UM CURSO EM MILAGRES
29 DE JANEIRO DE 2003
4ª FEIRA

Jorge: Boa Noite a todos!

Obrigado por terem vindo!

Este Curso tem como a base a idéia de que os milagres devem estar ou deveriam estar acontecendo naturalmente na nossa vida. Deveriam acontecer naturalmente e também de que eles são naturais. Naturais no sentido de que todas as coisas que a gente possa querer, todas as nossas necessidades fossem supridas na mesma hora em que a necessidade fosse gerada. Seria uma coisa assim: Estou com sede, alguém vem e me dá um copo d'agua. Por quê? Porque milagres acontece sempre entre duas pessoas, entre dois irmãos, ou dois seres, ou dois humanos. Todas as pessoas, se vocês observarem, estão aqui a serviço das outras. Assim, eu estou aqui para servir outras pessoas. Então, aquilo que eu faço não é para mim, nada que eu faço é para mim, nunca. Mesmo que eu diga "Estou fazendo uma casa para mim". A casa é para outras pessoas, eu vou passar por aí, mas ela vai ficar para outras pessoas que virão depois de mim, depois da minha estada ali. Assim, todas as pessoas do planeta estão fazendo alguma coisa para mim. Por exemplo: Tem um chinês que está, agora, lá na China, com os pés afundados num banhado, plantando arroz e não está dizendo "é pro Jorge este arroz, eu tenho que plantar isso logo, logo vou ter que fazer a colheita, porque logo o Jorge vai estar com vontade de comer arroz e o arroz vai ter que estar limpinho, descascado, ensacado, no supermercado da esquina de onde ele mora", ele não sabe onde vai parar o arroz que está produzindo. É assim que acontecem as coisas. Isso é um exemplo de como estamos sempre a serviço das outras pessoas. O motorista de táxi, ele não está fazendo uma coisa para ele, ele está fazendo uma coisa para os outros, não é para ele que ele está lá no ponto de táxi sentado o dia inteiro. Se nós nos dermos conta, neste sentido, tudo o que nós fazemos é um serviço para outras pessoas, assim como o motorista de táxi que não tem nem idéia a quem ele vai prestar um serviço hoje, pode aparecer um chinês, um japonês, ou o Jorge, assim, também, o chinês, ele não tem nem idéia para quem ele está plantando aquilo. Os milagres também funcionam assim. Às vezes você faz uma coisa aqui e vai acontecer de chegar milagrosamente para uma pessoa que está do outro lado o planeta que jamais ouviu falar de você e de quem você jamais imaginou que existisse. Então os milagres deveriam acontecer de forma natural assim, quando você precisasse algumas coisa, alguém colocaria isto na sua mão no mesmo instante. O livro coloca, bem no início, desta maneira: Se os milagres não estão acontecendo naturalmente na sua vida é porque alguma coisa deu errada. O que pode ter dado errado é o que nós vamos trabalhar neste Curso. Para nós pesquisarmos, fazendo uma análise que o curso orienta, para ver o que é que estamos fazendo errado? Por que eu não tenho felicidade? Por que eu não tenho alegria? Por que eu não tenho paz? Por que não tenho amor? Por que não tenho as coisas que eu preciso? Então, o que é que está errado? Aonde é que deu uma coisa errada? O que é que eu fiz de errado? O que está errado no meu modo de agir, de proceder, por que eu não estou conseguindo estas coisas todas de que estamos falando, como a paz, a alegria, felicidade, amor e o suprir de todas as minhas necessidades? Neste caso, nós nos damos conta que tudo que precisamos é ter paz, alegria, amor, felicidade e as nossas necessidades supridas. Se temos isto, o que mais poderemos querer, desejar, o que mais poderá nos faltar? Não consigo pensar em mais nada que eu possa querer. "Ah, uma geladeira!" Se você tem necessidade, você vai ter uma, ou vai ter condições de adquiri-la. Porque nada poderá nos faltar, se estivermos plenos de amor, de paz, de harmonia, de felicidade. Um Curso em Milagres, é o título do livro, segundo o trabalho que este livro propõe, ele nos recoloca neste curso, no sentido, assim como o curso do rio. O curso em milagres, no sentido em que eles acontecem, na maneira em que eles acontecem, para a gente se recolocar dentro do curso para poder chegar aí. Nós somos, talvez, como um peixinho, não fora d'agua, mas fora do rio, a gente parou num lugarzinho à parte, à margem do rio, não estamos dentro do curso do rio, naquela imensidão de água.

Por que eu não consigo chegar lá?

Por que tem alguém que tem apartamento, tem casa e eu não tenho?

Por que é que tem alguém que tem carro e eu não tenho?

Por que tem alguém que tem amor, alegria e felicidade e eu não tenho?

Alguma coisa deve estar errada comigo! É neste sentido que nós vamos trabalhar.

Resumindo: Às vezes nós não temos as coisas porque está nos faltando amor. Se está nos faltando amor, o único remédio para falta de amor é amor. Este Curso não pretende ensinar para gente o que é o amor, porque isto está além do que pode ser ensinado, mas ele pretende nos ajudar a remover os obstáculos ao amor, é nisto que consiste a atividade do Grupo Luz, que é o Curso em Milagres, dentre as outras coisas que também a gente trabalha para remover obstáculos ao amor.

Temos uma meditação, nós a fazemos sempre ao abrir o Grupo e no fechamento às 21horas. Meditação é o ato de ditar a mim mesmo, aquilo que eu quero que aconteça e da maneira como eu quero que aconteça. Esta meditação está na página 30 do livro texto.

Não é necessário ter o livro para participar deste grupo de estudos, porque se nós tivermos um só livro, fazemos a leitura e vamos tentar compreender o que foi lido. Então, o livro não é uma condição para participar do grupo, quem quiser ter o livro pode tê-lo.

Após a leitura, cada participante pode fazer o seu comentário. Os comentários que fazemos no grupo, seguido de cada leitura são sempre assim: "a minha maneira de ver..."; "a minha maneira de ouvir..."; "a minha maneira de entender ou de perceber e de falar" e a minha maneira de dizer aquilo que estou sentindo o que estou falando ela vai ser sempre respeitada por todos os demais. Não vamos usar o que o outro falou para criticá-lo, por exemplo: "você não entendeu nada!"; "não é assim!". Não vamos criticar, julgar, condenar a pessoa que falou. Mas se eu tenho uma compreensão diferente, apenas digo "eu compreendo assim...". Sem criticar a maneira como a outra pessoa compreende. Assim todos podem se expressar, todos podem ensinar e todos podem aprender. Este é um curso que não tem professor, têm só alunos. Porque o papel de professor também compete a todos, então não tem só alunos, tem só professores, neste sentido. Como somos só alunos e somos só professores, cada um faz apensas a sua cooperação, se assim o desejar, depois fala "passo", passando então a palavra para a pessoa que está ao seu lado. Se não quiser comentar diga apensas "eu passo".

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje, sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele me ensine a curar.

PRINCÍPIO 18
Um milagre é um serviço. É o serviço máximo que podes prestar a um outro. É uma forma de amar o teu próximo como a ti mesmo. Reconheces o teu próprio valor e o do teu próximo simultaneamente.

Participante: Compreendi que, se me coloco no estado amoroso, posso oferecer milagres para um outro, que temporariamente não está conseguindo acessar sozinho. Então, estou me colocando à disposição do meu próximo para oferecer o que ele necessita, não conforme a minha compreensão, mas sim conforme a compreensão Daquele que conhece todo o plano, o Espírito Santo.

Participante: Às vezes, da janela do apartamento onde moro, eu ofereço milagres para as pessoas que estão passando na rua, isto me dá muita paz.

Participante: Pelo que compreendi, há uma ligação muito forte entre amor, milagre e Deus. Quando você tem amor, oferece milagres, que é o serviço oferecido. Este serviço que está sendo oferecido proporciona ainda mais amor, ainda mais milagres.

Jorge: Vocês vejam que interessante. Eu falava que o chinês, que está plantando arroz lá na China, não tem idéia aonde este arroz vai parar, mas ele está oferecendo um serviço, não sabe para quem, nem que efeito vai causar. Então, ele vai suprir uma necessidade minha. Quem de vocês, que sabendo que tem uma pessoa aí fora que está precisando de um chinelo, se você tem condições, você não iria prestar este serviço a esta pessoa? Você vê um velhinho que está com dificuldades para atravessar a rua, você vai lá e presta este serviço para esta pessoa. Se você vê que tem uma pessoa que está com fome, ela não tem um pão, as pessoas prestam o serviço de dar um pedaço de pão é neste sentido que fiz a abertura hoje, foi uma surpresa para mim, quando foi lido o Princípio onde diz: o maior serviço, que você pode prestar a alguém, é o milagre, é o máximo de todos os serviços. O milagre é mais que dar um pedaço de pão, é mais que dar um sapato, é mais do que dar o agasalho no fio, é mais do que dar o sorvete no verão. Quando eu vejo que alguém que tem uma necessidade, ao invés de oferecer o chinelo para ele caminhar, eu posso oferecer um milagre. Porque isto não é tão palpável! Como é que a gente oferece milagres? A gente oferece na direção vertical. Suponhamos que eu conheça uma pessoa que eu encontro na rua e diz "você não me consegue um cigarro?" Eu digo "mas você fuma e não tem cigarro?". Ele diz: "pois é, sou viciado, mas estou sem dinheiro para comprar o cigarro". Para tirá-lo daquela ansiedade até posso comprar um cigarro e dar para ele. Mas o cigarro não vale nada. Agora ele está num momento de muita ansiedade pela falta das nicotina. O que ele está precisando para livrar-se desta aflição, desta ansiedade, desta falta do cigarro para suprir a necessidade dele? Talvez um milagre possa fazer com que ele diga "não estou mais sentindo vontade de fumar". Então ele deixa de estar ansioso, preocupado, não sente a falta do cigarro. Usei isto como exemplo, mas poderia ser qualquer coisa. Se vocês passarem por alguém na rua e sentirem que esta pessoa precisaria de um milagre para que ela se recuperasse, voltasse a ter amor, paz, ofereçam um milagre para ela. Porque uma pessoa que está ansiosa em função de uma necessidade que se formou a partir de um vício ou de uma doença, ela não está em paz, não está feliz, não é uma pessoa amorosa. Vemos que as pessoas chegam a um ponto desta necessidade se tornar tão angustiante que são capazes de assaltar, de roubar para satisfazer a necessidade de uma bebida, de um cigarro, de uma droga.

Todos deveriam ter o pão para comer, mas não adianta eu dar só o pão para a pessoa, isto não vai resolver o problema da fome, assim como não adianta eu dar um copo de cachaça para aquela pessoa que está lá tremendo. Isto não resolve o problema da pessoa, apenas supriu, por alguns instantes, uma necessidade equivocada, daqui a pouco ela vai estar com aquela mesma necessidade, aquela pessoa a quem damos o pão também.

A partir deste ponto, justamente, para nós não julgarmos, mas a pessoa expressou uma necessidade, mas se ela expressou uma necessidade, uma coisa está errada. Ele não deveria ter necessidade. Neste sentido a gente eleva, mentalmente, a nossa intenção e oferece para ele um milagre. Mas sem julgar a necessidade, mesmo assim, ainda percebo a necessidade, posso não julgar, mas eu percebo. Eu percebo que uma pessoa que fuma, está sem cigarro e está tremendo, eu sei o que é isso, é a falta da nicotina que está causando isto. Isso a gente percebe e porque a gente percebe a gente oferece o milagre. Mas não julgar que ele é menos do que eu, porque está sem cigarro, não julgar, este vício é condenável, mas sim que a gente tenha a compreensão que esta pessoa está com uma necessidade, que ela não está bem , não está em paz, isso a gente percebe. Para eu oferecer um cigarro eu tenho que ter um cigarro, mas para oferecer um milagre eu não preciso ter, basta oferecer, isto eu posso fazer para qualquer pessoa, porque o milagre não envolve nenhuma espécie de julgamento. Não vou dizer "vou oferecer um milagre para você para ver se pára com este vício que é horrível!!". Quando você joga a tua intenção para cima você não precisa estar cheio de amor para oferecer um milagre, mas é um ato de amor você oferecê-lo. Só uma pessoa que sente amor pode oferecer um milagre, não que isto seja uma condição, porque uma pessoa que olha para o outro e não sente amor, não vai oferecer um milagre, vai oferecer só o cigarro. Vocês me perdoem, se tem alguém que usa o cigarro, bebida ou a droga, não falei no sentido de julgar ninguém, mas apenas para mostrar como funcionam as coisas no nível dos milagres. A gente percebe a necessidade sem condenar, sem criticar, sem julgar e com amor. Se eu falar "olha cara, eu vou te dar este cigarro, mas vê se dá um jeito de trabalhar prá não ficar pedindo cigarro; vou te oferecer um milagre para ver se você pára de fumar!" Desta maneira você não ofereceu um milagre, você ofereceu uma condenação, uma crítica, um julgamento. Você pode dar o cigarro ou não, isso não vai fazer tanta diferença, mas o milagre pode fazer a diferença para esta pessoa e faz para quem oferece. Você oferece para cima "olha, eu acho que esta pessoa está precisando de um milagre" e oferece um milagre com amor. As coisas que têm valor são as coisas verticais, porque é para lá que mandamos as nossas orações e é de lá que vêm as bênçãos. Então, oramos ou pedimos para cima e as bênçãos vêm de cima, a oração vai para cima e as bênçãos vêm para baixo.

O milagre é sempre um oferecimento de uma pessoa para outra pessoa. A gente não precisa pedir nada, apenas oferecer um milagre e vai vir para aquela pessoa dentro do tempo. Não me cabe condenar, apenas "ofereço um milagre para o Pedro, por exemplo", só assim, se você quer colocar uma intenção, não coloque outra a não ser amor, quem tem muito amor, todo o resto vem. O milagre é fácil, natural e está imediatamente acima da sua cabeça. Por que é que você não olha para cima? Se é aí que está tudo, então eu estou exercitando. Em cima da cabeça é no nível do céu, é dali que as coisas vêm, é do alto. Mesmo que não seja em cima da cabeça fisicamente, se as coisas tem que vir do alto, acima da minha cabeça já é o alto. Está na nossa mente esta divisão entre céu e cérebro, céu e razão, céu e ego, céu e terra. Dentro da compreensão da minha mente eu deposito as coisas daqui. O que é pedir um milagre? É pedir uma coisa que eu não posso oferecer de maneira física, porque dentro do plano físico eu não tenho aquilo para dar, então coloco aqui em cima o pedido, sem julgar, sem condenar e com amor.

No momento que eu coloco isso para cima, isto é um gesto de amor. No momento em que eu ofereço um grão de arroz para o outro, é um gesto de amor. Mo momento que eu ofereço uma alegria, isto é um gesto de amor. No momento que eu ofereço um milagre, o milagre é o serviço máximo que eu posso prestar ao outro, porque é uma coisa que está acima de todas as possibilidades materiais.Não tem nada acima disto, por isso é o máximo.

O milagre é um gesto de amor, o milagre é puro amor. Para você oferecer um milagre, o que se coloca ali, que a pessoa precisa ter muito amor para oferecer um milagre. O que tenho que entender é assim: "Ah, será que tenho tanto amor para oferecer um milagre?" Não tem amor grande ou pequeno, só tem amor, então é amor. Eu gero esse amor dentro de mim, no momento em que ofereço para outra pessoa. Isso é o oferecimento de amor e aí as coisas acontecem, primeiro para quem oferece, com certeza. Quando você oferece para alguém, você já recebe agora, o outro vai receber na medida que ele permitir receber. Por quê? Porque, às vezes, se pedem milagres e depois se diz que a pessoa não quis o milagre? Por que a pessoa demora para receber o milagre? Porque a pessoa, às vezes, tem medo até de receber um milagre.

Uma história:

Uma pessoa tinha muito medo, até de sair da sua casa. Ela estava com fome, lembrou-se então, que podia pedir uma pizza por telefone. Quando veio o entregador trazer a pizza, ela ficou com medo de abrir a porta. O rapaz falava:

"É a pizza!"

"Será que é mesmo, ou será que é o assaltante?"

"Não, é a pizza!"

"Não posso acreditar, pode não ser!"

As pessoas pedem e depois têm medo de receber, é isso que retarda o recebimento do milagre. Estas pessoas que ser santificaram, por exemplo, quantos milagres elas pediram para as pessoas. Por que nós não recebemos estas bênçãos? Talvez porque temos medo de aceitá-las, assim como a gente tem medo para abrir a porta. Uma pessoa com amor não tem medo de nada. Uma pessoa cheia de amor não tem medo de abrir a porta.

Participante: Temos medo de ser feliz, colocamos a felicidade num patamar inacessível.

Jorge: Temos medo de sermos felizes, de sermos alegres. A gente vai criando crenças a respeito disto. Quando eu era criança e estava alegre, brincando, ouvia sempre: "Cuidado, quem está muito alegre na sexta, chora no sábado". Isto bloqueia a nossa capacidade de ser feliz. Fui infeliz durante anos, quando aparecia algo alegre, pensava "não, é melhor eu não ficar alegre, porque depois vem o castigo, a tristeza". Não me lembro de ter chorado no sábado, mas diziam isso e eu acreditei, na sexta feira eu já não brincava mais, comecei a ficar alegre na quinta aí diziam que choraria na sexta feira. Eu podia brincar, mas não podia ficar alegre, feliz, porque no dia seguinte eu ficaria triste. Isto gera crenças nas pessoas, de modo que elas bloqueiam a felicidade, elas não querem a felicidade. Bloqueiam o amor "ah, o amor não existe!"; "ah, isto não existe", "isso não é para nós". Até para a gente ter prosperidade havia crenças, as pessoas diziam: "é mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico ir para o céu", então, é melhor eu ficar pobre. Isso é uma coisa que eu não sei de onde veio, mas as pessoas têm dificuldades de prosperar materialmente.

Participante: Para a pessoa receber um milagre, ela precisa estar no estado amoroso.

Jorge: O milagre vai ficar bem acima da tua cabeça até o momento que cessar o julgamento, aí você recebe. Por isso que a outra pessoa não recebe imediatamente. Por isso na nossa Meditação diz: eu serei curado na medida que eu permitir. O que é que me impede de permitir? O que é que me faz não permitir? É o julgamento e as minhas crenças. Do tipo assim: eu vou oferecer um milagre para você ser muito feliz!

Você já está muito feliz?

Não estou!

Pois é, a felicidade, agora está bem acima da tua cabeça, a tua disposição. Para você pegar esta felicidade toda, você tem que desfazer todas as tuas crenças do tipo "cuidado, não vá ficar feliz...; quando dá demais o santo desconfia; é felicidade demais; é muita areia pra meu caminhão". No momento que a pessoa pára de julgar ela recebe aquele milagre, podem passar anos, outros recebem imediatamente porque não estão julgando. Mas quando você oferece, essa é a parte mais interessante, no momento que você oferece, porque você não emitiu julgamento, você recebe. Quem oferece recebe na hora. Por quê? Porque você não põe resistência a dar.

Dar e receber são a mesma coisa. Vejam assim, quando eu vou dar um presente para alguém, o que é que estou levando naquele presente que eu quero que a pessoa tenha? É a alegria! Se eu estou levando alegria, a pessoa abre o presente e fica feliz e alegre. Quem fica alegre em dobro? É quem deu o presente! O milagre funciona bem assim. A pessoa pode pensar "ah, mas eu tenho muito pouco amor, o milagre não vai funcionar". Se você consegue mensurar o amor, dá o pouco que você tem, porque você vai receber em dobro. Se você tinha uma sementinha e deu, no momento que você vai oferecer e vai contar de novo, já tem duas. Daqui a pouco você oferece mais uma, quando vai fazer a contagem têm três. A alegria funciona assim. Quanto mais alegria você dá para as outras pessoas, mais alegria você terá, quanto mais amor, mais amor você terá. Quanto mais milagres você oferecer para os outros, mais milagres vão acontecer na tua vida. Lembre-se que, milagres são naturais. Você está passando na rua, olha para a pessoa e você pensa "vou oferecer um milagre para esta pessoa, ela pode estar precisando dum milagre , pois está com seus trajes esfarrapados". Percebo com a minha percepção que ele não está alinhado, acho que ele precisa dum milagre, porque o milagre diz que a pessoa tem que ter tudo e do melhor possível, "ó, estou oferecendo um milagre para o rapaz do terno esfarrapado". Pode ser que ele não ganhe um terno novo naquele momento, mas pode ser que você ganhe alguma coisa que você esteja precisando.

Estou colocando as coisas de maneira simples e direta, na verdade milagre não é um negócio, não é uma barganha, é uma lei e é assim que as coisas funcionam. Na lei física, quando eu dou a minha almofada para alguém, eu fico com uma almofada a menos. Isso é real ou não? Sim! Na lei do amor, dos milagres, é tão real quanto isto. Quando eu dou uma almofada, na lei física, eu fico com uma a menos, o veículo para levar o amor, alegria para a outra pessoa, mas eu vou ter o dobro do que estou dando. Será que isto não é muito 'viajante!' Então eu proponho para vocês experimentarem. Experimentem durante uma semana vamos fazer outra vez este propósito. Vocês vão perceber as necessidades das outras pessoas, vocês vão ver, se eu tiver com a meia furada, então ofereçam um milagre para mim, mas não porque estou com a meia furada e sim porque eu não estou tendo o que eu poderia ter de melhor, por isso eu preciso um milagre. Simplesmente ofereçam um milagre. Se vocês verem alguém na rua e nós vamos ver porque a visão é uma percepção, não tem como não perceber e todas as percepções são maneiras de julgar, não tem como eu usar os sentido da visão e dizer "ah, eu não vou julgar se é verde ou amarelo; se é baixo ou alto, se o terno está amassado ou não'. Se estou vendo, estou percebendo, não é para eu negar as percepções, é para usar as percepções, reinterpretar aquilo como uma necessidade que a pessoa tem . Onde há necessidade faltam milagres. Milagre é a expressão máxima do amor. É o serviço máximo de amor que você pode oferecer , então você oferece apenas o milagre. Olha para cima e a nível do pensamento, você oferece aquele milagre para a pessoa. Espera só o que vai acontecer com você! Observe com vão acontecer coisas na vida de vocês. É muito simples assim.

Participante: Posso oferecer milagres para alguém que não está presente?

Jorge: Pode oferecer. Eu digo assim, se você perceber, é porque você está vendo aquilo. Mas se você já sabe de alguém que está no estado de necessidade, não importa qual, a pessoa pode estar com depressão, com stress, dificuldades para arrumar um trabalho, por exemplo. Por que é que tem gente que tem um trabalho e gente que não? Por que é que tem gente que faz sucesso e outros não? Porque as pessoas que fazem sucesso conhecem leis que as outras desconhecem, ou conhecem mas não acreditam naquelas leis.

Teve uma pessoa que escreveu 'as sete leis espirituais do sucesso'. O sucesso, a prosperidade, a alegria, o amor observam determinadas leis, ou mesmo que não acredite, basta você exercitar, só uma esta que estamos aprendendo hoje: O milagre é o serviço máximo que você pode oferecer ao outro, ele vai suprir a necessidade do outro e a minha. Então supre as necessidades da pessoa a qual o milagre é oferecido e supre as necessidades daquele que oferece o milagre. Ás vezes as minhas necessidades não são aquelas que estou vendo, às vezes tenho necessidades que são muito mais urgentes de serem satisfeitas do que ter uma bicicleta nova, por exemplo. A bicicleta nova pode não ser o que vai encher você de alegria. Acontece algo que me enche de alegria, de amor de paz sem ter uma bicicleta nova. Não quer dizer que a bicicleta nova não possa acontecer, basta você exercitar, comece a exercitar.

Participante: Se milagres são interpessoais, se a pessoa já morreu, eu posso oferecer milagres para ela também, não?

Jorge: Se você acha que ela está precisando, pode oferecer. Só vamos oferecer para quem a gente acha que precisa. Por quê? Porque a gente trabalha dentro da percepção, não tem como negar isso, então eu posso oferecer milagres para qualquer pessoa. Lembrando, sempre no sentido vertical.

A idéia de que isso é possível acontecer pode ser nova para muitas pessoas. Você pode até dar um pedaço de pão para a pessoa, o pão você dá com uma mão e com a outra mão você oferece um milagre no nível da mente, aí você dá alegria e você recebe mais e quando a pessoa aceita a alegria, você recebe outra parcela. Como já falamos, às vezes a pessoa não aceita porque está julgando, mas isso não compete a nós julgar se a pessoa aceitou ou não, apenas oferecemos e pronto!

Fazendo uma analogia, outro dia eu vi como isso acontece, nossa impressora do micro não estava funcionando. Eu disse: 'vou mandar imprimir de novo para ver se agora funciona', logo a Raquel olhou e falou: 'têm 10 impressões na lista de espera'. Então funciona assim mesmo, você manda e fica lá esperando a hora em que a impressora aceitou o milagre da impressão, imprime 10 vezes, por exemplo.

O outro recebe aquilo que ele precisa e você recebe aquilo que você precisa.

Estamos fazendo duas leitura no livro. No início do livro têm 50 Princípios que vão dizer para gente os 50 mecanismos dos milagres, eles juntos compõe como o milagre acontece. Este que estamos estudando hoje, é um dos Princípios, é um dos mecanismos.

Livro Texto
Página 14

O SIGNIFICADO DOS MILAGRES

VI. A Ilusão das necessidades

3. A idéia de ordem de necessidades, que decorre do erro original segundo o qual alguém pode ser separado de Deus, requer correção no seu próprio nível, antes que o erro de perceber níveis possa ser de alguma forma corrigido. Tu não podes comportar-te de maneira eficaz enquanto funcionares em níveis diferentes. Todavia, enquanto o fazes, a correção tem que ser introduzida verticalmente, de baixo para cima. Isso é assim porque pensas que vives no espaço, onde conceitos tais como "para cima" e "para baixo" são significativos. Em última instância, o espaço é tão sem significado quanto o tempo. Ambos são meramente crenças.

Participante: Compreendi que só Deus é verdadeiro e a unidade que tenho com Ele, o resto é uma grande ilusão.

Participante: Como tenho a crença que estou separado de Deus, eu crio necessidades.

Jorge: Criamos o nível das emoções e o nível da matéria. O nível da matéria o que é? É como eu vou morar; Como vou me vestir: Como vou me locomover; Preciso dinheiro pra ir no supermercado, etc.

No nível emocional também criamos necessidades. A nossa única emoção verdadeira é o amor. Aí também criamos necessidades, porque preciso estar apaixonado; preciso ter alguém; porque preciso de afeto; preciso disto e daquilo...

No nível da mente, do intelecto, nós também criamos uma série de necessidades, preciso ter uma faculdade; preciso ter uma pós-graduação; mestrado; doutorado, faz tudo isto e aí precisa de outra faculdade. Preciso estudar mais, aprender mais, agora preciso saber o que os dinossauros faziam no final de semana, o que o jacaré faz na segunda feira; o que a lua pensa de noite e o que faz de dia. Tudo é necessidade que a gente tem a nível do intelecto.

As diferentes necessidades geraram diferentes erros, porque elas nos separaram, então, eu não sou mais Jorge, espírito, emoção, mente e matéria. Sou o Jorge matéria. Quando vocês encontrarem alguém na rua e perguntar "você conhece o Jorge?" Como é que vocês vão dizer se referindo a mim? Aquele que mora na rua tal, que é magrinho, é loiro! Não, este não sou eu! Viram como a gente se reconhece pelo corpo, pela aparência que a gente tem. É assim que a gente se identifica, isto é uma coisa bem separada do que eu penso. Você não falou da maneira como eu penso, 'aquele que pensa assim...assim...', ou 'aquele que está mais alegre, mais feliz, tem mais amor, ou tem mais raiva,tem mais medo'. A gente começa sempre por baixo, sempre começa pelo nível mais denso, o corpo físico, aí a gente começa se identificar, no nível do corpo, das necessidades do corpo e do dinheiro. Depois você vai para o nível emocional, depois para o nível mental. Depois você sabe que tem um espírito, não sei onde ele está, ainda está separado de mim. Tudo aquilo que a gente é, é que está mais distante de onde a gente está. Para corrigir isto, você tem que começar no sentido vertical, de baixo para cima. Assim começamos a fazer a correção das nossas necessidades, corrigindo os erros. Porque na medida em que nós corrigimos os nossos erros, nós corrigimos também, a compreensão do que são necessidades. Por exemplo, estou devendo 5 reais para a Andréia, magoei o Domingos e penseis mal da Reny. Por onde eu devo começar?

Tenho que começar pagando os 5 reais.

Porque isto está muito mais fácil do que chegar lá e dizer:

'Domingos você me perdoa por eu ter te magoado?' E muito mais fácil do que dizer:

'Reny eu quero que você me perdoe'.

Por que Jorge?

Eu pensei mal de você.

Você pensa mal do vizinho, vai lá e diz para ele 'pensei mal de você, me perdoa'. Se você quer começar a corrigir os erros, começa sempre pelo mais denso. Não é difícil pagar os 5 reais para a pessoa. Vejam como é fácil, estou devendo 5 reais no mercadinho, bem na esquina de casa, moro no meio do quarteirão. Se eu sair pelo direito que é o caminho mais curto para vir para o meu trabalho, vou ter que passar na frente do mercadinho e estou me arriscando a me encontrar com o dono do mercadinho e ele pode me cobrar. Eu não quero encontra ninguém no caminho que possa me cobrar, me castigar, por um erro que cometi, é assim que funciona. Tenho de volta a liberdade, a alegria, a paz e a felicidade. Então, quando diz ali, no sentido vertical, de baixo para cima é porque nós nos colocamos assim.

Não ter mais necessidades não é o equivalente a não ter coisas boas.

Participante: Gostaria de entender melhor a frase: Tu não podes comportar-se de maneira eficaz enquanto funcionares em níveis diferentes.

Jorge: É assim, eu não posso me comportar de uma maneira eficaz, não posso ter prosperidade em nenhum nível enquanto eu tiver dividido em níveis diferentes. Se eu não estivesse devendo 5 reais, não tivesse xingado o outro e do outra não tivesse pensado mal, eu não estaria dividido, estaria livre, me comportaria de uma maneira eficaz. Você não pode agir com integridade enquanto você estiver em dívidas, ou dividido em níveis. Isso quer dizer divisão, dívidas. Como é que eu vou conseguir produzir prosperidade? Se eu vou arrumar um emprego e se a Andréia aparecer lá para falar com o meu patrão e disser 'cuidado com o Jorge, ele pega o dinheiro e depois não paga', ele não vai me promover a gerente financeiro, ele vai ficar com medo que eu pegue o dinheiro da empresa dele e depois não pague. Uma pessoa que está dividida não consegue ser próspero, porque não é íntegra. Íntegro é o oposto de dividido. Esta divisão de níveis que ele fala, que a gente tem que começar a recuperar, é para no tornarmos outra vez pessoas íntegras, sem pecado, sem divisões, sem dívidas, sem erros, isso que é o pecado, sem medo de ir para lugar algum do mundo, não estou devendo nada para ninguém, não fiz mal a ninguém, sou livre.

Às vezes a pessoa tem mestrado, tem doutorado, tem pós-graduação e não consegue prosperar porque não tem integridade. São valores que a gente esqueceu, não se ouve mais falar de pessoas íntegras, esta palavra está em desuso. Para readquirir a integridade começa com as coisas pequenas, vai lá e diz 'não tenho a bala para te pagar agora, mas anota aí que eu vou pagar quando eu tiver, ou então você me perdoa'. Temos que começar a trabalhar com isto para temos prosperidades em todos os níveis.

Participante: Vejo muito forte nas pessoas a necessidade de obter uma vantagem, não importa se lícita ou não. Quando alguém consegue ludibriar o outro, a coisa é recebida como uma vitória.

Jorge: É uma inversão de valores. A pessoa leva uma vantagem momentânea e depois ela não é prospera na vida e daí não sabe porque. Aí fica difícil, a gente esquece. A pessoa, por exemplo, que não consegue prosperar, vai consultar com alguém e este diz para ela:"Ah, isso é alguém que está com inveja de você". Isto não existe. Vejam como temos que nos rever, porque é a chave para fechar as nossas dívidas, as nossas divisões que acontecem com as maior facilidade. Pode alguém dizer: "Ah, não, mas eu conheço uma pessoa que engana todo mundo e ele é próspero!" Isso é apenas uma ilusão de que está prosperando porque levou vantagem sobre a outra pessoa , isso não é prosperar, isso é construir na areia, isso não dura. Podemos ver quantas grandes fortunas, grandes impérios foram construídos à custa de enganar os outros, não existem mais.

Uma percepção que podemos avaliar de como as coisas funcionam é assim: Uma pessoa que não tem medo para ir no bar, ele vai com o fuzil na mão? Não! Então, quanto mais a pessoa está armada, mais medo tem. O medo é o oposto do amor. Por que as pessoas têm medo? Tem medo quem fez alguma coisa errada, é neste sentido. A gente pode observar, extrair daí uma aprendizado, olhando para mim mesmo. Como eu estou agindo no mundo? Eu também estou me armando, ou não? Eu também estou atacando os outros, ou não? Eu estou sendo uma pessoa amorosa ou uma pessoa que ataca os outros? Que joga pedras no telhado do vizinho? Como eu estou fazendo? É tudo uma escala, não tem maior ou menor. Se eu jogo uma pedra no vizinho é a mesma coisa que jogar uma bomba em cima de outro país, apenas é uma coisa que vai causar mais estrago do que uma pedra no telhado do vizinho, mas as duas coisas são um ato de falta de amor. Temos que aprender com o outro a olhar para mim mesmo e ver como eu estou me comportando.

MEDITAÇÃO:
Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje, sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele me ensine a curar.

 

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