife proibido’, era proibido porque o bife não estava na minha frente, mas na casa da minha mãe tinha, aí eu telefonava para casa, com uma fome! A mãe perguntava: -Como você está, meu filho? Eu não entregava os pontos e respondia: -Muito bem, estou ficando rico aqui!

A gente quer se separar até não poder mais, é o que nós fazemos. Então, é assim que deve ter acontecido esta separação. O fruto só ficou proibido depois que você se separou, mas ele é proibido até o momento em que você voltar.

Essa crença de que estamos separados é por isso, quando a gente está numa dificuldade a gente continua teimando que ‘eu vou resolver!’.

Participante: Porque temos medo da união?

Jorge: Porque temos medo de perder o poder de decisão, de escolha.

Imagina a seguinte proposição: Alguém chega e sugere que a partir de agora vamos vender tudo o que temos, juntamos todos os nossos bens, não importa se eu tenho cinco e você cinqüenta, compramos uma casa bem grande e vamos morar todos juntos.

Você acha que vai ficar sem, acha que não poderá mais retirar aquilo que colocou. Desta maneira podemos ver como é essa união que foi mencionada. Provavelmente nesta casa grande haverão vários quartos e demais dependências individualizadas, ou seja, vamos nos unir, contanto que fiquemos separados! (risos)

Eu ainda gosto da analogia das duas árvores de Hermógenes: Ao nível da matéria não temos que ter ilusões, porque enquanto no nível do chão, no nível da matéria nós sempre vamos ter opostos . Nas comunidades mais unidas brigam pelo poder, quem vai para a padaria, quem vai lavar o chão . As árvores de Hermógenes, para mim, são aquele exemplo que faz sentido. Perca a ilusão que na matéria você vai conseguir unir, a gente treina na matéria, mas a união acontece no nível das mentes. Quando acontecer no nível das mentes, você pode estar na tua casa e eu na minha. É isto que nós temos que trabalhar.

Participante: É um exercício e tanto, a gente conviver com uma pessoa e colocar amor durante 24 horas.

Jorge: A casa do Pai celestial é o amor. O amor é respeito e liberdade. Então, onde há respeito total e liberdade total a disciplina é desnecessária. A disciplina é necessária para alcançarmos a compreensão do que é liberdade e respeito. Quando você compreendeu, troca de nome, deixa de ser disciplina. Enquanto no mundo: Disciplina; enquanto no céu: Amor.

Podemos trazer isto ao estado da nossa mente onde nós estamos .

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele
me ensine a curar.

 

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