UM CURSO EM MILAGRES
30 DE AGOSTO DE 2004
2ª FEIRA

MEDITAÇÃO:
Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

PRINCÍPIO 47
O milagre é um instrumento de aprendizado que faz com que a necessidade de tempo diminua. Ele estabelece um intervalo temporal fora do padrão, que não está sujeito às leis usuais do tempo. Neste sentido ele é intemporal.

Jorge: Milagre é uma forma de aprendizado. O tempo está a nossa disposição para o nosso aprendizado. O que é que nós temos que aprender? Temos que aprender a aprender! Vejam assim: Quando somos crianças e vamos para a escola, vamos lá para fazer o 1º grau, o 2º grau, o cursinho pré-vestibular, vamos cursar uma faculdade, vamos lá para aprender, depois vamos seguir o curso da vida. O curso é para o aprendizado. Estamos aqui para aprender o quê?

Quando entrei na escola eu tinha que decorar a tabuada, não aprendi nada com isto. O nosso sistema de educação acha que é difícil ensinar a pessoa a aprender e que é mais fácil ensiná-la a decorar. O que começou a acontecer? A professora pergunta ao Joãozinho: Temos 10 maçãs, tira 2 maçãs, quantas ficam? Joãozinho disse que não sabia, porque ele tinha aprendido isto com bananas. Então, ele aprendeu ou ele decorou? Ele decorou! É isto que fazemos a maior parte do tempo, nós decoramos e achamos que estamos aprendendo. Por exemplo, lemos a Bíblia de ponta a ponta, a ponto de chegar alguém e dizer “Ah, porque São João disse no Capítulo tal, Versículo tal e consta da página tal da Bíblia e a pessoa sabe até o número de linha que tem o texto”. Isto é muito interessante se a pessoa conseguiu aprender, mas se ela simplesmente sabe, porque decorou, não serve para nada. Ele vai apenas repetir o que está escrito na Bíblia. Então, nós estamos aqui, realmente, para aprender. Estamos aqui, porque ainda não aprendemos. É para isto que serve o tempo.

Uma historinha:

Por falar em Bíblia, o padre estava precisando um dinheiro lá na paróquia, então chamou algumas pessoas e as convidou para serem voluntárias para vender Bíblias. As pessoas aceitaram o convite e diziam para o padre “me dá uma”, outras diziam “me dá duas”, chegou o gaguinho e disse “meme daaá deez!” Aí o padre disse “mas você vai vender dez Bíblias, não quer levar de uma em uma?” Ele disse “naaaão, meme daaá deez!” O padre falou “está bem, leva dez”. No final do dia todos voltaram e alguns, que tinham levado duas Bíblias para vender, venderam uma, ou nenhuma. Quem tinha levado uma tinha recebido promessa de alguém que iria comprar amanhã, assim por diante. O gaguinho disse “veendi todas!” Perguntaram “mas o que você fez para vender as dez Bíblias?” Ele falou “eeu disse prro cara, tu quéquéqué coomprrraaá ou quéquéqué q’eu leia?”

Então, nós temos que aprender. O que é que nós temos que aprender? Com tudo e com todos! Enquanto nós não estivermos dispostos a sermos discípulos, nós nunca vamos alcançar aprendizado nenhum. Nós vamos decorar e repetir, e decorar o que aprendemos e repetir, mas na hora em que alguém perguntar “tenho 10 morangos, tira dois, quantos ficam? Respondemos “ah, não sei, só sei fazer a conta com bananas”.

Se nós conseguirmos aprender a aprender, aí sim nós vamos abreviar o tempo de aprendizado. O tempo na forma que nós conceituamos, que existe para a nossa consciência material. Veja, a criança não conhece o tempo, ensinamos para ela o tempo também. Aprendi isto, quando eu estava na casa da minha irmã, na época a minha sobrinha tinha 3 aninhos e ela gostava muito de roupas. No sábado ela ganhou uma roupinha nova para ir numa festinha no domingo, mas ela queria vestir logo. A mãe dizia “você só vai vestir amanhã”. Ela dizia “mãe, mas quando é amanhã?” “vou te explicar, minha filha, você vai dormir e quando acordar é amanhã”. Sem que ninguém se desse conta, a menina sumiu. O que ela foi fazer? Foi dormir! Daí a um pouco levantou e disse “já é amanhã?” Lembrem-se de vocês, quando crianças, se a criança tem consciência do tempo?

Mas ter consciência ou não do tempo não altera em nada. Por exemplo, a minha mãe, está com mais de oitenta anos, ela não tem mais noção do tempo. Ela pergunta “hoje é sábado, ou hoje é domingo?” Ela acorda de madrugada e diz “já é meio dia? Quero levantar!” Não tem mais a noção do tempo. O tempo realmente, não importa, se ela tem noção ou não. Ela ainda, mesmo assim, está no tempo. O tempo serve como medida para este plano. A única maneira de sair fora do tempo é ficar com Alzheimer, sai fora do tempo, como a minha mãe. Eu acho isso muito bom, mas não é o caso de trabalharmos isso agora. Mesmo não tendo mais noção do tempo, ela ainda tem que aprender algumas coisas. A criança, mesmo não tendo noção do tempo, ela também tem que aprender.

O tempo, tenha você consciência ou não, está a nossa disposição para o aprendizado. Esse tempo que está à disposição para o aprendizado, pode ser abreviado por um milagre.

Então é assim: Suponhamos que você leve 4 anos para concluir a faculdade e de repente, você senta lá e na primeira aula você tem um ‘insite’, ‘cai uma ficha’, pronto, você já sabe tudo. Você abreviou o tempo, não precisa mais ficar lá 4 anos. Pode ir lá e dizer “Eu acho que já sei tudo, quero fazer a prova final!”.

Eu imagino que ainda vou ter que estudar o Curso em Milagres por mais uns 30 anos, talvez, até aprender tudo. Pode ser que aconteça um milagre e eu aprenda tudo hoje. É isto que o milagre faz acontecer. Usei exemplos bem palpáveis, bem materiais para a gente ter um campo analógico.

O aprendizado que precisamos não é aprender a ler e escrever, embora sejam instrumentos que vão fazer com que o aprendizado seja facilitado, mas não é este aprendizado em si. Como acabamos de perceber, fizemos o 1° grau, o 2º grau, a faculdade e ainda sentamos aqui e nos damos conta que temos que aprender. Então, quanto eu ainda tenho que aprender? Veja, se eu ainda tenho tanto assim para aprender, é porque eu ainda não aprendi tudo, ainda preciso de mais tempo. Se acontecer um milagre, aprendo tudo de uma vez. Daí não preciso mais de tempo para aprender, isto não quer dizer que eu vou sair do mundo, quer dizer que vou ficar aqui de férias, já aprendi tudo. Posso ficar aqui mesmo usufruindo do aprendizado. Como o aluno que termina antes e não precisa fazer a recuperação, ele vai entrar em férias mais cedo. Aquele que não conseguiu passar na prova precisa de mais tempo para fazer a recuperação daquilo que não aprendeu durante o ano.

Milagre é uma intercessão no tempo, por isso, neste caso, ele é intemporal. Porque o tempo prescreve que você precisa de tanto tempo para ter uma formação universitária, se você conseguir fazer isto em menos tempo, você é liberado. Isto não é o que vai acontecer na formação universitária duma pessoa, apenas estou considerando no campo analógico.

O aprendizado começa quando você olhar para uma poça de lama e aprender com ela, aí você aprendeu. Quando você olhar para uma árvore e aprender com a árvore. Quando você olhar para uma nuvem e aprender com a nuvem. Não vou ficar perguntando “ah, o que a nuvem tem para me dizer?” Não se aprende perguntando, se aprende abrindo-se para a resposta. Não precisa perguntar, a resposta já está, você tem que decifrar a resposta. Este é o aprendizado que nós necessitamos, é isto que nós temos que aprender a aprender. O milagre pode abreviar este aprendizado. Intemporal, porque ele quebra as barreiras do tempo. Alguém dirá que não é normal que uma pessoa leva 20 anos para aprender a outra aprenda em 5 minutos. “Como é que você conseguiu?” “Como é que é possível?” Mas é possível!. Tem vários casos físicos, comprovados de pessoas que conseguiram, em todos os níveis, até mesmo no plano escolar. As grandes leis da física foram aprendidas porque elas já estavam lá. Ninguém inventou as leis, mas foram aprendidas pela observação.

Participante: Podemos chamar de milagres quando umas pessoas têm capacidades maiores de aprender do que outras? Casos, por exemplo, que são divulgados pela mídia como extraordinários.

Jorge: Estas capacidades todos nós temos, nós apenas não desenvolvemos. Algumas pessoas colocam assim: “Bom, todos são merecedores, porque que eu não recebo? Porque eu não faço por merecer! Porque merecer exige algo em troca, por isso que dar e receber é a mesma coisa. A pessoa que não dá nada, ela não recebe, porque ela não está disposta a dar algo em troca. Então para eu receber mais, receber um ‘insite’ destes, tenho que dar algo em troca, se não eu não recebo. O que eu tenho que dar em troca? O vazio! Por quê ? Penso 99 vezes e não sei nada. Pára de pensar e sente! Porque enquanto eu estou perguntando eu não estou deixando espaço para que venha a resposta , porque todas as respostas já estão aí. Por isso é que eu digo “não pergunte para a nuvem ‘o que você quer me dizer?’, decifre a resposta que ela está te trazendo, apenas isto”. Nuvem não fala, você tem que aprender a interpretar a nuvem, a decifrar a nuvem. Aí você começa a traduzir isto em aprendizado.

Eu já citei aqui, algumas vezes, o Hermógenes, é um grande mestre. Eu estive próximo a ele uma vez, numa palestra. Ele falou o seguinte: “Eu estava a observar um charco, buraco de lama suja e fétida. A luz do sol incidiu sobre o charco e o charco resolveu se purificar, aos poucos aquela água suja foi se sutilizando, vaporizando e subindo e à medida que se purificava acontecia o fenômeno da ascensão, até transformar-se numa nuvem . Uma vez nuvem, olhou para baixo e disse: “como lá embaixo precisa de pureza!” Então, choveu.

Uma pessoa que olha para um charco e vê isto? Ele descobriu como acontece a iluminação, como acontece a chamada ascensão, ou a purificação, ou subir ao céu, é isto que ele aprendeu. Como se faz para subir ao céu. Como se faz para se purificar, não importa quão sujo e fétido é o charco. Então a purificação está disponível a todos.

Nesta mesma ocasião, mas em outra historinha ele falou: “O raio de sol bateu sobre um monte de esterco. O monte de esterco não se transformou, o raio de sol também não”.

Quando nós não estamos dispostos à transformação, nós não nos transformamos, nem que um iluminado toque na nossa cabeça, nem que a luz do céu se abata sobre a nossa cabeça, se você não está disposto a se purificar, não adianta. Mas você também não consegue transformar a luz. A luz não iria se transformar, mas o monte de esterco poderia.

Vejam, o que é que nós temos que aprender, em resumo simples eu fiz aí uma analogia com as coisas físicas . Estas capacidades todos nós temos é só se dispor a desenvolvê-las. Na verdade as escolas se destinam a isto, auxiliar-nos a desenvolver as capacidades, porque o cérebro vem quase que bloqueado, é o instrumento do qual nós utilizamos muito pouco, menos de 10%. A gente tinha que aprender a ativar todos os neurônios. Com a única função de olharmos para um buraco de lama e aprendermos o que fazer para nós nos iluminarmos. Olharmos para um monte de esterco e nos darmos conta que, se nós não quisermos mudar, nós não mudamos, não importa que a luz se abata sobre a minha cabeça.

Participante: O cachorro, com sede, se aproximou dum lago para beber água, quando ele viu o reflexo dele, ficou com medo e se pôs a latir, fugia e se aproximava novamente do lago. Mas a sede era tão grande que deu um salto e mergulhou na água, aí compreendeu que o que afastava ele era o medo do seu reflexo.

Jorge: Este é o aprendizado que temos que desenvolver aqui e temos todo tempo à disposição para isso. Pode acontecer um milagre se você estiver disposto a um milagre. Os raios do sol estão disponíveis para todos, o sol nasceu para todos. Uns aproveitam a luz do sol para se iluminarem e outros não estão dispostos.

Instrumentos para o aprendizado, temos milhares e, muitas vezes, pulamos de um para outro , de um para outro, porque não aproveitamos nenhum para o nosso real aprendizado, pois não estamos dispostos.

Tem um conhecimento que diz assim: “Um bom mestre é muito difícil de encontrar, um bom aluno é mais difícil”.

Então, apesar de ser difícil encontrar o mestre, aparentemente tem mais alunos do que mestres, mas bons alunos são mais difíceis do que mestres. Por quê? Porque as pessoas vão nas igrejas, se agregam à religiões, à ordens místicas, a grupos que propõe o aprendizado, o desenvolvimento espiritual. Mas ao invés das pessoas entrarem naquilo, eles refletem a imagem de si mesmos. Projetam no grupo, na religião, na ordem a imagem de si mesmos. Então, o que fazem: “eu vou lá no grupo da religião A, percebo que lá tem uma boa possibilidade de aprender e eu chagar lá! Mas, outro dia eu vi o cara que fica lá ensinando, sair de lá e foi tomar uma cerveja. Ah, não vou mais!”

“Vou para outro lugar que propõe conseguir a mesma coisa através da meditação.

Aí vou lá, fico um ano, dois anos, três anos meditando, o cara me parece ‘supimpa’. Ele diz, não come açúcar, não toma café. Três anos depois, chego lá e ele está tomando um café cheio de açúcar! Então, vou procurar outro lugar”.

Então o que eu estou fazendo? Eu fico projetando na ordem, na igreja, na instituição os meus medos, os meus problemas. Porque não há mal nenhum a pessoa tomar um café , não há mal nenhum se um dia sair daqui e for tomar uma cerveja, mas pode ser que no dia seguinte não venha ninguém aqui, porque viu o Jorge tomar uma cerveja. Eu dei estes exemplos como analogia. Porque todos nós, estamos aqui porque temos que aprender. O próprio Curso em Milagres diz “você pode olhar lá para frente e ver o Jorge como sendo um professor, mas você tem que aprender que este Curso não tem professor nem aluno, porque o professor ensina aquilo que ele mais quer aprender e se é isto que ele está fazendo é porque ainda não aprendeu”. O aluno vem porque quer aprender e, às vezes, o aluno é o professor do Jorge, é com este aluno que o Jorge aprende. É com um ou outro, ou com todos que o Jorge aprende mais.

Há um ano, antes de hoje, eu estava mais distante do que eu estou hoje. Têm pessoas que ainda não despertaram, estão adormecidos para esta iluminação. Só estão na síndrome da diversão, no parque de diversões.A gente cresce e com o nosso crescimento, a única coisa que muda é o tamanho dos brinquedos. A brincadeira é a mesma. A gente acaba sempre trabalhando para o dono do parque e todos trabalham em função do parque de diversões. Quando você cansa de brincar com aquele carro que você tem, ou ele está ficando velho, você compra outro brinquedo, um outro carro para brincar de carrinho. Então todos os outros brinquedos que temos em tamanho maior, se você levar uma criança no parque de diversões, eles estarão lá à disposição da criança para ela brincar. Os nossos brinquedos estão aqui fora, no mundo, que é um grande parque de diversões. É claro que existe a síndrome da diversão, ninguém mais pensa em outra coisa. Alguns despertam para se dar conta que “espera aí, eu estou aqui para ficar só no recreio, ou estou aqui para ir para a escola?” Então, alguns entram na escola, outros ficam só no recreio o tempo inteiro trabalhando para o dono do parque. Porque para ficar brincando com os brinquedos do parque, você precisa trabalhar. A gente começa vendendo pipocas para depois poder ir lá e brincar um pouquinho, e assim vai. Passa o dia inteiro em função de vender coisas para o dono do circo para, assim, ganhar o ingresso para poder assistir o espetáculo. É isto que a gente faz o dia inteiro, trabalha para o dono do circo e esquece do aprendizado, esquece de ir para a escola, porque o circo, o parque de diversões nos parece mais atraente do que a escola.

Tenho um amigo, quando ele completou 18 anos foi fazer o vestibular em Curitiba e passou. Aí o pai dele, que tinha condições, alugou um apartamento, deu um carro para ele ir para a faculdade e todos os meses mandava um dinheiro para as despesas. Com apartamento, morando sozinho, carro, dinheiro, telefone , ficou morando um ano lá e não foi para a faculdade. O pai descobriu através da imobiliária, que acionou a justiça porque não estavam sendo pagos o condomínio e o aluguel, ele investiu todo dinheiro em festas. Esqueceu porque tinha ido para lá. É isto que acontece conosco. A gente vem com a função de aprender e se esquece.

Um dia uma pessoa me disse “ah, como eu queria comprar este livro, eu acho que preciso tanto deste livro”. Eu disse “não te preocupes, se realmente você estiver precisando do livro as condições para adquiri-lo vão aparecer”. Depois de um tempo esta pessoa ganhou um dinheiro extra, dava o dinheiro do livro e ainda sobrava um pouquinho. Aí eu perguntei para ela “agora vais comprar o livro?” Ela disse “não, sabe está acontecendo um show que eu quero muito ir..”. Pensei “foi-se o milagre do dinheiro do livro”. No dia seguinte, a mesma pessoa dizia “ah, mais eu queria tanto comprar este livro...se alguém me desse o livro”. Mas você já ganhou o dinheiro para comprar, mas gastou com outra coisa. Os milagres, às vezes, funcionam assim, a gente ganha e gasta com outra coisa.

O pai dá para a criança tudo o que ela realmente precisa. Quando eu era criança dizia para o meu pai “pai, eu preciso que comprar mais um caderno”. O pai me dava o dinheiro. Entre a minha casa e a papelaria, onde estava o caderno, tinha uma confeitaria, eu, já com o dinheiro no bolso, parava no meio do caminho e pensava,...mas o caderno...mas o doce,... mas o caderno ....mas o doce e aí, comprava o doce. Enrolava o meu pai, não dizia nada para ele. Uma semana depois eu dizia “olha pai, a professora mandou comprar outro caderno”, “mas de novo, meu filho!” Aí eu tinha que desviar para não passar na frente da confeitaria, mas ali também havia uma loja que tinha um brinquedinho que eu queria muito ...assim acontecia.

É isto que acontece com a gente, o Pai dá as condições de um jeito ou de outro, mas a gente desvia os recursos.

Quando a gente não tem as condições, falamos “ah, se eu tivesse condições eu iria”, aí as condições nos são dadas e nós não vamos e resolvemos fazer outra coisa. Nós fazemos isto o tempo inteiro. Vamos para o parque de diversões, nos desviamos da escola.

Mas aquele que, realmente, está disposto ao aprendizado, todas as condições necessárias para o aprendizado lhe serão dadas. Disto eu tenho convicção plena. A minha convicção vem da certeza de que assim é. Isto eu tenho visto acontecer constantemente, mas não fico triste, porque a gente não fica triste e além do mais tristeza não é um dos meus atributos, mas percebo que as pessoas, às vezes, quando recebem as condições, desviam.

Outro dia uma pessoa me contou uma história: Ela estava fazendo um curso no Senac e lá havia uma pessoa que estava muito necessitada, com grande dificuldade material. Fazia muitos testes e fichas para tentar conseguir um trabalho, um estágio, alguma coisa. E todos estavam torcendo para ela conseguir, porque ela realmente era uma pessoa que necessitava. Um dia ela chegou e disse: “Consegui um emprego num supermercado!” Todos ficaram contentes. Quinze dias depois a pessoa estava xingando o dono do supermercado “porque aquele emprego é uma droga; tem aquele defeito; tem aquele outro; exigem isto; tenho que trabalhar tantas horas...”.

Então, a pessoa pede, quando ganha não quer e rejeita. A pessoa quer ou não quer? Nós queremos ou não queremos? Temos um aprendizado a fazer, temos um instrumento que é o Curso em Milagres. Por isso eu estou aqui, provavelmente vocês também. Se esta é a razão de estarmos aqui, então vamos mergulhar nisto. Por quê? Porque o dia que nós aceitarmos e resolvermos mergulhar no curso nós vamos compreendê-lo com facilidade.

Nós não terminamos, mas o aprendizado termina. Deus não é aprendiz. Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus e somos semelhantes a Deus no poder de criação isso você vai encontrar, mas não na condição de aprendiz, Deus não é aprendiz. Se nós colocarmos assim, nós não somos semelhantes a Deus, é negar a nossa semelhança com Deus. Por quê? Porque nós aprendemos até o dia em que nós demos o salto, tudo que temos que aprender é dar o salto. Neste aprendizado no nível físico isso funciona assim.

O aprendizado é um só, isto é afirmação do Curso em Milagres e é a afirmação de todos os instrumentos de aprendizado análogos que eu conheço. Respeito a convicção de cada um. Como nós estamos aqui trabalhando o Curso em Milagre, ele coloca assim, então temos que estar abertos para aceitar. Enquanto não mergulharmos estamos projetando, estamos especulando, estamos vendo a nossa própria imagem refletida no lago e ainda estamos sedentos. Então, a sede acaba quando mergulharmos no lago, aí nós vamos ver se ainda precisa mais alguma coisa além disto, ou não. Nós fomos criados é para sermos co-criadores. Temos que estender a criação do Pai. Assim como neste plano, em analogia, todo pai que tem um empreendimento gostaria que seu filho assumisse este empreendimento, co-criando, junto com ele. Nisto nós somos semelhantes a Deus, por isso que diz ‘a imagem e semelhança’. Então é assim que nós devemos aprender e funcionar, enquanto nós não mergulharmos nós não vamos ter a certeza.

Por isto que eu sempre digo: “acreditar não serve para nada se nós não experimentarmos!” Posso dizer para vocês, dias e dias seguidos, meses e anos seguidos: “é assim”! Posso dizer para vocês tentar explicar, indicar literaturas, páginas na internet para vocês entenderem qual é o gosto do suco de jabuticaba. Se você não experimentar, por mais que você tenha estudado, decorado, desenvolvido intelectualmente, você pode aprender a ponto de dar palestras, cursos, escrever livros, mas se você não experimentar o suco de jabuticaba você nunca vai saber o gosto que ele tem. Muitas pessoas fazem isto, fazem cursos e discursos, outros fazem discursos sem nunca terem feito o curso. Isto se torna inconsistente, não tem consistência o discurso da pessoa, a gente percebe. Para fazer o discurso é preciso que antes você tenha feito o curso, primeiro carrega e depois descarrega.

Isto aprendi com outro mestre que me disse “Jorge, fui numa palestra, vinha uma pessoa do Rio de Janeiro para falar sobre um determinado assunto, o auditório estava lotado, sentei-me lá e vi o que a pessoa estava dizendo, não tinha consistência. O discurso era do tipo ‘água com açúcar’ que você encontra em livros de auto ajuda, que explica mas não exemplifica. Jorge, não importa de onde a pessoa veio, mas sim o que ela alcançou, o que ela aprendeu. Porque para ensinar alguma coisa e conseguir transmitir o aprendizado a pessoa tem que ter aprendido primeiro”. As nossas escolas estão cheias de exemplos de professores que não aprenderam, aí não conseguem transmitir o aprendizado porque não aprenderam, eles decoraram”.

Um dia precisei de um estagiário de contabilidade, então chegou da faculdade uma pessoa para estagiar contabilidade. Ficou aqui dois dias e percebi que a pessoa não queria nada com nada. Perguntei “você tem certeza que trabalhar com contabilidade ?”

A pessoa respondeu “eu vou lhe dizer, eu não quero trabalhar com contabilidade”.

Eu disse: “Então porque você veio, porque atendeu o chamado?”

A pessoa respondeu: “Porque os meus pais me pressionaram, já estou quase na última fase da faculdade e eles me dizem ‘vá arrumar um trabalho, um estágio, não é possível uma pessoa com esta idade que está terminando a faculdade e nunca trabalhou na vida...’, eu vim sob pressão, mas não estou interessada em trabalhar em contabilidade”.

Perguntei: Porque você está fazendo esta faculdade?

Estagiário: Porque eu achei que era bom para mim. Uma professora minha de contabilidade me disse que fez a faculdade e foi trabalhar numa empresa e daí descobriu que é horrível fazer a contabilidade da empresa. Então, ela foi fazer mestrado e resolveu ser professora. Eu vou seguir o mesmo caminho.

Jorge: Uma professora que trabalhou três meses numa empresa e desistiu porque achou aquele trabalho horrível, conseguiu uma bolsa para fazer o mestrado... tua professora contou isto?

Estagiário: Contou. Eu vou seguir o mesmo caminho, porque ser professora é fácil, mas trabalhar eu não gosto.

Jorge: Você me desculpe, mas você vai lá e diga para o teu pai que te sustente até terminar a faculdade, consiga uma bolsa e depois, talvez, você consiga ser professora e coitado do aluno.

O que esta professora aprendeu? Aprendeu a ser professora! O que ela está ensinando aos seus alunos? Para serem professores! Aqueles que se atreverem a buscar trabalho nas empresas podem ter sucesso? Só se milagrosamente alguém conseguir aprender.

Então, o que é que o milagre faz? Todos estes exemplos materiais que colocamos, são campos analógicos, porque nós sabemos que o que está em cima é igual ao o que está embaixo. São campos analógicos, se nós observarmos isto na matéria para aprendermos como isto funciona no sentido da nossa, vamos dizer, iluminação, do aprendizado real que temos que fazer.

Não temos que aprender a decorar o livro, ou ler um livro. Ler um livro não serve para nada. Quantas pessoas tem me dito “Jorge, comprei o livro, mas eu não entendi nada deste livro”. As pessoas vêm no grupo e começam a entender o livro, aí o aprendizado começa a acontecer. Por quê? Porque é melhor estudar em grupo, compartilhar o aprendizado, porque a nossa luz ainda é muito tênue. Nós somos iluminados, mas aonde é que está a luz? Temos a iluminação como uma capacidade, temos que potencializar esta luz. A lâmpada é luz também, mas ela é luz como capacidade. Usamos um potenciômetro para ir aumentando a luz da lâmpada. É isto que temos que fazer conosco, potencializar a nossa luz. A nossa luz é fraquinha, não conseguimos interpretar sozinhos. É essa a função do grupo, aumentar, potencializar a nossa luz, porque um sozinho não consegue entender aquilo e nem livro nenhum, e nem nada, por isso que as pessoas se agrupam e por isso que Jesus dizia: “quando um ou mais estiverem unidos no mesmo objetivo Eu estarei presente”. O Eu, a que se referia, não é a pessoa física, etérea, é a mente de Jesus. Por quê? Porque a mente Crística consegue clarificar, dar luz e dar força para os nossos neurônios, ligar os neurônios. Eu tenho alguns funcionando, você tem outros tantos, o outro tem mais tantos ..Assim, eles se multiplicam e juntos tentamos interpretar o livro, aí fica fácil. Por isso que a gente consegue entender. Um sozinho, é como tentar ler com pouca luz, temos muita dificuldade para interpretar o que está escrito. É para interpretar é que nós precisamos, porque para ler você não precisa vir aqui. É a interpretação que nós viemos buscar aqui não a leitura. Quanto mais pessoas estiverem unidas tentando interpretar o livro, mais luz nós teremos e mais facilmente se fará a interpretação.

Participante: Às vezes fico um pouco impaciente, com vontade de apressar o aprendizado.

Jorge: Quando caminhamos num lugar desconhecido e temos um guia, este vai na frente, mas ele está mais atento à pessoa que está mais atrás, porque ele não pode deixar que este fique para traz a ponto de se perder. O grupo sempre se estabiliza naquele que mais está precisando.

Participante: Eu estava vindo para cá e vi, caído no chão, um bichinho morto, primeiro achei que fosse um passarinho depois vi que era um rato. Percebi que eu estava julgando, fazendo diferença entre uma vida e outra.

Jorge:Tudo que nós trabalhamos aqui é para nós nos colocarmos numa posição de abertura para o aprendizado, porque não é aqui que a coisa tem que acontecer , aqui não acontece nada, aqui é a escola, o aprendizado vai acontecer decorrente do que nós trabalhamos aqui. Tudo isto que trabalhamos até agora te levou a ver o passarinho, ver aquele bichinho morto e de repente você viu e disse “ah, mas é um rato”, e quando você se deu conta do julgamento que você estava fazendo de maneira diferenciada, que você estava vendo diferença entre uma coisa e outra e se deu conta que estava vendo diferença que não deveria, você aprendeu. Me sinto muito feliz com isto, porque é todo esforço que eu faço aqui, para as pessoas aprenderem e quando alguém consegue aprender e vem aqui e conta, me sinto gratificado. Obrigado por compartilhar.

Participante: Às vezes fico pensando sobre nossos hábitos de matar certos animais, como as baratas, por exemplo.

Jorge: A gente tem que aprender que a barata tem uma função, ela é um dos bichos que tem uma das funções mais difíceis, que é limpar aquela sujeira que nem a gente vê. Então, se têm barata em casa, pode ter certeza, está faltando limpeza. Num ambiente extremamente limpo você não vê baratas.

Livro- texto
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Capítulo 2 - A SEPARAÇÃO E A EXPIAÇÃO

VII. Causa e efeito
2. Eu não posso permitir que deixes a tua mente sem vigilância, ou não serás capaz de ajudar-me. Trabalhar em milagres implica na realização plena do poder do pensamento de forma a evitar criações equivocadas. De outro modo, será necessários um milagre para endireitar a própria mente, um processo circular que não promoveria o colapso do tempo para o qual o milagre foi intencionado. O trabalhador de milagres tem que ter respeito genuíno pela verdadeira lei de causa e efeito, como uma condição necessária para que o milagre ocorra.

Jorge: Funciona assim, a expiação é o princípio ativo, é o que vai ativar, o milagre é o meio, o resultado é a cura. Tudo começa pela expiação.

Participante: Sobre causa e efeito, compreendi que temos que evoluir, ficar atento nas causas para purificarmos as nossas mentes para receber os sinais.

Jorge: Temos dois aspectos aí.

Primeiro - Se nós não vigiarmos a mente vai ser muito difícil acontecer um milagre. Porque a mente entra num ciclo vicioso de pensamentos equivocados que entorta toda a maneira de pensar da mente, chega num ponto que só um milagre mesmo pode desentortar aquilo, de tão retorcida. Conseguimos inverter, torcer , retorcer tanto os valores e as compreensões que chega num ponto que a gente não consegue mais sair daquilo, se torna um ciclo vicioso, por mais que a gente tente a gente não consegue tirar a pessoa daquele ciclo, ela está presa naquilo. Então, tem que começar a vigiar a mente, vigiar os pensamento, ou ‘pensa mente’. Vigiar o que a mente está pensando. O ‘vigiai e orai’ vai funcionar assim: vigiar, para ver que pensamentos você está gerando, se você se der conta que está pensando alguma coisa equivocada, orai. Porque quando você começa a rezar, o pensamento torto se desfaz. Por exemplo, estou pensando ‘tomara que o outro lá machuque o pé’, como é que eu faço? Puxo o pensamento de volta, mas a mente está num ciclo vicioso, não consigo parar de pensar naquilo, então, reza! Aí é que entra o ‘orai’, para nós ocidentais. Os orientais usam os mantras, é a mesma coisa. Repetem, OM, OM, OM, até que aquele pensamento se dissolver. Estamos num ciclo vicioso, a mente está tão torta que é muito difícil endireitar, praticamente precisa um milagre para endireita-la. Aí que vem o ‘orai e vigiai’.

Segundo - Diz no parágrafo que nós temos que nos dar conta da causa e efeito, enquanto não nos dermos conta a gente não consegue sair e nem fortalecer a idéia de vigiar os pensamentos.

Participante: Se eu pensar algo sobre alguém, então isto acontece?

Jorge: Todos os pensamentos acontecem. Você pode aceitar o pensamento do outro, porque tudo é uma idéia, tudo é um pensamento. Se eu conto um pensamento meu para você , podes aceitar aquilo ou não, se você aceitou você fortaleceu a idéia. Então deixa de ser ‘como eu penso’ e passa a ser ‘como nós pensamos’. Por isso que nós temos que vigiar mais os pensamentos, porque todos os pensamentos acontecem, sabendo disto nós temos que vigiar mais ainda. No estágio que nós estamos do livro, nós estamos aprendendo que todo o pensamento acontece, vigie os pensamentos e pensa só amor, daí você recebe só amor. Quanto mais você pensa amor, mais amor você vai receber.

Não importa se você pensa com intenção ou não, tem que começar a vigiar. Quando a tua intenção lógica, do tipo ‘ah, deve ser engraçado o cara cair’, não é que ele caia, não parece lógico racionalmente. Já falamos aqui que você pode ser processado pelo que você fez, pelo que você deixou de fazer e pelo que você falou, ou seja: palavras, atos e omissões, mas não pelos teus pensamentos, então achamos que os nossos pensamentos não têm efeito. Isto é negar o nosso próprio poder e por isto nós somos bloqueados. Porque nós achamos que nós não temos poder nenhum. Todo poder emana dos nossos pensamentos, tudo que existe que você possa perceber com os 5 sentidos, primeiro alguém pensou. Se nós estamos nesta sala aqui, é porque alguém pensou antes, se este teto está pintado é porque alguém pensou em pintar o teto, alguém pensou que cor seria, alguém pensou em colocar os cristais, se assim não fosse não estariam aí.

Vejam, tudo o que existe foi pensado. Tudo, em algum nível, o teu pensamento acontece, então você tem que direcionar o teu pensamento para construção e não para destruição. Só existem duas possibilidades, ou é construtivo ou não é. Se não é construtivo, é destrutivo. Ou é criativo, no sentido de construir alguma coisa, ou ele é destrutivo. Começa colocar os pensamentos neste nível. Não é ter intenção ou não, vigia os pensamentos. Por exemplo: “Ah, como seria interessante você cair com este tamanho todo”. Isto é um pensamento construtivo ou destrutivo? É destrutivo! Então, se é destrutivo você puxa o pensamento de volta e fala uma oração, reza, reza, reza...Quando você recebe o pensamento no cérebro a instrução do cérebro é ativar as cordas vocais e aí você tem que falar, não fala mas engole, igualmente ele está ali, é como guardar o pensamento no depósito.

É este o trabalho que temos que fazer. Lembra-te da lei da causa e efeito.

Participante: Eu gostaria de entender melhor, o que diz no parágrafo, sobre “colapso do tempo”.

Jorge: Ele explica que a intenção do milagre é colapsar o tempo, ou agir de forma intemporal, para isto que existem os milagres, para abreviar o aprendizado e não para desentortar a mente. A mente precisa estar aberta para ser o aprendiz, se ela está torta, você tem que usar um milagre para outra finalidade, então não é para abreviar o aprendizado, é para desentortar o instrumento. Temos que cuidar para que a mente esteja sempre funcionando direitinho, se não ela perde até mesmo a sua função.

No parágrafo diz, Eu não posso concordar que você deixe de vigiar a sua mente, se não ela começa a gerar pensamentos de criação equivocada, que são os erros. Isto pode criar um ciclo vicioso que vai fazer com que a gente precise dum milagre para desentortar a mente. O milagre não foi criado para desentortar a mente, ele foi criado para produzir o colapso no tempo, fazendo com que seu aprendizado ocorra antes de mil anos.

MEDITAÇÃO:

Eu estou aqui só para ser verdadeiramente útil.
Eu estou aqui para representar Aquele Que me enviou.
Eu não tenho que me preocupar com o que dizer ou o que
fazer, porque Aquele Que me enviou me dirigirá.
Eu estou contente em estar aonde quer que Ele deseje,

sabendo que Ele vai comigo.
Eu serei curado na medida em que eu permitir que Ele

me ensine a curar.

 

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